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sábado, 17 de outubro de 2026

Financiamento de 66 milhões de euros ao abrigo do programa Sustentável 2030 para instalação parcial do ETCS na linha do Norte

 Segundo uma notícia do Jornal de Negócios, abriu um período de apresentação de candidaturas para a instalação do sistema europeu de controlo dos comboios (ETCS), de Nível 2, no troço entre Granja e Gaia, a implementação do sistema de comunicações móveis ferroviárias (GSM-R) entre Campanhã e Entroncamento e a preparação do troço entre Entroncamento e Souselas para a futura instalação do ETCS de Nível 2.



Trata-se de um caso curioso. Invoca-se a interoperabilidade com as redes RTE-T  e a satisfação dos seus requisitos (da interoperabilidade destas redes), mas trata-se da linha do Norte que não é uma linha das redes RTE-T  mas que justifica o fundo de coesão com a integração com  a linha de AV Porto-Lisboa essa sim integrante das redes RTE-T. Será então mais um exemplo de fundos da coesão para modernização de uma linha existente como aconteceu na Beira Alta. Como referido pelo coordenador do corredor atlântico, parece que discutem o artigo 17.3 se linhas existentes de bitola ibérica migram ou não para europeia. 
Junto o aviso de candidatura para beneficiar dos 66 milhões 
https://sustentavel2030.gov.pt/wp-content/uploads/2026/10/Aviso-PACS-2026-27.pdf  , exclusivo da IP, com a candidatura a apresentar até março 2027 e com a decisão a tomar até junho2027 . 
O financiamento vem do  programa  Sustentável 2030    
https://sustentavel2030.gov.pt/  um dos 12 programas Portugal 2030 , por isso aparece a referência à ministra do Ambiente e Energia.
Como só são indicados os troços Gaia-Granja para o ERTMS,  Campanhã-Entroncamento para o GSM-R (sistema de radiocomunicações que com o ERTMS  compõe o ETCS) e Entroncamento-Souselas para substituição dos encravamentos de sinalização, deduzo que os comboios a adquirir para a LAV Porto-Lisboa só poderão circular na linha do Norte além do troço Gaia-Granja se estiverem equipados com o STM, coisa que ainda não foi divulgada. Igualmente se mantiverem a ideia da 4ªfase ser a quadruplicação de Carregado-Lisboa, neste troço os novos comboios só poderão circular se também instalarem neste troço o ERTMS/GSM-R ou em alternativa se instalarem o STM  nos novos coomboios . Os comboios existentes equipados com o CONVEL só poderão circular na LAV Porto-Lisboa se os equiparem com o ERTMS/GSM-R.
Confusos? Afinal o problema da isenção dos requisitos da interoperabilidade não era só da bitola e a ideia da integração para evitar transbordos, vinda do PFN, não parece boa (o projeto de uma rede deve incluir a simplificação dos transbordos em vez de aproveitar a construção de nova linha para reurbanizações das zonas das estações  por arquitetos de renome).

Aguardemos.

quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Prossegue a tragédia das mortes em passagens de nível, 8out2026, Praia do Ribatejo

 

https://omirante.pt/sociedade/2026-10-09-a-violencia-da-colisao-do-acidente-ferroviario-que-matou-condutor-na-praia-do-ribatejo-15c051d8


Não se põe em causa que os avisos sonoros e luminosos estavam a funcionar e que as cancelas estavam baixadas. No entanto, para além da hipótese de desrespeito ou desatenção pela vítima, deverá colocar-se em inquérito a hipótese de avaria do veículo sobre o pavimento irregular da PN ou um tempo demasiado curto entre avisos/abaixamento das cancelas e a chegada do comboio. Esta última circunstancia é agravada quando a travessia é feita a 90º (o que não era o caso, mas ajuda a compreender acidentes com reboques pela demora da manobra). Neste caso da PN de Praia do Ribatejo não é aceitável a falta de visibilidade devida à vegetação, devendo considerar-se no plano de fecho de PNs o fecho desta PN por existir outra a 730m para oeste. 



Imagens Google Earth. Em cima vista em planta, vendo-se a 730m para oeste outra PN que poderá justificar o fecho da do acidente; em baixo vista da aproximação da PN assinalando-se baixa visibilidade e cancelas de comprimento quase igual à largura da estrada


domingo, 11 de outubro de 2026

Connecting Europe Days, a Comissão Europeia e as redes interoperáveis transeuropeias TEN-T em setembro/outubro de 2026

 

 


"workplan" do coordenador do corredor atlântico 24set 2026:   https://1drv.ms/b/c/1ebc954ed8ae7f5f/IQBTMASVDy9LQaIzxhzmfU1HARloIZ3VlfzlAlhuuJnYG64?e=9VtLUY

 video do discurso da Presidente da CE:           https://www.youtube.com/watch?v=l3yJwnQw1dk

 


O discurso nos Connecting Europe Days


Gosto do nome Ursula. Faz-me recordar quando em criança vasculhava o Lello Universal e lia a lenda do martírio das onze mil virgens suas companheiras e admirava a reprodução do óleo do século XVI no Museu de Arte Antiga, o casamento de Santa Ursula com o príncipe Conan.

Por isso fui recetivo à imagem da presidente da Comissão Europeia no youtube, risonha, no seu video dos Connecting Europe Days , em  29set2026 .

Esperava eu ver, depois do início do discurso sublinhando a coesão entre os 27 países da UE na concretização, não de 27 planos nacionais mas de 1 só plano da união, mais um elogio à integração na Europa dos países bálticos que constroem o corredor Rail Baltica em bitola europeia normalizada, diferente da bitola russa pré-existente, quando a oiço dizer, vejam por exemplo a ligação entre Lisboa e Madrid, que será feita em 5 horas em 2030 e em 3 horas em 2034. Quando hoje cerca de 40 voos diários ligam as duas capitais.

Não era a data originalmente prevista no regulamento das redes interoperáveis trans-europeias TEN-T 2024/1679, mas depois de mais uma daquelas negociações pedindo adiamentos em que os gestores de infraestruturas espanhois (ADIF) e portugueses (IP) são pródigos, 2034 foi a data consagrada na "implementing decision" de 30out2025 para a interoperabilidade plena, incluindo a bitola europeia e o ERTMS, entre Lisboa e Madrid. E infelizmente duvido que mesmo a data de 2034 seja possível de alcançar com as graves limitações na capacidade de organização do trabalho e de planeamento na atual estratégia ferroviária.

