quarta-feira, 9 de julho de 2014

Os investimentos públicos em Portugal, de Alfredo Marvão Pereira, na coleção Fundação Francisco Manuel dos Santos

A coleção da Fundação Francisco Manuel dos Santos tem de comum com este blogue, perdoe-se-me a imodéstia e a petulância da comparação, o muito pouca gente lhe dar atenção.
E contudo, os livrinhos vendem-se no Pingo Doce a um preço irrisório, não sei se aplicando as mesmas técnicas de abaixo do custo de produção com que são vendidos ao lado os alperces e as tangerinas agora mandarinas, e cada um deles contem análises e propostas de solução para os problemas que nos afligem.
Talvez por isso as pessoas não lhes dêem atenção.
Se os lessem compreenderiam melhor os dados e as variáveis dos problemas. E possivelmente contribuiriam, devido a uma melhor informação e através do voto, para as soluções.
Mas se as soluções vingassem, deixaria de haver problemas, deixando a comunidade perplexa e sem motivos para protestar, contrariando assim as leis da entropia que tendem para a desordem.
Ou dito à moda de Oscar Wilde, o que estaria errado nas propostas de solução para tantos votarem nelas?
Ou deduzindo um corolário da lei de Murphy, se resolver um problema na comunidade portuguesa é muito dificil por dificuldade de entendimento da essencia do problema e de entendimento entre os afetados pelo problema, então certamente que a solução não será aplicada, embora os afetados digam que sim, que a aplicaram.
O livro de Marvão Pereira, professor e investigador de economia na universidade pública de William and Mary na Virginia, analisa os investimentos públicos em Portugal de 1980 a 2009 e faz críticas (a principal à llta de rigor das análises de custos-benefícios na fase de anterior à aprovação) e recomendações.
Alguns excertos:
"... o esforço de investimento em infraestruturas cifrou-se em cerca de 4% do PIB em média nos últimos 30 anos..."
"...a evidencia empírica ao nivel macroeconómico sugere, de uma forma clara, que o investimento público em infraestruturas de transporte tem sido um poderoso instrumento para promover o crescimento económico de longo prazo em Portugal..."
"...sugerimos mais, mas sobretudo melhor investimento dei niciativ pública em infraestruturas..."
"...Fica implícita a nossa oposição total, por razões concetuais e pragmáticas, às ideias de que todo o investimento em infraestruturas é só despesa pública encapotada, que mais investimento é irrelevante para a economia e negativo para o orçamento, e de que o investimento futuro deve expiar pela sua ausência os pecados do investimento passado..."

Este blogue subscreve quase todas as análises e recomendações, manifestando a dúvida atroz  que os grupos de sábios que o atual governo tem consultado saibam escolher o destino correto a dar aos fundos comunitários. E também que o governo atual ou o que lhe suceder imediatamente, saiba negociar a aplicação correta dos fundos comunitários no período 2021-2027, para cuja candidatura já deveriam estar a ser começados os projetos.
Mas infelizmente, também duvido que na Fundação Francisco Manuel dos Santos haja conhecimentos técnicos que permitam a elaboração de um programa de investimentos.
De modo que resta a este blogue ir comentando.
E no caso dos investimentos entre 2000 e 2009, sugerir ao leitor incauto dois passatempos, baseados num dos quadros do livro de Marvão Pereira.
Considerem-se os seguintes tipos de investimentos públicos em infraestruturas ente 2000 e 2009, estimados num montante de 60.000 milhões de euros (4,52% do PIB do período):
A - infraestruturas rodoviárias (estradas municipais e estradas nacionais), infraestruturas ferroviárias, portos e aeroportos
B - auto-estradas
C - infraestruturas de saúde
D - infraestruturas de educação
E - infraestruturas básicas (refinarias, gás, eletricidade e águas)
F - infraestruturas de telecomunicações
O primeiro passatempo consiste em ordenar os diferentes tipos de investimento por ordem decrescente de valor. Considerar, no caso das PPP, que o valor do investimento está concentrado no periodo e não distribuido com juros, pelo período mais alargado do contrato (até 2045, por exemplo).
A solução está no fim deste "post", esperando que o leitor não fique muito surpreendido, porque se assim acontecer, será sinal de que andava mal informado sobre o tema.

O segundo passatempo será mais complicado, e exige ir buscar uma hiperligação, mas não veja a solução do primeiro antes:
http://1drv.ms/1uBjNaK

Trata-se de um quadro Excel em que se convida o leitor a fazer uma estimativa distribuindo percentagens do total dos investimentos por cada um dos tipos de investimento de modo a obter  a soma de 100% .
Na coluna seguinte estão ocultos os valores reais que foram registados no período de 2000 a 2009 e aparecem as diferenças entre o valor estimado e o valor real, apenas depois de preenchidas as 6 linhas. Na coluna seguinte temos os quadrados das diferenças de modo a calcular o valor quadrático  médio. Este valor quadrático dará o grau de aproximação da estimativa relativamente à realidade, sendo 0 a coincidência entre uma e outra (parabens, leitor, está muito bem informado) e 25 um valor que corresponde a um muito grande afastamento entre a realidade e a estimativa (coisa muito comum nos nossos governantes, considere-se candidato a um caso de destaque no governo ou nas entidades com que ele vive em conúbio, se atingiu valores semelhantes).
Vá lá, faça a sua estimativa e avalie se estava bem informado, e se os eleitores também o estarão e se votarão de acordo com uma boa ou uma má informação.
E se vale a pena questionarmo-nos se existe uma correlação forte ou fraca entre o grau de informação dos eleitores, a qualidade da prestação dos governos, o grau de participação das populações e dos técnicos informados  na solução dos problemas e, naturalmente a eficiência na qualidade de vida da população.



A-E-F-B-C-D.



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