quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Laurentina

A cervejeira moçambicana teve de suspender a campanha publicitária com este cartaz:


É verdade que o corpo da mulher não deve ser explorado mercantilmente.
Mas talvez não fosse aqui o caso.
Ergo um copo de cerveja preta às mulheres moçambicanas que lamentaram que o Forum Mulher tivesse dado mais importancia a este cartaz (ainda por cima bonito) do que à luta contra a prostituição infantil, a disseminação do VIH, a violencia doméstica e a circuncisão feminina.

Citações de Vasco Graça Moura e de Manuel Maria Carrilho

Do DN de 7 de Setembro de 2011, de Vasco Graça Moura:
1- "o Governo tem agora de confrontar-se com recapitulações assassinas daquilo que foi tantas vezes afirmado pelas cúpulas partidárias, o que é muito desconfortável para quem o apoia"
2 - "torna-se evidente que as politicas de agressão fiscal direta ou indireta a uma classe média que é muito mais média baixa do que média alta ... vão ao arrepio de tudo o que tinha sido garantido"
3 - "o assalto à mão fiscal agora anunciado à queima roupa acarreta para os portugueses uma situação de escravatura intolerável (Vasco Graça Moura ter-se-á lembrado do Ouro do Reno: "Quem te deu o direito de submeteres à servidão o teu próprio irmão?") pela apropriação abusiva dos proventos do trabalho pela voracidade do Estado"
4 - "quem ganhar as eleições não pode dar o dito por não dito e o prometido por não prometido ... a maioria dos portugueses acreditou no que diziam o PSD e o CDS na campanha eleitoral e por isso votou neles"

Do DN de 8 de setembro de 2011, de Manuel Maria Carrilho:
5 - "não se põe em causa a necessidade de reduzir a dívida e o défice, mas o País precisa de um efetivo governo, não basta ter um contabilista, ainda que especialista em cobranças dificeis".
6 - "o ministro das finanças diz que não há milagres, e tem razão ... mas só uma sucessão de milagres tornaria possível ... o crescimento das exportações a 6% num contexto recessivo, a transmutação do investimento de -5,6% para +3%"
7 - "dupla ironia do destino: a ideologia do mais desbragado capitalismo chega ao poder no momento em que a crise sistémica atinge as proporções que conhecemos (como consequencia) do seu próprio paradigma"


A afirmação 4 estará relacionada com uma ameaça típica à democracia (voto dos interessados contra os seus próprios interesses) e pode ser discutida em âmbito interno; o problema a que está associada poderia ser resolvido se os portugueses ultrapassassem a sua velha doença genética de lhes ser dificil trabalhar em equipa.
Mas é dificil, não é impossivel.
Foi possivel trabalhar em equipa nalguns momentos dos governos provisórios, a seguir ao 25 de Abril.
Foi possivel a Melo Antunes trabalhar em equipa com o seu movimento das forças armadas.
Isto para não falar nos sucessos de empresas portuguesas que o DN tanto gosta de exibir. E sem esquecer, imodestamente, que apesar de muito dinheiro mal gasto (e contudo, como dizia Galileu, lembro-me de ter prescindido da aquisição de uma licença AutoCad para mim próprio, porque só a utilizaria 1 ou 2 vezes por mês e ela tinha um valor mensal; é por essas e por outras que não gosto dos cortes cegos, aplicados a quem quer que seja, independentemente do antecedente) , fazer as linhas de metropolitano que foram feitas não está ao alcance de ninguem que não trabalhe em equipa (embora esteja ao alcance de quem não é capaz de as fazer de impedir que elas se façam, isto a propósito da suspensão sine die da obra de expansão do Metro até à estação Reboleira).
E se quisermos exemplos externos, aí está a Islandia, em que a colaboração de partidos e cidadãos na resolução do problema está à vista.
Não é por falta de mecanismos democráticos legalmente expressos.
No caso islandês, o presidente da República e o Parlamento compreenderam a necessidade de envolver todas as sensibilidades na resolução do problema.
Em Portugal não; há uma incapacidade de compreensão disso por parte do senhor presidente da República, para quem os partidos mais próximos da sua ideologia e as regras económicas neoliberais se devem sobrepor à colaboração das outras sensibilidades.
É uma pena.

