'
Hoje é notícia a revisão da lei da reforma penal em Portugal.
A revisão está orientada principalmente para a correcção das deficiências no domínio das prisões preventivas.
O anterior governo foi surdo às críticas à reforma penal.
Os escribas subservientes não se cansaram de repetir que os críticos se opunham às reformas e à inovação por espírito retrógrado.
Passados 2 anos, a experiencia mostrou a contribuição da nova lei para o aumento da criminalidade e da impunidade de criminosos (não esquecer também os contributos do insucesso escolar, da retirada de meios à PSP e à GNR para o combate à criminalidade e da alienação da realidade quando altas instâncias citavam estatísticas desactualizadas para dizer que a criminalidade não aumentava).
Mais vale tarde do que nunca, mas custa ver o tempo perder-se. Foram precisos 4 anos para se corrigir uma estratégia errada no ministério da educação, foram precisos 2 anos para corrigir a estratégia da reforma penal.
Porquê?
Porque se cometeu o erro de achar que o pensamento único ou consenso resolve tudo e que a melhor condição para se governar é haver maioria absoluta. A experiencia dolorosa dos soviéticos demonstrou que não é assim. Que tem de haver diversidade.Que os decisores não podem fechar-se intra muros e virados uns para os outros, concordar com tudo, porque estão a construir uma pretensa realidade. Aprendamos com a experiencia. Leiam a Sabedoria das Multidões…
Até quando continuarão os accionistas principais das grandes empresas a acreditar em gestores de pensamento único? Até quando continuarão os gestores das empresas a acreditar em revelações de modelos únicos propostos por iluminados?
Lá dizem os meus amigos advogados. O contraditório faz muita falta.
_____________________________________________________________________________________
Mostrar mensagens com a etiqueta acordo ou consenso. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta acordo ou consenso. Mostrar todas as mensagens
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
Gestionarium XIV – Reflexão sobre a gestão e a governabilidade
Etiquetas:
acordo ou consenso,
contraditório,
gestão,
governabilidade
domingo, 10 de janeiro de 2010
Gestionarium XIII - O discurso de Alçada
A ministra disse para quem a quis ouvir, digo quis porque nestas coisas acredito que muita gente não quer ouvir, que gosta de ir às escolas para participar.
Quem quiser recordar-se, recorda-se que a ex-ministra dizia que ia à escolas para explicar que o seu modelo era, afinal, o melhor.
Os escribas subservientes escreveram durante 4 anos que o problema era a dificuldade de comunicar e que os professores eram uns privilegiados que não queriam abdicar dos privilégios.
Mas o discurso de Alçada é claro e a assinatura de todos os intervenientes ficou no acordo de principio.
É um acordo , não é um consenso.
Um acordo é um compromisso com um prazo de validade.
Consenso é o predomínio de alguém. (Vejam a Sabedoria das Multidões, desconfiem dos consensos).
Perderam-se quase 4 anos, numa área em que as consequências dos erros se medem com um tempo de reacção de vários anos e a evidencia mais chocante é o aumento de criminalidade e dificuldade de integração na estrutura produtiva dos jovens que falham a escola (a experiencia vivida na frente pelos professores mostrou que foi sempre falhada a intenção da ex-ministra de vencer o insucesso escolar).
Desde o princípio tentei disseminar a argumentação, baseada na experiencia da professora minha informadora particular, nalguma informação sobre o sistema nacional de educação dos USA (Freakonomics, de Steven Levitt e Stephen Dubner) e na minha própria experiencia pessoal, de que um sistema de avaliação não é o essencial.
Está assinado o acordo e agora é público que afinal o problema não estava apenas na avaliação. Havia problema na definição da carreira.
Como acontece com qualquer pessoa, quer seja empresário, investigador universitário, trabalhador, são precisos incentivos…faz parte da natureza humana.
Perderam-se quase 4 anos com aquela ideia da ex-ministra de que o modelo dela, que recebera a revelação, é que tinha de ser adotado pela multidão, que seria salva se o adotasse.