Mas o discurso foi uma agradável surpresa, quando em Portugal nos debatemos com atrasos infindáveis das obras de modernização (na verdade, de recuperação parcial pós-ausência persistente de manutenção eficiente) virem-nos acenar com a substituição das viagens aéreas Lisboa-Porto e Lisboa-Madrid pela Alta Velocidade ferroviária. Esperemos que a cotação da TAP não seja afetada nas negociações em curso, até porque ficou combinado com a União Europeia a interdição dos voos domésticos quando houver alternativa ferroviária satisfatória (regulamento 2008/1008).

 

A ligação à Europa dos portos nacionais

 

Transcreve-se do workplan do coordenador do corredor atlântico François Bausch  apresentado nos Connecting Europe Days em 1out2026:

“O desenvolvimento da ferrovia de alta velocidade deve progredir em paralelo com a modernização dos hubs multimodais de passageiros, incluindo aeroportos principais e estações ferroviárias. Além disso, completar a infraestrutura requerida por um transporte ferroviário eficiente de mercadorias permanece essencial, em particular para fortalecer as ligações dos portos aos hinterland e suportar as cadeias de transporte combinado. ”

Esperemos ainda que se antecipem decididamente as datas previstas no regulamento 1679, a maior parte para 2050, de ligação dos portos da costa atlântica à rede de bitola europeia de Irun.

E ainda do workplan do coordenador:

“O desenvolvimento progressivo de uma rede ferroviária de alta velocidade baseada na bitola standard é essencial para assegurar serviços sem descontinuidade e com competição justa ao longo do Corredor”.

Podem os promotores dos eixos variáveis para mercadorias (a quem tecnicamente tiro o chapéu pela complexidade do tema) dizer que a diferença de bitola em Irun/Hendaye não é problema porque os meios de transbordo com reach stackers (empilhadores de contentores) e de mudança de eixos fixos ou bogies são rápidos, e mais rápida ainda a mudança automática da bitola dos eixos variáveis em movimento nos intercambiadores. Porém, mesmo neste último caso a simples mudança de locomotiva ou o recurso a trator (não existem locomotivas para mercadorias de eixos variáveis)  introduz uma demora, incomportável se se pretende transferir significativa carga rodoviária para a ferrovia. Aliás, dois argumentos são muito fortes contra a generalização de uma boa solução transitória e localizada como os eixos variáveis: (i) - são uma barreira para o acesso de operadores exteriores à península ibérica como já se vem verificando nos concursos de material circulante em Espanha e Portugal; (ii) - são grandes as dificuldades em caso de avaria longe do fornecedor dos eixos variáveis.

A razão de defender as ligações ferroviárias à Europa, sem constrangimentos temporais nos Pirineus, reside no maior valor em 2025 das exportações nacionais por meios terrestres (29099 milhões de euros ), maioritariamente por rodovia, para a Europa além Pirineus relativamente ao valor das exportações para Espanha (18038 milhões de euros), apesar de em peso serem menores (resto da Europa 5,72 milhões de toneladas ou 5,09€/Kg; Espanha 11,51 milhões de toneladas ou 1,57€/Kg).

Para conseguir a transferência da carga rodoviária para a ferrovia com as subsequentes melhorias ambientais será essencial antecipar as datas para a bitola europeia para mercadorias nas ligações à Europa do regulamento 1679 (2050 -rede "comprehensive" - Anexo I, mapas 7) . O que obviamente estimulará a atração de investimento estrangeiro. 

O exposto obrigará a uma coordenação rigorosa com Espanha de modo a assegurar a travessia do seu território pelas mercadorias nacionais através do corredor atlântico progressivamente em bitola europeia. Estimo a necessidade de construção em Espanha (aliás no seu próprio interesse como exportadora para o resto da Europa) de cerca de 800 km de linhas novas de bitola europeia e cerca de 240 km de “migração” de bitola ibérica para europeia.

 

E se fizessemos como na Irlanda? e como na Alemanha?

E se fizessemos como na Irlanda, empresa industrial estrangeira de dimensão razoável que se instalasse junto de uma das linhas de ligação à Europa beneficiaria por um período de 50 anos de um IRC igual em função da natureza do negócio e da empresa a 12,5%, 15%, 25% e 33%  (https://practiceguides.chambers.com/practice-guides/corporate-tax-2026/ireland) ? Isso seria aplicável aos interland de Leixões, de Aveiro, de Lisboa/Setúbal, de Sines (e porque não Faro? embora dependente de obras não previstas no acesso de alguma complexidade, mas que qualquer projetista holandês consideraria vulgares, tal como o rejeitado projeto do porto de águas profundas da Golada) e às linhas Aveiro-Salamanca e Lisboa/Sines-Évora-Badajoz. Terá a União Europeia objeções, por exemplo a condições especiais de acolhimento de investimento estrangeiro com redução do IRC a 10% por um período de 10 anos em função dos benefícios obtidos? Mas se as tiver será talvez por estar a pensar em regras de fiscalidade uniformes e então não deverá opor-se à mutualização de dívidas para investimentos reprodutivos. 

Outro exemplo suscetível de melhorar no estrangeiro a perceção do ordenamento de empresas em Portugal como fator atrativo poderá ser uma nova legislação laboral inspirada na legislação alemã, incorporando formas de cogestão como estímulo a um aumento progressivo e consistente da produtividade e da eficiência da organização e do planeamento do trabalho, com possibilidade de participação de trabalhadores ou seus representantes nos Conselhos de Administração e Conselhos Fiscais                                    ( https://www.deutschland.de/pt-br/topic/economia/a-cogestao-nas-empresas-alemas-regras-e-leis )

 

Pode não parecer importante, mas se fugissemos à disciplina partidária?

Pode não parecer importante, mas se fugissemos à disciplina partidária e dessemos uma volta ao sistema eleitoral? Calma, não seria preciso mudar a Constituição que já é muito clara no respeito pela igualdade entre cidadãos e subsequentemente pela proporcionalidade, pela possibilidade de votos uninominais e pelos referendos. Bastaria dar um jeito na lei eleitoral 14/79, nos artigos  12 (circulos eleitorais) e 21 e 23 (candidaturas). Não seria mau alterar também o 79 (possibilidade de voto eletrónico como na Estónia).