A afirmação 5 estará relacionada com demasiadas afirmações do senhor primeiro ministro e do senhor ministro das finanças. Dirão muitas coisas certas mas deviam moderar-se (embora eu gostasse de ouvir o senhor ministro das finanças mostrar números sobre a evolução da dívida privada, já que sobre a pública estamos conversados).
Como escrevia um comentador afeto ao partido no poder, "Por favor, não marquem mais datas para anunciar cortes".
Diz o senhor primeiro ministro: "agimos preventivamente, para fugirmos de perigos bem reais" (evidentemente que a capitalização do BPN, o buraco da Madeira e a suborçamentação dos salários e gastos de papel higiénico e de fotocópias eram perigos bem reais, mas não eram surpresas para quem vive no meio, logo não pode aplicar-se a palavra preventivamente; é a diferença dos tarifários pré-pago e pós-pago; e por favor, não volte o senhor primeiro ministro a dizer que não aumentará mais os impostos a menos que haja condicionalismos externos, primeiro porque a frase é vazia de sentido se não fornecer uma escala de medição do condicionalismo, e depois porque os ouvidos, que ainda se recordam das frases de Américo Tomás e de Garrastasu Medici, o que ouviram foi que "não faremos mais aumentos de impostos exceto aqueles que forem excecionais").
Diz o senhor ministro das finanças: "seria inaceitável pedir sacrificios aos portugueses por razões de prudencia".
O que é uma afirmação interessantissima do ponto de vista lógico, porque a prudencia pode implicar sacrificios, donde será inaceitável nesses casos ser prudente, o que poderia sugerir que nesses mesmos casos ou se deveria ser imprudente, ou nem prudente nem imprudente.
Sinceramente, antes o senhor ministro da saude, que já tem feito cortes cegos (classificação de queele não gosta) e já teve de emendar aquela infeliz afirmação sobre os transplantes, mas que vem dizer, no meio do nevoeiro das falencias dos hospitais (os hospitais podem estar em falencia? ou não receberam o dinheiro para cobrir os custos? ai estes termos ditos técnicos; gastaram demais? já escrevi neste blogue: informem-se junto dos administradores hospitalares realmente interessados que ainda existem; eles dirão onde se pode cortar) que tem ido buscar aos próprios hospitais medidas de poupança, o que é lógico, quem está nos locais de trabalho está mais dentro dos assuntos.


A afirmação 6 transcende o âmbito interno e parece só poder ser ultrapassada mediante colaboração com os BRIC e os PALOP, refiro-me às exportações.
Mas é tambem dificil, embora não impossivel.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Cecilia Bartoli cantando Inês de Castro, de Persiani

Estava a linda Inês posta em seu sossego, como dizia Luis Vaz.
O tema foi objeto de uma ópera por Persiani.
Cecilia Bartoli canta aqui a à ria Cari,giorni serenni...
Seria interessante conhecer pormenores psicológicos do senhor D.Pedro para percebre melhor a evolução politica da época.
Entretanto, a musica é mesmo bonita, não é?

Agricultura na segunda metade de 2011

Com a devida vénia ao DN e ao seu colaborador Ricardo Freixial, autor do artigo de que retirei os dados.

É preocupante ver os senhores importantes que tomam decisões neste país falarem e não referirem um facto elementar, que alguns cidadãos e cidadãs já vinham comentando, antes da crise se tornar evidente.
Nenhum país é sustentável se não  for autónomo em energia e na alimentação.
A Islandia, apesar da sua pequenez e das suas dívidas, está a resolver o problema, não só porque a participação na solução é alargada, mas porque é autónoma na energia (hidrica e geotérmica) e na alimentação (o setor das pescas nunca foi debilitado).
Em Portugal, é preocupante que alguns senhores muito importantes e apreciados nas questões energéticas se escandalizem tanto com os custos das energias renováveis até ao ponto de fazerem queixa aos senhores da troica e se preocuparem com a falta de consumidores para as eólicas durante a noite (e contudo, lembro-me de ver alguns nas mesmas aulas em que o professor falava da bombagem nas horas de vazio; era o tempo em que ainda não era possível produzir hidrogénio para alimentar motores de automóvel).
Mais preocupante ainda é não se monitorizar publicamente a evolução da balança de pagamentos, para tentarmos conter e substituir as importações  e cobri-las com as exportações.
Principalmente no caso da alimentação.
É verdade que as exportações estão a crescer, mas as importações também, embora a menor taxa, continuando a ser quase o dobro das exportações.
O panorama internacional está a piorar com o aumento do custo das matérias primas como cereais (entre outras razões, por causa dos biocombustiveis).

Valor das importações de bens alimentares em 2009 ........... 7.481 milhões de euros (14,6% do
                                                                                                              total das importações)
défice alimentar (importações-exportações) ........................  3.300 milhões de euros (aumento
                                                                                                             de 23,7% em 10 anos)
dependencia do exterior em cereais ....................................  70%
aumento dos custos de produção de
bens alimentares em 2010 ..................................................   30%

Conclusão : aguarda-se uma politica de crescimento da produção agrícola e de fixação de populações produtoras no interior para substituir importações e para produzir para exportar

Como resolver problemas?

Com a devida vénia à Ingenium e a Jorge Buescu, pelo seu artigo "Matemática, arma de construção maciça".

