Nem tudo são ruinas na Lisboa antiga.
Eis um portão e uma escada bonitos numa casa antiga e colorida.
sexta-feira, 20 de maio de 2011
Lisboa antiga
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Lisboa antiga
Ruinas 23 - Na rua da Palma
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garagem modernista,
Ruinas
Ruinas 22 - Em Lisboa, perto do Hospital de S.José
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| Prédio na rua de S.Lázaro em estado de ruina e em risco de queda |
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| Trazeira do mesmo prédio |
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| Fontanário desativado junto do prédio |
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ruinas na rua de S.Lázaro
quinta-feira, 19 de maio de 2011
Futebol
Futebol.
Circo do desvio da atenção das multidões, catarse da violencia das tribos, normalização do individuo no grupo, compensação das frustrações, alucinação como se fosse droga, bolsa de economia, divertimento, desporto, tudo isso e mais ou menos alguma coisa.
Tal como está, eu diria que merecia um cuidado plano de transição para um estado mais pacífico.
Digo isso porque não me parece pacifica a despesa com a construção dos estádios de 2004, nem que a cotação de um jogador do F.C.Porto no mercado das transferencias seja igual ao valor do financiamento a fundo perdido dos investimentos do Metropolitano de Lisboa em 2009 (é uma boa política ir de metro para os jogos de futebol).
Mas isso não interessa agora.
O que eu queria referir, sem dizer que lá fora é que é bom, são alguns pormenores do estádio Arena de Dublin, que deveriam ser considerados sempre que se constrói obra pública, por razões de economia, quer se trate de um estádio , quer se trate de uma estação de metro:
- na construção deste estádio foram reaproveitados 30% de aço e alvenaria da construção anterior
- as coberturas e os paineis transparentes, de policarbonato mais leve que fibra de vidro, garantem alguma luz solar nos interiores e a consequente economia na fatura energética
- a utilização é partilhada (futebol e râguebi)
- a cobertura canaliza as águas da chuva para rega do relvado e da vegetação envolvente
- tráfego automóvel interdito em dias de jogo (anota-se a situação de alto risco com a travessia da Av.Lusiadas pelos automobilistas que deixaram os seus carros estacionados na própria avenida, em dias de jogo no estádio do Benfica)
- mobilidade garantida para pessoas em cadeiras de rodas, com 230 lugares reservados
Circo do desvio da atenção das multidões, catarse da violencia das tribos, normalização do individuo no grupo, compensação das frustrações, alucinação como se fosse droga, bolsa de economia, divertimento, desporto, tudo isso e mais ou menos alguma coisa.
Tal como está, eu diria que merecia um cuidado plano de transição para um estado mais pacífico.
Digo isso porque não me parece pacifica a despesa com a construção dos estádios de 2004, nem que a cotação de um jogador do F.C.Porto no mercado das transferencias seja igual ao valor do financiamento a fundo perdido dos investimentos do Metropolitano de Lisboa em 2009 (é uma boa política ir de metro para os jogos de futebol).
Mas isso não interessa agora.
O que eu queria referir, sem dizer que lá fora é que é bom, são alguns pormenores do estádio Arena de Dublin, que deveriam ser considerados sempre que se constrói obra pública, por razões de economia, quer se trate de um estádio , quer se trate de uma estação de metro:
- na construção deste estádio foram reaproveitados 30% de aço e alvenaria da construção anterior
- as coberturas e os paineis transparentes, de policarbonato mais leve que fibra de vidro, garantem alguma luz solar nos interiores e a consequente economia na fatura energética
- a utilização é partilhada (futebol e râguebi)
- a cobertura canaliza as águas da chuva para rega do relvado e da vegetação envolvente
- tráfego automóvel interdito em dias de jogo (anota-se a situação de alto risco com a travessia da Av.Lusiadas pelos automobilistas que deixaram os seus carros estacionados na própria avenida, em dias de jogo no estádio do Benfica)
- mobilidade garantida para pessoas em cadeiras de rodas, com 230 lugares reservados
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construção sustentável
Ruinas 21 - Na Lapa
Vende-se, uma casa na Lapa. Localização ótima, em bairro de prestígio. Possibilidade de realização de obras.
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Lapa,
Ruinas em Lisboa
Rodoviarium XXVII - Reflexão à mesa do café
Observo, sentado à mesa do café-bar-restaurante, o pequeno camião-reboque duma empresa de catering e distribuição de produtos para restaurantes.
Está estacionado na faixa prevista para a paragem dos autocarros da Carris.
São 11 horas da manhã.
Não está a ser seguida a determinação dos edis de Pompeia, que fixava horas mais matinais para descarga de bens alimentares, e definia o período em que a rua tinha o sentido de chegada dos bens para descarga e depois o sentido de saida dos carroções.
O veículo trator é um chassis cabinado do tipo Ford Transit; o reboque é uma caixa frigorífica com cerca de 8 metros de comprimento, decorada de forma atrativa e publicitando as qualidades da empresa, com sucursais do Algarve ao Minho.
O trator é claramente uma adaptação do modelo série da carrinha.
As rodas do reboque são pequenas, como as de qualquer carrinha deste tipo.
Duvido da estabilidade dinâmica do conjunto a mais de 80 km/h.
Do local onde me encontro não vejo se existe placa de limitação de velocidade.
Não vislumbro dispositivos amortecedores de movimentos de lacete horizontais.
Imagino que se a porta se abrir por acidente durante a viagem poderá desestabilizar o reboque.
Ou simplesmente uma manobra brusca.
O funcionário descarrega uma série de caixotes térmicos.
Entretenho-me a imaginar: tartes pré-congeladas, pita-shoamas, quiches-lorraines, bolos de chocolate, hamburgueres.
Volta à viatura com o carrinho de duas rodas, para o encher com produtos de limpeza que deposita no restaurante.
Chove quando regressa à cabina.
Interrogo-me se a cena se passasse há 10 anos, talvez contasse com a presença de um auxiliar.
Ajudava na manobra do pequeno camião, na descarga, reduzia a fadiga do motorista...embora reduzisse as margens de lucro, ou aumentasse os custos de produção.
O funcionário consulta os duplicados das guias de entrega.
Possivelmente ainda lavará o veículo quando terminar o turno.
Agora deve estar a verificar a próxima paragem.
A rapariga do bar vai a correr e grita-lhe qualquer coisa pela janela.
Ele abre o vidro.
Faltava pôr um visto numa das guias de entrega.
O funcionário desce da cabina.
Não precisou de tirar o cinto de segurança porque os motoristas de distribuição estão dispensados(!?).
Acena, desculpando-se, para o motorista da Carris que pára o seu autocarro mais afastado do passeio do que normalmente.
Corre para o restaurante para resolver o problema.
Interrompe a corrida e volta para trás para recolher os degraus de um dos acessos laterais do reboque frigorífico (como?, o projetista previu uns degraus que se projetam obliquamente para o exterior do contorno da secção do veículo? em riscos de magoar um peão que se aproxime demasiado se o motorista se esquecer de o recolher?).
Tudo resolvido ali.
O motorista interroga um casal de reformados sobre o caminho a seguir até ao próximo restaurante.
Não parece fácil a explicação.
Mas finalmente parece esclarecido.
O pequeno camião arranca.
Tem bom poder de aceleração.
Não tem placa limitadora de velocidade.
Mundo cão, este.
A empresa de catering orgulha-se de ser bem gerida e de ser um sucesso, com indicadores de qualidade certificados, como se diz agora, e com distribuição de dividendos aos acionistas.
O motorista andará satisfeito porque tem emprego e deve achar cómoda a condução.
O restaurante tem os custos reduzidos com este tipo de distribuição.
Haverá mesmo necessidade de alterar as leis laborais para melhorar a produtividade e a competitividade?
Aqueles senhores engravatados que vão à TV explicar como os outros devem trabalhar acharão que o motorista precisa de aumentar a produtividade?
A entidade homologadora dos veículos rodoviários e a entidade reguladora das condições de segurança do trabalho nas estradas e ruas não vão preocupar-se com as reflexões pessimistas de nenhum cliente do café-bar-restaurante do meu bairro.
Mundo cão, segundo o cliente do café-bar-restaurante.
Está estacionado na faixa prevista para a paragem dos autocarros da Carris.
São 11 horas da manhã.
Não está a ser seguida a determinação dos edis de Pompeia, que fixava horas mais matinais para descarga de bens alimentares, e definia o período em que a rua tinha o sentido de chegada dos bens para descarga e depois o sentido de saida dos carroções.
O veículo trator é um chassis cabinado do tipo Ford Transit; o reboque é uma caixa frigorífica com cerca de 8 metros de comprimento, decorada de forma atrativa e publicitando as qualidades da empresa, com sucursais do Algarve ao Minho.
O trator é claramente uma adaptação do modelo série da carrinha.
As rodas do reboque são pequenas, como as de qualquer carrinha deste tipo.
Duvido da estabilidade dinâmica do conjunto a mais de 80 km/h.
Do local onde me encontro não vejo se existe placa de limitação de velocidade.
Não vislumbro dispositivos amortecedores de movimentos de lacete horizontais.
Imagino que se a porta se abrir por acidente durante a viagem poderá desestabilizar o reboque.
Ou simplesmente uma manobra brusca.
O funcionário descarrega uma série de caixotes térmicos.
Entretenho-me a imaginar: tartes pré-congeladas, pita-shoamas, quiches-lorraines, bolos de chocolate, hamburgueres.
Volta à viatura com o carrinho de duas rodas, para o encher com produtos de limpeza que deposita no restaurante.
Chove quando regressa à cabina.
Interrogo-me se a cena se passasse há 10 anos, talvez contasse com a presença de um auxiliar.
Ajudava na manobra do pequeno camião, na descarga, reduzia a fadiga do motorista...embora reduzisse as margens de lucro, ou aumentasse os custos de produção.
O funcionário consulta os duplicados das guias de entrega.
Possivelmente ainda lavará o veículo quando terminar o turno.
Agora deve estar a verificar a próxima paragem.
A rapariga do bar vai a correr e grita-lhe qualquer coisa pela janela.
Ele abre o vidro.
Faltava pôr um visto numa das guias de entrega.
O funcionário desce da cabina.
Não precisou de tirar o cinto de segurança porque os motoristas de distribuição estão dispensados(!?).
Acena, desculpando-se, para o motorista da Carris que pára o seu autocarro mais afastado do passeio do que normalmente.
Corre para o restaurante para resolver o problema.
Interrompe a corrida e volta para trás para recolher os degraus de um dos acessos laterais do reboque frigorífico (como?, o projetista previu uns degraus que se projetam obliquamente para o exterior do contorno da secção do veículo? em riscos de magoar um peão que se aproxime demasiado se o motorista se esquecer de o recolher?).
Tudo resolvido ali.
O motorista interroga um casal de reformados sobre o caminho a seguir até ao próximo restaurante.
Não parece fácil a explicação.
Mas finalmente parece esclarecido.
O pequeno camião arranca.
Tem bom poder de aceleração.
Não tem placa limitadora de velocidade.
Mundo cão, este.
A empresa de catering orgulha-se de ser bem gerida e de ser um sucesso, com indicadores de qualidade certificados, como se diz agora, e com distribuição de dividendos aos acionistas.
O motorista andará satisfeito porque tem emprego e deve achar cómoda a condução.
O restaurante tem os custos reduzidos com este tipo de distribuição.
Haverá mesmo necessidade de alterar as leis laborais para melhorar a produtividade e a competitividade?
Aqueles senhores engravatados que vão à TV explicar como os outros devem trabalhar acharão que o motorista precisa de aumentar a produtividade?
A entidade homologadora dos veículos rodoviários e a entidade reguladora das condições de segurança do trabalho nas estradas e ruas não vão preocupar-se com as reflexões pessimistas de nenhum cliente do café-bar-restaurante do meu bairro.
Mundo cão, segundo o cliente do café-bar-restaurante.
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Exmo senhor ministro das Finanças, perdoe-me regressar ao assunto
Exmo senhor ministro das Finanças, perdoe-me regressar ao assunto que expus na minha mensagem de dia 16 de Maio de 2011:
http://fcsseratostenes.blogspot.com/2011/05/exmo-senhor-ministro-das-financas.html
Na verdade, pensando melhor, a sugestão de aplicar a todas as empresas o indicador de parte importada sobre o volume de negócios talvez não seja boa ideia como política fiscal.
Provavelmente a criatividade dos nossos empreendedores, com mais ou menos recurso aos "off-shores" e a contabilidade paralela, encontraria maneira de perverter o objetivo de equilíbrio fiscal.
Mas custa-me não ter sugestão para lhe fazer, nesta altura tão crítica em que todos não somos demais para ajudar à solução.
Então lembrei-me de lhe sugerir, dentro de uma área em que me encontro mais informado por nela ter feito a minha vida profissional, e que está agora sujeita ao programa de privatizações imperativas por si mesmas, uma privatização lucrativa para a entidade privada que a adjudicar.
Trata-se de retomar a ideia de um dos políticos da nossa praça de que as privatizações se vão focar no chamado "bife do lombo", de modo a interessar as entidades privadas, do mesmo passo que reduz o também chamado "peso" do Estado.
Sabe-se que o metropolitano de Lisboa tem uma divida grande, da ordem de 4.072 milhões de euros (cito o relatório e contas de 2009 no sitio www.metrolisboa.pt, uma vez que, por qualquer razão misteriosa, não está disponível o relatório de 2010) , fundamentalmente por incluir os custos associados aos investimentos de longa duração e que seria expetável serem considerados investimentos públicos.
Sabe-se também que as suas receitas de exploração (58,9 milhões de euros) apenas cobrem 70% dos custos de exploração , sendo que o peso dos encargos de pessoal nestes custos de exploração é de cerca de 48% e, nos custos totais, de 27%(continuo a citar dados do relatório de 2009).
Já que se fala em números do metropolitano, convem assinalar que o custo de cada passageiro.km é de 20 cent. (sem encargos financeiros) ou 33 cent.(com encargos financeiros).