Quando atualmente verificamos nos partidos uma quase unanimidade no sentido de apoiar a política de exclusividade da bitola ibérica, naturalmente satisfazendo os setores de atividade e os operadores que não terão de se preocupar com a introdução de uma bitola diferente (como em qualquer situação em que tem de adotar-se um componente diferente do instalado, a solução organizativa é a que foi seguida em Espanha, gestões separadas na ADIF para a rede convencional, e na ADIF AV para a rede de AV) é legítimo supor que critérios de natureza política se sobrepõem, por via da disciplina partidária, às questões técnicas e socio-económicas. Daí a sugestão da votação uninominal. Já foram propostos diversos sistemas eleitorais nesse sentido, quer por constitucionalistas, quer por simples cidadãos, indica-se um deles                                                                        ( https://fcsseratostenes.blogspot.com/2025/06/seguimento-da-publicacao-dos-resultados.html )

 

O workplan do coordenador do corredor atlântico François Bausch ( https://op.europa.eu/en/publication-detail/-/publication/615f8e85-bcb9-11f1-81de-01aa75ed71a1 ) e o financiamento 

E chegados aqui voltemos atrás para podermos avançar. Regressemos às declarações de Ursula Von der Leyen sobre o financiamento das novas linhas ferroviárias. Não terá querido a senhora Presidente falar dos NRPP (National Regional Partnership Plans) ainda em sérias discussões na União Europeia, incluindo a dimensão do financiamento (450 mil milhões de euros para toda a UE e incluindo agricultura e pescas).

O limite que anunciou de 50 mil milhões de euros para financiamento do CEF-Transport no quadro comunitário 2028-2034 é manifestamente insuficiente para as necessidades da nova rede TEN-T até porque inclui 17 mil milhões para a mobilidade militar (500 mil milhões será suficiente até 2050 para concluir o respetivo programa da rede "comprehensive"?). Serão necessários outros meios, tal como referido pelo coordenador do corredor atlântico no seu workplan, apresentado dois dias depois da intervenção de Ursula von der Leyen.

A estimativa para o programa em França, Espanha e Portugal até 2040 é de cerca de 90 mil milhões de euros dos quais 78 mil milhões serão linhas novas de AV. Como reconhecido pelo coordenador, é dada prioridade à AV para passageiros e à modernização das linhas de mercadorias existentes (eletrificação, compatibilidade com comprimento dos comboios de 740m, eliminação de gradientes, transporte de semirreboques por comboio). A construção de linhas novas para mercadorias em bitola europeia fica adiada na península ibérica à exceção da ligação do terminal rodo-ferroviáriode mercadorias de Vitoria e do corredor mediterrânico.

Perante estas limitações, comprometendo a acima referida urgencia da ligação dos portos nacionais à Europa como estímulo ao crescimento das exportações, transferência para a ferrovia de carga rodoviária e atração de investimento, restará uma intervenção firme de cidadãos apoiados pelas entidades oficiais que aceitem os motivos do protesto.

E isso implica a alteração da estratégia ferroviária de ligação à rede única europeia e uma atitude mais crítica por parte do coordenador do corredor atlântico. 

Isso mesmo tem de ser compreendido e implementado pelos governos, no nosso caso de Portugal, Espanha, França e Alemanha, pelos gestores de infraestruturas desses países, IP, ADIF, SNCF e DB, agrupados no AVEP e no antigo RFC4 e especialmente pelos assesores nacionais junto da DG MOVE e da IP.

Para alcançar as melhores soluções técnicas e socio-económicas, o apoio da DG MOVE/coordenador do corredor atlântico poderá revestir a forma de concurso público internacional para seleção de consultores com referências internacionais.

O apoio técnico e financeiro da União Europeia perante a urgencia  dos investimentos duma nova estratégia é indispensável considerando as graves limitações financeiras do nosso país expressas, por exemplo pelo valor da dívida pública direta do Estado em dez2025 de 315 mil milhões de euros e o aumento médio anual dessa dívida pública direta do Estado desde 2017 próximo de 10 mil milhões de euros. Este valor é compatível com um saldo positivo do orçamento de Estado porque este cobre despesas correntes fora do perímetro de investimento no setor alargado do Estado ( resume-se este perímetro: empresas públicas como IP, CP, metros; fundos como o de resolução e institutos públicos; PPP e concessões; dívida comercial acumulada como hospitais e universidades; gestão ativa da dívida; reforço de depósitos do Estado).

Para além de uma melhoria na divulgação pública da decomposição da dívida pública direta do Estado desejavelmente com a supervisão do TdC, no setor dos transportes seria razoável integrar as empresas públicas de transporte e infraestruturas no perímetro orçamental. 

A direção financeira da União terá de fazer a sua parte, até para cumprir os artigos 170 a 172 do Tratado de Funcionamento da União Europeia (apoio às redes de transporte de ligação de regiões periféricas ao centro da Europa ), quaisquer que sejam os constrangimentos geo-estratégicos et pour cause, não só agilizando o cofinanciamento, mas também isentando os investimentos da contabilização nos défices públicos e suas percentagens dos PIB.

Como referido no workplan, espera-se o apoio das parcerias da CE e do BEI, JASPERS e InvestEU Advisory Hub. O workplan também refere que as PPP em França são definidas em função do tráfego efetivamente realizado, e não em função da disponibilidade e da capacidade. Igualmente defende o workplan a taxação ao nível local das NUT II e NUT III  como forma de financiamento.

 

A alteração da estratégia ferroviária

O primeiro passo para a necessária alteração da estratégia ferroviária será o reconhecimento da necessidade de dois orçamentos separados para a ferrovia, um para a gestão corrente da rede convencional, incluindo as modernizações, e outro para a gestão da futura rede de alta velocidade e transporte rápido de mercadorias  ( considerar o exemplo espanhol, ADIF para a rede convencional e ADIF AV para a alta velocidade), o que não impede naturalmente a existencia de zonas de ligação para transbordo ou mesmo curtos percursos com 3º carril. 

Imediatamente a seguir deverá alterar-se a ação diplomática com Espanha, recordando nas cimeiras a de 2003 da Figueira da Foz e implementando de forma coordenada uma estratégia de aproximação progressiva da bitola europeia dos portos portugueses com prazos coincidentes com os do regulamento 1679 para AV passageiros mas melhores do que os prazos ( maioritariamente 2050) para o transporte rápido de mercadorias. Considerar porém que um dos requisitos do regulamento 1679, para rentabilizar os investimentos é o dos novos troços em bitola europeia serem para tráfego misto, ao qual se veio juntar o requisito de satisfação das condições necessária ao dual-use.

A oposição a esta estratégia poderá justificar a acusação ao governo de Espanha de estar a proteger interesses instalados na operação  da rede ferroviária interna em bitola ibérica e na operação do transporte rodoviário de mercadorias para exportação para o resto da Europa. Acusação que será uma questão diplomática, análoga à induzida pelos sucessivos adiamentos pelo governo francês dos novos troços Hendaye-Dax-Bordeus.