Grandes problemas da ciência foram resolvidos por grandes vultos da história da Ciência.
Já Newton dizia que conseguia ver longe porque estavam em cima de ombros dos gigantes que o precederam (deselegancia de Newton, que escreveu isto para achincalhar Halley, o do cometa, que tinha menos de um metro e meio de altura).
Lá está, pelo facto de se ser sobredotado, não podem conceder-se direitos especiais, que afinal são pessoas também com defeitos.
Então Newton. Nunca ficou esclarecida aquela disputa com Leibnitz, este muito mais urbano, sobre o cálculo diferencial e integral.
Ou Einstein, que nunca conseguiu ultrapassar o desgosto de ter um filho intelectualmente deficiente.
Mas a ciência evoluiu e nos tempos que correm o cientista isolado e as descobertas isoladas vão-se esbatendo.
Já tinhamos o "matemático" Bourbakis, que era o resultado do trabalho de investigação de um grupo de matemáticos.
Temos agora o exemplo descrito por Jorge Buescu na Ingenium: Timothy Gowers, matemático de Cambridge, resolveu fazer um blogue para receber ideias para tentar demonstrar o teorema da densidade de Hales-Jewitt de forma elementar e interna ao domínio do teorema, a análise combinatória (ver pormenores no artigo, sff). E conseguiu, a demonstração ficou a dever-se à colaboração de centenas de comentadores do blogue. Gowers chamou a este método projeto Polymath. Pensa agora abordar os problemas matemáticos do milénio. Só há um problema, é a repartição do prémio da sociedade Clay Mathematics (1 milhão de dólares). Problema esse que poderá ser resolvido pelo próprio método colaborativo, ou mais simplesmente ainda, pelo método cooperativo: uma voz, um voto (independentemente do numero de ações), uma participação válida, um voto.
Assim se resolvem assuntos complexos, independentemente da dinamica do lucro em que acreditam os grandes dirigentes politicos que conseguem arrastar multidões para o seu método fulanizado de atacar as questões.
Este blogue, correndo o risco de incorrer em imodéstia, aproveita para recordar os já aqui falados métodos de "crowdsourcing" propostos pelos livros "A Sabedoria das Multidões", de James Surowiecky, claramente defensores do trabalho de grupo (constituido por elementos dentro dos assuntos, evidentemente), "Wikinomics", de Dan Tapscott  (http://fcsseratostenes.blogspot.com/search?q=wikinomics) e "Muitas cabeças pensam melhor", de Barry Libert, Jon Spector e comentadores na Internet (http://fcsseratostenes.blogspot.com/search?q=spector).
Salvo melhor opinião, a humanidade (pelo menos muita gente dentro da humanidade) aprendeu nas últimas décadas que não há detentores de verdades únicas nem partidos únicos que possam chamar a si  a responsabilidade única das tentativas de solução dos problemas. Sem prejuizo das opiniões de cada um, claro, mas o que se pretende é a tal linha divisória que possa ser puxada, em cada caso concreto, mais para um lado ou para o outro, com a colaboração do maior numero possivel de sensibilidades minimamente informadas sobre o assunto.
Dir-se-ia que os problemas do país (e da UE também?) e das suas empresas deveriam ser abordados com base nos métodos dos 3 livros referidos.
Salvo melhor opinião, claro.

O sistema educativo na Finlandia

O DN traz na sua revista de domingo, 4 de setembro, uma reportagem sobre  a educação na Finlandia, tentando perceber por que os alunos finlandeses ocupam os primeiros lugares no PISA (compreensão de textos na lingua materna, de matemática, de ciencias da natureza) e os portugueses uma muito modesta posição a meio da tabela.
São sempre perigosas estas comparações e há a tentação de importar soluções que funcionam noutros contextos e no nosso não.
Além disso, ninguém quererá que num liceu português, como já aconteceu num liceu finlandês, um aluno mate a tiros de espingarda alguns colegas e professores (na Finlandia não é exigida licença de porte de armas, como nos USA).
Mas centremo-nos nas diferenças que interessam: na Finlandia o ensino é universal e gratuito, são raras as escolas privadas, o ordenado dos professores estará na classe média-baixa, não há sistema de avaliação de professores (o que confirma a hipótese: insistir num sistema de avaliação significa desconfiança dos potenciais avaliados e subserviencia às firmas fornecedoras de sistemas de avaliação), a influencia das limitações financeiras e culturais dos pais no rendimento escolar é baixa.
Este blogue já referiu um exemplo ilustrativo de uma diferença que lhe parece essencial: um aluno português do programa Erasmo na Finlandia copiou num exame; o professor detetou e comunicou ao aluno a expulsão do programa; o pai do menino pediu ao embaixador em Helsinquia e ele foi falar com o diretor da universidade pedindo a reintegração; sem sucesso, claro.
Moral da história: agradece-se muito ao criador ter dotado este nosso povo com uma capacidade de desenrascanço tão grande, mas sinceramente, não precisava; mais valia voar mais baixinho e saber que copiar é proibido e tem sanções, e que nunca deveria ter passado pela cabeça do senhor embaixador tentar uma cunha como esta (ou como qualquer cunha, que sociedade do conhecimento é outra coisa; não é esta mania portuguesa de procurar alguem que conheça alguem que conheça alguem que é o melhor para resolver o problema, em vez de ir à loja aberta a todos os cidadãos e cidadãs onde esses problemas se resolvem).
Preocupação na Finlandia: o ensino nivela tudo e todos, impedindo os sobredotados de evoluirem mais depressa.
Não há sistemas perfeitos, mas isso poderá remediar-se com pequenos acertos, lá na Finlandia.
Desde que não caiam no portuguesissimo defeito de eleger sobredotados.
Como dizia, mais vale voar baixinho, mais vale que um problema complexo seja resolvido com a participação de muitos medianos do que por um sobredotado ou por um grupo restrito de sobredotados fechado em gabinetes a anunciar a conta gotas como vão salvar a pátria.
É que os direitos são iguais, sobredotados ou não; até vem na Constituição.

