quarta-feira, 10 de setembro de 2025

O acidente do elevador da Glória em 3 de setembro de 2025

 

Nota informativa do GPIAAF de 6set205 sobre o acidente;

https://www.gpiaaf.gov.pt/detalhe-noticias?uri=1665


A tragédia do elevador da Glória

Por força das diretivas da União Europeia que vinculam os Estados membros, um desastre como o de 3 de setembro, com o número de vítimas e as caraterísticas do meio de transporte deve ser investigado pelo Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e Acidentes Ferroviários (GPIAAF).

O diretor do GPIAAF informou pouco depois do acidente que o seu gabinete iria cumprir a sua missão, lamentando que pelas limitações orçamentais apenas tenha um técnico especializado para o fazer.

Depois das primeiras investigações, o GPIAAF publicou em 6 de setembro uma nota informativa com o resultado das primeiras investigações.

O relatório apresentado honra quem o fez, pelo rigor das investigações. Deve insistir-se que o objetivo dos relatórios do GPIAAF, por força do normativo comunitário, não é o de apurar responsabilidades ou culpas, mas sim determinar as causas e as circunstâncias do acidente, apresentando recomendações e propostas de prazos para evitar a sua repetição .

A nota informativa refere a indefinição do enquadramento legal do ascensor e da supervisão da segurança de operação e manutenção. Essa indefinição é bem ilustrada pelo procedimento de infração 2020/2092 instaurado pela Comissão Europeia a Portugal com base em falhas no cumprimento do normativo de segurança da União determinado pela Diretiva 2016/798[1] :

i)                 na supervisão da gestão da segurança dos operadores e dos gestores de infraestruturas ferroviários;

ii)               no cumprimento das recomendações emitidas pelos órgãos de investigação de acidentes;

iii)             na capacidade organizativa da autoridade nacional de segurança.   (Nota do autor  – o autor já teve contactos com equipas da autoridade e testemunha a competência, o interesse e dedicação pelo serviço público; outra coisa é a disponibilidade de meios para realizar as tarefas necessárias e impor a execução das recomendações, de que um exemplo é a eliminação das passagens de nível por desniveladas, conhecendo-se um plano mas não o seu calendário de execução)

Estas indefinições e falhas têm de ser revertidas. Existe ainda em Portugal, e isso afeta a sociedade civil e os próprios decisores e governantes, uma deficiente cultura de segurança. São péssimos os indicadores de sinistralidade rodoviária e ferroviária comparados internacionalmente.

A segurança do transporte ferroviário é considerada uma área oculta reservada aos principais operadores e gestores de infraestrutura que no fundo são os principais assessores de decisores e governantes.

Quando se discutem orçamentos sacrifica-se no altar dos défices os investimentos que fazem falta aos sistemas de transportes. No caso da ferrovia os investimentos são justificados pela maior eficiência energética (menor consumo de energia por passageiro-km) relativamente ao transporte rodoviário, em igualdade de desenvolvimento tecnológico.

Não admira que quem se preocupa com a segurança ferroviária considere que o GPIAAF sofre as consequências do desinvestimento ao longo de anos, situação que deverá ser compreendida nos seus riscos pelos decisores e governantes e consequentemente revertida.  Nesse sentido, para além do GPIAAF, entidades como o IMT e a ANSF (Autoridade Nacional de Segurança Ferroviária) deverão beneficiar do investimento e melhoria da sua visibilidade e do cumprimento das suas recomendações. Igualmente projetos de modernização ou de novos traçados, elaborados se necessário com apoio internacional, submetidos aos critérios de normalização da União Europeia e bem executados com suporte financeiro comunitário, contribuirão para a melhoria do nível de segurança dos operadores e dos gestores de infraestruturas. Nesse esforço de melhoria deverá ser também chamada a sociedade civil através de, para cada ação de investimento, sessões colaborativas (inscrições prévias, intervenção, divisão da assembleia em grupos de discussão e reporte das conclusões de cada grupo – os especialistas de comunicação sabem como se fazem estas coisas e poderão orientar os decisores e governantes e seus assessores desde que não se fechem em círculos reservados).