A alteração da estratégia, em Portugal, deverá incluir o cumprimento dos artigos 40 a 42 do regulamento 1679, aliás referidos pelo coordenador, para elaboração até dez2027 dos SUMP (Sustainable Urban Mobility Plan) dos nós urbanos, incluindo as Áreas Metropolitanas. Isso colide com a atribuição à IP através das resoluçoes da AR 98/2024 e da RCM 77/2025 da definição dos traçados das ligações de AV , da ligação ao NAL e das redes suburbanas e metropolitanas (a complexidade técnica, nomeadamente para escolha da localização e dos modos de travessia do Tejo, túnel ou ponte, após sondagens recomendaria o recurso a concurso público internacional para seleção de consultor com referências).

Um papel essencial terá de ser desempenhado pelo coordenador do corredor atlântico, François Bausch apoiado pelo comissário dos Transportes, Tzitzikostas. Esse papel será principalmente a fiscalização constante da elaboração de calendários (definição de milestones, datas chave), dos concursos para  os projetos e as obras, da consistencia dos meios financeiros e da verificação das razões dos atrasos e dos meios de os corrigir.

 


segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Manfestação em 29 de julho de 2026 contra a linha circular do metro

Pequeno relato da manifestação: 

https://sapo.pt/artigo/peticionarios-contra-linha-circular-do-metro-de-lisboa-apelam-a-moedas-para-linha-em-laco-6a6a6ec3428c8106470a40bc

Notícia sobre a recusa da linha em laço pelo governo:

https://www.publico.pt/2026/08/01/local/noticia/dez-milhoes-governo-afasta-opcao-linha-laco-metro-lisboa-2183601

Convirá insistir que o que se pretende é a operação em todo o horário como linha em laço, sem misturas com uma operação da linha circular que obrigaria a cruzamentos de nível de comboios. O fornecedor da sinalização poderá fazer sem atrasos, dado que a mudança é só de software, um preço mais baixo que os dez milhões de euros de que fala o governo. Em termos de mobilidade da área metropolitana a linha circular é um erro e uma ilegalidade que ignora o PROTAML de 2002 que previa o prolongamento de Rato para Alcântara Mar com correspondência com a linha de Cascais em viaduto dispensando o erro da ligação desta à linha da cintura já saturada. Poupar agora implicará maior despesa no futuro para corrigir o erro, nomeadamente por causa da menor fiabilidade de uma linha circular relativamente a duas independentes. As validações no metro em Odivelas-Campo Grande já eram superiores às de Cais do Sodré. E se agora o governo diz que “estudos” mostram que a linha circular gerará menos transbordos, viagens mais rápidas (o problema aqui está na falta de comboios e de maquinistas, não chegando os encomendados para um intervalo de 3 minutos em toda a rede) e menos constrangimentos nas expansões (é precisamente o contrário, a ida ao Cais do Sodré complica as expansões futuras) que tenha a coragem de publicar esses “estudos” para serem discutidos, coisa que também não fez para “justificar” o erro  da localização da futura estação de metro de Alcântara, preferindo o medieval magister dixit quando em experiência de metros, lamento dizê-lo, nada tem de magister.


Dadas as caraterísticas dos decisores, não se espera que seja aceite a proposta de adoção exclusiva da linha em laço. Será acenada uma improvável extensão da linha de Odivelas de Campo Grande a Benfica ou até ao Hospital Fernando da Fonseca e Algés ou Jamor, constituindo um troço da linha circular externa prevista no PROTAML 2002. Mas serão apenas promessas não cumpridas.


Mais informação sobre o assunto, incluindo o esquema dos percursos na circular e no Campo Grande:
https://fcsseratostenes.blogspot.com/2026/06/o-problema-da-exploracao-da-linha.html

Contributos anteriores relacionados:

ordenamento área metropolitana Lisboa
https://1drv.ms/w/c/1ebc954ed8ae7f5f/IQC1Wq77cvVVQKkRQT0-fhr7AWfMeZGu1r2JeFYhi0x3N5k?e=Vj2yXb

orientações para novas linhas de metro
https://1drv.ms/b/c/1ebc954ed8ae7f5f/IQD0vUiL9rfhQqtyuKgGx6WOAYun_ashLjT-GCodIIaPl6k?e=6QQRIz

TTT e ligações AV a NAL
https://1drv.ms/w/c/1ebc954ed8ae7f5f/IQDkWT31QPArQrp0hT33bIPhAcO0pBChd2a4L9EVh3IE_JI?e=jEJE9Z










segunda-feira, 27 de julho de 2026

Acidente mortal em passagem de nível em Lancashire, UK em 15jun2026

 

https://www.railmagazine.com/news/barriers-were-raised-at-scene-of-fatal-level-crossing-collision

A particularidade deste acidente é de que a investigação concluiu que as barreiras estavam levantadas e as luzes avisadoras não acenderam, o que é obviamente inaceitável. 

O registo de outros  acidentes recentes                                         https://fcsseratostenes.blogspot.com/2026/05/26-de-maio-de-2026-mais-um-acidente-com.html   

mostra que o tempo entre a chegada do comboio à passagem de nível e o fecho das cancelas e início do aviso  pode ser demasiado curto, não deixando tempo a quem iniciou a travessia antes do fecho das cancelas para a concluir.

Embora seja um investimento elevado (não no caso de Lancashire), deveria ser obrigatório por força de intervenção da Comissão Europeia, a substituição de todas as passagens de nível porque a velocidade dos comboios é incompatível com a partilha das PN com a rodovia.

Por cá, continua o martírio, mais cinco vítimas em dois meses,                           https://omirante.pt/sociedade/2026-07-25-cinco-atropelamentos-ferroviarios-na-regiao-em-pouco-mais-de-dois-meses-f64b7c7b                                                                                                                    ignorando-se se atropelamento ou suicídio  mas, atendendo ao elevado número, parecerá tratar-se de acidentes devidos à configuração da infraestrutura. Sem menosprezo pelo profissionalismo dos colegas que trabalham no planeamento das possíveis soluções, que deveria ter sido suportado pelo PRR,    https://www.infraestruturasdeportugal.pt/pt-pt/plano-para-reducao-da-sinistralidade-em-passagens-de-nivel-2024-2030                                                                                                                                                a situação é intolerável.


quinta-feira, 28 de maio de 2026

26 de maio de 2026, mais um acidente com vítimas mortais numa passagem de nível, desta vez na Bélgica, em Buggenhout

O objetivo deste texto é deixar registado que a repetição de acidentes em passagens de nível comprova que é intolerável a existencia de cruzamentos nivelados entre o tráfego ferroviário e o tráfego rodoviário. As passagens de nível (PNs) devem ser substituidas por passagens desniveladas, esperando-se da Comissão Europeia, dado ser uma deficiência crónica associada ao desinvestimento na ferrovia, apesar dos repetidos elogios à contribuição da ferrovia para o combate às alterações climáticas, que contribua para a aceleração do programa de substituição das PNs que normalmente cada Estado membro tem, promovendo os meios financeiros e o apoio técnico à implementação dos investimentos. É urgente. 