sábado, 3 de setembro de 2011

Semiótica V - os três símbolos japoneses

As objeções dos deputados explicadas pela semiótica, interpretando a reação do senhor ministro das finanças às perguntas que lhe foram dirigidas



a esta não vou dizer nada        esta não estou a ver       esta fingi que não ouvi 



O senhor ministro das finanças tem uma grande vantagem relativamente ao senhor primeiro ministro, que como se sabe tem a responsabilidade da antiga pasta da cultura. Lê, pelo menos leu, Candide. E é também uma pessoa que se presta a aguentar sozinho uma série de perguntas, por exemplo:
1 - o memorando dizia que dois terços (66,7%) do equilibrio orçamental deveria provir de cortes nas despesas publica e o terço restante  (33,3%)de receitas - resposta: os cortes anunciados são 44% e as receitas de aumento de impostos são de 56%, desmentindo o candidato a primeiro ministro na ultima campanha eleitoral; mais respondeu o senhor ministro que cortes há, mas estão ocultos, e que afinal algumas medidas previstas e já executadas não tinham o impacto esperado, além de que afinal não foi possível cortar tanto nos quadros de pessoal como se pensava
2 - passado o prazo para a publicação de um estudo sobre as parcerias publico-privadas, qual é a situação? - não houve resposta;
3 - os cortes nos ministérios sociais vão comprometer as funções que o Estado deve garantir? - não houve resposta, mas no dia 1 setembro, em entrevista numa televisão, o senhor ministro da saúde informou que, se não houver financiamento, o número de transplantes, que colocou Portugal numa boa posição neste domínio, não será garantido  
4 - para quando o corte das gorduras do Estado? (falou-se o anuncio para 31 de agosto) - resposta: cortar nas gorduras é uma questão de terminologia e em Outubro se começará a racionalizar as estruturas (pode depreender-se que quem trabalhou nas estruturas até agora não o fez racionalmente?); entretanto, sim, será nos ministérios sociais que mais se vi cortar porque são os de maior despesa, o que será anunciado até ao fim do ano.

A propósito do  nº1 vem o senhor ex-ministro Miguel Beleza dizer que daria uma má avaliação ao senhor ministro das finanças; eu confesso que também o faria a um jovem colaborador meu que apresentasse estes resultados em termos de falha de previsão e que insistiria com ele que desse prioridade ao essencial e aos objetivos (estou a falar apenas em termos de analogia, porque neste momento existe o risco, depois de tanto barulho com as gorduras do Estado, se ter chegado à conclusão de que afinal não havia tantas gorduras como isso e que afinal os funcionários públicos não eram assim tão inúteis como isso; não esquecer que o Instituto Camões chegou a ser apontado como um alvo a abater); entretanto destaque para a posição desassombrada de Vasco Graça Moura, manifestando a preocupação (dado ser seu correlegionário) para que o senhor primeiro ministro mude de politica de castigar a classe média, para que que não seja assimilado ao anterior primeiro ministro.
Não se pense que este blogue defende as PPP pelo que se vê no nº2; nem de perto nem de longe; mas é preciso estar dentro dos assuntos para se falar deles e já se poderia ir sabendo mais qualquer coisa
O nº3 faz o paralelo com as poupanças com os professores (35.000 não colocados), possivelmente por não haver financiamento e por se "otimizarem" o numero de escolas e o numero de alunos por turma. Salvo melhor opinião, uma necessidade de transplante e uma necessidade de aprendizagem não podem depender de critérios exclusivamente de financiamento; no primeiro caso porque se trata de uma vida humana (o custo desta é superior à poupança -  declaração de demissão da coordenadora das unidades de colheita e transplante de orgãos: "não poso aceitar que haja doentes que se podem salvar mas que vão morrer por o país estar em dificuldades económicas"), no segundo porque existem correlações fortes entre aquelas medidas e o insucesso escolar e entre este e o desemprego e a criminalidade juvenis (os custos destes são superiores à poupança).
O nº4, porque tive alguma experiencia num problema com algumas analogias (poupança de energia, contribuição de cada tipo de consumidor para o consumo total, em que tipo de consumidor intervir), leva-me a fazer uma pequena sugestão ao senhor ministro. Efetivamente devemos olhar para o tipo de consumidor que mais contribui (neste caso os ministérios sociais), mas esse não pode ser o unico critério; vamos que nos anos anteriores o consumidor que mais contribui para o consumo pôs em vigor com sucesso uma série de medidas economizadoras que melhorou em muito a eficiencia (alguns administradores de hospitais sabem explicar isto muito bem), enquanto os consumidores menores contribuintes para o consumo total se descuidavam, exatamente porque pouco contribuiam;  o que acontece agora é que vamos cortar naqueles que já cortaram ou que melhoraram a sua eficiencia, e vamos deixar os que não o fizeram à boa vida? Francamente, senhor ministro... o assunto é por demais complexo e exigente de estudo caso a caso para ser arrumado assim (claro que o prazo até ao fim do ano se justifica, mas quando numa campanha eleitoral se diz que se tem soluções, o que deveria ter sido dito é que não sabemos se há soluções).