Uma das questões ligadas ao desinvestimento prende-se com a opção nas empresas públicas de operação e gestão de infraestruturas para entrega por externalização (“outsourcing”) da manutenção especializada. Tal como oportunamente denunciado pelos órgãos dos trabalhadores e por técnicos da hierarquia das empresas, essa política traduz-se pela perda de capacidade oficinal das empresas e pela não substituição dos operários especializados que vão saindo por reforma, perdendo-se “know-how”. Dado que esta questão está mais ou menos relacionada com os critérios da política de privatizações, ela fica assim inquinada por razões ideológicas e não técnicas, omitindo-se muitas vezes os exemplos negativos em outros países, desde o caso do ferry “Herald of free entreprise” até aos acidentes na ferrovia inglesa. Muito dificilmente se poderá justificar financeiramente a opção pela externalização quando o que eventualmente se poupará (veja-se o caso dos concursos anulados por preços superiores ao estimado nos cadernos de encargos) é menos do que o que se perde em controle e monitorização. Mesmo admitindo maior produtividade na manutenção externa e consequente custo menor de produção, a soma do custo de produção externa com o lucro será normalmente superior ao custo de produção interno. Não se põe em causa a competência de técnicos de empresas externas, que mediante investimento poderiam ser admitidos pelo operador  ou gestor de infraestruturas públicos.  

Retomando a nota informativa do GPIAAF, nela se refere que :  "Neste momento ainda não foi possível proceder às verificações de confirmação de que o sistema de aplicação automática do freio pneumático nos veículos como resultado da perda da força do cabo no trambolho tenha ou não funcionado."

Isto é, não está comprovado que os elevadores funcionavem de acordo com o projeto (deteção de perda de tração do cabo, consequente desligação da energia elétrica e da eletroválvula do sistema pneumático e subsequente aplicação da pressão aos freios – aliás, o corte de energia deveria também ter travado o elevador que se encontrava junto dos Restauradores em velocidade reduzida, o que não aconteceu). A nota  conclui ainda que :  "na configuração existente os freios não têm a capacidade suficiente para imobilizar as cabinas em movimento sem estas terem as suas massas em vazio mutuamente equilibradas através do cabo de ligação. Desta forma, não constitui um sistema redundante à falha dessa ligação."

Portanto a investigação das causas e circunstancias prosseguirá, sugerindo-se, como ilustração de mudança de cultura, a progressiva informação à sociedade civil dos resultados sucessivamente conseguidos. Igualmente se sugere o método participativo em sessões abertas à universidade, associações e ordens profissionais e sociedade civil para informação técnica sobre os sistemas de proteção redundante nos funiculares de Lisboa e do país e sobre alternativas para substituição do elevador da Glória ou melhoria dos outros.

Não é um pedido espúrio, é apenas uma invocação dos artigos da Constituição da República que determinam o direito à informação e à participação dos cidadãos em assuntos públicos.

Admitindo, considerando o declive de cerca de 17% que o veículo esteve sujeito após o desprendimento do cabo a uma aceleração de 1,5 m/s2, desprezando a velocidade inicial,  a velocidade ao fim de 10m e 2s após o desprendimento seria de cerca de 20 km/h ( ao fim de 100m e 6s seria 62km/h). Seria de esperar que os freios imobilizassem o veículo a menos de 20km/h. Como a própria nota informativa refere, o tipo de cabo usado foi introduzido em 2019, interessando compará-lo com o tipo de cabo anterior e a natureza da alma do cabo anterior, e analisar o tipo de fixação (também no veículo não acidentado, esclarecendo porque o cabo principal não se prolongava desde a fixação de um “trambolho” até ao outro “trambolho” do mesmo veículo para duplicar os pontos de fixação). Igualmente é desejável conhecer-se o resultado de ensaios no veículo não acidentado sobre o funcionamento automático da travagem de emergência por perda de tração do cabo.

Parece uma boa  sugestão montar uma carreira de miniautocarros ligando a via poente da Avenida da Liberdade junto do sopé da Calçada da Glória  pela Rua da Glória, com o Largo da Oliveirinha (PS – Nada a opor ao percurso entretanto escolhido pela CML).

