quarta-feira, 15 de junho de 2016

A pista

O aeroporto de Lisboa tem duas pistas, mas que se intersetam, pelo que só uma de cada vez pode ser utilizada.
A mais comprida com a orientação SW-NE e a mais curta SSE-NNW, esta indicada para quando o vento está de NW.
Assim que a Vinci adquiriu a ANA e a Azul adquiriu a TAP consolidou-se um plano de sobreexploração do aeroporto na espetativa de complementar a sua operação com o aeroporto do Montijo (existem rotas de aproximação ou de descolagem dos dois aeroportos que são incommpatíveis, ou pelo menos são-no segundo critérios de segurança; além disso, adaptar o aeroporto do Montijo custa dinheiro, que teoricamente deveria ser deduzido ao orçamento do novo aeroporto em Canha/Alcochete) . Desse plano fazia parte o fecho da pista mais curta de Lisboa e o aproveitamento do seu espaço para estacionamento, coisa que reduz encargos  às companhias aéreas low-cost, especialistas em aproveitarem as infraestruturas que não pagaram.

Foi portanto com surpresa que dei por mim a ver os aviões a usar cada vez mais a rota de aproximação da pista mais curta.
E lá vem no DN a explicação: decorriam obras há uns tempos na pista principal e recentemente, "saltou um bocado de asfalto" (sic), pelo que, com os atrasos a que isso obriga, se está a utilizar a pista mais curta.
 Será que os decisores que gerem a ANA e a TAP, quanto a mim ao arrepio do interesse público, vão continuar a querer fechar a pista mais curta? Vão aceitar o conceito de reserva de funcionamento? E vão insistir em gastar dinheiro no Montijo e em cosméticas no aeroporto de Lisboa que ficam caras e não resolvem a sobrelotação?

Tenho muita pena do que aconteceu à ANA e á TAP, especialmente quando continua por resolver o cancro da empresa de manutenção brasileira cujos prejuízos a TAP suporta, quando é pública a posição do regulador sobre a predominancia do não residente na UE Neeleman (claro, era o senhor Pedrosa que decidia os sharklets, os rearranjos de cabinas e os ATP para a ponte aérea para o Porto e Vigo...?), quando são patentes os prejuízos da Azul e a sua aquisição parcial por uma companhia chinesa, quando os aviões em excesso da Azul são deslocados para rotas novas da TAP, quando o primeiro destes aviões na nova rota de Boston fica lá retido por avaria.

Tenho muita pena que tenha sido possível a campanha de privatização  "a tout prix"a que se assistiu, sempre com a desculpa, falsa, de que a UE não deixava de outra maneira (leiam o tratado de funcionamento da união, e a "autorização" expressa da exploração de linhas sem retorno comercial).






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