Finalmente, seria bom que o senhor ministro não pedisse à oposição a apresentação de alternativas. Já foram apresentadas, só que o senhor ministro não concorda, com receio de que as poupanças se vão para o exterior, apesar delas se irem à mesma, com ou sem taxação extraordinária; não diga que não foram apresentadas (taxação de dividendos, de lucros, de depósitos off-shore, imposto sucessório, transferencias bancárias, monitorização do defice da balança de pagamentos importações/exportações)




Noticias de Angola no principio de Setembro de 2011

A noticia dizia que o presidente da Republica de Angola tinha nomeado o sucessor no seu cargo.
É verdade que isso sucede ainda nalguns países do planeta, com melhor ou pior submissão ao sufrágio popular, mas em nome da própria tranquilidade de Angola o procedimento para provimento neste cargo deveria ser alterado.
Quando bons exemplos nos chegam no Brasil, esta não é uma boa noticia.
As ligações plutocráticas da familia do presidente e dos principais dirigentes não são uma boa noticia, porque interessava à economia portuguesa investir em Angola. Segundo se ouve em Luanda, a percentagem de distribuição dos dividendos aos acionistas deste grupo familiar e dirigente chega a ser comunicada por email às administrações.
Inversamente, não é bom que o representante dos acionistas do BIC Angola não queira que 5% do BPN fique para os seus trabalhadores ("a ideia era que os acionistas do BIC Portugal sejam os mesmos do BIC Angola", informou o senhor presidente do BIC Portugal, Mira Amaral, que pretende agora pagar 95% dos tais 40 milhões de euros -  que confusão,as contratações públicas, quando eu fazia concursos públicos não podia usar estes critérios...).
Enfim, assim vai o mundo financeiro lusófono.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Semiótica IV - Leiam os meus dedos


Em que pensa o senhor ministro?
Podemos imaginar pelos sinais?
Pelo ar compenetrado pensará em como obter poupanças com cortes nas despesas públicas que em dois terços cubram o que falta tapar, deixando o outro terço para as receitas dos impostos.
E pensará nisso com a penosidade de não estar certo de não estar a enganar ninguém (é assim que o senhor ministro gosta de construir frases) , com isso dos dois terços da poupança virem dos cortes, e que nunca se consegue enganar toda a gente durante todo o tempo.
Pelo ar compenetrado pode pensar-se que os tais cortes de dois terços serão preferencialmente na saúde, na educação, na segurança social, numa palavra, nas gorduras do Estado e naquilo de que os cidadãos e cidadãs necessitam.
É então aqui que estão as gorduras e o ar compenetrado vem de pensar que estamos a chamar gorduras a pessoas que trabalham na função publica e que agora são postas no pelourinho antes de irem para o desemprego ... que tal mudar de alimentação, fazer exercício, mas sem cortar na alimentação como o escocês cortou?
Estará a pensar naquele empresário português que tinha uma fábrica de componentes para máquinas de café na Alemanha com 90 empregados. E quando veio para Portugal montou a mesma fábrica com 120 empregados e diz que é mesmo assim, que a culpa nem é dos funcionários, que têm de levar as crianças ao médico, à escola, que não têm metro, que tiveram de arranjar o telhado da casa, que tiveram de sair da escola para irem trabalhar sem formação profissional, etc, etc. E que se numa equipa de trabalho de 10 elementos só há 7 que trabalham com eficiencia, se reduzirmos a equipa para 7, passarão a ser 5 os que trabalham com eficiência.
Ou o senhor ministro não está a pensar nada disto.
Está a fazer como o Bush pai : "Read my lips".
Leiam os meus dedos.
Vejam como formam um losango.
Não parece mesmo o emblema da Renault?
Renault, a grande empresa que os senhores economistas politicos, eurocratas de Bruxelas pró plutocratas, disseram que tinha de ser privatizada para poder aumentar a sua presença no mercado internacional (?).
E assim se privatizou  a Renault em 1996. Só que os governos franceses, quer sejam de direita ou não,  e os técnicos que trabalham na Renault, não lhes passa pela cabeça venderem num mercado em baixa os 15,7% que o Estado francês mantem na Renault.
Conceitos diferentes sobre o que é servir o interesse público, e que alguém se deve ter esquecido de explicar aos senhores da troica.
Foi pena não terem explicado, porque vem agora o senhor Poul Thomsen manifestar muita preocupação e escandalo com o desemprego juvenil  e com a falta de preparação profissional da maioria dos jovens em Portugal (ver http://sol.sapo.pt/inicio/Economia/Interior.aspx?content_id=26332), e que isso  o surpreende mais dos que os desvios dos objetivos (confesso que a mim tambem me preocupa, o insucesso escolar, os maus resultados no PISA e o desemprego juvenil).
Talvez o memorando fosse outro, se tivessem explicado bem isto tudo, e talvez o senhor ministro Vitor Gaspar não tivesse de ficar tão calado, com as mãos em losango, quando pensa no programa das privatizações do que dá dinheiro ao Estado ao fim do ano e que vai deixar de dar.