E que a receita para cada passageiro.km é de 7 cent., o que, convenhamos, não é muito sedutor, ter um prejuizo operacional de 13 cent. e financeiro de 26 cent. por passageiro.km.
Qualquer privatização vai exigir o aumento deste valor através da subida do preço dos bilhetes (bastará acabar com o passe dito social para utilizadores de rendimentos mais elevados e levar os atuais utilizadores de transporte individual a servirem-se do metropolitano, por ser essencial aumentar o numero de pass.km através do aumento da taxa e ocupação dos comboios, para termos um razoável aumento de receitas, o que põe a questão simples: porque não se tratou já disso em vez de se estar à espera de um imposto sobre a utilização do automóvel privado?).
Aquilo que se tem feito até agora foi reduzir os quadros de pessoal do metropolitano para adjudicar a empresas do exterior os serviços de segurança e de manutenção que como se pode ver pelos resultados, são muito melhor geridas do que os serviços públicos.
Mas também se pode pensar nas soluções à Tatcher que alguns maus resultados deram no metro de Londres, como seja adjudicar toda a gestão de um grupo de linhas a um consórcio, incluindo investimentos de longa duração (escapando assim à obrigatoriedade de lançar concursos públicos).
Como a dimensão do metro de Lisboa é menor, poderia privatizar-se (ou dar-se de concessão, como quiserem) apenas uma linha, ou melhor ainda, considerando que a linha com mais passageiros é a azul, de Santa Apolónia para a Amadora Este (que em 2 anos chegará à Reboleira), privatizar-se-ia apenas a via que desce da Amadora para Santa Apolónia, que assim gastaria menos energia do que a concorrente pública, a via que sobe de Santa Apolónia para a Amadora, e ainda poderia vender a energia regenerada pela travagem dos comboios a descer e a consumir por aqueles que sobem.
É uma sugestão que deixo ao senhor ministro, para valorizar o mercado a privatizar e assim aumentar o "encaixe".
http://fcsseratostenes.blogspot.com/2011/05/exmo-senhor-ministro-das-financas.html
Na verdade, pensando melhor, a sugestão de aplicar a todas as empresas o indicador de parte importada sobre o volume de negócios talvez não seja boa ideia como política fiscal.
Provavelmente a criatividade dos nossos empreendedores, com mais ou menos recurso aos "off-shores" e a contabilidade paralela, encontraria maneira de perverter o objetivo de equilíbrio fiscal.
Mas custa-me não ter sugestão para lhe fazer, nesta altura tão crítica em que todos não somos demais para ajudar à solução.
Então lembrei-me de lhe sugerir, dentro de uma área em que me encontro mais informado por nela ter feito a minha vida profissional, e que está agora sujeita ao programa de privatizações imperativas por si mesmas, uma privatização lucrativa para a entidade privada que a adjudicar.
Trata-se de retomar a ideia de um dos políticos da nossa praça de que as privatizações se vão focar no chamado "bife do lombo", de modo a interessar as entidades privadas, do mesmo passo que reduz o também chamado "peso" do Estado.
Sabe-se que o metropolitano de Lisboa tem uma divida grande, da ordem de 4.072 milhões de euros (cito o relatório e contas de 2009 no sitio www.metrolisboa.pt, uma vez que, por qualquer razão misteriosa, não está disponível o relatório de 2010) , fundamentalmente por incluir os custos associados aos investimentos de longa duração e que seria expetável serem considerados investimentos públicos.
Sabe-se também que as suas receitas de exploração (58,9 milhões de euros) apenas cobrem 70% dos custos de exploração , sendo que o peso dos encargos de pessoal nestes custos de exploração é de cerca de 48% e, nos custos totais, de 27%(continuo a citar dados do relatório de 2009).
Já que se fala em números do metropolitano, convem assinalar que o custo de cada passageiro.km é de 20 cent. (sem encargos financeiros) ou 33 cent.(com encargos financeiros).
E que a receita para cada passageiro.km é de 7 cent., o que, convenhamos, não é muito sedutor, ter um prejuizo operacional de 13 cent. e financeiro de 26 cent. por passageiro.km.
Qualquer privatização vai exigir o aumento deste valor através da subida do preço dos bilhetes (bastará acabar com o passe dito social para utilizadores de rendimentos mais elevados e levar os atuais utilizadores de transporte individual a servirem-se do metropolitano, por ser essencial aumentar o numero de pass.km através do aumento da taxa e ocupação dos comboios, para termos um razoável aumento de receitas, o que põe a questão simples: porque não se tratou já disso em vez de se estar à espera de um imposto sobre a utilização do automóvel privado?).
Aquilo que se tem feito até agora foi reduzir os quadros de pessoal do metropolitano para adjudicar a empresas do exterior os serviços de segurança e de manutenção que como se pode ver pelos resultados, são muito melhor geridas do que os serviços públicos.
Mas também se pode pensar nas soluções à Tatcher que alguns maus resultados deram no metro de Londres, como seja adjudicar toda a gestão de um grupo de linhas a um consórcio, incluindo investimentos de longa duração (escapando assim à obrigatoriedade de lançar concursos públicos).
Como a dimensão do metro de Lisboa é menor, poderia privatizar-se (ou dar-se de concessão, como quiserem) apenas uma linha, ou melhor ainda, considerando que a linha com mais passageiros é a azul, de Santa Apolónia para a Amadora Este (que em 2 anos chegará à Reboleira), privatizar-se-ia apenas a via que desce da Amadora para Santa Apolónia, que assim gastaria menos energia do que a concorrente pública, a via que sobe de Santa Apolónia para a Amadora, e ainda poderia vender a energia regenerada pela travagem dos comboios a descer e a consumir por aqueles que sobem.
É uma sugestão que deixo ao senhor ministro, para valorizar o mercado a privatizar e assim aumentar o "encaixe".
quarta-feira, 18 de maio de 2011
O leitor do DN e a psiquiatria aplicada à economia
Discretamente, na secção de cartas dos leitores do DN, uma interpretação que me parece muito próxima da realidade.
Por um lado, está em fase de promulgação um diploma para redução do numero de juizes em Lisboa (compreende-se porque os juizes são uma classe muito bem remunerada).
Por outro, alguem terá sugerido à troica/triade que seria bom recrutar mais juizes para acelerar a resolução dos processos pendentes.
Perante esta contradição, o leitor interroga-se se não seria melhor contratar tambem psiquiatras.
Este blogue acha que sim, que deveria ser estudada a componente psicopatológica nas atividades deste país, no pressuposto de que o diagnóstico de uma doença é um primeiro passo para a sua cura.
Por exemplo, baseando-me na entrevista de Poul Thomsen (http://fcsseratostenes.blogspot.com/2011/05/poul-thomsen-entrevistado-pelo-dn-e.html ) e em exemplos como este, o episódio da troica/tríade é mais uma manifestação da prática tradicional dos portugueses que, segundo a minha professora de instrução primária, já vinha do tempo dos lusitanos.
Perante uma dificuldade ou uma doença, o lusitano fazia os possíveis para evitar discutir as questões técnicas com os especialistas, e preferia sentar-se à porta de casa, perguntando a quem passava se já tinha tido a mesma doença e o que tinha feito para a curar. E o que os interrogados respondiam seria qualquer coisa do género: "o que era bom para isso era...". (o mal não estava em questionar as pessoas; o mal estava em que a maior parte das respostas era dada por pessoas sem os conhecimentos técnicos necessários, na maior parte dos casos porque esses conhecimentos não estavam disponíveis na altura; o método estava correto, embora não houvesse meios para que o método fosse eficaz).
Grupos de pessoas importantes deste país acorreram às reuniões com a troica/tríade e disseram aos seus membros que "o que era bom era..." contratar juizes para acelerar os processos, privatizar, baixar a TSU, etc, etc e utilizaram tambem a outra vertente da ineficiencia gestionária dos portugueses, o método do "já agora" : cortar tambem nos orçamentos dos hospitais, do transporte de doentes (primeiro aumentam-se as necessidades de transporte centralizando os hospitais, e depois propõe-se a redução dos custos de transportes, e não querem que se diga que isto está a precisar de psiquiatras para analisar estes cérebros?).
Estranho não terem aparecido pessoas importantes a sugerir medidas de fundo na segurança interna, mas como não havia especialistas de segurança na troica/tríade, ninguem achou mal (dir-se-ia que para atrair turistas seria necessário inverter a tendencia de agravamento das condições de segurança, não era? onde teriam a cabeça os senhores da troica/tríade?).
E a troica/tríade sistematizou as sugestões, provavelmente admirando-se por que não tinham tão perclaras personagens aplicado já essas recomendações.
Seria possível os membros das delegações serem especialistas de tantas coisas?
Parece evidente que não; pelo menos aquelas ideias de privatizar "a tout prix" transportes e água só podem vir de quem não conhece os respetivos negócios, embora veja neles um campo fértil de receitas para grupos económicos que controlam o poder político da UE (na verdade, se a Goldman Sachs condiciona o governo dos USA - vidé Inside job, que não é um filme de Michael Moore - por que cargas de água haveria de ser diferente na UE?).
Vejamos outro exemplo muito simples.
Manda a troica/triade reforçar os capitais dos bancos.
Sabendo-se da falta de liquidez e que o capital desses bancos já está disperso pelo estrangeiro, a desconfiança surge, de forma legítima. O programa proposto será o capital estrangeiro aumentar o seu peso na estrutura acionista dos principais bancos portugueses.
Se fôr assim, compreende-se então o anuncio do Millenium BCP incentivando o aumento do consumo premiando-o com milhas de desconto em viagens de avião. Os acionistas estrangeiros do banco estarão interessados em que os cidadãos portugueses vão lá deixar parte significativa do dinheiro que a UE, o BCE e o FMI emprestam tão generosamente. A privatização da TAP vem aliás ajudar a esta festa.
Se não fôr assim, isto é, se afinal a maioria do capital dos bancos permanece em Portugal, então, fazer publicidade a milhas ganhas para ir de avião gastar combustível pago com dinheiro português é um caso simples de loucura, de ignorancia autista do desequilibrio entre importações e exportações, e que merece, consequentemente, o tratamento adequado por neurologistas e psiquiatras.
Choca-me não ouvir os sindicatos e as comissões de trabalhadores da aviação pronunciarem-se sobre isto, a não pressionarem as suas administrações a privilegiar as rotas que "canalizem" turistas estrangeiros para Portugal e que fazem a ligação aos destinos de emigração portuguesa.
Salvo melhor opinião, claro.
Por um lado, está em fase de promulgação um diploma para redução do numero de juizes em Lisboa (compreende-se porque os juizes são uma classe muito bem remunerada).
Por outro, alguem terá sugerido à troica/triade que seria bom recrutar mais juizes para acelerar a resolução dos processos pendentes.
Perante esta contradição, o leitor interroga-se se não seria melhor contratar tambem psiquiatras.
Este blogue acha que sim, que deveria ser estudada a componente psicopatológica nas atividades deste país, no pressuposto de que o diagnóstico de uma doença é um primeiro passo para a sua cura.
Por exemplo, baseando-me na entrevista de Poul Thomsen (http://fcsseratostenes.blogspot.com/2011/05/poul-thomsen-entrevistado-pelo-dn-e.html ) e em exemplos como este, o episódio da troica/tríade é mais uma manifestação da prática tradicional dos portugueses que, segundo a minha professora de instrução primária, já vinha do tempo dos lusitanos.
Perante uma dificuldade ou uma doença, o lusitano fazia os possíveis para evitar discutir as questões técnicas com os especialistas, e preferia sentar-se à porta de casa, perguntando a quem passava se já tinha tido a mesma doença e o que tinha feito para a curar. E o que os interrogados respondiam seria qualquer coisa do género: "o que era bom para isso era...". (o mal não estava em questionar as pessoas; o mal estava em que a maior parte das respostas era dada por pessoas sem os conhecimentos técnicos necessários, na maior parte dos casos porque esses conhecimentos não estavam disponíveis na altura; o método estava correto, embora não houvesse meios para que o método fosse eficaz).
Grupos de pessoas importantes deste país acorreram às reuniões com a troica/tríade e disseram aos seus membros que "o que era bom era..." contratar juizes para acelerar os processos, privatizar, baixar a TSU, etc, etc e utilizaram tambem a outra vertente da ineficiencia gestionária dos portugueses, o método do "já agora" : cortar tambem nos orçamentos dos hospitais, do transporte de doentes (primeiro aumentam-se as necessidades de transporte centralizando os hospitais, e depois propõe-se a redução dos custos de transportes, e não querem que se diga que isto está a precisar de psiquiatras para analisar estes cérebros?).
Estranho não terem aparecido pessoas importantes a sugerir medidas de fundo na segurança interna, mas como não havia especialistas de segurança na troica/tríade, ninguem achou mal (dir-se-ia que para atrair turistas seria necessário inverter a tendencia de agravamento das condições de segurança, não era? onde teriam a cabeça os senhores da troica/tríade?).
E a troica/tríade sistematizou as sugestões, provavelmente admirando-se por que não tinham tão perclaras personagens aplicado já essas recomendações.
Seria possível os membros das delegações serem especialistas de tantas coisas?
Parece evidente que não; pelo menos aquelas ideias de privatizar "a tout prix" transportes e água só podem vir de quem não conhece os respetivos negócios, embora veja neles um campo fértil de receitas para grupos económicos que controlam o poder político da UE (na verdade, se a Goldman Sachs condiciona o governo dos USA - vidé Inside job, que não é um filme de Michael Moore - por que cargas de água haveria de ser diferente na UE?).
Vejamos outro exemplo muito simples.
Manda a troica/triade reforçar os capitais dos bancos.
Sabendo-se da falta de liquidez e que o capital desses bancos já está disperso pelo estrangeiro, a desconfiança surge, de forma legítima. O programa proposto será o capital estrangeiro aumentar o seu peso na estrutura acionista dos principais bancos portugueses.
