quinta-feira, 20 de abril de 2017

Ventos e correntes no Tejo, a praia do Terreiro do Paço

Enquanto não consigo arranjar mais informação sobre a decisão, que considero infeliz por violar o princípio da avaliação e validação das prioridades, de construir um porto de contentores no Barreiro (isto é, antes do terminal de contentores do Barreiro haveria que melhorar a acessibilidade do porto de Setúbal dragando os fundos da barra, ampliar o terminal de Santa Apolónia desistindo do seu aproveitamento imobiliário, elaborar o projeto do porto de águas profundas da golada-Bugio, idem para as redes ferroviárias de mercadorias e passageiros da região de Lisboa-Setúbal incluindo a remodelação do nó de Alcântara e respetivo terminal de contentores), tento aqui analisar algumas questões de ventos e correntes no Tejo.






O primeiro gráfico pretende mostrar como a margem sul se assoreia, mais para o lado do Barreiro e do Montijo do que para o lado do Seixal e Almada. Por isso se estima uma taxa de assoreamento na zona do futuro porto do Barreiro (em terrenos conquistados ao rio) da ordem de 2 milhões de m3 por ano (os estudos encomendados pela administração do porto de Lisboa falam em 1 milhão, o que rentabilizará o porto).
Conferir na página 29 da apresentação em:
https://www.distritonline.pt/atividade-portuaria-no-barreiro-em-debate-em-sessao-aberta-a-populacao-a-21-de-fevereiro/

Mas podemos também conferir nos extratos de duas figuras retiradas do estudo sobre a navegabilidade do Tejo, de 2010, de Mario Teles e Andreia Barros. No primeiro extrato e na primeira figura completa, mostram-se as classes de transporte de sedimentos no Tejo, de 0,2 m/s a vermelho e 0,5 m/s a amarelo, coincidindo com as zonas mais sujeitas a assoreamento, até 1 m/s a azul escuro, coincidindo com as zonas de maior profundidade e aptidão portuária.



zona a amarelo e a vermelho mais desfavoráveis em termos de velocidade de transporte de sedimentos em frente do aterro que se pretende construir como porto do Barreiro, a sudoeste da peninsula do Montijo

No extrato e figura completa seguintes vê-se a aptidão portuária das margens do Tejo, comprovando a má escolha do terminal de contentores no Barreiro. Não se contesta a sua viabilidade nem a consistência da sua integração num plano de reorganização de todo o território da margem sul, nomeadamente na valência como porto fluvial com ligação aos portos fluviais do Tejo a montante, a recuperação da zona da Siderurgia e a ligação a entrepostos ferroviários. Contesta-se a oportunidade e a escala de prioridades adotada, quando comparado este investimento com os empreendimentos referidos acima.



menor aptidão a amarelo e vermelho




































































O segundo gráfico de vetores mostra a situação em frente do Terreiro do Paço, melhor ilustrada pela imagem das meninas estrangeiras molhando os pés na praia. Não empolemos o caso do coletor que se vê em segundo plano. É de águas pluviais, pelo menos teoricamente, uma vez que o esgoto de águas sujas foi canalizado para a estação elevatória e a ETAR de Alcântara. Ao fundo, um porta-contentores no porto de Alcântara, concessionado ao grupo turco Yldirim. Mas isto da praia é uma coisa que pode ser utilizada pelo marketing dos promotores turisticos, uma praia no centro de uma capital europeia. Não é para todos.





















2 comentários:

  1. Caro Fernando

    Um belíssimo trabalho este seu que tomo a liberdade de divulgar pela minha rede de amigos.
    Com as felicitações do

    Mário Ribeiro

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    1. Agradecido, mas é apenas uma abordagem de observação empírica.

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