Casos destes estimulam o aparecimento da síndroma de Aristarco, que verificou, no século III antes de Cristo, que era a Terra que anda à volta do Sol. Como se sabe, foi preciso esperar 16 séculos para o pessoal abrir os olhos e as mentes.
Um caso parecido com Eratóstenes, que mediu com rigor o comprimento do arco do minuto, isto é, a milha, no século II AC; 17 séculos depois foi definido um valor diferente da milha (1609 m); mais 2 séculos e a academia das ciências britânicas descobriu que o valor de Eratóstenes estava correcto (1852 m). Curiosamente, o valor de 1609 m pertence ao sistema chamado “imperial”.
Isto de impor coisas imperialmente não é uma boa ideia, embora possa dar bons resultados durante algum tempo.
Não se pode enganar toda a gente durante todo o tempo…
Aguardemos pela revelação que a ex-ministra quererá impor no seu novo cargo, na FLAD. Como dizia o deputado António Filipe, que mal teriam feito os correspondentes americanos da fundação? Não lhes bastava o Iraque, o Afeganistão e o Lehman Bros?
____________________________________________________________________________________
Quem quiser recordar-se, recorda-se que a ex-ministra dizia que ia à escolas para explicar que o seu modelo era, afinal, o melhor.
Os escribas subservientes escreveram durante 4 anos que o problema era a dificuldade de comunicar e que os professores eram uns privilegiados que não queriam abdicar dos privilégios.
Mas o discurso de Alçada é claro e a assinatura de todos os intervenientes ficou no acordo de principio.
É um acordo , não é um consenso.
Um acordo é um compromisso com um prazo de validade.
Consenso é o predomínio de alguém. (Vejam a Sabedoria das Multidões, desconfiem dos consensos).
Perderam-se quase 4 anos, numa área em que as consequências dos erros se medem com um tempo de reacção de vários anos e a evidencia mais chocante é o aumento de criminalidade e dificuldade de integração na estrutura produtiva dos jovens que falham a escola (a experiencia vivida na frente pelos professores mostrou que foi sempre falhada a intenção da ex-ministra de vencer o insucesso escolar).
Desde o princípio tentei disseminar a argumentação, baseada na experiencia da professora minha informadora particular, nalguma informação sobre o sistema nacional de educação dos USA (Freakonomics, de Steven Levitt e Stephen Dubner) e na minha própria experiencia pessoal, de que um sistema de avaliação não é o essencial.
Está assinado o acordo e agora é público que afinal o problema não estava apenas na avaliação. Havia problema na definição da carreira.
Como acontece com qualquer pessoa, quer seja empresário, investigador universitário, trabalhador, são precisos incentivos…faz parte da natureza humana.
Perderam-se quase 4 anos com aquela ideia da ex-ministra de que o modelo dela, que recebera a revelação, é que tinha de ser adotado pela multidão, que seria salva se o adotasse.
Casos destes estimulam o aparecimento da síndroma de Aristarco, que verificou, no século III antes de Cristo, que era a Terra que anda à volta do Sol. Como se sabe, foi preciso esperar 16 séculos para o pessoal abrir os olhos e as mentes.
Um caso parecido com Eratóstenes, que mediu com rigor o comprimento do arco do minuto, isto é, a milha, no século II AC; 17 séculos depois foi definido um valor diferente da milha (1609 m); mais 2 séculos e a academia das ciências britânicas descobriu que o valor de Eratóstenes estava correcto (1852 m). Curiosamente, o valor de 1609 m pertence ao sistema chamado “imperial”.
Isto de impor coisas imperialmente não é uma boa ideia, embora possa dar bons resultados durante algum tempo.
Não se pode enganar toda a gente durante todo o tempo…
Aguardemos pela revelação que a ex-ministra quererá impor no seu novo cargo, na FLAD. Como dizia o deputado António Filipe, que mal teriam feito os correspondentes americanos da fundação? Não lhes bastava o Iraque, o Afeganistão e o Lehman Bros?
____________________________________________________________________________________
Etiquetas:
acordo ou consenso,
educação,
síndroma de Aristarco
Subscrever:
Comentários (Atom)