Se fôr assim, compreende-se então o anuncio do Millenium BCP incentivando o aumento do consumo premiando-o com milhas de desconto em viagens de avião. Os acionistas estrangeiros do banco estarão interessados em que os cidadãos portugueses vão lá deixar parte significativa do dinheiro que a UE, o BCE e o FMI emprestam tão generosamente. A privatização da TAP vem aliás ajudar a esta festa.
Se não fôr assim, isto é, se afinal a maioria do capital dos bancos permanece em Portugal, então, fazer publicidade a milhas ganhas para ir de avião gastar combustível pago com dinheiro português é um caso simples de loucura, de ignorancia autista do desequilibrio entre importações e exportações, e que merece, consequentemente, o tratamento adequado por neurologistas e psiquiatras.
Choca-me não ouvir os sindicatos e as comissões de trabalhadores da aviação pronunciarem-se sobre isto, a não pressionarem as suas administrações a privilegiar as rotas que "canalizem" turistas estrangeiros para Portugal e que fazem a ligação aos destinos de emigração portuguesa.
Salvo melhor opinião, claro.
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medidas da troica,
privatização da TAP,
Psiquiatria na Economia
O nemátodo, mais uma vez
Em 15 de Novembro de 2009, este blogue criticou, de forma ineficaz como é costume, a inoperancia no combate ao nemátodo (verme microscópico) e a tentativa de ocultação da gravidade da praga pelo Ministério da Agricultura:
http://fcsseratostenes.blogspot.com/2009/11/o-nematodo.html .
Declarando a minha incompetencia para o combate, propus a criação de firmas a preços controlados para o combate (basicamente: corte e queima das árvores infetadas entre Novembro e Março, e instalação de armadilhas contra o inseto-vetor entre Abril e Outubro).
Evidentemente que, apesar de algumas melhorias no Ministério da Agricultura após a substituição do ministro, continuam as instancias governamentais a achar que não é preciso haver serviços de combate de fácil acessibilidade e com preços controlados.
Resultado: a Comissão Europeia ameaça impedir a exportação de mobiliário de pinho português para os paises da UE.
Desprezar a praga do nemátodo é assim uma política suicidária.
Continuarei a olhar para a carcaça do pinheiro apodrecido no terreno do meu vizinho, corretamente assinalado há mais de dez anos, mas que foi abandonado.
Não tenho moto-serra para ir lá cortá-lo, não vou queimá-lo porque não quero ser multado (é proibido fazer queimadas) e entre as minhas ignorancias conta-se o desconhecimento de como se fazem armadilhas com feronomas para o inseto-vetor.
Continuo a preferir que o Ministério da Agricultura (ou a Autoridade Florestal) elabore uma lista de firmas com preços controlados (ou crie serviços para isso).
Mas não interessa discutir estes assuntos na TV.
Claro que não interessa.
Se interessasse a política não era suicidária.
(ver tambem:
http://fcsseratostenes.blogspot.com/2009/11/o-nematodo.html .
Declarando a minha incompetencia para o combate, propus a criação de firmas a preços controlados para o combate (basicamente: corte e queima das árvores infetadas entre Novembro e Março, e instalação de armadilhas contra o inseto-vetor entre Abril e Outubro).
Evidentemente que, apesar de algumas melhorias no Ministério da Agricultura após a substituição do ministro, continuam as instancias governamentais a achar que não é preciso haver serviços de combate de fácil acessibilidade e com preços controlados.
Resultado: a Comissão Europeia ameaça impedir a exportação de mobiliário de pinho português para os paises da UE.
Desprezar a praga do nemátodo é assim uma política suicidária.
Continuarei a olhar para a carcaça do pinheiro apodrecido no terreno do meu vizinho, corretamente assinalado há mais de dez anos, mas que foi abandonado.
Não tenho moto-serra para ir lá cortá-lo, não vou queimá-lo porque não quero ser multado (é proibido fazer queimadas) e entre as minhas ignorancias conta-se o desconhecimento de como se fazem armadilhas com feronomas para o inseto-vetor.
Continuo a preferir que o Ministério da Agricultura (ou a Autoridade Florestal) elabore uma lista de firmas com preços controlados (ou crie serviços para isso).
Mas não interessa discutir estes assuntos na TV.
Claro que não interessa.
Se interessasse a política não era suicidária.
(ver tambem:
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nemátodo,
política agrícola e florestal
terça-feira, 17 de maio de 2011
Mais uma vez, contra a exportação de capitais
Imagem obtida hoje, dia 17 de Maio de 2011 na estação Alameda.
Mas podia ter sido obtida há 15 dias, que os pilaretes e as bandas de sinalização já lá estavam.
Não se vê bem na fotografia, mas o vidro estilhaçou-se, a maior parte dos seus restos já foi retirada, permanecem as bandas do vidro na moldura.
A imagem pretende ser um protesto.
Não exatamente contra o facto de um painel publicitário estar assim numa estação de metro com alguma afluencia.
Todos compreendemos que estamos em contração de despesas, e que importa reduzir os encargos com os quadros de pessoal do metropolitano que permitiriam repor as condições de integridade do vidro (e se na estação Roma se aproxima a comemoração do primeiro aniversário de um painel de vidro decorativo estilhaçado mas ainda no seu posto, protegido pelos pilaretes, por que admirarmo-nos por 15 dias do painel publicitário sem vidro?).
Salvo melhor opinião, a existencia de vidros nas estações, por mais butirolizados que sejam, deveria ser revista e, sempre que possivel, substituidos por policarbonato (o que significaria a "deseletrificação" imediata dos paineis publicitários que, por razões de economia energética, já deveria ter sido feita ha muito).
Mas compreeendemos que por razões financeiras não se faça isso.
Tambem todos compreendemos que haverá motivos contratuais ponderosos com a concessionária de publicidade que impedem a rápida reposição da normalidade.
Este post não pretende pôr em causa a bondade de tais contratos.
Nem a provavel quota-parte de responsabilidade no arrastar da situação da legislação relativa à contratação pública.
Como protestar contra os esforçados gabinetes jurídicos que (terá sido por ajuste direto?) que tão abnegadamente construiram o monumento do código da contratação pública e das suas remissões sucessivas, sem falar primeiro com os técnicos que tinham de lançar concursos para as empreitadas e os fornecimentos? Como podiam eles adivinhar que iam paralisar toda a contratação (ou era o objetivo, para conter as despesas?) se não estavam por dentro dos pormenores vulgares da realidade?
Tambem não vou protestar pelo atraso na implementação da solução redentora prometida: cada estação ser apadrinhada por uma entidade que poderia fazer publicidade à vontade. No caso da Alameda, poderia ser a IURD, que já tem o antigo cinema Império. A IURD já teria reparado o painel, certamente.
Não, não protesto (pelo menos desta vez) contra nada disso.
Protesto contra a publicidade da Turkish Airlines.
Toda ufana que já voa 5 vezes por semana para Istambul.
Para retomar os laços económicos, culturais e familiares com os descendentes sefarditas dos judeus estupidamente expulsos por D.Manuel I, sob pressão dos reis católicos?
Para estimular as relações comerciais com a potencia mediterrânica do oriente, para lhes vendermos fibras sintéticas e moldes para plásticos?
Não.
Os voos são para canalizar capitais portugueses para os destinos turisticos da Turquia, de Istambul a Kusadaci e às formações rochosas da Capadócia (nem ao menos há destinos turisticos para os grandes locais arqueológicos da Ásia Menor; parece que não têm interesse, não se vende, e quem quiser que vá ao museu de Berlim que tem lá as referencias todas).
Não parece admissível numa altura em que o endividamento atingiu o limite de alarme de 100% do PIB, isto é, 14.290 mil milhões de dólares (ai perdão, troquei as notas que tirei há pouco, este endividamento não é de Portugal, é dos USA; são cerca de 10.000 mil milhões de euros de dívida, alguma da qual detida pelo estado português; isto é, 10 elevado a 13, ou 70 vezes o PIB de Portugal, que é o PIB dos USA; há anos que este ignorante escriba anda a dizer que não pode o planeta estar sujeito a um risco destes).
Ah, vejo agora a nota que queria referir. Portugal piorou em Janeiro e Fevereiro de 2011 a sua balança de pagamentos comercial. Teve um saldo negativo de 2,7 mil milhões de euros. Isto é, importaram-se mais 2,7 mil milhões de euros do que se exportaram.
Se for assim todo o ano haverá um defice de 16 mil milhões de euros (10% do PIB).
A Irlanda, por exemplo, teve um saldo positivo de 6 mil milhões de euros.
Conclusão: não podem os paineis publicitários continuar com os vidros partidos, perdão, não era isto que queria escrever, não podem as estações do metropolitano continuar a publicitar convites tão descarados à saída sem retornode capitais para o estrangeiro .
segunda-feira, 16 de maio de 2011
Madame Butterfly e a situação financeira
O canal Mezzo tem destas coisas.
Numa tarde primaveril de domingo lembrou-se de passar a gravação da Madame Butterfly de Puccini, de Março de 2009, no Metropolitan Opera de New York.
Para alem dos excelentes intérpretes, com destaque para a soprano Patricia Racette, há a destacar a colaboração dum teatro de marionetas japonês.
Tem também interesse analisar o que diz Madame Butterfly.
Abandonada pelo tenente norte americano, mas subsidiada pelo consul dos USA, pergunta à governanta quanto dinheiro lhes resta antes de se tornarem indigentes.
Vai mantendo a esperança de que, um dia, o seu tenente regressará.
É o mito messiânico e sebastianista quando a miséria se desenvolve.
É verdade que a história económica do Japão na segunda metade do século XIX é interessantissima, porque finalmente se abriu ao estrangeiro e à industrialização com sucesso. Alguns setores da economia, como é natural, não acompanharam esse sucesso; o que terá sido o caso de Madame Butterfly, que, perante a obrigação de entregar o filho ao tenente, ao seu pai, se viu perante um trilema semelhante ao de Luciano Amaral no fim do seu livro "Economia Portuguesa, as ultimas décadas"
(ver
http://fcsseratostenes.blogspot.com/2010/11/economicomio-lxiv-economia-portuguesa.html ),
optando pela pior solução:
- ou casava com o rico Yamadori (investimentos maciços em Portugal por países BRIC)
- ou voltava à sua vida anterior de geisha ( saída da união monetária e desvalorização imediata da moeda para facilitar as exportações)
- ou fazia hara-kiri (integração do país como região noutra unidade política).
Como Luciano Amaral conclui, "seja o que for que venha a acontecer, as perspetivas não entusiasmam".
Mas podiamos fazer um esforço para não acabarmos como a Madame Buterfly, apesar da musica ser bonita e os portugueses gostarem de música.
Assim como assim, continua a haver muita gente a produzir, tanto para evitar importações como a exportar (pena a tal coisa do PIB por trabalhador-hora ser cerca de 50% da média dos paises mais desenvolvidos; mas tambem nos podiamos contentar com menores salários, a começar pelos professores de economia e pelos juizes, claro).
E depois, lembrei-me há dias de que, quando ia a reuniões com os colegas homólogos dos outros metropolitanos, verificava normalmente que não eram grandes as diferenças entre os metropolitanos e os indicadores deles e os nossos (descontando, evidentemente, por razões de escala de mercado, alguns preços de construção ou de fornecimentos; porém, quando considerado o universo dos metros, nada de anormal).
Recordo-me que as discussões que tinhamos eram entre iguais.
Custará tanto que nas outras atividades assim seja também? (como diz a AICEP, pelo menos nas cortiças e nas fibras sintéticas a nossa vantagem comparativa, na melhor tradição de David Ricardo, é inquestionável).
Então custará assim tanto, para não fazermos como a Madame Butterfly, dar o braço aos técnicos estrangeiros que interessa virem ajudar a resolver os problemas quando não temos essa vantagem comparativa? Não era assim que se tratavam os problemas no tempo dos "estrangeirados", no fim do século XVII, ainda o ouro do Brasil não tinha chegado e o conde da Ericeira tentava vender a ideia? É capaz de ser uma boa sugestão, apoiar as políticas dos "estrangeirados"
(ver
http://pt.wikipedia.org/wiki/Estrangeirado
e uma breve biografia de Luis de Meneses, 3ºconde da Ericeira, que não se importou de mandar vir especialistas estrangeiros ensinar os portugueses a produzir, em:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Lu%C3%ADs_de_Meneses ).
Numa tarde primaveril de domingo lembrou-se de passar a gravação da Madame Butterfly de Puccini, de Março de 2009, no Metropolitan Opera de New York.
Para alem dos excelentes intérpretes, com destaque para a soprano Patricia Racette, há a destacar a colaboração dum teatro de marionetas japonês.
Tem também interesse analisar o que diz Madame Butterfly.
Abandonada pelo tenente norte americano, mas subsidiada pelo consul dos USA, pergunta à governanta quanto dinheiro lhes resta antes de se tornarem indigentes.
Vai mantendo a esperança de que, um dia, o seu tenente regressará.
É o mito messiânico e sebastianista quando a miséria se desenvolve.
Un bel dì, vedremo Um belo dia veremos
levarsi un fil di fumo subir um fio de fumo
sull'estremo confin del mare. no horizonte do mar.
E poi la nave appare. E depois o navio aparece.
levarsi un fil di fumo subir um fio de fumo
sull'estremo confin del mare. no horizonte do mar.
E poi la nave appare. E depois o navio aparece.
Poi la nave bianca O navio branco
entra nel porto, entra no porto,
romba il suo saluto. faz ouvir a sua saudação.
entra nel porto, entra no porto,
romba il suo saluto. faz ouvir a sua saudação.