Infelizmente, há vários anos achou-se que deteção automática de objetos e de aproximação de combios com atuação automática de avisadores e de barreiras era suficiente. Não é. Porque pessoas idosas ou veículos com reboques ou excesso de carga ou com momentânea avaria ou hesitação podem não ter tempo para concluir a travessia. Não usem a desculpa de que as barreiras estavam fechadas, podem ter começado a baixar no preciso momento em que o veículo cruzava a barreira. Convirá que o inquérito averigue a que distancia está um comboio quando é dada a ordem às barreiras para descerem, quanto tempo levam a confirmar que estão descidas e que procedimento existe se não é detetado o fim de curso? (distancia de travagem aproximada para 90km/h sem eletroímans de adesão aos carris com desaceleração de 1m/s2,   300m)

Segundo a estatística europeia                                                                            https://ec.europa.eu/eurostat/statistics-explained/index.php?title=Railway_safety_statistics_in_the_EU

em 2004 houve na Bélgica 5 vítimas mortais (VMs) em acidentes em passagens de nível num total de 13 VMs em acidentes na ferrovia. Em Portugal, em 2024 verificaram-se  4 VMs em PNs num total de 20 VMs na ferrovia. Estes números não incluem os suicídios (Bélgica 107, Portugal 34). Em termos de VMs por 1000km de rede ferroviária, tivemos em 2024 na Bélgica 2 VMs/1000km e em Portugal  6,2VMs/1000km.

Em resumo, para além do flagelo dos acidentes rodoviário, temos os acidentes ferroviários a exigirem uma atenção e uma ação que as sociedades presentes, possivelmente por deficiencia organizativa da sociedade em si, não conseguem desenvolver.

Sobre o acidente em Buggenhout já se comprovou que a carrinha se deslocava numa estrada paralela à via férrea e em sentido contrário ao do comboio. Tendo de virar à esquerda terá colidido com a barreira baixada (ou a barreira a descer terá colidido com a carrinha), seguindo-se uma hesitação e a colisão de frente com o comboio, recuando e batendo num poste.

https://www.rtbf.be/article/un-car-scolaire-percute-par-un-train-sur-un-passage-a-niveau-a-buggenhout-11729769

vista do lado oposto ao da circulação da carrinha antes do acidente; a colisão deu-se sensivelmente no local onde está a bicicleta da esquerda, junto de um poste contra o qual a carrinha foi projetada inclinando-o para a direita; são condições de segurança muito precárias, sem separação das vias férreas das rodovias
aproximação da PN e necessidade de virar à esquerda num ângulo inferior a 90º; não há visibilidade para a aproximação do comboio; a visibilidade dos semáforos pode ter sido prejudicada pela iluminação incidente da luz solar (8:00 da manhã, nascer do sol no lado de trás)



a posição da barreira levantada após o acidente é compatível com a hipótese, repito hipótese, de se ter dobrado sobre a carrinha e não ter sido colidida por ela



Recordo os recentes acidentes em PNs em Calais e Cannes em França, na Dinamarca e em Alpedrinha e em Loreto(Coimbra).
Artigo de Carlos Cipriano sobre a segurança ferroviária em Portugal:

O tráfego ferrroviário é incompatível com o rodoviário e deveria estar completamente segregado, à imagem do tráfego em autoestradas. Deveria existir um programa europeu para substituição das PNs por passagens desniveladas. Travessias com curvas com ângulos agudos como neste caso (tambem em Alpedrinha e Peso) deveriam ser imediatamente eliminadas. Se o Expresso viu as imagens (que deveriam ser públicas) pode confirmar se a carrinha bateu na cancela ou se foi esta ao baixar que se deformou ao bater na carrinha (existem imagens depois do acidente em que se pode ver a cancela aberta mas deformada, não destruida) e se é possível avaliar quanto tempo levaram as cancelas a fecharem (em Portugal cerca de 11 segundos após aviso sonoro e luminoso, estimando-se 30 segundos entre o aviso e a chegada do comboio à PN). Tempos insuficientes para uma travessia em curva apertada. Segundo um relatório da ERA 2% dos acidentes nas PNs devem-se a deficiencia ou morosidade dos veículos, não ao inicio da travessia após aviso de aproximação do comboio. A Infrabel deveria acelerar o programa de substituição das PNs e não condenar antes do inquérito o motorista (notar que a visibilidade dos semáforos poderia estar reduzida devido a incidencia de luz solar à hora matinal).
É evidente que a CE deve patrocinar a correção desta situação intolerável.

PS em 1jun2026 - Infelizmente o título está por defeito, no dia 26 de maio de 2026 ocorreu um segundo acidente numa passagem de nível na União Europeia, na Polónia, entre Poznan e Pila, com uma vitima mortal, numa colisão de um comboio com um veículo pesado que se incendiou. 
https://railmarket.com/news/passenger-rail/57339-train-truck-collision-in-poland-leaves-one-dead    Em vez de insistir que as barreiras estavam fechadas e os sinais de aviso operacionais, conviria que os gestores de infraestruturas divulgassem os intervalos de tempo entre o início do aviso na PN e o fecho das barreiras e entre o início do aviso e a chegada do comboio à PN, a que distancia da PN está a deteção do comboio e qual a  velocidade deste.  Para além do envio de condolências conviria que os decisores da CE dinamizassem os processos de substituição das PNs por passagens desniveladas fornecendo financiamento e apoio técnico. Não é preciso mais vítimas para perceber que o tráfego ferroviário deve estar completamente segregado do rodoviário e pedonal. Tal como as PNs estão é uma doença social.