Sobre o futuro, relembro que decorre neste momento na Suiça a substituição de um funicular de tração por cabo e contrapesos por um sistema de pinhão e cremalheira, mecanicamente mais seguro. Mas o novo elevador da Glória poderá continuar a ser por cabo desde que a sua instalação  seja otimizada e se montem sistemas redundantes de travagem de tipos diversos, e instalados sensores que detetem os estados de funcionamento de todos os componentes e os transmitam para uma central de controle com acionamento automático dos dispositivos de emergência.

Como já referido em muitos comentários, a caixa dos novos elevadores deverá ser estruturalmente capaz de resistir a embates, prevendo-se externamente, ao longo da descida elementos do tipo “air-bag” acionados por detetores de velocidade excessiva de modo a reduzir a velocidade de embate (note-se que no embate que aconteceu estimo uma desaceleração entre 6 e 8G para uma compressão de 2m a 60  km/h no embate, o que seria fatal para alguns ocupantes mesmo com a estrutura resistente da caixa).

Nos novos veículos e sistemas, para além do antecedente, poderão instalar-se:

  • dispositivos de segurança como patins de eletroímans entre rodados dos veículos que se “agarrem” aos carris por deteção de emergência,
  • areeiros com emissão de jactos de areia sob as rodas por deteção de patinhagem das rodas
  • carris de maior peso unitário,
  • calha em forma de duplo Z mais resistente e maior dimensão para o percurso dos sucedâneos dos “trambolhos” com capacidade para suportar, nos sentidos de cima para baixo e de baixo para cima, o aperto de maxilas ou cepos de travagem de maior potência acionados por deteção de velocidade excessiva,
  • redundancia dos dispositivos de deteção de velocidade excessiva com recurso a leitura ótica e componentes no pavimento.
Finalmente recordo, citando de memória declarações do diretor do GPIAAF, que corrigir as deficiências e melhorar os recursos das entidades de monitorização da segurança e o funcionamento dos sistemas de segurança será uma forma de honrar a memória das vítimas.



[1]   https://eur-lex.europa.eu/eli/dir/2016/798/oj/eng                                                                                 De acordo com o art.2 desta diretiva, a sua aplicação não é obrigatória para metros e tramways, mas o mesmo artigo afirma que nada impede que o Estado membro o aplique a esses modos


quinta-feira, 28 de agosto de 2025

Planeta perigoso, são as grandes oligarquias que nos condicionam


Caro amigo que me enviou uma mensagem preocupado com a perigosidade de um planeta dependente do poder de homens como Trump e Putin:

Obrigado pelo envio do texto. Peço desculpa de só tardiamente o comentar. mas pode ser que ache interessante utilizar alguma das minhas ideias em texto próximo. Fundamentalmente o que eu tentei foi atenuar o grau do seu pessimismo, sem dúvida bem fundamentado, e talvez com ingenuidade minha. 

Mas mantenho confiança nos senhores generais (ou almirantes, sem conotação) que sucederam àquele general que seguia sistematicamente o presidente Reagan sempre a tomar conta não fosse ele carregar no botão vermelho. E do outro lado, idêntico general vigiava Brejnev (um senhor natural da Ucrania ...). 

Mas voltando ao tema, o senhor Trump comporta-se como empresário arrogante e prepotente que só vê as suas empresas achando que o resto do mundo serve para as rentabilizar. E então faz o que os grandes oligopolistas sempre fizeram, nomeadamente desde o nascimento das grandes corporações (empresas) medievais que progressivamente se foram sobrepondo ao poder feudal, e de que os melhores exemplos são os das cidades italianas em que os empresários à imagem dos senhores feudais dispuseram de exércitos e esquadras (Veneza, Génova principalmente). 

Portanto, o meu ponto de vista é que a amizade Trump-Putin é de dois senhores oligopolistas que aplicam o princípio de que a união faz a força, como aliás a união USA-Arábia Saudita já demonstrou. Com Putin, chefe de oligarcas que sucessivamente foram tomando as grandes empresas públicas do tempo soviético, terá Trump o prazer de trocar impressões sobre como aproveitar as debilidades do sistema de pesos e contrapesos da Constituição dos USA para ir colocando os seus, dele Trump, oligarcas, em lugares de controle público. 