É verdade que a história económica do Japão na segunda metade do século XIX é interessantissima, porque finalmente se abriu ao estrangeiro e à industrialização com sucesso. Alguns setores da economia, como é natural, não acompanharam esse sucesso; o que terá sido o caso de Madame Butterfly, que, perante a obrigação de entregar o filho ao tenente, ao seu pai, se viu perante um trilema semelhante ao de Luciano Amaral no fim do seu livro "Economia Portuguesa, as ultimas décadas"
(ver
http://fcsseratostenes.blogspot.com/2010/11/economicomio-lxiv-economia-portuguesa.html ),
optando pela pior solução:
- ou casava com o rico Yamadori (investimentos maciços em Portugal por países BRIC)
- ou voltava à sua vida anterior de geisha ( saída da união monetária e desvalorização imediata da moeda para facilitar as exportações)
- ou fazia hara-kiri (integração do país como região noutra unidade política).
Como Luciano Amaral conclui, "seja o que for que venha a acontecer, as perspetivas não entusiasmam".
Mas podiamos fazer um esforço para não acabarmos como a Madame Buterfly, apesar da musica ser bonita e os portugueses gostarem de música.
Assim como assim, continua a haver muita gente a produzir, tanto para evitar importações como a exportar (pena a tal coisa do PIB por trabalhador-hora ser cerca de 50% da média dos paises mais desenvolvidos; mas tambem nos podiamos contentar com menores salários, a começar pelos professores de economia e pelos juizes, claro).
E depois, lembrei-me há dias de que, quando ia a reuniões com os colegas homólogos dos outros metropolitanos, verificava normalmente que não eram grandes as diferenças entre os metropolitanos e os indicadores deles e os nossos (descontando, evidentemente, por razões de escala de mercado, alguns preços de construção ou de fornecimentos; porém, quando considerado o universo dos metros, nada de anormal).
Recordo-me que as discussões que tinhamos eram entre iguais.
Custará tanto que nas outras atividades assim seja também? (como diz a AICEP, pelo menos nas cortiças e nas fibras sintéticas a nossa vantagem comparativa, na melhor tradição de David Ricardo, é inquestionável).
Então custará assim tanto, para não fazermos como a Madame Butterfly, dar o braço aos técnicos estrangeiros que interessa virem ajudar a resolver os problemas quando não temos essa vantagem comparativa? Não era assim que se tratavam os problemas no tempo dos "estrangeirados", no fim do século XVII, ainda o ouro do Brasil não tinha chegado e o conde da Ericeira tentava vender a ideia? É capaz de ser uma boa sugestão, apoiar as políticas dos "estrangeirados"
(ver
http://pt.wikipedia.org/wiki/Estrangeirado
e uma breve biografia de Luis de Meneses, 3ºconde da Ericeira, que não se importou de mandar vir especialistas estrangeiros ensinar os portugueses a produzir, em:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Lu%C3%ADs_de_Meneses ).
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E não se pode lançar um imposto extraordinário?
E não se pode lançar um imposto extraordinário sobre este tipo de publicidade?
Do que estamos a precisar é de encher os aviões da TAP com turistas portugueses que vão gastar dinheiro em Miami? Estão assim as mentes dos portugueses tão necessitadas de espairecer em família?
O balanço de turistas americanos que venham cá nos voos de retorno será favorável?
Duvido.
Possivelmente é para eu não me importar que a TAP seja privatizada.
Não, na verdade, assim não me importo. Não tenho interesse nenhum em estar a subsidiar com os meus impostos o combustível para Miami.
Pode ser que a companhia do Qatar queira comprar.
Talvez fosse negócio. Voos da Qatar Airways de Doha para Lisboa, estadia nos hoteis florescentes de Lisboa e um salto até Miami. Talvez, pelo menos enquanto houver petróleo e gás natural na península do Qatar.
Do que estamos a precisar é de encher os aviões da TAP com turistas portugueses que vão gastar dinheiro em Miami? Estão assim as mentes dos portugueses tão necessitadas de espairecer em família?
O balanço de turistas americanos que venham cá nos voos de retorno será favorável?
Duvido.
Possivelmente é para eu não me importar que a TAP seja privatizada.
Não, na verdade, assim não me importo. Não tenho interesse nenhum em estar a subsidiar com os meus impostos o combustível para Miami.
Pode ser que a companhia do Qatar queira comprar.
Talvez fosse negócio. Voos da Qatar Airways de Doha para Lisboa, estadia nos hoteis florescentes de Lisboa e um salto até Miami. Talvez, pelo menos enquanto houver petróleo e gás natural na península do Qatar.
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Uma solução de design industrial
O problema: como meter uma colher ou um garfo de plástico numa embalagem de gelado ou salada de frutas que se deseja menor do que o comprimento minimo confortável desses instrumentos?
Solução: design industrial com recurso à tecnologia dos moldes de plástico; o cabo dobra sobre a colher ou os dentes do garfo; quando abre é travado por encaixe.
Nem tudo é mau , neste país.
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Exmo senhor ministro das Finanças, permito-me sugerir
Exmo senhor ministro das Finanças, permito-me sugerir uma medida alternativa à redução da taxa social unica.
Fiquei muito impressionado com a opinião do senhor economista Vitor Bento, que disse que essa medida só resultava, isto é, só equivalia ao efeito da desvalorização no estímulo à exportação se, e só se, os preços do setor não transacionável baixassem.
Isto é, só conseguiriamos reduzir, com a tal medida de cortes na taxa social unica, os custos do trabalho e da produção dos produtos exportáveis do setor transacionável, se os preços do setor não transacionável não "puxarem" pelos preços desses produtos.
É que, com as medidas propostas pela troica/tríade, ou propostas pelos "académicos", pelos políticos e pelas associações de grandes empresários, vamos esperar aumentos na eletricidade (aliás inevitáveis) , na água, na saúde... pelo que os cortes na taxa social única não parecem boa ideia.
Então, como alternativa, tenho a sugerir a criação de um indicador para cada empresa igual ao valor importado pela empresa/volume de negócios da empresa.
A taxa social unica a liquidar nessa empresa seria dada pela fórmula (ou fórmula alternativa para o cálculo do IRC):
TSU = 0,5 x (valor importado/volume de negócios) + 0,3
Estaria assim a premiar-se quem menos importasse.
Seria interessante analisar este indicador em empresas como as grandes superficies comerciais, tão orgulhosas em apresentar preços baixos, mas responsáveis por grandes quantidades de alimentos importados.
Ou até a própria Auto-Europa. Será que os lucros que têm de ser exportados (PIB inferior ao PNB) não irão desequilibrar a balança de pagamentos correspondente a esta empresa?
Fiquei muito impressionado com a opinião do senhor economista Vitor Bento, que disse que essa medida só resultava, isto é, só equivalia ao efeito da desvalorização no estímulo à exportação se, e só se, os preços do setor não transacionável baixassem.
Isto é, só conseguiriamos reduzir, com a tal medida de cortes na taxa social unica, os custos do trabalho e da produção dos produtos exportáveis do setor transacionável, se os preços do setor não transacionável não "puxarem" pelos preços desses produtos.
É que, com as medidas propostas pela troica/tríade, ou propostas pelos "académicos", pelos políticos e pelas associações de grandes empresários, vamos esperar aumentos na eletricidade (aliás inevitáveis) , na água, na saúde... pelo que os cortes na taxa social única não parecem boa ideia.
Então, como alternativa, tenho a sugerir a criação de um indicador para cada empresa igual ao valor importado pela empresa/volume de negócios da empresa.
A taxa social unica a liquidar nessa empresa seria dada pela fórmula (ou fórmula alternativa para o cálculo do IRC):
TSU = 0,5 x (valor importado/volume de negócios) + 0,3
Estaria assim a premiar-se quem menos importasse.
Seria interessante analisar este indicador em empresas como as grandes superficies comerciais, tão orgulhosas em apresentar preços baixos, mas responsáveis por grandes quantidades de alimentos importados.
Ou até a própria Auto-Europa. Será que os lucros que têm de ser exportados (PIB inferior ao PNB) não irão desequilibrar a balança de pagamentos correspondente a esta empresa?
O super-homem pediu a renuncia da nacionalidade norte-americana
Será verdade? que o super-homem se dirigiu à sede da ONU e, declarando-se farto das suas ações serem confundidas com a política norte-americana e esta não ser a ideal para os outros povos, pediu ao secretário geral da ONU que aceitasse a sua renuncia à cidadania norte-americana.
E será que num dos próximos episódios o autor da série não dá o dito por não dito?
Aguardemos.
Mas é um sinal de lucidez.
Já Benjamin Franklin, embaixador dos USA em Paris, junto da revolução francesa, se queixava de que em Washington tomavam decisões completamente desligadas da realidade que ele , Benjamin Franklin, testemunhava e relatava para lá (mais tarde aconteceu o mesmo com o encarregado de negócios dos USA em Angola, quando Kiesinger, contra o seu parecer, resolveu apoiar Savimbi; coisas que a desclassificação dos documentos permite ir-se sabendo).
Será que o super-homem vai continuar lucido?
E será que num dos próximos episódios o autor da série não dá o dito por não dito?
Aguardemos.
Mas é um sinal de lucidez.
Já Benjamin Franklin, embaixador dos USA em Paris, junto da revolução francesa, se queixava de que em Washington tomavam decisões completamente desligadas da realidade que ele , Benjamin Franklin, testemunhava e relatava para lá (mais tarde aconteceu o mesmo com o encarregado de negócios dos USA em Angola, quando Kiesinger, contra o seu parecer, resolveu apoiar Savimbi; coisas que a desclassificação dos documentos permite ir-se sabendo).
Será que o super-homem vai continuar lucido?
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A jangada da Medusa
A jangada da Medusa. Quadro de Gericault, apresentado na exposição de Paris de 1819, três anos depois do naufrágio da fragata francesa Medusa, num banco de areia ao largo da costa da Mauritania.
A Medusa não se afundou imediatamente, mas não havia escaleres em quantidade suficiente para os passageiros e a tripulação, pelo que se construiu a jangada para cerca de 100 pessoas, tendo sobrevivido 15 depois de duas semanas no mar.
Em França tinha-se restaurado a monarquia, e alguns associaram esse facto à tragédia marítima.
A tragédia marítima que se repete no Mediterraneo, na demanda da ilha de Lampedusa, é tambem a metáfora da incapacidade trágica da humanidade em resolver a questão básica da sobrevivencia. Embora essa incapacidade não seja de natureza tecnológica.
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terça-feira, 10 de maio de 2011
Energias renováveis em Portugal, no princípio de 2011
Com a devida vénia ao DN, que descreve hoje o estado da capacidade de produção de energia primária em Portugal com base num estudo da DGEG.
Salvo melhor opinião, estes números mostram que a politica seguida pelo governo português tem sido correta, por muito que a troica/tríade possa criticar.
Embora eu pessoalmente tambem discorde do subsídio atribuido à produção de energia eólica, isso é apenas um elemento secundário. O essencial é o volume de produção de energias renováveis e o evitar a importação de petróleo.
Sobre a insustentabilidade da importação de grandes importações de petróleo, recordo um pequeno trabalho que fiz há dois anos sobre o potencial dos metropolitanos para reduzir os consumos totais de energia primária e as emissões de CO2.
De facto, o peso dos transportes no consumo de petróleo é muito elevado e insustentável.
Por mais que a troica/tríade (e os seus seguidores acríticos) pareça achar, estranhamente, que não.
No caso da UE essa estranheza é mais relevante, dado que a política energética europeia:
- não privilegia o transporte de avião relativamente ao comboio para distancias equivalentes às de Lisboa-Madrid, pese embora o protecionismo ao mercado do transporte aéreo;
- não privilegia o consumo de combustível em transporte individual relativamente ao transporte urbano ferroviário, pese embora o protecionismo aos fabricantes de automóveis.
Por isso me recordei do modesto trabalho que fiz há dois anos, e de como na altura da sua apresentação disse para o auditório que todos sabiam como eu sempre fui crítico do governo, mas que neste domínio, excecionalmente, a sua política estava certa .
Apesar da produção eólica e fotovoltaica ser mais cara, o evitar a importação de petróleo (aumentar as exportações e reduzir as importações é o caminho para reduzi o endividamento) e a redução das emissões de CO2 são razões mais do que suficientes para fundamentar esta politica energética (graças ao aumento da quota de produção de energias renováveis, o valor de 500 g de CO2/kWh produzido em todo o país, indicado na apresentação, é agora inferior a 400 g de CO2/kWh, o que vem melhorar a posição dos metropolitanos face aos autocarros e ao transporte privado).
Congratulo-me assim com os números da situação das energias renováveis em Portugal:
Potencia instalada: 9.700 MW, sendo:
- 4.800 MW de potência hídrica
- 4.200 MW de potência eólica (produção média anual de 2.403 horas,sendo que o ano tem 8.765 horas! número de aerogeradores: 2183)
- 466 MW de biomassa
- 88 MW de resíduos sólidos urbanos
- 31 MW de biogás
- 129 MW fotovoltaica (aqui há grande potencial de crescimento: 1 MW por hectare e 1.500 horas por ano)
- 4 MW de marés (neste domínio julgo porém que as realizações apenas têm valor experimental)
Apresentação de Outubro de 2009 sobre a problemática energética e o papel dos metropolitanos:
Salvo melhor opinião, estes números mostram que a politica seguida pelo governo português tem sido correta, por muito que a troica/tríade possa criticar.
Embora eu pessoalmente tambem discorde do subsídio atribuido à produção de energia eólica, isso é apenas um elemento secundário. O essencial é o volume de produção de energias renováveis e o evitar a importação de petróleo.
Sobre a insustentabilidade da importação de grandes importações de petróleo, recordo um pequeno trabalho que fiz há dois anos sobre o potencial dos metropolitanos para reduzir os consumos totais de energia primária e as emissões de CO2.
De facto, o peso dos transportes no consumo de petróleo é muito elevado e insustentável.
Por mais que a troica/tríade (e os seus seguidores acríticos) pareça achar, estranhamente, que não.
No caso da UE essa estranheza é mais relevante, dado que a política energética europeia:
- não privilegia o transporte de avião relativamente ao comboio para distancias equivalentes às de Lisboa-Madrid, pese embora o protecionismo ao mercado do transporte aéreo;
- não privilegia o consumo de combustível em transporte individual relativamente ao transporte urbano ferroviário, pese embora o protecionismo aos fabricantes de automóveis.