sexta-feira, 22 de maio de 2026

Comentários a vários artigos

 

https://www.publico.pt/autor/samuel-alemao

Caro Samuel Alemão

Cumprimento-o pela sua produtividade e pela pertinência dos seus artigos.
Infelizmente os decisores sentem-se muito acima das questões levantadas e consideram explicitamente como não relevantes os argumentos que lhes são contrários.
Mas isso não impede alguns comentários.
1 - horário noturno do metro - como muito bem refere, o próprio metro diz que o intervalo noturno é essencial para a manutenção. E a manutenção, acrescento eu com base na experiência, é essencial para a segurança. Ainda recentemente houve um descarrilamento em Alvalade no início da exploração porque durante a noite uma intervenção mal planeada ou executada por quem não tinha preparação para isso escavacou um aparelho de mudança de via (seria outsourcing? não consegui saber com o muro de ocultação, embora saiba que os quadros de pessoal da manutenção de via têm sido barbaramente reduzidos  com critérios economicistas, ou armadilha da poupança imediata - vamos poupar agora o que for possível com a redução dos gastos com o pessoal para pagar depois o que for preciso com os custos dos acidentes provocados por falta de manutenção) e com as pressas para repôr a circulação o pessoal da sinalização mandou avançar um comboio quando outro aparelho de mudança de via não estava em condições de segurança. Entretanto houve outro descarrilamento num término, sem passageiros, mas prometi ao meu colega ainda no ativo não falar em pormenores.  
Neste momento mantem-se o esquema de uma rede geral em tensão, podendo isolar-se uma ou outra linha desligando a tensão. Por exemplo, linha verde sob tensão toda a noite com circulação para o Cais do Sodré, mas as outras 3 linhas sem tensão. Só que os procedimentos de segurança impõem atrasos na colocação de barreiras e lanternas que assinalam a parte de 3ºcarril sob tensão e as partes desligadas. Isso leva tempo. Para evitar isso pode estudar-se uma rede separada de tensão (alimentações isoladas umas das outras, mas terá de se estudar a geometria do sistema e instalar encravamentos que impeçam ligações erradas). Pode fazer-se, mas ainda não se fez. E na verdade, tirando eventos excecionais (Rock in Rio por exemplo na Belavista, pôde fazer-se um fim de semana com energia toda a noite, sem esquecer que as teorias economicistas também reduziram os quadros de maquinistas e não haverá pessoal que chegue para conduzir os comboios toda a noite, assunto a esclarecer) os sistemas complementares da Carris costumam dar conta do recado, a menos que também vão faltando os motoristas. Em resumo, não se pode ter tudo, cortar nos quadros de pessoal e ter disponibilidade permanente dos meios de transporte público.
2 - inauguração da linha circular no 1ºtrimestre de 2027 -  o aumento do custo dos 5 lotes da linha circular de 210 milhões para 380 milhões (preços de 2022, não atuais) pode ter muitas "justificações", da rotura das cadeias de abastecimento às sucessivas guerras, mas como fator desencadeador oculto temos os preços artificialmente baixos na fase de concurso e recusa de dar crédito a técnicos que assumam que com esses preços a obra não poderia fazer-se (seria a palavra dum técnico com base na sua deontologia contra  o critério classificativo em que as administrações preferem privilegiar o preço baixo, embora na verdade, a lei o sugira mas não obriga; há muitos anos, pelo contrário, havia uma portaria que excluia automáticamente o preço mais baixo, mas há muito que foi desativada). Em vão vários técnicos avisaram que a obra de ligação ao Cais do Sodré era viável mas as dificuldades técnicas aconselhavam a não as fazer por serem caras e que melhor seria desenvolver ligações às periferias em vez da pequena circular (decidida em 2009 por uma senhora secretária de Estado muito convencida das suas certezas, e ignorando ilegalmente e anticonstitucionalmente porque o art.165.z atribui a competencia legislativa do ordenamento do território à AR e não ao governo,no preciso ano em que a linha circular de Londres passou a ser em espiral ou laço)  
3 - tunel rodoviário sob a Calçada de Carriche - no princípio do século XXI os decisores de Boston decidiram encher a cidade de túneis para dar vazão ao tráfego rodoviário do transporte individual. Desprezaram o transporte público ferroviário e têm agora uns belos túneis congestionados que a gasolina nos USA é barata. Pelos vistos um admirador de Boston quer fazer um tunel com uma pendente de 4,7% e 1,5 km de comprimento da base da Calçada de Carriche até a um futuro largo do Lumiar junto do cruzamento com o viaduto do eixo Norte-Sul. Depois enchem a boca com loas à mobilidade suave e à sustentabilidade ambiental em lugar de corrigir a linha circular passando-a a linha em laço (tem o inconveniente de obrigar a mais 1 ou 2 comboios em comparação com a linha circular mas tem um indice de fiabilidade superior. Em resumo, estar a privilegiar o transporte individual em vez de prolongar a linha de metro de Odivelas ao Hospital Beatriz Angelo onde deveria haver um parque dissuasor para os utilizadores da A8 vindos de Ericeira, Mafra e Malveira é um mau investimento. Mas é difícil de explicar isto aos decisores. Desculpam-se com os automóveis e autocarros elétricos, quando as leis da Física explicam que a eficiencia energética de veículos com roda de aço contra o carril (menor resistencia ao rolamento) é superior á da roda de borracha sobre o asfalto (maior resistencia ao rolamento dada a deformação do pneu). Mas é difícil explicar as leis da Física aos decisores.  
4- prolongamento da linha vermelha a Alcântara - perdido naturalmente pelos atrasos o finaciamento pelo PRR, segundo a senhora presidente, a consignação para entrada em obra será até ao fim do 1ºsemestre de 2027 esperando-se que o BEI financie, bem como o orçamento de Estado. Foi uma pena, há mais de 2 anos, o estudo de impacto ambiental não ter sido reprovado e refeito o projeto comparando o traçado escolhido com o prolongamento em viaduto por cima da linha de Cascais em Alcântara Mar como tive oportunidade de mostrar aos projetistas da COBA em 2002 quando ainda estava no ativo no metro e se começou a estudar o prolongamento para Alcântara. Apesar de pedida a apresentação dos estudos comparativos com as alternativas ao traçado escolhido, nunca foram apresentados.É inconcebível pôr uma estação de metro com a forma de barracão em cima do acesso à ponte 25 de abril roubando-lhe vias. É inaceitável um traçado com curvas e pendentes fora do normativo do próprio metro. Também não parece correto ligar a estação de metro de Alcântara a Algés e Jamor através dum BRT. Se fizessem as contas ao valor das horas perdidas pelos utilizadores devido à velocidade comercial mais baixa e pelo consumo específico por passageiro-km superior no BRT talvez vissem que compensava prolongar o metro em tunel e sempre que possível em viaduto. Mas que se há-de fazer, os decisores têm sempre razão e como está na moda o BRT ... Entretanto a assembleia municipal de Lisboa pede ao governo a revisão do tipo de linha, circulsr ou em laço. Apareceram logo uns vivaços a pedir um horário para funcionamento em círculo e outro horário para funcionamento em laço, uma espécie de partilha diferida. Foi uma alegria para nós, no metro, em 1985, quando se eliminou a mistura dos 2 ramais no Marquês de Pombal, um para Entrecampos e outro para Sete Rios. Tinham uma aparelho de mudança de via comum o que provocava a extensão da avaria num ramal ao outro ramal. Passa.se coisa parecida com esta partilha diferida circular/laço. Se o intervalo entre comboios for de 5 minutos, há tempo para o sistema proceder à mudança do aparelho e coprovar a segurança do movimento. Mas em intervalos mais curtos, digamos de 2 minutos e meio, a garantia de que o novo itinerário está feito em segurança introduzirá perturbações nos itinerários para o çaço e para o circulo. É melhor não se meterem nisso. O que está contratado coma  Siemens/Sinalização é mudar os comandos dos aparelhos de via já instalados no Campo Grande para os itinerários automáticos em circulo (Odivelas-Telheiras e Campo Grande-Alvalade-Cais Sodré-Rato-Campo Grande). Mudar o software do comando da sinalização dos aparelhos de mudança de via para a linha em laço custará, estimo eu, à volta de 10 milhões de euros, por isso o metro insiste em manter o circulo. Possivelmente uma alteração do software para a referida partilha diferida custará um pouco mais mas tem o refrido inconveniente grave para a operação (intervalos entre comboios mais elevdos no período da mudança e menor fiabilidade por suscetibilidade a avarias nos aparelhos de mudança de via.
5 - linha violeta - parece estar o metro convencido de ser possível, após a autorização da CE para mudar de subfornecedor de material circulante da CRRC chinesa (por alegaddamente beneficiar de subsídios estatais no seu país) para a PESA polaca, prosseguir com a manutenção da adjudicação à Mota Engil, renegociando o financiamento. Pessoalmente, como apreciador de David Ricardo, parece-me que subsídio estatal é também beneficiar de condições de financiamento favoráveis como a CE já tem concedido a empresas europeias, ou simplemsnte conceder isenções fiscais . Mas como digo, isto sou eu a defender as ideias de David Ricardo que não era defensor de tarifas ou coisas do género. Ou como também se costuma dizer, invocando o exemplo dos automóveis elétricos, depois não se queixem. É que, não sendo eu especialista de direito de aprovisionamentos e de contratação pública, se o fabricante do material circulante mudou, a proposta deve ser reavaliada e a sua classificação necessariament mudada uma vez que as refer^ncias da PESA, embora honoráveis, não são comparáveis com as da CRRC . E então a solução teria sido anular o concurso e fazer um novo. Só que, salvo melhor opinião, o projeto da liha violeta é ilegal porque o troço Infantado-Loures-Odivelas estava numa linha LRT prevista no PROTAML DE 2002 que ainda não foi revogado. Além de, sendo uma linha em "U" não lhe prevejo grande futuro, para mais misturado com uma estrada com movimento razoável implicando baixa velocidade comercial e com necessidde 3,5km de túneis, quando o prolongamento do metro de Odivelas ao Beatriz Angelo seriam apenas 5km de túnel, viabiizando um parque dissuasor para o TI da A8. Mas os superiores planeadores do PFN já tinham decidido, ligar a linha do Oeste na Zibreira ao Rego e a Sete Rios com destino a Setúbal pela ponte 25 de abril. Pelos vistos não aceitam a razão de ser dos metros, a ferrovia duma área metropolitana. Trata-se de alinhar em mais uma moda, a das ligações diametrais, não bastava a do BRT, e continuam a acreditar no PFN como oba de inspiração superior. Pobre ferrovia portuguesa.   
6 - quadruplicação da linha do Norte entre Alverca e Castanheira do Ribatejo - encerrou-se a consulta pública e curiosamente foi feito um relatório circunstanciado com as discordâncias de cerca de 70 participantes. Infelizmente estas participações de nada servem, porque, como referido no próprio relatório, por mais pertinentes que sejam apresentados os argumentos contra a proposta oficial, o comentário é sempre o mesmo, são fatores irrelevantes E na verdade são, são irrelevantes perante a prepotência, a ignorância e a negligência de quem decide. Uma linha de Alta Velocidade não deve misturar-se com uma linha intercidades, regional, suburbana, por mais quadruplicada que esteja e por mais boas intenções que haja de acabar com as passagens de nível em zonas densamente povoadas. Ainda recentemente houve um acidente no norte de França num troço em que o TGV anda misturado com os cmboios regionais.  Aliás, todos os traçados de AV deviam ser revistos incluindo a localização da TTT, mas como digo, prevalece a prepotência e, como afirmado no relatório da quadruplicação Alverca-Castanheira do Ribatejo não foram estudados e quantificados trajetos alternativos, apenas escrito sem fundamento técnico que não é viável fazer túneis nas margens do Tejo (é preciso ser-se ignorante para escrever isto, e se é mais caro fazê-lo enquanto custos de capital no investimento, tem de se comparar os custos operacionais entre a solução túnel e a solução quadruplicação com todos os efeitos à superfície sobre Alhandra e Vila Franca. 

