quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Depois da notícia da inauguração da autoestrada ferroviária Valencia-Entroncamento e da ligação ferro-marítima Alfarelos-Barcelona-Istanbul

 


https://www.transportesenegocios.pt/ae-ferroviaria-valencia-entroncamento-ja-opera/

https://www.transportesenegocios.pt/klog-liga-alfarelos-a-istambul/

Sobre a autoestrada ferroviária Entroncamento-Valencia penso que se pode dizer o mesmo que sobre os 1000 km para Barcelona quando temos o porto de Sines mais perto. 
No fundo, as razões dos respetivos operadores fazem parte da justificação do seu desprezo (dos operadores nacionais e de alguns espanhois) pelo regulamento 2024/1679 das redes transeuropeias TEN-T e da obrigação da interoperabilidade, bitola UIC para as interligações com a Europa. Do anexo II  deste regulamento faz parte uma lista de nós urbanos com terminais rodo-ferroviários que inclui Alfarelos e a Bobadela (esta praticamente eliminada para substituição por um parque de lazer).
Mesmo em Espanha, a quota modal de todo o transporte, o transporte de mercadorias por ferrovia é insignificante, talvez cerca de 5%, sendo em Portugal de cerca de 4%  (se considerarmos apenas o transporte terrestre intra fronteiras, a quota ferroviária é de cerca de 14%). Por exemplo, não está prevista a utilização da ligação Oropesa, na fronteira da provincia de Toledo, para Madrid em bitola UIC para mercadorias; o que estão a fazer na linha Badajoz-Puertollano-Alcazar de San Juan-Madrid é apenas eletrificação e não mudar a bitola.
Logo, sendo reduzido o mercado ferroviário, é possível criar oportunidades de crescimento do mercado interno com as linhas de bitola ibérica existentes, com transporte de semireboques ou camiões nas autoestradas ferroviárias . Para mais, há a vantagem de os operadores existentes se protegerem da invasão de operadores estrangeiros que evidentemente não vão comprar locomotivas de bitola ibérica. Notar que a Medway compra locomotivas de bitola ibérica para o mercado peninsular e locomotivas de bitola UIC para as ligações a França, Alemanha e resto da Europa. Portanto, temos aqui um exemplo de que o interesse de empresas  pode não coincidir com o interesse público (apesar de aumento da receita fiscal) que, no caso português, era ter ligações à Europa em bitola UIC atravessando a Espanha para facilitar a exportação de bens e a transferencia de carga rodo para a ferrovia em termos de redução de emissões do regulamento 1679. Isto é, em termos de concorrência , temos falha de mercado por assimetria no acesso.
A Klog, sendo uma empresa de logística, pode escolher estes trajetos porque a rede ferroviária portuguesa é de facto extremamente limitada em traçados de ligação dos portos a Espanha e à Europa, mesmo em bitola ibérica, além de que o percurso maritimo por Gibraltar tambem tem os seus inconvenientes, engarrafando o tráfego. Junto imagem do "Localizatodo" com o congestionamento de navios em Algeciras e Gibraltar. Sines não é a porta de entrada na Europa.