Por isso me recordei do modesto trabalho que fiz há dois anos, e de como na altura da sua apresentação disse para o auditório que todos sabiam como eu sempre fui crítico do governo, mas que neste domínio, excecionalmente, a sua política estava certa .
Apesar da produção eólica e fotovoltaica ser mais cara, o evitar a importação de petróleo (aumentar as exportações e reduzir as importações é o caminho para reduzi o endividamento) e a redução das emissões de CO2 são razões mais do que suficientes para fundamentar esta politica energética (graças ao aumento da quota de produção de energias renováveis, o valor de 500 g de CO2/kWh produzido em todo o país, indicado na apresentação, é agora inferior a 400 g de CO2/kWh, o que vem melhorar a posição dos metropolitanos face aos autocarros e ao transporte privado).
Congratulo-me assim com os números da situação das energias renováveis em Portugal:
Potencia instalada: 9.700 MW, sendo:
- 4.800 MW de potência hídrica
- 4.200 MW de potência eólica (produção média anual de 2.403 horas,sendo que o ano tem 8.765 horas! número de aerogeradores: 2183)
- 466 MW de biomassa
- 88 MW de resíduos sólidos urbanos
- 31 MW de biogás
- 129 MW fotovoltaica (aqui há grande potencial de crescimento: 1 MW por hectare e 1.500 horas por ano)
- 4 MW de marés (neste domínio julgo porém que as realizações apenas têm valor experimental)
Apresentação de Outubro de 2009 sobre a problemática energética e o papel dos metropolitanos:
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energias renováveis
segunda-feira, 9 de maio de 2011
O lixo continua
O grande plano mostra imagens de um TAC ao cérebro.
Continua a proximidade com o espírito de Nápoles.
Vou sugerir à junta de freguesia uma circular para sensibilização dos habitantes que põem ou mandam pôr o lixo na rua, fora de recipientes.
O recipiente mostrado destina-se apenas à recolha de vidro.
Continua a proximidade com o espírito de Nápoles.
Vou sugerir à junta de freguesia uma circular para sensibilização dos habitantes que põem ou mandam pôr o lixo na rua, fora de recipientes.
O recipiente mostrado destina-se apenas à recolha de vidro.
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Nápoles. lixo
domingo, 8 de maio de 2011
E os ingleses votaram não no referendo
Este blogue ficou triste com o resultado do referendo. A Inglaterra vai continuar a permitir que um governo com 30% de eleitores tenha a maioria absoluta.
Tenho pena porque a Inglaterra é o país da Magna Carta - já que temos de ter um rei, que ele tenha limites, que os nossos (dos senhores feudais) limites háo-de aparecer depois com o tempo. Foi de facto difícil a imposição de limites aos senhores feudais de Inglaterra. A Republica de Cromwell não funcionou no século XVII, foi possível criar mecanismos de democratização apesar disso, mas ainda se mantêm privilégios dos tempos feudais (basta ver o nome da câmara dos lords - nascer-se lord está de acordo com as regras da égalité-liberté-frsternité?!).
Por isso havia um ténue esperança de que o referndo pelo voto alternativo ou preferencial fosse mais um passo no sentido da democratização. Talvez quem o promoveu (parte interessada, é certo, mas bem fundamentada) devesse ter dado um passo mais pequenino, ter-se limitado a propor o método de Hondt, a proporcionalidade à 25 de Abril.
Mas não sei, a sociedade anglo-saxónica está muito agarrada à tradição, apesar de Kenneth Arrow, o prémio Nobel da Economia que definiu os grandes teoremas a que se sujeitam as regras eleitorais, ser inglês.
Mais uma vez se vê que os eleitores não votam de acordo com as conquistas da matemática (o domínio das regras eleitorais é, de facto, matematicamente complexo).
Como dizia Agstinho da Silva (cito de cor), isso não significa ignorancia dos eleitores, porque às vezes a votação menos certa é a mais correta, desde que as pessoas sejam livres de pensar como bem entendem e de o exprimir. (Vá-se lá entender a lógica da natureza e da especie humana).
(ver a problemática das regras eleitorais em:
http://fcsseratostenes.blogspot.com/2009/08/homenagem-schulberg-e-governabilidade.html )
Tenho pena porque a Inglaterra é o país da Magna Carta - já que temos de ter um rei, que ele tenha limites, que os nossos (dos senhores feudais) limites háo-de aparecer depois com o tempo. Foi de facto difícil a imposição de limites aos senhores feudais de Inglaterra. A Republica de Cromwell não funcionou no século XVII, foi possível criar mecanismos de democratização apesar disso, mas ainda se mantêm privilégios dos tempos feudais (basta ver o nome da câmara dos lords - nascer-se lord está de acordo com as regras da égalité-liberté-frsternité?!).
Por isso havia um ténue esperança de que o referndo pelo voto alternativo ou preferencial fosse mais um passo no sentido da democratização. Talvez quem o promoveu (parte interessada, é certo, mas bem fundamentada) devesse ter dado um passo mais pequenino, ter-se limitado a propor o método de Hondt, a proporcionalidade à 25 de Abril.
Mas não sei, a sociedade anglo-saxónica está muito agarrada à tradição, apesar de Kenneth Arrow, o prémio Nobel da Economia que definiu os grandes teoremas a que se sujeitam as regras eleitorais, ser inglês.
Mais uma vez se vê que os eleitores não votam de acordo com as conquistas da matemática (o domínio das regras eleitorais é, de facto, matematicamente complexo).
Como dizia Agstinho da Silva (cito de cor), isso não significa ignorancia dos eleitores, porque às vezes a votação menos certa é a mais correta, desde que as pessoas sejam livres de pensar como bem entendem e de o exprimir. (Vá-se lá entender a lógica da natureza e da especie humana).
(ver a problemática das regras eleitorais em:
http://fcsseratostenes.blogspot.com/2009/08/homenagem-schulberg-e-governabilidade.html )
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regras eleitorais
Adalberto Campos Fernandes entrevista no DN-NM
Com a devida vénia ao DN.
Adalberto Campos Fernandes é professor da Escola Nacional de Saude Publica, quadro superior do BCP e administrador do Hospital de Santa Maria.
O DN-NM entrevistou-o na rubrica "Vida inteligente". É a velha tática de mostrar o exemplo dos herois para serem imitados. Mas neste caso, seria melhor dar mais atenção ao que ele diz (e tem autoridade para o fazer graças à sua ação à frente do Hospital) do que à apetencia cega da troica/tríade para privatizar tudo que mexa.
Diz o senhor que o modelo do SNS cumpre bem, deve ser sempre melhorado e nunca extinto.
Mais diz que o que o surpreendeu foi a qualidade dos profissionais que encontrou quando tomou posse(reconhece que tinha precnceitos contra o setor publico antes de começar a trabalhar no Santa Maria) . ""A questão tem mais que ver com os modelos de organização e de enquadramento do que com a qualidade individual dos profissionais".
E pensava este humilde escriba que não havia gestores a pensar o mesmo.
Afinal também eu tenho preconceitos contra os gestores.
Dir-se-ia que o grande problema em Portugal é conseguir organizar as pessoas de modo a elas produzirem no sentido certo (porque é tão fácil pô-las a produzir virtualmente no sentido ineficiente, por exemplo, a privilegiar registos informáticos em vez de resolver os problemas reais). Que é um mistério as organizações não tirarem proveito dos bons profissionais que têm. E que é preciso vir um senhor de fora (cuidado com os mitos pombalinos se for para melhor, ou sebastiânicos se for para pior) pôr os profissinais a dar o seu esforço útil, em vez de os avaliar e castigar de acordo com as cartilhas dos consultores. Afinal é capaz de ser um bom exemplo, o de Adalberto Campos Fernandes. Devia ser citado no Sabedoria das Multidões (que aliás contem casos semelhantes de a iniciativa individual ter estimulado a iniciativa coletiva).
Propostas concretas suas para sugerir ao próximo ministro da saúde:
"Colocar no centro das politicas publicas a politica de saude pelo seu efeito agregador ao nivel da coesão e do desenvolvimento social e humano e por ser uma das áreas com maior potencial cientifico, técnico e económico. Será fundamental garantir a sustentabilidade do sistema de saúde expurgando-o da despesa ineficiente, modernizando-o, melhorando a qualidade, e evitando o risco de desinvestimento, de racionamento de cuidados e de agravamento de iniquidades devido à barreiras económicas de acesso.
A reforma estrutural do sistema de saúde impõe a eliminação de redundancias, encerramento e reestruturação de serviços, a redução do hospitalocentrismo em detrimento da capilaridade da rede e da proximidade aos cidadãos, investindo mais em cuidados de saúde primáros e cuidados continuados integrados."
Como se costuma dizer, diz quem sabe, e não quem palpita em frente das câmaras de TV.
Adalberto Campos Fernandes é professor da Escola Nacional de Saude Publica, quadro superior do BCP e administrador do Hospital de Santa Maria.
O DN-NM entrevistou-o na rubrica "Vida inteligente". É a velha tática de mostrar o exemplo dos herois para serem imitados. Mas neste caso, seria melhor dar mais atenção ao que ele diz (e tem autoridade para o fazer graças à sua ação à frente do Hospital) do que à apetencia cega da troica/tríade para privatizar tudo que mexa.
Diz o senhor que o modelo do SNS cumpre bem, deve ser sempre melhorado e nunca extinto.
Mais diz que o que o surpreendeu foi a qualidade dos profissionais que encontrou quando tomou posse(reconhece que tinha precnceitos contra o setor publico antes de começar a trabalhar no Santa Maria) . ""A questão tem mais que ver com os modelos de organização e de enquadramento do que com a qualidade individual dos profissionais".
E pensava este humilde escriba que não havia gestores a pensar o mesmo.
Afinal também eu tenho preconceitos contra os gestores.
Dir-se-ia que o grande problema em Portugal é conseguir organizar as pessoas de modo a elas produzirem no sentido certo (porque é tão fácil pô-las a produzir virtualmente no sentido ineficiente, por exemplo, a privilegiar registos informáticos em vez de resolver os problemas reais). Que é um mistério as organizações não tirarem proveito dos bons profissionais que têm. E que é preciso vir um senhor de fora (cuidado com os mitos pombalinos se for para melhor, ou sebastiânicos se for para pior) pôr os profissinais a dar o seu esforço útil, em vez de os avaliar e castigar de acordo com as cartilhas dos consultores. Afinal é capaz de ser um bom exemplo, o de Adalberto Campos Fernandes. Devia ser citado no Sabedoria das Multidões (que aliás contem casos semelhantes de a iniciativa individual ter estimulado a iniciativa coletiva).
Propostas concretas suas para sugerir ao próximo ministro da saúde:
"Colocar no centro das politicas publicas a politica de saude pelo seu efeito agregador ao nivel da coesão e do desenvolvimento social e humano e por ser uma das áreas com maior potencial cientifico, técnico e económico. Será fundamental garantir a sustentabilidade do sistema de saúde expurgando-o da despesa ineficiente, modernizando-o, melhorando a qualidade, e evitando o risco de desinvestimento, de racionamento de cuidados e de agravamento de iniquidades devido à barreiras económicas de acesso.
A reforma estrutural do sistema de saúde impõe a eliminação de redundancias, encerramento e reestruturação de serviços, a redução do hospitalocentrismo em detrimento da capilaridade da rede e da proximidade aos cidadãos, investindo mais em cuidados de saúde primáros e cuidados continuados integrados."
Como se costuma dizer, diz quem sabe, e não quem palpita em frente das câmaras de TV.
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Adalberto Campos Fernandes,
serviço nacional de saúde
Poul Thomsen entrevistado pelo DN e pelo jornal i
Com a devida vénia ao DN, onde li a entrevista com o chefe da missão do FMI.
Poul Thomsen manifestou surpresa por, nos contactos que teve com muitos setores da sociedade portuguesa ("oposição, parceiros sociais, académicos") verificar que havia a perceção do problema , pelo que o acordo FMI/BCE/UE acaba por ser "o programa português, no diagnóstico e nas políticas principais".
Compreende-se assim a rapidez do acordo.
Sublinho que a opinião de Poul Thomsen é a de que ouviu largos setores da sociedade, e que as soluções coincidem.
Mais uma razão para lamentar que 2 partidos que representam mais de 15% dos eleitores não tenham feito ouvir a sua voz.
Como se lê na Sabedoria das Multidões, mesmo que o minoritário não tenha razão, a sua discordancia fundamentará melhor a opinião do maioritário.
Voltando à opinião de Poul Thomsen, tenho de me lembrar da proposta de Vitor Bento
(ver em
http://fcsseratostenes.blogspot.com/2011/05/ainda-as-propostas-de-vitor-bento.html )
quando ele próprio cita a "desvalorização orçamental" (a que o senhor economista Eduardo Catroga chama choque fiscal, choque de competitividade), ou redução das taxas sociais para reduzir os custos do trabalho, como "objetivo do Banco de Portugal , de um vasto grupo de académicos, dos principais partidos da oposição".
Mas como diz Vitor Bento, reduzir as taxas sociais só resulta se os preços do setor não transacionável baixarem (porque a subida dos preços do setor não transacionável arrasta a dos preços do setor transacionável). Como Poul Thomsen reconhece, os preços da saúde vão subir.
Logo...
Recordo-me de terem sido apanhados empreiteiros na obra de construção do tunel de metro da Pontinha para Alfornelos que empregavam mão de obra sem pagar taxas sociais. Os trabalhadores eram imigrantes indianos mais ou menos ilegais, e os empreiteiros eram, pelos vistos, precursores (perdoe-se-me o exagero da comparação, uma vez que julgo que a troica ou triade não está a pensar numa redução de 100%).
