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quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

No seguimento das felicitações a Ana Sofia Antunes

No seguimento das felicitações a Ana Sofia Antunes em
http://fcsseratostenes.blogspot.pt/2015/11/finalmente-os-arrogantes-dos-xix-e-xx.htm

faço aqui um ponto da situação das obras de adaptação da estação Colégio Militar a pessoas com mobilidade reduzida, tristemente suspensas, sem que me interesse saber porquê e em que condições, mas apenas que se concluam.
Recordo que a administração em 2009 recusou o caderno de encargos e anteprojeto da obra, completos, que lhe enviámos, colocando-os na gaveta, que estas ações podem beneficiar de fundos comunitários, e que estações como Campo Grande, Baixa e Jardim Zoológico continuam em incumprimento, apesar de já estudadas e projetadas várias soluções ao longo dos anos e das administrações.
As fotografias são, também tristemente, atuais.


malhas que o marketing tece: trabalhamos a pensar em si?

questão não diretamente ligada à obra para adaptação a pessoas com mobilidade reduzida, mas fazendo conjunto com ela


há anos, um estaleiro falhado ocupando a via pública





terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Cirandando pela rua Ivens no dia 3 de dezembro, dia internacional das pessoas com deficiência, meditando na mobilidade reduzida e daí formulando uma sugestão ao metropolitano

Cirandando mais uma vez pela rua Ivens, no dia 3 de dezembro, dia internacional das pessoas com deficiencia, de novo me atardei a olhar para o edificio do número 34, fronteiro aos restos de uma dependência da secretaria de Estado da cultura, que lá deixou, decrépita como a sua alma, sua da secretaria de Estado, uma tabuleta identificadora.
antiga secretaria de Estado da Cultura

placa abandonada, metáfora do abandono da Cultura 

E também fronteiro ao palácio negreiro que agora abriga o refinado Grémio Literário.
O edifício do número 34 é ainda propriedade, ao que julgo, que o secretismo é a tragédia do negócio, permito-me assim contestar o aforismo do segredo do negócio, do metropolitano de Lisboa.
Nos idos dos anos 90, quando o rating da empresa era de vários AA, incluiu-se no projeto da estação Baixa Chiado uma ligação por elevadores da rua Ivens para o mezanino da estação, precisamente no interior do edificio do número 34.
Assim se cumpriria a diretiva europeia que obriga, melhor dizendo, obrigaria,  os edifícios públicos a estarem adaptados a pessoas com mobilidade reduzida.
Porém, as atribulações e a complexidade da construção da estação e da linha fatigaram os decisores do metro, não por serem eles a resolver os problemas, mas porque sofriam a pressão dos prazos que os senhores ministros queriam ver cumpridos para poderem vangloriar-se junto dos eleitores, e ainda a pressão dos sobrecustos sucessivos.
Por isso, já no fim da obra, como que naufragando a ideia à vista da praia, e porque o arquiteto contratado sem concurso publico (porque o brilho do seu nome era para quem o convidava, isto é, os representantes na administração da empresa do partido ganhador das eleições, incompatível com o concurso) apresentou uma solução de um milhão de contos, dir-se-á agora de cinco milhões de euros, foi decidido economizar e não se fizeram os elevadores no prédio do número 34.

Soluções alternativas mais económicas foram-se estudando, que sempre foi havendo no metropolitano técnicos capazes de as estudar e sempre foram mantidos contactos com o INR e associações como a ACAPO e a APD. Desde instalar o elevador na rua da Vitória, ou ocupando o espaço do restaurante Vitaminas, ou da antiga agência da casa da sorte na rua Garrett, ou até junto do largo do S.Carlos.
possiveis localizações dos elevadores (a azul os corredores ao nível do mezanino):
A - antiga casa da sorte na rua Garrett, com a vantagem de dispensar canais de controle por aceder a zona não paga
     B - esplanada de restaurante na rua Capelo, frente ao antigo Governo Civil                                                                      
C - largo de São Carlos                                                                                                                                                      
D - restaurante Vitaminas                                                                                                                                                    
E - rua da Vitória, junto à igreja                                                                                                                                          
F - escadarias de São Francisco                                                                                                                                          
G - localização originalmente prevista no nº34 da Rua Ivens                                                                                              


A - antiga agência da casa da sorte

 
 




B - esplanada na rua Capelo




C - largo de São Carlos








D - restaurante Vitaminas e zona de ligação ao mezanino, ao fundo das escadas




E - rua da Vitória


F - escadinhas de São Francisco



G - localização originalmente prevista na rua Ivens 34 e zona de ligação ao mezanino



Mas os sucessivos decisores, isto é, como se disse atrás, os representantes na administração da empresa do partido ganhador das eleições, foram-se opondo, sempre com a desculpa da falta de dinheiro, não obstante a existencia da diretiva europeia sobre as acessibilidades dos edificios de utilização publica, não obstante a existencia de fundos comunitários suscetíveis de aplicação neste campo. Aliás, a intenção dos próprios governantes é transigir no recurso a esses fundos, mas nunca para aplicação em infraestruturas. Dizem eles que lhes interessa mais a inovação e a competitividade sob novas formas de apoio às pessoas com deficiencia através da prestação de cuidados. São pontos de vista...
Ainda se conseguiu instalar, nas escadas do lado da rua do Crucifixo, uma plataforma elevatória. Não seria a solução ideal porque a sua utilização requereria o apoio de um agente da estação e,portanto, não garantiria a autonomia que se deseja à pessoa com mobilidade reduzida. Mas nem isso funcionou, ao que consta  por dificuldades de software detetados na altura dos ensaios de colocação em serviço...