Como dizia o meu professor de Quimica Geral logo no primeiro ano do Tecnico, a energia é o problema fundamental da humanidade, e Trump, Putin e Bin Salman saudita ( https://www.youtube.com/watch?v=UuUBpKmPwvE) apostam fortemente no controle do petróleo para controlar a humanidade. Força unida contra o Brasil, a China, a India, a Africa do sul, a Venezuela. Quem não tenha petróleo  ou tenha dificuldade em produzi-lo (ou refinar) sofre as consequências. Terras raras é secundário, embora importante, veja-se a disputa pela Gronelandia ...

Atente-se no descaramento com que os USA se opuseram às propostas da ONU para reduzir as emissões do fabrico do plástico e das propostas da IMO (agência maritima internacional) para reduzir as emissões do transporte  maritimo. 

Considere-se ainda a proibição por Trump da conclusão do sistema eólico off-shore da Oersted na costa oriental dos USA. 

Os oligarcas do petróleo combatem as energias renováveis. Não admira que os últimos leilões para parques eólicos off-shore na Alemanha e na Dinamarca tenham ficado desertos ou subfinanciados  https://www.powerengineeringint.com/renewables/wind/germanys-2-5gw-offshore-wind-auction-fails/

https://www.reuters.com/legal/litigation/us-orders-orsted-halt-offshore-wind-project-deepening-industry-woes-2025-08-22/

 A teoria inventou agora os contratos para a diferença, CfD, como modo de financiamento dos produtores de renováveis, contrata-se um valor médio do "price strike" expetável para o preço da energia ao longo de 15(?!) anos, compensa-se o produtor do sistema eólico quando o preço do leilão for inferior e cobra-se ao produtor a diferença quando o preço do leilão for superior.

https://en.wikipedia.org/wiki/Contracts_for_Difference_(UK_energy) 

https://www.neso.energy/what-we-do/energy-markets/electricity-market-reform-emr-delivery-body/contracts-difference-cfd

Não admira que essa gente não se importe de deportar quem quiserem para fazerem resorts nas praias do mediterraneo oriental, com navios cruzeiro a gastar petróleo, claro, ou de bombardear quem entenderem. Isto é, se em vez de oligopolistas fossem agentes do KGB, da CIA, da MOSSAD ou da equivalente saudita, não fariam melhor.

Mas vamos podendo falar e escrever, pelo menos por enquanto.


Grande abraço 

domingo, 24 de agosto de 2025

Libertem o engenheiro Boualem Sansal

 

Alguns termos da resolução de janeiro de 2025 do Parlamento Europeu poderão ferir alguma sensibilidade da parte de instituições argelinas. Infelizmente em qualquer debate a tendencia do desvio do essencial para a polarização extremada dificulta a chegada às melhores conclusões. E neste caso existe o conflito diplomático sempre antipático do antigo colonizador, do irmão marroquino e das suas pretensões saarianas, das aspirações da Frente Polisario. Tudo em que a ONU e a OUA podem ajudar sem questiúnculas bizantinas entre partidos. Existe ainda a interpretação rigorosa e literal da lei penal argelina mas, e isso é o mais importante, existe uma Constituição que defende acima de tudo os direitos humanos e a liberdade de expressão. 
Ora, a voz de Boualem Sansal, como bom engenheiro, é principalmente a defesa da evolução da cultura árabe e da cultura berbere livre de preconceitos e de restrições  ao conhecimento científico e às aplicações técnicas propiciadoras de bem estar dos povos. Por isso, essa voz é mais importante do que eventuais declarações que possam ser criminalmente interpretadas.  Considerando o estado de saúde de Boualem Sansal, pede-se aos decisores argelinos o exercício da clemência libertando-o e, assim que possível, libertando outros presos políticos não defensores da violência. 