Tenho de me lembrar tambem dum desabafo de Silva Lopes, quando recordou que as duas intervenções anteriores do FMI diziam respeito a empréstimos da ordem de 1 a 5% do PIB, enquanto agora é de cerca de 50%: "Tenho medo".
Vamos dar o desconto à frase e atribuir-lhe carater de bonomia, mas erros de dimensionamento, neste caso de má interpretação das percentagens, parecem-me perigosas, não que o humilde escriba perceba de economia, mas por se tratar de interpretar fenómenos físicos.
Refiro-me, não às percentagens acima, mas às percentagens ou quotas de responsabilidade pelo endividamento.
A interpretação física dirá que é nas percentagens maiores que se deve atuar para obter um efeito global mais significativo.
Por exemplo, se se quiser poupar 5% na fatura de eletricidade, sendo 60% da fatura devido ao consumo em máquinas (lavar roupa, secador, frigorífico, ar condicionado) e 40 % em iluminação, ter-se-á de poupar:
- 8,3% no consumo das máquinas mantendo o consumo de iluminação, ou,
- 12,5% no consumo da iluminação se se mantiver o consumo das máquinas (atenção, não estou a dizer que se deve poupar só no consumo das máquinas, estou apenas a quantificar os esforços de um setor quando o outro permanece para comparação).
Considerando que a dívida de Portugal ao estrangeiro é cerca de:
- 130% do PIB: publica (incluindo empresas publicas e PPP)
- 210% do PIB: privada (bancos, empresas e famílias),
temos que fica a dúvida se os negociadores da troica ou tríade têm o mesmo entendimento que os físicos dos fenómenos, uma vez que focaram a austeridade e os cortes no setor do Estado.
Dir-se-ia que o esforço de contenção sobre quem detem a fatia maior do rendimento (e do endividamento) seria menor do que sobre quem detem a menor parte da divida ou dispõe de menores rendimentos.
Faz-me pôr a hipótese de que a comissão da troica ou tríade fez como as administrações das empresas públicas quando tomam posse. Falam com "largos setores" que se auto-intitulam representativos das empresas e lhes servem o panorama da empresa do seu, deles, ponto de vista. Mas também é verdade que não há tempo para se fazer o levantamento exaustivo das questões.
Outra crítica sobre percentagens é feita pelo presidente da câmara do Porto, Rui Rio: todas as autarquias têm de fazer cortes de 15%. Muito bem, mas as que já fizeram poupanças enquanto outras não o fizeram, se forem obrigadas a fazer mais cortes sentirão pouca motivação. É o mal dos senhores economistas, têm dificuldade em compreender o valor da gestão de quem lida com os problemas concretos, daí os cortes cegos (aliás, muitos economistas defendem a ideia que o melhor é não perceber mesmo da natureza e características do negócio que vão salvar com as suas medidas) .
Anoto ainda a observação interessante de Poul Thomsen que Portugal tem um problema estrutural de há muito, que é o de ter setores protegidos com altas margens de lucro e com grande peso do Estado, e que nas empresas públicas o surprendeu muito os privilégios dos trabalhadores.
Tenho pena de que ninguem lhe tenha falado na linha separadora de Melo Antunes.
Tenho pena de que ninguém lhes tenha dito como é fácil despedir em Portugal (neste momento, aguardo a convocatória para servir de testemunha abonatória de dois colegas que foram despedidos em processo sumário, quanto a mim, sem justa causa, e que, naturalmente puseram ação em tribunal para reintegração; o julgamento será daqui a 8 meses; ao longo da minha vida profissional assiti ao despedimento de um colega sem justa causa mais tarde reintegrado, e à passagem antecipada à reforma para evitarem o despedimento; despedimento difícil em Portugal?).
Eu próprio reconheço que a gestão das entidades públicas é perniciosa.
Ainda era jovem e já pensava assim.
Mas não deixará de sê-lo com as privatizações que nos impõem. O mal da gestão não é a empresa ser pública ou privada, é a cultura de sobranceria, de falta de humildade e de auto-suficiencia de gestores e direções, a dificuldade de organizar o trabalho em equipa, quer se trate de uma cadeia de supermercados, de uma empresa artificiosamente criada pelo Estado para lhe comprar a ele próprio infra-estruturas, ou de uma empresa pública deficitária ou lucrativa.
Essa cultura é uma forma de iliteracia como outra qualquer, mas é entendida como forma superior, até aplaudida por jornalistas.
Dir-se-ia que alterar o tipo de gestão das empresas públicas, os processos de escolha das suas administrações, os métodos, organização e relações de trabalho em todos os níveis, seria um caminho, mas não.
Mas de Bruxelas e do FMI vem a orientação de privatizar "a tout prix".
Duvido que os senhores economistas tenham conhecimentos técnicos na área dos transportes para compreender os riscos das privatizações das empresas de transporte, para avaliar a capacidade técnica dos futuros concorrentes (normalmente socorrem-se dos técnicos com experiencia das empresas públicas objeto dos cortes) ou para entender por que a liberalização nos setores da energia conduz, pelo menos numa primeira fase, á subida dos preços (e contudo, nos manuais de economia vem bem explicado que, em contexto de escassez, e isso carateriza a produção energética mundial, as leis do mercado não funcionam - exemplos: a subida dos preços dos combustíveis aparentemente como forma de cartelização, a não aceitação em concurso público, pelas empresas fornecedoras de energia elétrica num mercado já liberalizado, contrariamente ao que vem nos jornais, do preço razoavelmente majorado, relativamente aos consumos de anos anteriores de energia elétrica no metropolitano de Lisboa), isto sem falar nos riscos de partilha das mesmas infra-estruturas por empresas distintas (aplicável a empresas ferroviárias e de distribuição elétrica).
É uma pena.
Em tão cinzento panorama, resta-nos combater o medo, de que falava Silva Lopes, com o aplauso a quem trabalha e produz, especialmente os tais bens ou serviços transacionáveis que se podem vender ao estrangeiro ou servir aos turistas, ou que simplesmente concorre para o bem estar da comunidade; tambem com a esperança de que a inércia do sistema seja suficiente para manter o país a funcionar (é um dos fenómenos físicos que "absorvem" as perturbações bruscas); e ainda com a esperança de que nalguns casos se aplique aquele teorema anti-Murphy que diz que duas medidas tomadas sucessivamente, cada uma delas incorreta por si, mas aplicadas em oposição de fase no ciclo, podem conduzir a um resultado final favorável.
Finalmente, para que não se diga que estas coisas só são ditas por ignorantes como eu, cito (para além de Paul Krugman e Joseph Stieglitz, prémios Nobel de economia) o professor de economia Tony Atkinson, da Universidade de Oxford, crítico feroz das medidas em Inglaterra de redução das despesas públicas com a saúde e a educação, e que criticou igualmente o acordo da troica ou tríade para Portugal.
A principal objeção é que os cortes na educação e na saúde têm consequencias gravissimas a médio prazo, e o desemprego tambem não ajuda, sendo que todas estas medidas contribuem para agravar as desigualdades (basta pensar nas contas acima, com as percentagens) expressas no já tão falado neste blogue coeficiente de Gini, e, consequentemente, agravam a criminalidade e a pobreza, sendo que, curiosamente, a pobreza diminuiu nos ultimos dez anos em Portugal e aumentou na Alemanha...
(ver
http://www.ophi.org.uk/ )
Poul Thomsen manifestou surpresa por, nos contactos que teve com muitos setores da sociedade portuguesa ("oposição, parceiros sociais, académicos") verificar que havia a perceção do problema , pelo que o acordo FMI/BCE/UE acaba por ser "o programa português, no diagnóstico e nas políticas principais".
Compreende-se assim a rapidez do acordo.
Sublinho que a opinião de Poul Thomsen é a de que ouviu largos setores da sociedade, e que as soluções coincidem.
Mais uma razão para lamentar que 2 partidos que representam mais de 15% dos eleitores não tenham feito ouvir a sua voz.
Como se lê na Sabedoria das Multidões, mesmo que o minoritário não tenha razão, a sua discordancia fundamentará melhor a opinião do maioritário.
Voltando à opinião de Poul Thomsen, tenho de me lembrar da proposta de Vitor Bento
(ver em
http://fcsseratostenes.blogspot.com/2011/05/ainda-as-propostas-de-vitor-bento.html )
quando ele próprio cita a "desvalorização orçamental" (a que o senhor economista Eduardo Catroga chama choque fiscal, choque de competitividade), ou redução das taxas sociais para reduzir os custos do trabalho, como "objetivo do Banco de Portugal , de um vasto grupo de académicos, dos principais partidos da oposição".
Mas como diz Vitor Bento, reduzir as taxas sociais só resulta se os preços do setor não transacionável baixarem (porque a subida dos preços do setor não transacionável arrasta a dos preços do setor transacionável). Como Poul Thomsen reconhece, os preços da saúde vão subir.
Logo...
Recordo-me de terem sido apanhados empreiteiros na obra de construção do tunel de metro da Pontinha para Alfornelos que empregavam mão de obra sem pagar taxas sociais. Os trabalhadores eram imigrantes indianos mais ou menos ilegais, e os empreiteiros eram, pelos vistos, precursores (perdoe-se-me o exagero da comparação, uma vez que julgo que a troica ou triade não está a pensar numa redução de 100%).
Tenho de me lembrar tambem dum desabafo de Silva Lopes, quando recordou que as duas intervenções anteriores do FMI diziam respeito a empréstimos da ordem de 1 a 5% do PIB, enquanto agora é de cerca de 50%: "Tenho medo".
Vamos dar o desconto à frase e atribuir-lhe carater de bonomia, mas erros de dimensionamento, neste caso de má interpretação das percentagens, parecem-me perigosas, não que o humilde escriba perceba de economia, mas por se tratar de interpretar fenómenos físicos.
Refiro-me, não às percentagens acima, mas às percentagens ou quotas de responsabilidade pelo endividamento.
A interpretação física dirá que é nas percentagens maiores que se deve atuar para obter um efeito global mais significativo.
Por exemplo, se se quiser poupar 5% na fatura de eletricidade, sendo 60% da fatura devido ao consumo em máquinas (lavar roupa, secador, frigorífico, ar condicionado) e 40 % em iluminação, ter-se-á de poupar:
- 8,3% no consumo das máquinas mantendo o consumo de iluminação, ou,
- 12,5% no consumo da iluminação se se mantiver o consumo das máquinas (atenção, não estou a dizer que se deve poupar só no consumo das máquinas, estou apenas a quantificar os esforços de um setor quando o outro permanece para comparação).
Considerando que a dívida de Portugal ao estrangeiro é cerca de:
- 130% do PIB: publica (incluindo empresas publicas e PPP)
- 210% do PIB: privada (bancos, empresas e famílias),
temos que fica a dúvida se os negociadores da troica ou tríade têm o mesmo entendimento que os físicos dos fenómenos, uma vez que focaram a austeridade e os cortes no setor do Estado.
Dir-se-ia que o esforço de contenção sobre quem detem a fatia maior do rendimento (e do endividamento) seria menor do que sobre quem detem a menor parte da divida ou dispõe de menores rendimentos.
Faz-me pôr a hipótese de que a comissão da troica ou tríade fez como as administrações das empresas públicas quando tomam posse. Falam com "largos setores" que se auto-intitulam representativos das empresas e lhes servem o panorama da empresa do seu, deles, ponto de vista. Mas também é verdade que não há tempo para se fazer o levantamento exaustivo das questões.
Outra crítica sobre percentagens é feita pelo presidente da câmara do Porto, Rui Rio: todas as autarquias têm de fazer cortes de 15%. Muito bem, mas as que já fizeram poupanças enquanto outras não o fizeram, se forem obrigadas a fazer mais cortes sentirão pouca motivação. É o mal dos senhores economistas, têm dificuldade em compreender o valor da gestão de quem lida com os problemas concretos, daí os cortes cegos (aliás, muitos economistas defendem a ideia que o melhor é não perceber mesmo da natureza e características do negócio que vão salvar com as suas medidas) .
Anoto ainda a observação interessante de Poul Thomsen que Portugal tem um problema estrutural de há muito, que é o de ter setores protegidos com altas margens de lucro e com grande peso do Estado, e que nas empresas públicas o surprendeu muito os privilégios dos trabalhadores.
Tenho pena de que ninguem lhe tenha falado na linha separadora de Melo Antunes.
Tenho pena de que ninguém lhes tenha dito como é fácil despedir em Portugal (neste momento, aguardo a convocatória para servir de testemunha abonatória de dois colegas que foram despedidos em processo sumário, quanto a mim, sem justa causa, e que, naturalmente puseram ação em tribunal para reintegração; o julgamento será daqui a 8 meses; ao longo da minha vida profissional assiti ao despedimento de um colega sem justa causa mais tarde reintegrado, e à passagem antecipada à reforma para evitarem o despedimento; despedimento difícil em Portugal?).
Eu próprio reconheço que a gestão das entidades públicas é perniciosa.
Ainda era jovem e já pensava assim.
Mas não deixará de sê-lo com as privatizações que nos impõem. O mal da gestão não é a empresa ser pública ou privada, é a cultura de sobranceria, de falta de humildade e de auto-suficiencia de gestores e direções, a dificuldade de organizar o trabalho em equipa, quer se trate de uma cadeia de supermercados, de uma empresa artificiosamente criada pelo Estado para lhe comprar a ele próprio infra-estruturas, ou de uma empresa pública deficitária ou lucrativa.
Essa cultura é uma forma de iliteracia como outra qualquer, mas é entendida como forma superior, até aplaudida por jornalistas.
Dir-se-ia que alterar o tipo de gestão das empresas públicas, os processos de escolha das suas administrações, os métodos, organização e relações de trabalho em todos os níveis, seria um caminho, mas não.
Mas de Bruxelas e do FMI vem a orientação de privatizar "a tout prix".