Agora, que tão contentes andam os senhores governantes e os economistas que os sustentam com as estatísticas do turismo e do fluxo de entrada de dinheiros com os vistos gold por compra de imobiliário, ocorre-me à passagem pelo número 34 da rua Ivens esta sugestão ao metropolitano: que a venda do prédio seja feita a um preço mais favorável, mas com a condição imperativa da construção pelo comprador de 2 elevadores para ligação ao mezanino da estação. Por informação do segurança que costuma estar na porta do número 32, um antigo restaurante chinês, todo o prédio, até à esquina da rua Capelo, pertence ao banco de Portugal. Também podia ser um potencial interessado...o conjunto daria um grande hostel para turistas, ou gabinetes de start ups...
Seria mais uma parceria, uma espécie de negócio win-win.
Mas tenho pouca esperança, com a fama das parcerias...

PS em 24 de dezembro de 2014 - a referência ao palácio negreiro da rua Ivens onde se encontra o Grémio Literário fundamenta-se no livro Escravos e traficantes no império português, de Arlindo Manuel Caldeira, ed. esfera dos livros. O palacete foi mandado construir por Angelo Francisco Carneiro, primeiro visconde de Loures, cujo título foi outorgado por D.Maria II, e que ganhara fortuna no tráfico de escravos de Angola para o Brasil. Este complemento fica para mais uma vez se verificar a promiscuidade entre o poder político, que concede títulos, e o financeiro, em ações de branqueamento de dinheiro subsidiando partidos políticos.

PS em abril de 2017 - o prédio da rua Ivens já foi vendido pelo metropolitano. A plataforma elevatória foi inaugurada, ignorando a sua taxa de utilização. Está em construção um prédio na rua do Crucifixo, mesmo ao lado das escadinhas de S.Francisco sem considerar a ligação á estação para cadeiras de rodas, perdendo-se assim mais uma oportunidade e dando muito jeito a que continue a utilizar-se o argumento "não há dinheiro" 

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Hipocrisia na recusa dos direitos das pessoas com mobilidade reduzida

De há muito que no Metropolitano de Lisboa foi instituida uma hipócrita distancia relativamente ao cumprimento da lei sobre a adaptação das estações às pessoas com mobilidade reduzida. Por razões de custos alguns dos decisores contrariaram a lei defendendo uma discriminação através do recurso aos mini-autocarros da Carris com motorista especializado no transporte de pessoas em cadeira de rodas.
Só que a lei garante aos cidadãos nessas condições o direito a não serem discriminados.
A desculpa dos custos tambem cai quando se pensa nos fundos comunitários de adesão que ficaram por aplicar.
A estação do Colégio Militar é um exemplo da hipocrisia desta recusa.
O projeto para a adaptação da estação estava pronto para lançamento do concurso,  quando os decisores de então decidiram que o local previsto para a instalação dos elevadores deveria ser alugado, como foi, para uma loja de roupas.
O projeto foi alterado e quando estava novamente pronto para concurso os decisores recusaram a sua realização a pretexto da entrada em vigor da nova lei de contratação pública (embora a lei previsse a possibilidade de lançamento de concurso desde que a autorização fosse dada antes da entrada em vigor da nova lei).
Houve que proceder à remodelação do processo de concurso.
Seguiu-se uma colisão com a obra do novo edificio poente do centro comercial Colombo.
Finalmente a obra de adaptação da estação arrancou, concluindo-se as aberturas para as caixas dos elevadores.
Contencioso com o empreiteiro levou à interrupção das obras, ignorando-se quando serão retomadas.
Do textos de comunicação ao público do Metropolitano:
"Mobilidade e plena acessibilidade para todos os clientes é um objetivo prioritário para o Metro de Lisboa, sendo uma das suas prioridades estender a toda a sua rede a eliminação das barreiras arquitectónicas."
Embora dos mesmo textos constem as dificuldades financeiras, a verdade é que elas poderiam ser ultrapassadas com recurso aos fundos comunitários se houvesse efetivo empenho dos decisores.
Que não há, como se prova pelo exemplo da estação Colégio Militar e pela estagnação do programa de adaptação das restantes estações, nomeadamente de Campo Grande, Jardim Zoológico, Entrecampos, o que objetivamente configura hipocrisia.

Cartaz abandonado nas obras interrompidas ("trabalhamos a pensar em si"?!) de instalação de elevadores na estação Colégio Militar do Metropolitano de Lisboa

estaleiro abandonado das obras interrompidas de instalação de elevadores na estação Colégio Militar do Metropolitano de Lisboa

Cartaz no portão de uma escola durante uma manifestação de uma organização de defesa dos direitos das pessoas com mobilidade reduzida

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Rua Ivens, metropolitano de Lisboa

Ver na RTP2 a transmissão da cerimónia dos jogos paraolimpicos lembrou-me a resistencia sistemática, mesmo no tempo do endividamento fácil,  que muitos dirigentes do metropolitano de Lisboa opuseram à adaptação completa das estações à acessibilidade de pessoas com mobilidade condicionada.
Por isso escrevi este post.





Rua Ivens, edificio do metropolitano de Lisboa.
Comprado em 1997 para instalar o acesso à estação da Baixa por elevador a pessoas de mobilidade condicionada.
Projeto gorado por ter sido estimada a sua construção por 5 milhões de euros, a acrescer o custo dos equipamentos (matéria suscetível de financiamento QREN).
Do outro lado da rua, restos de uma dependencia do ministério da cultura e da secretaria de estado da cultura.

Sic transit , diziam os romanos antigos.