Liberez l'ingenieur Boualem Sansal, chers amis algériens, ilelli Boualem Sansal


https://www.europarl.europa.eu/doceo/document/RC-10-2025-0087_PT.html
https://expresso.pt/cultura/2025-07-01-pena-de-cinco-anos-para-o-escritor-franco-argelino-boualem-sansal-cbe27e3d
https://en.wikipedia.org/wiki/Boualem_Sansal





quarta-feira, 20 de agosto de 2025

Acidente numa passagem de nível na Dinamarca, vários em Portugal

 

https://www.lemonde.fr/en/international/article/2025/08/15/one-killed-several-injured-in-denmark-train-crash_6744411_4.html


Percurso do comboio acidentado copenhague (à direita superior) para Sonderborg (à esquerda inferior). Acidente em Bjerndrup, entre Tinglev e Kriplev. Assinale-se que pela posição das carruagens é provável que o descarrilamento das últimas carruagens terá ocorrido em tração, isto é, não há deteção e desligação automática da tração do início do descarrilamento nas primeiras carruagens. Este sistema evitaria consequencias graves como o ocorrido no acidente de S.Gothard




vista de aproximação da passagem de nível sentido N-S, vindo o comboio do acidente da direita, de Copenhague com destino a Sonderborg, colidindo com um camião de transporte de resíduos agrícolas

vista no sentido S-N

a amarelo o percurso estimado após a colisão



Em Portugal, em 13ago2025 dois acidentes em passagens de nível, um em Poço Barreto perto de Silves, com 2 feridos, outro em Montijos/Leiria na linha do Oeste com uma vítima mortal. 

https://rr.pt/noticia/pais/2025/08/13/linha-do-algarve-colisao-entre-comboio-e-carro-faz-dois-feridos/436112/

acidente mortal na passagem de nível de Montijos/Leiria. Traçado desfavorável das estradas


Por mais automatização que se faça, são tráfegos incompatíveis, o tráfego ferroviário deverá estar completamente segregado porque a travessia por um veículo rodoviário pode demorar mais do que a temporização do aviso de aproximação e fecho das barreiras. A IP informou que a pssagem de nível de Poço Barreto será fechada, dada a proximidade de outra. Em Peso, Vale de Santarem, a passagem será desnivelada segundo um plano da IP estimado em 50 milhões de uros ainda sem data de execução:

https://www.rederegional.com/noticias/sociedade/ip-prepara-investimento-de-50-milhoes-para-suprimir-7-passagens-de-nivel-entre-cartaxo-e-santarem/

Segundo o folheto da ANSR de prevenção de acidentes em passagens de nível, em 5 anos terá havido 28 vítimas mortais resultantes de 99 acidentes (76 colisões com veículos e 23 peões atropelados):

http://www.ansr.pt/Noticias/Documents/Folheto%20Passagens%20de%20Nivel_Baixa%20resolucao.pdf

Reconhece-se o elevado investimento, mas é essencial segregsr os tráfegos (ninguém pensaria em criar passagens pedonais  automatizadas para travessia de autoestradas) substituindo as passagens de nível por desniveladas.

É essencial promover a concretização do planeamento que tem vindo a ser feito no GPIAF, ANSR,IP, universidades, para redução da sinistralidade. Insiste-se que deverá haver uma campanha publicitária de passagem obrigatória na TV para sensibilização dos utilizadores das estradas e dos comboios e melhorar a comunicação com a Comissão Europeia nesse mesmo sentido.

ver também:

referência ao acidente em Poço Barreto

https://fcsseratostenes.blogspot.com/search?q=passagens+de+n%C3%ADvel

análise do processo de infração e de acidentes :

https://1drv.ms/w/c/1ebc954ed8ae7f5f/ER6IzWz8CkNCprtaz_j5TOEB0g56_peR1aCcC_VWZN_a_A?e=IoDZdF


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sábado, 16 de agosto de 2025

Melhorias do aeroporto AHD e posição da CML em agosto de 2025

 Troca de emails sobre o tema:


Permito-me comentar o artigo, para além de concordar com a crítica ao sr presidente:
Para além da diminuição do tempo de ocupação da pista, refira-se que o taxway referido com saídas rápidas, evita o cruzamento da pista dos widebodies, cruzamento que é um fator de risco inadmissível em situação de grande afluência. Não é obrigatório ter sempre os 45 movimentos mas conven ter a possibilidade de intervalos curtos entre aviões para rsolver situações de gran de afluência. De referir ainda que esta obra está no anexo 9 do contrato de concessão (obrigações específicas de desenvolvimento 13, 14 e 17 que deveriam estar concluidas contratualmente em 2021 e que não o foram por inoperância inadmissível dos sucessivos governos - nota: esta obra,como inscrito no referido anexo 9 do contrato, obriga a expropriações de muitos armazens do lado norte e nascente da pista). Em resumo, construir o taxiway nort/nascente é também por razões de segurança.