Conta do Twitter de P.P.Coelho até ao dia 5 de Junho de 2011

Com a devida vénia ao DN, transcrevo alguns textos do Twitter da conta de P.P.Coelho, atual primeiro ministro de Portugal, no dia seguinte à sua visita à Alemnha, onde manifestou grande interesse em que a Eon, empresa alemã de energia compre os 20,4% da EDP que dão dividendos ao Estado português, e tranquilizou os investidores garantindo que a sua política taxará preferencialmente os rendimentos do trabalho e não os do capital :
1 - "não se põe um país a pão e água por precaução"
2 - "nas despesas correntes do Estado, há 10 a 15% de despesas que podem ser reduzidas"
3 - "vamos ter de cortar em gorduras e de poupar"
4 - "os que têm mais terão de ajudar os que têm menos"
5 - "o governo está-se a refugiar em desculpas para não dizer como é que tenciona concretizar a baixa da TSU"
6 - "a ideia de que o PSD vai aumentar o IVA não tem fundamento"
7 - "se formos governo, posso garantir que não será necessário despedir pessoas nem cortar mais salários para sanear o sistema financeiro português"
8 - "o PSD chumbou o PEC4 porque ... a austeridade não pode incidir sempre no aumento de impostos e no corte do rendimento"
9 - "nós nunca falámos disso (acabar com o 13º mês) e é um disparate"
10- "como é possível manter um governo em que um primeiro ministro mente?"

A interrogação 10 tem a data de 5 de junho, anterior às eleições, mas parece ter validade alargada.
Hoje mesmo no DN vem a noticia do fecho de mais escolas do 1º ciclo até 60 alunos, do fim de quase 5000 contratos  com professores de todos os ciclos e da não colocação de 35.000 professores.
Diminuir o numero de professores é uma medida de poupança, que segundo a terminologia acima do Twitter corresponde a eliminar gorduras.
Salvo melhor opinião, é uma ofensa às pessoas que têm dado o seu esforço a ensinar crianças e que não são gorduras.
É também um fator de risco de crescimento do insucesso escolar e correspondente repercussão na criminalidade juvenil daqui por 5 anos.
Quanto ao fecho das escolas, temos aqui um exemplo simples de caciquismo, que é uma forma portuguesa de tribalismo. As próprias câmaras concordam, talvez porque se estimulam o negócio do transporte e  benefícios para as sedes dos agrupamentos, em detrimento das pequenas povoações, que cada vez serão menos habitadas. Verifica-se mais uma vez aqui o teorema de Fermat-Weber, de agravamento das concentações, de que também é exemplo o sucesso das grandes superficies comerciais à custa da falencia das pequenas lojas e da assunção dos gastos de combustível pelos clientes.
Não é claro que os custos e os prejuízos para o seu descanso e paz de espírito com o transporte das crianças (acrescem os riscos da sinistralidade rodoviária especialmente nos dias de mau tempo) sejam inferiores aos custos da manutenção da escola e colocação de professores.
Prevaleceu assim a vontade de um governo e das câmaras em detrimento das freguesias, o que é sintomático, quando vemos o governo, ao arrepio do memorando da troica (que inscreveu a redução de câmaras e de freguesias, e não só freguesias), não querer beliscar o clientelismo das câmaras municipais.
Tenho pena de ver o professor Nuno Crato no meio desta tormenta sem ao menos lançar uma âncora para ver se a educação não bate nos rochedos.
Antes os tempos em que ele falava da implosão.
Ao menos podia-se dizer dos ministros que não sabiam o que estavam a fazer.

Stetson Kennedy

O DN de hoje dedica a sua secção Obituário a Stetson Kennedy, escritor e ativista dos direitos humanos nos anos 40 e 50 nos USA.
Defensor da abolição das restrições ao voto, chegou a infiltrar-se no Ku Klux Klan para poder denunciar o racismo.
Apesar de tudo e apesar de ser possível haver retrocessos, alguma evolução positiva se vai verificando na humanidade.
Não consta que o Tea Party queira voltar aos conceitos de diferenciação dos direitos dos cidadãos e cidadãs ao voto e de supremacia de grupos étnicos sobre outros.
Pode o Tea Party ou a sua versão portuguesa querer voltar aos conceitos económicos do século XVIII anteriores à revolução francesa, à supremacia de grupos de população sobre sobre outros e à diferenciação da taxação entre cidadãos e cidadãs, mas a etapa ganha por Stetson Kennedy não está em causa.


quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Fala de José Blanco, ministro do Fomento do governo espanhol, para Álvaro Pereira, ministro da Economia do governo português



Fala de José Blanco, ministro do Fomento do governo espanhol, para Álvaro Pereira, ministro da Economia do governo português:


Hola Álvaro.
Me alegro de verte.
Me da gran placer tenerlos aquí en Madrid, usted y tu personal super, y tu jefe de gabinete es mismo super, bajo todos los puntos de vista.
Prefieria que habían venido de AVE, pero está bien, mientras no lo tendremos, tendrás que venir de avion.

