Mostrar mensagens com a etiqueta GM. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta GM. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

"What is good for General Motors is good for the country"

A GM acordou com o sindicato United Auto Workers as condições de rescisão de 10.000 dos seus trabalhadores : indemnização individual de 53.000 euros para os mais qualificados e de 7.000 para os menos qualificados.
Substituição dos trabalhadores por novo pessoal com salários inferiores, de 11 euros por hora.
Contrapartida para o sindicato: criação de alguns empregos.
Poupança anual estimada: 40.000 euros por cada trabalhador substituido.

Será bom para a GM, mas será bom para o país?
É que sempre me ensinaram que o pessoal era o principal ativo das empresas e a GM vai substituir trabalhadores qualificados por outros menos qualificados. A própria automatização, reduzindo o numero de trabalhadores, exige maior qualificação.
Conhece-se o sucesso da industrialização chinesa, mas também a baixa qualidade da maior parte dos seus produtos.
A competitividade de uma fábrica de automóveis termina onde a qualidade dos seus produtos baixa, os preços baixos são uma ilusão.
Entretanto, a Ford aumenta as vendas e a Chrysler tambem, devido á tecnologia multi-air da Fiat.
Terá Medina Carreira razão, os USA entraram em franco processo de decadencia industrial, pelo menos da parte da GM, e aquela não se combate reduzindo os salários (ou estarão à espera de novos subsídios se as coisas se agravarem?).
Mundo cão, o dos negócios.

domingo, 27 de dezembro de 2009

Economicómio XXXV – A Ford, a Volvo e a Gelly

.

A Ford passou por um mau período nos fins dos anos 70. Más escolhas dos modelos, impostos, os modelos, por um número restrito de pessoas, detentoras da maioria do capital ou de sua confiança. Na Ford compreenderam o erro na tomada das opções, corrigiram as estratégias e não chegaram a passar pela crise da GM e da Chrysler.
De modo que, tendo a Ford, no contexto actual, de “deslastrar”, desfez-se primeiro da Jaguar, que vendeu à Tata indiana, e vendeu agora a Volvo à Gelly chinesa.
Comparando com a GM, que se recusou a vender a Opel a um consórcio russo, e se recusou a vender a SAAB a outro fabricante chinês, dá ideia de que na Ford prezam mais as técnicas de boa gestão do que na GM.
Talvez se possa mesmo dizer que temos provavelmente aqui uma forma de racismo.
Para quem achar a hipótese de racismo muito forte, conto a história da minha sobrinha-neta, de 8 anos, que foi convidada, assim como toda a turma, para o lanche de aniversário da colega chinesinha. Correu tudo muito bem e ela gostou muito de ir à festa da chinesinha, cujos pais gerem um restaurante chinês muito frequentado, ao pé da Portugália de Arroios. Mas a triste verdade é que foi a única menina da turma que foi à festa. Talvez fosse bom alguém na Assembleia da República tomar a iniciativa de alterar o jus sanguini para o jus soli (quem nasce em Portugal é português), para ver se a discriminação se atenua.
É uma pena se for assim, porque a China já é detentora de grande volume da dívida pública dos USA e, nos tempos que correm, é inútil estar a fazer “segredinhos” com o “know-how”. Aliás, as especificações ambientais dos fabricantes chineses já são mais rigorosas do que as dos USA.
Há muitos anos que se assistiu nas lojas de Hong Kong e em Macau à invasão maciça das grandes marcas ocidentais de moda. Desde os porta-moedas da Salvatore Ferragano, aos óculos da Gucci. A China criou “mercado” para todas essas marcas, que tinham atingido o ponto de falência no mercado restrito ocidental.
Por outro lado, consumindo os USA 20 milhões de barris de petróleo por dia e a China 5 milhões (cito de cor), é de esperar que a expansão económica da China venha permitir relançar a economia ocidental, repondo-a num estágio de crescimento mais saudável em que se encontrava há uns anos.
Como é sabido, um dos dogmas da religião económica dominante é o de que o PIB tem de estar sempre a crescer.
A China permitirá esse crescimento à indústria automóvel. O problema será depois quando for atingido o novo ponto de saturação.
Donde, parecerá que, sem esquecer, claro, as directivas ambientais, vender fábricas à China ou à Índia será boa política (não poderá aplicar-se à Quimonda, Investstar/Aerosoles e às fábricas que vão fechando?).
Mas será preocupante não ver nada escrito por esse mundo fora sobre um plano de contingência, perdão, um plano de transição da economia crescente para a economia estabilizada, para quando não for sustentável continuar a fabricar tantos automóveis.
A Ford, a GM e a Chrysler fizeram isso, nos anos 50 e 60: suprimiram e fundiram marcas…
Aguardemos.