Enfim, podemos juntar a estas desgraças a entrega  à IP e seus assessores pela AR e pelo governo da decisão sobre os traçados das linhas de AV, do serviço do NAL e da TTT . Não espero nada de bom destes decisores, após os autoelogios e as autoglorificações no recente Railway summit no Entroncamento, no encerramento da gestão da atual administração da IP em que o ainda presidente Miguel Cruz não poupou nas palavras bonitas e laudatórias, depois de anos a contribuir para um futuro desastroso da ferrovia em Portugal. Do site da IP: "Na intervenção subordinada ao tema “Uma nova era para a ferrovia”, o presidente da IP, Miguel Cruz, abordou o papel estratégico da ferrovia no contexto europeu e os principais desafios associados ao futuro da mobilidade, defendendo uma abordagem integrada entre sustentabilidade, inovação, digitalização, resiliência e visão estratégica.
“A ferrovia deixou de ser apenas um modo de transporte. Hoje é um instrumento de política climática, um fator de competitividade económica e um elemento central da coesão territorial.”"
Palavras muito bonitas. Esperemos pela nova administração, para ver se ainda pode salvar alguma coisa. 

sábado, 9 de maio de 2026

8 de maio de 2026, mais uma morte numa passagem de nível

 Sentidas condolencias aos familiares e amigos.