Pero hombre, vamos a ver, cuando vengas de avion desde Lisboa hasta aqui, estás consumiendo alrededor de 250 Kg de CO2, tu solo.
Entonces, si vienes en Boeing 737 y la ocupacion es de 80%, tu y los otros 110 pasajeros, en un ida y vuelta, han emitido 55 toneladas de CO2.
Si hubieras venido de AVE, habías emitido en la ida y vuelta 50 kg de CO2 y tus compañeros de viaje  5,5 toneladas de CO2.

Hombre, no hagas esa cara, ya sé que no tienes dinero, pero este discurso de CO2 la tia de Bruselas le gusta oir, y por supuesto que le puedes pedir unas subvenciones.
A los precios actuales, 55 toneladas de CO2 costan en licencias € 770, lo que no es demasiado caro, puedes seguir ayudando a destruir el planeta con las emisiones de gases de efecto invernadero.

Y cuántos litros consome el 737 en Lisboa-Madrid? 
Alrededor de 3.000 litros, equivalente a 60 ml / pasagero.km, o, utilizando la equivalencia 1 litro de gasolina = 10 kWh, el consumo especifico es de 0,6 kWh / pasagero.km, que es aproximadamente cuatro veces el consumo específico de un pasajero del AVE. Con la ventaja de la energia elétrica del AVE poder ser producida desde las energías renovables que os hacen tanta confusión y  miedo que no haya consumidores para elas.

El consumo del 737 es elevado porque el pobre consome la mayor parte del combustible en el despegue y el ascenso y pronto comienza a descender, no se puede ahorrar com el menor consumo en velocidad de cruzero.
Y por eso no se puede usar aeronaves de gran tamaño, mayor capacidad, porque el viaje es sólo 515 kilometros (también es cierto que el A-380 no "encaja" en Portela, es lo que sucede cuando se ahorra en las inversiones en infraestructura).
Siempre es posible realizar grandes progresos en la eficiencia de un nuevo avión, pero hay leyes de la física que no se pueden superar.

Mira, el viaje de Lisboa-Madrid es casi como el viaje Londres-París.
Si tu no crees en mí, por ser un ministro de Felipe, además un Bourbon, sabes tu que Eurostar hizo un estudio comparativo del enlace de Londres a París, que es un poco más corto: 460 km? Y las conclusiones fueron las mismas: cada viajero de Eurostar emite 25 kg de CO2 y de avión 250 kg de CO2.

¿Cuál es, los tios de la técnica en Portugal no te han explicado esto?
No hablaste con ellos, con los técnicos?
Solamente hablaste con los administradores y economistas?
Solamente?
Jove.
Y vienes con el mensaje de los políticos para parar al AVE sine die?
De los políticos?
Coño.
Si, las mercancias de ancho internacional, si, claro, por supuesto, pero el AVE, el AVE?.
Hombre, ten cuidado, cada día perdemos dinero, ustedes y el resto de nosotros.

Así, que ahora tenemos entre 15 y 20 viajes diarios de ida y vuelta en avión, lo que da alrededor de 1900 pasajeros por día, entonces tenemos alrededor de 800 toneladas más de CO2 por día, lo que da para tener todavía una apoplejía .
En materia de energía, son casi 800.000 kWh por día perdido en los aviones*.
Haciendo 10 centavos de euro por kWh, el precio comercial (y estoy simplificando, ya que 1 litro de petróleo en la planta de energía produce un poco menos de 5 kWh), tenemos una pérdida diaria de 80.000 euros.
Jove.
Asimismo, no digo para reemplazar todos los viajes aéreos, pero que debriamos reemplazar al menos la mitad, lo debriamos.

Vamos, un perjuicio al día de € 40.000, sin contar las 400 toneladas de CO2, que son cacahuetes.
Hombre, los tipos de la técnica allá en Lisboa tiene que explicarlo bien.
Estoy seguro de que son capaces de eso, sino que también los políticos tendrán de se esfuerzar por realizar la question.

Vale?
OK, venga.
No te olvides de hablar del CO2 a la tia de Bruselas.
No puede ser, no nos podemos quedar sin AVE, Álvaro, ustedes y nosotros, sin AVE, no.

Pero ahora, vamos al Parque del Retiro a almorzar, que tu super jefe de gabinete se quedará a mi derecha, por supuesto.
Venga.


________________________________

* 2 x 515 km x 0,6 kWh x 1900pass - 2 x 600 km x 0,15 kWh x 1900pass = 832.200 kWh 