.

domingo, 13 de dezembro de 2009

Mr.President, they appreciated very much the public money

Senhor Presidente.
Eles apreciaram muito o dinheiro público que os ajudou a vencer aquele mau bocado. Mas agora que os seus bancos já devolveram o dinheiro emprestado, já podem voltar ao “business as usual” e aos seus bónus acima do limite.
Bom, todos os bancos não; parece que o Citigroup quer mais 13.500 M euros para poder acabar de devolver os 30.000 M euros que recebeu emprestado, ficando o governo federal com 34% do capital do banco.
Até parecem a GM a querer mais dinheiro para repor a Opel em andamento.
Será a estratégia do recém-nomeado presidente executivo, depois da demissão ao fim de 8 meses do CEO "abençoado" pelo senhor presidente quando a GM foi reestruturada com uma injecção de capital público? Despediram agora este senhor, acusado de lentidão, porque a GM não está a mudar, depois de ter vendido a marca Hummer aos chineses?!?!(devem querer continuar a fabricar automóveis gastadores).
Entretanto,os nossos banqueiros, cá em Portugal, também já dizem com aquele ar sério que os caracteriza, com os músculos faciais descaídos: “Deixem-nos trabalhar”. Isso.
Será tudo uma questão de convicção.
E diz o senhor Presidente que não foi para ajudar um grupo de potentados de Wall Street que se candidatou.
Fica-lhe bem dizer isso.
Já lhe fica mal dizer que os USA não precisam de subscrever o fim do fabrico de minas terrestres ou misturar o prémio da Paz com o envio de mais soldados para o Afeganistão.
Mas pode ser que tenha sido por sua intervenção que a Blackwater se vem embora, do Iraque e do Afeganistão. Veio agora a saber-se que eram eles que geriam os drones (aviões telecomandados que têm bombardeado indiscriminadamente civis e militares no Afeganistão). Veja no que dão as teorias do “outsourcing”. Até na guerra há “outsourcing”. Bom, na Idade-Média já havia, os tais de mercenários. Mas como a ideia do “outsourcing” é apresentada como inovação… é preciso muito cuidado com esta ideia de “outsourcing”…
Talvez também não devesse ter dito, no discurso de Oslo, aquela de que nenhuma acção não violenta poderia ter parado as tropas de Hitler.
Não, realmente não. Nem mesmo Ghandi e os seus amigos teriam podido fazê-lo. Que pode fazer um pacifista no meio dos camisas negras e dos camisas castanhas?
Mas cuidado com as análises de hipóteses históricas.
As tropas de Hitler já eram a serpente fora do ovo.
Quando a serpente ainda estava no ovo (ver Ingmar Bergman), e ainda antes de Chamberlain, as tais acções não violentas talvez tivessem mais hipóteses.
Mas tudo isso são hipóteses, não são argumentos.
Deixe lá, veja se se aguenta, que não sei se são os banqueiros de Wall Street ou se são as pressões inflacionárias ainda escondidas da guerra do Iraque e do Afeganistão que são o seu maior inimigo.
Veja se consegue cumprir o withdrawal plan.
2011 não é?