Portugal foi o pior país da União Europeia em 2024 com 6 mortes na ferrovia por 1000 km de rede ferroviária (total 20 vítimas mortais)  para uma média europeia de 3 or 1000 km de rede.                           https://ec.europa.eu/eurostat/statistics-explained/index.php?title=Railway_safety_statistics_in_the_EU

Estes números não incluem suicídios, que em Portugal em 2024 atingiram 17 (entretanto foi criado o número de apoio 1411 mas não é divulgado em campanhas de sensibilização).


Atropelado pelo Alfa na passagem de nível do Loreto, a cerca de 1.100m a norte da estação de Coimbra, faleceu um peregrino integrado num grupo de cerca de 50 pessoas. Algumas das quais já tinham atravessado as vias quando as cancelas baixaram e os sinais acústicos começaram.

Sim, eu sei, os dispositivos de proteção estavam a funcionar conforme projetados. E também decorre presentemente um programa de eliminação de passagens de nível. Mas não existe campanha de sensibilização para os comportamentos positivos (ou a serem imitados) obrigatória para os canais de televisão nem obtenção significativa de financiamento comunitário. Tampouco se divulgam as circunstancias dos acidentes e o que deveria ter sido feito para evitar as vítimas mortais.

Pessoalmente, considero que a exploração de comboios a velocidades da ordem de 160 km/h e 200 km/h é incompatível com a existencia de passagens de nível. No caso de Loreto, estimei para distancias de visibilidade às curvas mais próximas 170m para o percurso ascendente e 480m para o descendente. Isso significa que o comboio atinge a passagem de nível depois de ser visto no percurso ascendente em 4s para 160km/h e em 3s para 200km/h. No caso do percurso descendente o comboio atingirá a PN em 10s ou em 8s, respetivamente. A travessia da PN por um peão a 3,5 km/h demorará cerca de 10s (mesmo fora das vias estará sujeito ao efeito de sucção) . Mesmo que se aumente o tempo de aviso continuará a existir risco com ou sem desobediencia aos sinais.

Em resumo, impõe-se o desenvolvimento de campanhas de sensibilização pela positiva e reforço do financiamento e da capacidade de execução da eliminação das PNs. Assunto a mercer a atenção da comunicação social.

vista em planta da PN de Loreto, N para a esquerda

vista para a aproximação do percurso ascendente

vista para a aproximação do percurso descendente









quarta-feira, 8 de abril de 2026

As posições oficiais perante acidentes rodoviários ou ferroviários, em Portugal e na França

 

Peço desculpa por escrever "a quente" sujeitando-me a fazer afirmações precipitadas. No entanto, penso que devo fazê-las na esperança de que a comunicação social não deixe morrer os assuntos que são de natreza pública. Escrevo com indignação porque Portugal tem dos piores níveis de sinistralidade rodoviária e ferroviária. Vítimas mortais por milhão de habitantes na estrada em 2025: média na EU 44, em Portugal 58 . Vítimas mortais na ferrovia por mil km em 2023: média na EU 2,6, em Portugal 6 .
Por isso, apesar da bem intencionada intervenção do senhor ministro da Administração Interna apelando à prudencia na condução, não posso concordar com o lavar de mãos sob a forma duma "falha coletiva". escondendo a inação dos sucessivos governos, por exemplo na revisão do Código da Estrada e na fiscalização de velocidades excessivas.
A minha indignação é também porque os senhores governantes dos outros países também se desculpam com as falhas das vítimas. Escrevo também impressionado pelo acidente de hoje, 7 de abril, colisão de um TGV com o reboque de um camião de transporte de uma peça de uma ponte militar. O comboio era de facto um TGV mas a linha era regional, isto é, os projetistas cometeram o erro de pôr comboios de caraterísticas dinâmicas diferentes utilizando a mesma linha em simultaneidade, além de que um TGV mesmo a 160km/h é incompatível com a existencia de passagens de nível por razões de segurança. Apressaram-se "as autoridades" a dizer que a passagem de nível funcionava normalmente e que as cancelas estavam baixadas. Não é esse o relato do motorista do camião, parou quando as cancelas estavam baixadas e viu passar um comboio regional. As cancelas subiram e ele arrancou. Imediatamente a seguir as cancelas baixaram e o TGV apanhou o reboque. Há fotos que comprovam que as cancelas mais próximas da posição de arranque do camião estão levantadas, tendo ele batido nas cancelas opostas. Evidentemente que isto tem de ser confirmado pelo inquérito, mas é indigno virem a correr "as autoridades" dizer que a culpa é das vítimas, acusando o motorista do camião de homicídio involuntário. Um relatório da ERA (Agencia europeia ferroviária) de 2024 diz que 2% dos acidentes em passagens de nível não estavam relacionados com o comportamento das vítimas. 

É indigno levantar um processo por homicídio involuntário sem que o inquérito descubra primeiro as reais circunstâncias do acidente. É indigno continuarem a existir tantas passagens de nível e tantos acidentes atribuindo as culpas apenas ao comportamento das vítimas e não aos governos e aos gestores das infraestruturas. Segundo a SNCF em 2024 foram 89 acidentes em passagens de nível com 20 mortos. Ainda em 25mar2026 tinha havido uma colisão de um regional com um camião transportando no reboque uma cabana para campismo, com a morte do condutor do camião em Saint-Raphael, uma cidade turística perto de Cannes.

Em Portugal decorre , como aliás em França, um plano de eliminação de passagens de nível. Veremos se eles são executados e com que velocidade. 

Os tráfegos devem estar segregados.

Acidente em Noeux les mines/Pas de Calais

semi-barreira mais próxima da posição de arranque do camião levantada (lado direito do camião), isto é, não terá sido percutida


semi-barreira do lado esquerdo do camião levantada; ausencia de vestígios da semi-barreira mais afastada da posição de arranque do camião, indício de ter sido percutida


localização de Noeux les Mines
localização da passagem de nível do acidente







Acidente em Saint Raphael/Var                                                                                            https://www.franceinfo.fr/var/les-conducteurs-se-retrouvent-pieges-une-faille-du-passage-a-niveau-est-elle-la-cause-de-la-collision-mortelle-dans-le-var_7894079.html 



Vista da passagem de nível de Saint Raphael com indicação de lomba


Localização da passagem de nível em Saint Raphael em zona turística