Duvido que os senhores economistas tenham conhecimentos técnicos na área dos transportes para compreender os riscos das privatizações das empresas de transporte, para avaliar a capacidade técnica dos futuros concorrentes (normalmente socorrem-se dos técnicos com experiencia das empresas públicas objeto dos cortes) ou para entender por que a liberalização nos setores da energia conduz, pelo menos numa primeira fase, á subida dos preços (e contudo, nos manuais de economia vem bem explicado que, em contexto de escassez, e isso carateriza a produção energética mundial, as leis do mercado não funcionam - exemplos: a subida dos preços dos combustíveis aparentemente como forma de cartelização, a não aceitação em concurso público, pelas empresas fornecedoras de energia elétrica num mercado já liberalizado, contrariamente ao que vem nos jornais, do preço razoavelmente majorado, relativamente aos consumos de anos anteriores de energia elétrica no metropolitano de Lisboa), isto sem falar nos riscos de partilha das mesmas infra-estruturas por empresas distintas (aplicável a empresas ferroviárias e de distribuição elétrica).
É uma pena.
Em tão cinzento panorama, resta-nos combater o medo, de que falava Silva Lopes, com o aplauso a quem trabalha e produz, especialmente os tais bens ou serviços transacionáveis que se podem vender ao estrangeiro ou servir aos turistas, ou que simplesmente concorre para o bem estar da comunidade; tambem com a esperança de que a inércia do sistema seja suficiente para manter o país a funcionar (é um dos fenómenos físicos que "absorvem" as perturbações bruscas); e ainda com a esperança de que nalguns casos se aplique aquele teorema anti-Murphy que diz que duas medidas tomadas sucessivamente, cada uma delas incorreta por si, mas aplicadas em oposição de fase no ciclo, podem conduzir a um resultado final favorável.
Finalmente, para que não se diga que estas coisas só são ditas por ignorantes como eu, cito (para além de Paul Krugman e Joseph Stieglitz, prémios Nobel de economia) o professor de economia Tony Atkinson, da Universidade de Oxford, crítico feroz das medidas em Inglaterra de redução das despesas públicas com a saúde e a educação, e que criticou igualmente o acordo da troica ou tríade para Portugal.
A principal objeção é que os cortes na educação e na saúde têm consequencias gravissimas a médio prazo, e o desemprego tambem não ajuda, sendo que todas estas medidas contribuem para agravar as desigualdades (basta pensar nas contas acima, com as percentagens) expressas no já tão falado neste blogue coeficiente de Gini, e, consequentemente, agravam a criminalidade e a pobreza, sendo que, curiosamente, a pobreza diminuiu nos ultimos dez anos em Portugal e aumentou na Alemanha...
(ver
http://www.ophi.org.uk/ )
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Poul Thomsen,
Tony Atkinson
quinta-feira, 5 de maio de 2011
Passeio em Castro Verde
Imagens de Castro Verde, antes do concerto do festival Terras sem sombra, no dia 2 de Maio de 2011.
O que mais falta faz no Alentejo são pessoas.









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Castro Verde
Ainda as propostas de Vitor Bento
Fascinante, como diria Mr Spock ao ver aproximar-se o monstro para devorar a tripulação e observando os movimentos ondulados da troica, perdão, do par de patas do monstro.
Perante as notícias vindas a publico com as propostas dos tecnicos do FMI/BCE/UE e o embandeiramento em arco com uma das medidas para tornar as nossas exportações mais competitivas, a diminuição das taxas sociais, permito-me retornar ao post de 22 de Abril deste desgraçado ano de 2011 (http://fcsseratostenes.blogspot.com/2011/04/vitor-bento-e-sua-solucao-para-o-no.html ),
em que apresentei algumas das medidas propostas por Vitor Bento.
Cito:
"... uma das medidas mais eficazes como sucedâneo da desvalorização da moeda é a diminuição das contribuições para a segurança social compensando a perda de receitas com o aumento do IVA,... mas isso só terá efeitos se os preços no setor não transacionável baixarem efetivamente ..."
Como certamente repararam, a medida só faz efeito (Vitor Bento dixit) se os preços do setor não transacionável baixarem efetivamente.
Ora, tambem fazem parte das medidas da troica ou tríade o aumento dos preços dos transportes, da água, da energia, da saúde.
Isto é, a medida não vai ter efeitos.
Perdão, vai ter, os mesmos que tiveram os subsídios para a modernização do vale do Ave, há muitos anos, antes dos governos despesistas, quando o volume dos fundos alocados igualou o volume dos
Lamborghini importados.
Desejaria estar enganado, mas à boa maneira chico-esperta, a redução das contribuições para a segurança social não irá repercutir-se no abaixamento do preço do bem exportável, irá com maior probabilidade ser embolsada pelos senhores empresários.
E se pensarmos bem, onde está a novidade de "ser possível baixar o custo do trabalho sem baixar os salários", que os senhores economistas emproados apregoam?
Não é isso que fazem os praticantes da economia paralela? não refletem no custo do produto nenhuma contribuição social, pois não? serão 40% do produto que não são contabilizados?
Continua assim Vitor Bento a ter razão, o grande problema é ter-se desprezado o setor transacionável, aquele que é suscetível de gerar exportações (e de evitar importações...).
Pena não terem explicado aos técnicos da troica ou tríade este fenómeno fascinante, como diria Mr Spock.
Nota: Continuando com o tema de Vitor Bento, de privilegiar o setor de bens transacionáveis, eu sugiro que se pense também em serviços transacionáveis (de que o melhor exemplo é o turismo), estabelecendo como meta que qualquer empresa do setor não transacionável deveria inscrever pelo menos 10% do seu produto em atividades transacionáveis. Já aqui neste blogue se propôs coisa parecida, como o metropolitano de Lisboa fornecer a fiscalização da construção do metro de Luanda (ampliando assim os serviços que tem na Argélia).
Mas estranho é ver a própria troica ou tríade a abrir a porta e a empurrar para que as empresas de serviços, como as águas e a energia, ao privatizarem-se, caiam em domínios exteriores e assim aumentem as importações através da exportação de mais valias . Isto é, passem a uma situação pior do que atualmente (com o aumento do PNB, mas com a diminuição do PIB - não acreditam que as melhorias de produtividade e de contenção de importações que a gestão privada possa fazer tenham um valor superior ao das mais valias exportadas, pois não? ou haverá quem acredite em histórias da branca de neve no século XXI?).
Perante as notícias vindas a publico com as propostas dos tecnicos do FMI/BCE/UE e o embandeiramento em arco com uma das medidas para tornar as nossas exportações mais competitivas, a diminuição das taxas sociais, permito-me retornar ao post de 22 de Abril deste desgraçado ano de 2011 (http://fcsseratostenes.blogspot.com/2011/04/vitor-bento-e-sua-solucao-para-o-no.html ),
em que apresentei algumas das medidas propostas por Vitor Bento.
Cito:
"... uma das medidas mais eficazes como sucedâneo da desvalorização da moeda é a diminuição das contribuições para a segurança social compensando a perda de receitas com o aumento do IVA,... mas isso só terá efeitos se os preços no setor não transacionável baixarem efetivamente ..."
Como certamente repararam, a medida só faz efeito (Vitor Bento dixit) se os preços do setor não transacionável baixarem efetivamente.
Ora, tambem fazem parte das medidas da troica ou tríade o aumento dos preços dos transportes, da água, da energia, da saúde.
Isto é, a medida não vai ter efeitos.
Perdão, vai ter, os mesmos que tiveram os subsídios para a modernização do vale do Ave, há muitos anos, antes dos governos despesistas, quando o volume dos fundos alocados igualou o volume dos
Lamborghini importados.
Desejaria estar enganado, mas à boa maneira chico-esperta, a redução das contribuições para a segurança social não irá repercutir-se no abaixamento do preço do bem exportável, irá com maior probabilidade ser embolsada pelos senhores empresários.
E se pensarmos bem, onde está a novidade de "ser possível baixar o custo do trabalho sem baixar os salários", que os senhores economistas emproados apregoam?
Não é isso que fazem os praticantes da economia paralela? não refletem no custo do produto nenhuma contribuição social, pois não? serão 40% do produto que não são contabilizados?
Continua assim Vitor Bento a ter razão, o grande problema é ter-se desprezado o setor transacionável, aquele que é suscetível de gerar exportações (e de evitar importações...).
Pena não terem explicado aos técnicos da troica ou tríade este fenómeno fascinante, como diria Mr Spock.
Nota: Continuando com o tema de Vitor Bento, de privilegiar o setor de bens transacionáveis, eu sugiro que se pense também em serviços transacionáveis (de que o melhor exemplo é o turismo), estabelecendo como meta que qualquer empresa do setor não transacionável deveria inscrever pelo menos 10% do seu produto em atividades transacionáveis. Já aqui neste blogue se propôs coisa parecida, como o metropolitano de Lisboa fornecer a fiscalização da construção do metro de Luanda (ampliando assim os serviços que tem na Argélia).
Mas estranho é ver a própria troica ou tríade a abrir a porta e a empurrar para que as empresas de serviços, como as águas e a energia, ao privatizarem-se, caiam em domínios exteriores e assim aumentem as importações através da exportação de mais valias . Isto é, passem a uma situação pior do que atualmente (com o aumento do PNB, mas com a diminuição do PIB - não acreditam que as melhorias de produtividade e de contenção de importações que a gestão privada possa fazer tenham um valor superior ao das mais valias exportadas, pois não? ou haverá quem acredite em histórias da branca de neve no século XXI?).
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A injunção e eu
Estive fora uns tempos e, quando regressei, tomei conhecimento de que a decisão dos meus representantes, em assembleia, tinha sido anulada pelo grupo de sábios do tribunal constitucional.
É verdade que são sábios e eu sou ignorante, embora alguns dos meus representantes também o sejam, sábios, o que de nada serviu porque a sua decisão foi anulada.
E são sábios e eu ignorante porque sabem o que é uma injunção.
Coisa que eu não sei, com a agravante de pensar que quem explica uma coisa aos ignorantes sem explicar o que é uma injunção, não deveria tomar decisões públicas.
Deveria limitar-se aos seus misteres, embora eu também pense que não devia haver misteres em que cidadãos ou cidadãs da República dizem coisas que não sabem explicar aos ignorantes como eu.
Mas, como dizia Marco António depois do assassínio de Julio Cesar, se os sábios decidiram assim é porque decidiram bem.
Embora a dúvida surja, entre todos os que não sabem o que é uma injunção, por que cargas de água é que a assembleia injungir o governo a iniciar até ao fim do ano letivo um processo negocial para novo sistema de avaliação é penetrar na esfera de competencias do governo e violar o princípio da separação dos poderes; e o tribunal constitucional injungir a assembleia a revogar o decreto não é.
Na impossibilidade de convocar Montesquieu, que foi quem primeiro se lembrou dessa coisa dos três poderes, eu diria que a ciência da gestão de empresas e do controle da qualidade e segurança de processos já descobriu que o princípio básico é haver dois orgãos independentes que se vigiem mutuamente e que desenvolvam o mesmo processo por dois caminhos diferentes, com a condição de as regras de desenvolvimento do processo serem respeitadas.
Se o resultado for o mesmo, temos que a solução tem elevadas probabilidades de estar correta.
Que não foi o que aconteceu, a assembleia chegou à conclusão que era melhor suspender o sistema de avaliação de professores para lhes deixar tempo e sossego para se dedicarem ao seu trabalho e definiu passos para se arranjar um sistema melhor, e o douto coletivo constitucional de pretores concluiu outra coisa.
Sim, é verdade que muitos cidadãos e cidadãs acham que os professores são uns preguiçosos que não querem nenhum sistema de avaliação, mas essa avaliação, de que os professores são preguiçosos, é uma generalização de natureza primária, e prescinde da análise de todos os parâmetros do processo.
Querem, sim, como quaisquer cidadãos; mas um sistema como este, semelhante aos sistemas que nas empresas por esse país fora têm prejudicado o ambiente de trabalho, que foi desenvolvido por consultores como abstração desligada da realidade dos professores que eu conheci, conhecedores da sua profissão e a ela dedicados, que se reformaram com antecipação para não terem de aturar esta e outras prepotencias, um sistema como este, como eu dizia, por ser prejudicial ao trabalho nas escolas, devia ser substituido.
O tribunal constitucional achou que era inconstitucional por a assembleia ter injungido o governo (a iniciar um processo negocial, devo recordar porque o assunto pode parecer confuso).
E é natural que um governo injungido se sinta muito contrariado por ter de fazer uma coisa que não quer, o que até é outra coisa que acontece frequentemente em democracia; não nos deviamos admirar.
Porém, devemos sempre pensar, exatamente para não nos ficarmos por uma análise primária, na hipótese do tribunal constitucional, apesar dos seus sábios serem eméritos e doutos, não terem seguido as regras corretas no desenvolvimento do seu processo de análise, pelo que, a verificar-se tal hipótese, o facto de concluirem de forma diversa da do decreto da assembleia apenas nos deixa a certeza de que o decreto da assembleia podia estar correto mas tambem podia estar incorreto.
Isto é, estamos como no princípio.
É que todos os doutos sábios do tribunal exibiram extensa e profunda sabedoria na análise formal dos entes jurídicos em presença, mas deixaram grandes dúvidas sobre o conhecimento do mundo real dos professores, das escolas e das técnicas de avaliação.
O que, a ser assim, não admira conduzir a uma conclusão diferente da do decreto da assembleia.
Até porque o que todos os doutos pretores condenaram à inconstitucionalidade foi a injunção da assembleia ao governo (a iniciar um processo negocial, devo recordar porque o assunto pode parecer confuso).
Mas o decreto da assembleia dizia mais coisas que não eram injunções, por exemplo, a revogação do pernicioso sistema de avaliação, o período transitório até o novo sistema, as condições de entrada em vigor do decreto, coisas assim.
E foram estas mais coisas, de que a principal era a revogação do sistema de avaliação, que não mereceram a condenação de inconstitucionalidade por unanimidade do coletivo dos sábios do tribunal.
Isto é, a maioria achou que a inconstitucionalidade dessas normas era "consequencial", isto é, era uma consequencia do chumbo da injunção.