Assunto: Aeroporto: Carlos Moedas contra aumento da capacidade

Relativamente à notícia de que o aeroporto de Lisboa terá capacidade para ter um movimento de avião a cada 81 segundos (44 movimentos por hora).
Acho inacreditável esta posição de um presidente de Câmara a desvalorizar a cidade por causa de um populismo bacoco.
Saudações


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Quintas eólicas off-shore, hidrogénio

 Troca de emails sobre este tema:


Muito obrigado pela informação. Ajudou-me a combater a minha iliteracia que me tinha impedido de compreender a referencia aos CfD no programa Negócios de 6 de agosto. De modo que fui à wikipedia e tentei ler melhor o texto enviado e fiquei com a impressão que tudo correrá bem se a fixação por 15 anos do valor médio do strike price estiver correto. ou próxino da realidade em anos sucessivos. Peço desculpa mas se calhar não entendi bem. Quando me formei em 1970 na cadeira de Aplicações de Eletricidade a economia das tarifas era simples, uma componente fixa para os encargos fixos incluindo produção, transporte e distribuição, e uma componenete variável, o consumo. Onde isso vai, agora com o mercado (também na altura me ensinaram que o mercado ia abaixo em 3 circunstancias: assimetria,externalidades e escassez; será que toda esta engenharia financeira estará acima destas questõezinhs de lana caprina? estamos à espera de um Godot super regulador?). Tenho pena, quando me formei, fizemos uma viagem de fim de curso a Copenhage. Ficámos encantados com as ventoinhas, já em 1970. Parece que foi sonho de adolescente ou sou eu a resmungar. Ver tam bém em https://fuelcellsworks.com/2025/08/12/energy-policy/largest-european-hydrogen-bank-funding-winner-pulls-out#google_vignette   parece que não se arranja financiamento para se produzir hidrogénio a 0,6 euro/kg ... deve ser da assimetria (ou lobies petrolíferos que até nem deixam limitar a produção do plástico). Ou será resmungo de velho. É verdade que o rendimento do hidrogénio na tração ferroviária é baixo (ca 20%), mas as externalidades das alternativas (baterias, fósseis) justificariam que houvesse um mínimo de volume d compra a preço garantido (até para absorver as intermitencias e garantir o armazenamento e as exportações, mas isso era contra os sagrados principios de Bruxelas (e contudo, nem contra todos os principios, penso eu)


Obrigado e abraço




Assunto: Alemanha, 2500 MW eólicas off-shore com concurso deserto

Bom dia,
Na alemanha um concurso para 2,5 GW para instalação de ventoinhas no mar não teve interessados,
Quando não há garantias de que irá ser vendida a electricidade a bom preço, os amantes das renováveis encolhem-se.
Saudações


Germany’s 2.5GW offshore wind auction fails

Pamela Largue Aug 07, 2025

Germany’s second offshore wind auction for 2025 has failed to attract a single project bid for either of the two North Sea sites, N-10.1 and N-10.2.

According to the German Offshore Wind Energy Association (BWO), this signals an urgent need to reform the auction design.

Stefan Thimm, managing director of the German Offshore Wind Energy Association, commented in a statement: “The fact that not a single company participated in this auction is a foregone conclusion. The industry has been warning for years against burdening companies with too many risks. However, the legal requirements no longer take into account the framework for investments in offshore wind projects in Germany. The current auction design forces developers to bear risks beyond their control without any protection.”

WindEurope explains that Germany’s current offshore wind auction relies on negative bidding and offers no revenue stabilisation, such as a two-sided Contracts for Difference (CfDs) scheme. Bidders are therefore exposed to risks beyond their control and high costs associated with the rights to develop.