PS 1 - A não proporcionalidade entre os consumos específicos e as emissões de CO2 deve-se a que as emissões de CO2 correspondentes a 1 kWh consumido pelo TGV são muito menores (por vir duma rede elétrica em que a produção se deve tambem a fontes renováveis e nucleares)  do que as emissões da queima da gasolina.
Acresce que o estudo da Eurostar foi feito entre os centros das cidades de Londres e Paris, o que favorece o TGV.
PS 2 - O mesmo raciocinio se aplica ao transporte rodoviário, embora se verifiquem neste momento, quer nos automóveis, quer nos autocarros, progressos no consumo específico

terça-feira, 30 de agosto de 2011

De Pablo Neruda, Ode à cebola



Ode à Cebola


Cebola
Luminosa redoma
Pétala a pétala
Cresceu a tua formosura
Escamas de cristal te acrescentaram
E no segredo da terra escura
se foi arredondando o teu ventre de orvalho.
Sob a terra
foi o milagre
e quando apareceu
o teu rude caule verde
e nasceram as tuas folhas como espadas na horta,
a terra acumulou o seu poderio
mostrando a tua nua transparência,
e como em Afrodite o mar remoto
duplicou a magnólia
levantando os seus seios,
a terra
assim te fez
cebola
clara como um planeta
a reluzir,
constelação constante,
redonda rosa de água,
sobre
a mesa
das gentes pobres.
Generosa
desfazes
o teu globo de frescura
na consumação
fervente da frigideira
e os estilhaços de cristal
no calor inflamado do azeite
transformam-se em frisadas plumas de ouro.
Também recordarei como fecunda
a tua influência, o amor, na salada
e parece que o céu contribui
dando-te fina forma de granizo
a celebrar a tua claridade picada
sobre os hemisférios de um tomate,
mas ao alcance
das mãos do povo regada
com azeite polvilhada
com um pouco de sal,
matas a fome
do jornaleiro no seu duro caminho.
Estrela dos pobres,
fada madrinha
envolvida em delicado papel,
sais do chão eterna,
intacta,
pura como semente de um astro
e ao cortar-te a faca na cozinha
sobe a única lágrima sem pena.
Fizeste-nos chorar sem nos afligir.
Em tudo o que existe celebrei,
cebola
Mas para mim
és mais formosa
que uma ave de penas radiosas
és para os meus olhos globo celeste,
taça de platina baile imóvel de nívea anêmona
e vive a fragrância da Terra
na tua natureza cristalina.

                                           Pablo Neruda

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

O plano estratégico de transportes

Em Agosto de 2009 o governo de então apresentou, sob a responsabilidade da secretária de estado dos transportes, Ana Paula Vitorino, antiga colaboradora de uma empresa do grupo do Metropolitano de Lisboa, o Plano Estratégico de Transportes.
Embora sofrendo da falta de estatisticas fiáveis para fundamentação sólida das diretrizes e com demasiadas declarações de principio ou generalidades para orientações, era um documento válido.
As suas deficiencias eram devidas tambem à extensão e complexidade dos temas.
Um plano de transportes está indissoluvelmente ligado às politicas de urbanismo (o que obrigava logo a corrigir o infeliz plano de expansão do metropolitano de Lisboa associado ao plano), de ordenamento do território e da energia e ambiente, com o inconveniente grave destas ligações exigirem dados concretos para basear decisões. Isto contraria a politica de decisões por sentimento ou por ideologia, por exemplo, declarar que o TGV não pode construir-se sem conhecer os dados todos do problema e sem fazer uma análise comparativa cobrindo todos os encargos das infraestruturas e da exploração e todos os prejuzos e beneficios, com os outros modos de transporte.
De modo que era necessário fazer a atualização do plano estratégico dos transportes, coisa que o senhor ministro dos transportes do governo seguinte prometeu "a muito curto prazo" em Fevereiro de 2010.
Infelizmente, o senhor ex-ministro e o senhor ex-secretário de estado eram conhecidos como os teóricos universitários e, de facto, não passaram da teoria à prática.
Periodicamente iam anunciando a breve publicação da atualização do plano estratégico, mas ele nunca saiu.

Vem isto a propósito das intenções do atual senhor ministro dos transportes, Álvaro Santos Pereira, de publicar o plano de transportes em Setembro de 2011.
Ver
http://sol.sapo.pt/inicio/Politica/Interior.aspx?content_id=27273

O senhor ministro é uma pessoa culta, não só na sua especialidade, mas com capacidade para pensar com caracteristicas de integração das questões. É inclusive autor literário não apenas de temas económicos.
Porem, eu diria que será um tanto juvenil em questões de transportes, talvez porque no Canadá não há grande problema com os combustíveis fósseis nem preocupação com as emissões de CO2. Talvez que a posição contra o TGV fosse diferente se no Canadá houvesse aquele problema e aquela preocupação.
De modo que me parece imprudente a promessa de emitir um plano estratégico de transportes, coisa que me parece em si mesma também algo complexa, já em Setembro de 2011.
Mas pode ser que, com a super-chefe de gabinete que tem, pode ser que seja possível.
No entanto, se a qualidade do plano for má será como se não tivesse sido publicado ou pior ainda (terão sido ouvidos os técnicos das especialidades? em Agosto? sinceramente duvido; não me refiro aos técnicos reconhecidos pelo sistema, mas aos técnicos que estão dentro das questões e nas frentes de trabalho; terão sido ouvidos? é que um dos problemas do setor dos transportes é demasiadas vezes estarem à frente das empresas pessoas que não têm conhecimento do negócio...).
Por melhores que sejam as qualidade dos senhores colaboradores do senhor ministro, as expetativas são muito fracas relativamente à qualidade do plano que aí vem.
Mas pode ser que eu esteja enganado.
O que seria bom para o setor dos transportes.