E alguns acharam o mesmo que um ignorante como eu acha, que não há relação de causa e efeito entre uma injunção e o ato ou a coisa que se quer injungir, ou dito de outro modo, obrigar uma criança a comer verduras na escola tem consequencialmente o efeito de declarar as verduras como comida imprópria por invasão das competencias do governo, perdão, dos pais?
O que mais uma vez me deixa a dúvida sobre os critérios de estabelecimento de relações de causa e efeito.
Será que a relação é entre a causa e o efeito, ou é entre a perceção que se tem da causa e a perceção que se tem do efeito? entre a perceção que se tem da causa e o efeito? entre a causa e a perceção que se tem do efeito?
Será que se analisa a realidade, toda, ou pequena parte? ou analisa-se a virtualidade, em maior ou menor grau?
E na impossibilidade de tirar uma conclusão sobre tão candente questão, só posso, consequencialmente, encolher os ombros, fazer votos para que os doutos pretores troquem umas impressões com um painel representativo de professores e pedir-lhes, aos doutos pretores, que me esclareçam outra dúvida que me atormenta: há alguma lei que impeça a assembleia de sócios de uma coletividade de cultura e recreio de obrigar sem apelo nem agravo uma direção a corrigir um erro?
Pergunto porque penso que a assembleia de sócios é o orgão supremo da coletividade.
É verdade que são sábios e eu sou ignorante, embora alguns dos meus representantes também o sejam, sábios, o que de nada serviu porque a sua decisão foi anulada.
E são sábios e eu ignorante porque sabem o que é uma injunção.
Coisa que eu não sei, com a agravante de pensar que quem explica uma coisa aos ignorantes sem explicar o que é uma injunção, não deveria tomar decisões públicas.
Deveria limitar-se aos seus misteres, embora eu também pense que não devia haver misteres em que cidadãos ou cidadãs da República dizem coisas que não sabem explicar aos ignorantes como eu.
Mas, como dizia Marco António depois do assassínio de Julio Cesar, se os sábios decidiram assim é porque decidiram bem.
Embora a dúvida surja, entre todos os que não sabem o que é uma injunção, por que cargas de água é que a assembleia injungir o governo a iniciar até ao fim do ano letivo um processo negocial para novo sistema de avaliação é penetrar na esfera de competencias do governo e violar o princípio da separação dos poderes; e o tribunal constitucional injungir a assembleia a revogar o decreto não é.
Na impossibilidade de convocar Montesquieu, que foi quem primeiro se lembrou dessa coisa dos três poderes, eu diria que a ciência da gestão de empresas e do controle da qualidade e segurança de processos já descobriu que o princípio básico é haver dois orgãos independentes que se vigiem mutuamente e que desenvolvam o mesmo processo por dois caminhos diferentes, com a condição de as regras de desenvolvimento do processo serem respeitadas.
Se o resultado for o mesmo, temos que a solução tem elevadas probabilidades de estar correta.
Que não foi o que aconteceu, a assembleia chegou à conclusão que era melhor suspender o sistema de avaliação de professores para lhes deixar tempo e sossego para se dedicarem ao seu trabalho e definiu passos para se arranjar um sistema melhor, e o douto coletivo constitucional de pretores concluiu outra coisa.
Sim, é verdade que muitos cidadãos e cidadãs acham que os professores são uns preguiçosos que não querem nenhum sistema de avaliação, mas essa avaliação, de que os professores são preguiçosos, é uma generalização de natureza primária, e prescinde da análise de todos os parâmetros do processo.
Querem, sim, como quaisquer cidadãos; mas um sistema como este, semelhante aos sistemas que nas empresas por esse país fora têm prejudicado o ambiente de trabalho, que foi desenvolvido por consultores como abstração desligada da realidade dos professores que eu conheci, conhecedores da sua profissão e a ela dedicados, que se reformaram com antecipação para não terem de aturar esta e outras prepotencias, um sistema como este, como eu dizia, por ser prejudicial ao trabalho nas escolas, devia ser substituido.
O tribunal constitucional achou que era inconstitucional por a assembleia ter injungido o governo (a iniciar um processo negocial, devo recordar porque o assunto pode parecer confuso).
E é natural que um governo injungido se sinta muito contrariado por ter de fazer uma coisa que não quer, o que até é outra coisa que acontece frequentemente em democracia; não nos deviamos admirar.
Porém, devemos sempre pensar, exatamente para não nos ficarmos por uma análise primária, na hipótese do tribunal constitucional, apesar dos seus sábios serem eméritos e doutos, não terem seguido as regras corretas no desenvolvimento do seu processo de análise, pelo que, a verificar-se tal hipótese, o facto de concluirem de forma diversa da do decreto da assembleia apenas nos deixa a certeza de que o decreto da assembleia podia estar correto mas tambem podia estar incorreto.
Isto é, estamos como no princípio.
É que todos os doutos sábios do tribunal exibiram extensa e profunda sabedoria na análise formal dos entes jurídicos em presença, mas deixaram grandes dúvidas sobre o conhecimento do mundo real dos professores, das escolas e das técnicas de avaliação.
O que, a ser assim, não admira conduzir a uma conclusão diferente da do decreto da assembleia.
Até porque o que todos os doutos pretores condenaram à inconstitucionalidade foi a injunção da assembleia ao governo (a iniciar um processo negocial, devo recordar porque o assunto pode parecer confuso).
Mas o decreto da assembleia dizia mais coisas que não eram injunções, por exemplo, a revogação do pernicioso sistema de avaliação, o período transitório até o novo sistema, as condições de entrada em vigor do decreto, coisas assim.
E foram estas mais coisas, de que a principal era a revogação do sistema de avaliação, que não mereceram a condenação de inconstitucionalidade por unanimidade do coletivo dos sábios do tribunal.
Isto é, a maioria achou que a inconstitucionalidade dessas normas era "consequencial", isto é, era uma consequencia do chumbo da injunção.
E alguns acharam o mesmo que um ignorante como eu acha, que não há relação de causa e efeito entre uma injunção e o ato ou a coisa que se quer injungir, ou dito de outro modo, obrigar uma criança a comer verduras na escola tem consequencialmente o efeito de declarar as verduras como comida imprópria por invasão das competencias do governo, perdão, dos pais?
O que mais uma vez me deixa a dúvida sobre os critérios de estabelecimento de relações de causa e efeito.
Será que a relação é entre a causa e o efeito, ou é entre a perceção que se tem da causa e a perceção que se tem do efeito? entre a perceção que se tem da causa e o efeito? entre a causa e a perceção que se tem do efeito?
Será que se analisa a realidade, toda, ou pequena parte? ou analisa-se a virtualidade, em maior ou menor grau?
E na impossibilidade de tirar uma conclusão sobre tão candente questão, só posso, consequencialmente, encolher os ombros, fazer votos para que os doutos pretores troquem umas impressões com um painel representativo de professores e pedir-lhes, aos doutos pretores, que me esclareçam outra dúvida que me atormenta: há alguma lei que impeça a assembleia de sócios de uma coletividade de cultura e recreio de obrigar sem apelo nem agravo uma direção a corrigir um erro?
Pergunto porque penso que a assembleia de sócios é o orgão supremo da coletividade.
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sistema de avaliação
terça-feira, 3 de maio de 2011
Peter Lieberson - Neruda Songs
Peter Lieberson. Compositor norte-americano, morto em Abril de 2011 com leucemia, aos 64 anos.
Não conhecia a sua musica e oiço-a pela primeira vez na Antena 2.
Eu sei que a maioria das pessoas prefere dedicar o seu tempo a outras coisas, mas é muito mau que este compositor tenha sido ignorado pela cultura portuguesa.
Soneto de Pablo Neruda "Amor mio, si muero y tu no mueres", musica de Peter Lieberson:
Não conhecia a sua musica e oiço-a pela primeira vez na Antena 2.
Eu sei que a maioria das pessoas prefere dedicar o seu tempo a outras coisas, mas é muito mau que este compositor tenha sido ignorado pela cultura portuguesa.
Soneto de Pablo Neruda "Amor mio, si muero y tu no mueres", musica de Peter Lieberson:
Amor mío, si muero y tú no mueres,
no demos al dolor más territorio:
amor mío, si mueres y no muero,
no hay extensión como la que vivimos.
no hay extensión como la que vivimos.
Polvo en el trigo, arena en las arenas
el tiempo, el agua errante, el viento vago
nos llevó como grano navegante.
Pudimos no encontrarnos en el tiempo.
el tiempo, el agua errante, el viento vago
nos llevó como grano navegante.
Pudimos no encontrarnos en el tiempo.
Esta pradera en que nos encontramos,
oh pequeño infinito! devolvemos.
Pero este amor, amor, no ha terminado,
oh pequeño infinito! devolvemos.
Pero este amor, amor, no ha terminado,
y así como no tuvo nacimiento
no tiene muerte, es como un largo río,
sólo cambia de tierras y de labios.
no tiene muerte, es como un largo río,
sólo cambia de tierras y de labios.
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Neruda Songs,
Peter Lieberson
Mouseland e Thomas Douglas
Há coincidencias engraçadas.
Quando escrevi o texto do post sobre Ernesto Sabato e as utopias (ver:
http://fcsseratostenes.blogspot.com/2011/05/rtp-forca-das-coisas.html )
andei à procura de uma designação para os negociadores de empréstimos, os politicos, os governantes, os dirigentes de grandes empresas, e só me ocorreu escrever "grandes", na aceção de senhores importantes, seguros de si, engravatados, de cultura geral e sensibilidade duvidosas.
No dia seguinte encontrei no facebook de uma amiga o retrato perfeito destes senhores. (Não há duvida, não é preciso inventar nada neste mundo, porque nada há de novo à superfície da Terra, pese embora alguns provincianos novos-ricos acharem que com as novas tecnologias o mundo é diferente).
São os gatos nesta metáfora, Mouseland, de Thomas Clement Douglas, primeiro ministro canadiano de 1944 a 1961 do primeiro governo socialista em território americano.
Nela, Thomas Douglas faz o apelo a que os ratos votem em ratos; que não votem em gatos, embora eles possam fazer uma alternancia democrática entre gatos pretos e brancos, ou até malhados; que diabo, embora os gatos sejam bons gestores, é uma maçada os ratos serem comidos. E, por mais "bolchevique" que se possa chamar a quem pensa assim, por mais disparates que os ratos possam dizer, ou fazer, se por acaso ganharem eleições, o facto inamovível é que podem prender os ratos que assim falam, mas não podem prender a ideia.
Ver em:
Mais pormenores sobre a vida e a política de Thomas Douglas, promotor da Canadian Charter of Rights and Freedom, precursora da Declaração Universal dos Direitos Humanos, em:
http://en.wikipedia.org/wiki/Tommy_Douglas
Quando escrevi o texto do post sobre Ernesto Sabato e as utopias (ver:
http://fcsseratostenes.blogspot.com/2011/05/rtp-forca-das-coisas.html )
andei à procura de uma designação para os negociadores de empréstimos, os politicos, os governantes, os dirigentes de grandes empresas, e só me ocorreu escrever "grandes", na aceção de senhores importantes, seguros de si, engravatados, de cultura geral e sensibilidade duvidosas.
No dia seguinte encontrei no facebook de uma amiga o retrato perfeito destes senhores. (Não há duvida, não é preciso inventar nada neste mundo, porque nada há de novo à superfície da Terra, pese embora alguns provincianos novos-ricos acharem que com as novas tecnologias o mundo é diferente).
São os gatos nesta metáfora, Mouseland, de Thomas Clement Douglas, primeiro ministro canadiano de 1944 a 1961 do primeiro governo socialista em território americano.
Nela, Thomas Douglas faz o apelo a que os ratos votem em ratos; que não votem em gatos, embora eles possam fazer uma alternancia democrática entre gatos pretos e brancos, ou até malhados; que diabo, embora os gatos sejam bons gestores, é uma maçada os ratos serem comidos. E, por mais "bolchevique" que se possa chamar a quem pensa assim, por mais disparates que os ratos possam dizer, ou fazer, se por acaso ganharem eleições, o facto inamovível é que podem prender os ratos que assim falam, mas não podem prender a ideia.
Ver em:
Mais pormenores sobre a vida e a política de Thomas Douglas, promotor da Canadian Charter of Rights and Freedom, precursora da Declaração Universal dos Direitos Humanos, em:
http://en.wikipedia.org/wiki/Tommy_Douglas
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Thomas Douglas
As aves no Baixo Alentejo
Enquanto aguardava a hora do concerto do festival Terras sem sombra, o da Rothko Chapel (ver:
dei uma voltinha por Castro Verde.
No muro de um parque infantil encontrei esta exposição de aves da planície.
Se ampliarem poderão ler notas sobre o estado destas espécies em Portugal.
Nem tudo pode ser mau, neste país e no Alentejo; é bom as crianças interessarem-se por estas coisas.
Pior é o ser tão reduzida a população no Alentejo.
Deste ponto de vista, maldito problema de Fermat-Weber, que atrai a população para as metrópoles:
PS - Atento e exigente leitor chamou-me a atenção para a impossibilidade de leitura das notas.
Pedindo desculpa, junto lista dos nomes das aves, e, dentro do espírito do blogue de admiração das maravilhas que nos rodeiam, embora não conseguindo o rigor desejável no tratamento das coisas, sugiro a pesquisa no google pelo nome.
Aparecerão pelo menos três sítios de grande interesse com muita informação, nomeadamente sobre o estatuto de conservação de cada espécie:
Tartaranhão azulado
Peneireiro comum
Poupa
Abetarda
Sisão
Grou
Peneireiro das torres
Rolieiro
Cortiçol de barriga preta
Tartaranhão caçador
Alcaravão
Trigueirão
Milhafre real
Calhandra real
Peneireiro cinzento
Mocho galego
Cegonha branca
Cotovia montesina
Picanço real
Picanço barreteiro
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aves do Baixo Alentejo
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