Said Viktoriya Kerelska, director of Advocacy & Messaging at WindEurope: “The auction result must be a wake-up call for the German Government. Negative bidding adds costs that make offshore wind more expensive and reduces the number of companies willing and able to participate in auctions. It’s time to amend the auction model so Germany can deliver on its offshore wind targets and industrial competitiveness.”

BWO says that after this tender round failed, the Federal Network Agency is obliged to conduct a new tender process for the same site; however, it recommends that legislators ensure better conditions.

“Specifically, we demand the following regarding the auction design: The federal government must finally pave the way for a reliable CfD system alongside long-term electricity supply contracts. Contracts for Difference lead to a reduction in electricity generation costs of up to 30 percent – the basis for competitive electricity prices. Without this reform, further auctions could fail – and with them the energy transition,” concluded Thimm.

The N-10.1 and N-10.2 sites, part of the second tender for 2025, have a total capacity of 2.5GW and an area of approximately 182 square kilometres. They were scheduled to go into operation in 2030 and 2031, respectively.

The first tender took place in June this year for the N-9.4 offshore wind site in the North Sea, which can accommodate 1GW of installed offshore wind capacity. TotalEnergies was selected as the winner of this auction.

Germany is not the only country to experience a lacklustre offshore wind auction. Denmark was the latest country to switch its auction framework to CfDs after its 3GW negative bidding offshore wind tender didn’t attract any bids in December.


sexta-feira, 1 de agosto de 2025

Descarrilamento em Riedlingen - Bechingen em Baden-Wurtemberg em 28jul2025

Condolências aos familiares das vítimas e votos de recuperação dos feridos.

Este acidente impressiona pela aparente prigosidade antes da precipitação elevada que provocou acumulação de água numa estrada sobranceira à linha.Sem drenagem suficiente, a àgua provocou o deslizamento de terras e pedras do leito da estrada para a via férrea, situada num talvegue entre dois taludes com cerca de 10m de altura e sem valas de drengem suficientes.

A primeira carruagem terá descarrilado e sido empurrada pela segunda carruagem (põe-se a questão, caso isso tenha ocorrido,  se não deveria haver um automatismo de desligação da tração) até bater em árvores ou no talude da esquerda, seguindo-se o efeito de armónio dobrando-se e partindo-se a carruagem .

Este risco de acumulação de água e drenagem insuficiente é relativamente frequente. Há poucos meses terá havido um descarrilamento na mesma região, Baden-Wurtemberg, sem vítimas, tal como no próprio dia 28 de julho houve outros danos na via férrea, também sem vítimas.

Em Porttugal, tivemos recentemente este fenómeno com deslizamento de terras  na estrada IC2 em Águeda e, há uns anos, em Arco de Valdevez e em Guimarães.

Isto é, tal como na Alemanha, o gestor de infraestruturas deverá investir na manutenção e no cumprimento das regras de segurança. Neste caso, garantir drenagem suficiente, que estradas paralelas não constituam uma barragem, que haja valas paralelas à via férrea com capacidade de drenagem e acumulação temporária de detritos, que os taludes sejam tratados e fixados. Em Portugal há boas experiencias com bons exemplos na fixação de encostas, como na linha do Douro (no caso de Baden-Wurtemberg, a linha acompanha o percurso do Danubio, isto é, atravessa as linhas de água que correm para ele). Pode ser uma aplicação de robôs autónomos de monitorização.

É evidente que tudo  isso custa dinheiro, mas a justificação da existencia da ferrovia é precisamente a economia de energia e pressupõe um aumento de oferta.



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Documentação do acidente de Baden.Wurtemberg:

https://events.railtech.com/news/news/2025/07/29/landslide-derails-regional-db-train-in-germany-killing-3/ 

https://www.youtube.com/watch?v=eqgXHSBA-Iw


mapa topográfico vendo-se o traçado do rio, o relevo adjacente e o local do descarrilamento






acumulação de água por insuficiente drenagem


sexta-feira, 11 de julho de 2025

O traçado da TTT proposto pelo XXV Governo é um erro

 Há já vários anos que empresários, universitários e técnicos de engenharia de transportes chamam a atenção dos decisores que o traçado da TTT Chelas-Barreiro e a localização da estação de Alta Velocidade na Gare do Oriente são erros técnicos graves com consequências danosas no futuro.