PS - Interessante. Fascinante, como dizia Mr Spock. Agora é a Wells Fargo do senhor Warren Buffet (aquele autor da frase "o mercado livre não tem funcionado bem para os pobres") que se lembrou de vender uns activos , de baixar os dividendos e de vender acções. Para quê? Para devolver o empréstimo federal e poder remunerar os gestores como muito bem entender. E parece que o Citigroup vai pelo mesmo caminho, mais o JPMorgan, mais o Bank of America (infotrmação do Oje de 2009-12-16).Eu acho inteligente, mas também acho que o principal problema deste tipo de inteligência é acharem que os outros não são inteligentes. Pobre presidente Obama, ter de os aturar.


.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Leituras do dia - 8DEZ09

A GM/Opel quer 3.000 milhões de euros de fundos públicos (depois de ter recusado a venda ao consórcio Canada-Russia-sindicatos?! Isto é que é o mercado a funcionar?) – a Dubai World, o grupo financeiro do Dubai, colocou à venda o Cirque du Soleil e Queen Elisabeth II (o Dubai terá de diversificar os seus investimentos no sentido da produção de bens essenciais) - o rei da Arábia, por enquanto saudita, quer que os governos ocidentais financiem o seu reino quando as receitas do petróleo baixarem, devido aos esforços dos povos em se libertarem da dependência do petróleo (com a distribuição da riqueza que os senhores emires têm feito é preciso muita lata, não será?) – a justiça alemã achou que os executivos do LandsbergBank cometeram uma série de desfalques e vai julgá-los (lá como cá ou talvez não cá como lá) – os países em desenvolvimento têm de reduzir as emissões de CO2 e os países já desenvolvidos não (então o que esperavam? Que a misericórdia divina descesse dos céus e inundasse o coração dos gestores da coisa pública universal? Acham que o complexo industrial-militar do presidente Eisenhower ia nisso? Lembram-se da frase do general Eisenhower quando entrou na Alemanha em 1945 e se virou para os colegas: “tenho vergonha dos meus antepassados serem alemães”? bom, pelo menos é o que ele diz no filme “Patton”; será que no assento etéreo onde ele subiu, por ter pronunciado o discurso do complexo militar-industrial, não por ter ganho a guerra, se memória desta vida se consente, está ele a dizer para os colegas: “tenho vergonha dos meus descendentes serem americanos , por não terem dissolvido o complexo militar-industrial”? Será?)


.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Outra vez o Economicómio XVIII – No admirável mundo dos automóveis são doidos e inimputáveis (ver o blogue do dia 20AGO09)

Dona Angela (a Adam Smithista, não a Davis, é claro) está muito contente.
Conseguiu que a Magna austríaco-canadiana entrasse no capital da Opel.
E tão contente ficou que vai subsidiar a Opel com 4,5 mil milhões de euros.
Adam Smith ficou um bocado aborrecido com as piadas que Karl Marx lhe atirou, lá nos assentos etéreos onde subiram.
Porque não foi só o subsídio: foi que a estrutura accionista da Opel ficou assim:
- 10% para os trabalhadores (vivam as parcerias capital-trabalho; como luziam os olhos da minha professora de filosofia do 6º ano – sexto ano da altura, tinha a malta 15 anos, quando nos ensinava os diferentes tipos de constituição duma sociedade…)
- 35% para a própria GM (para continuar a desenvolver carros grandes – sic)
- 20% para a Magna (tanta conversa sobre a Magna e afinal ficam só com 20%)
- 35% para o Sbersbank, um belo banco russo que está muito ligado à GAZ, a grande fábrica russa que fabricava o Volga do Breznev e os Ford russos da segunda metade dos anos 30.
Mantenho o que disse no Economicómio XVIII – são inimputáveis; então vão continuar a fabricar carros grandes? Deve o ser o mercado a reanimar na preparação do próximo rebentamento. Gostam desta economia, não há dúvida.