Vem agora o XXV Governo anunciar a decisão da TTT rodo-ferroviária por Chelas-Barreiro e da Quarta travessia , rodoviária, Algés -Trafaria

Os sucessivos governos, em dependencia exclusiva da estratégia da IP e sem quererem desafiar os operadores ferroviários de mercadorias e rodoviários de passageiros e de mercadorias, impuseram a execução dum PFN que esquece as ligações ferroviárias á Europa além Pireneus e eterniza na rede existente ou a construir componentes não normalizados pela regulamentação comunitária, como a bitola ibérica e o CONVEL, o que configura um ato suscetível de levantamento de processo de infração.

Não sendo os governantes especialistas de transportes, poderão não avaliar a gravidade dos erros técnicos da sua opção (apenas refiro que a travessia Chelas-Barreiro implica uma ligação NAL-Lisboa com cerca de 10 km a  mais de extensão relativamente á ligação Beato-Montijo) poderiam antes de anunciar decisões desta importancia conferir as competencias outorgadas pela Constituição. A competencia legislativa sobre o ordenamento do território é exclusiva da Assembleia da República, não do governo (art.165.1.z da CRP). Acresce que existem instrumentos jurídicos de ordenamento do território que não foram cumpridos pelo XXV governo quando anuncia os traçados ferroviários na área metropolitana, fugindo aos procedimentos de atualização do PROTAML e aplicando incorretamente os procedimentos conforme o regulamento 2024/1679 para elaboração do SUMP da área metropolitana. Dito de outra forma, a RCM 77/2025 carece de legitimidade constitucional.

Pode o governo invocar a necessidade urgente de decidir em vez de arrastar a discussão. Mas optar por um erro? Não pode dizer que não tenha sido avisado oportunamente. E se quiser resolver o problema, sugere-se que peça apoio técnico à DG-MOVE, direção geral da mobilidade e transportes da UE para o lançamento de um concurso público internacional a gabinetes de engenharia com referências, eventualmente com uma Comissão Técnica Independente a coordenar o processo.


quinta-feira, 10 de julho de 2025

A estratégia do XXV governo ou a falta de uma estratégia

 Comento o artigo de Ricardo Pais Mamede           https://www.publico.pt/2025/07/07/opiniao/opiniao/raio-inglaterra-nao-2139186

Trata-se de um artigo oportuno, por comparar a falta de estratégia de Portugal com o UK, e pertinente, até porque o art.288 da Constituição impede a sua revisão quanto aos planos económicos no âmbito de uma economia mista. O que aliás é compatível com o Tratado de Funcionamento da União Europeia, que reconhece aos Estados membros a participação na vida económica através de empresas suas (não exclusivas, claro). Isto é, parece ideologicamente enviesada a conceção do XXV Governo, contrariando claramente a matriz social-democrata. Mas existe um paradoxo. Através da resolução do Conselho de Ministros 77/2025, é delegada na IP a decisão sobre os grandes investimentos na ferrovia através da definição dos traçados, nomeadamente na área metropolitana de Lisboa, em contradição com os instrumentos jurídicos de ordenamento do território. No momento em que se soube que Portugal ficou de fora na última atribuição de financiamentos do CEF (Connecting Europe Facility) sem sequer ter submetido candidaturas para desenvolvimento de projetos de ligação da sua rede ferroviária à Europa segundo os padrões normalizados, incompatíveis com a bitola ibérica e o CONVEL, confirma-se o receio da degradação da atual rede e da ineficiência dos projetos da nova rede.


quarta-feira, 9 de julho de 2025

Inundações do rio Guadalupe no Texas - Trump mentiu, não ocorrem de 100 em 100 anos

 Conforme se pode ler aqui:    https://www.weather.gov/ewx/wxevent-19870717      houve inundações catastróficas em julho de 1987 e em 1978 e 1998, não de 100 em 100 anos. Basta de mentiras e de querer enganar as pessoas. Os dinheiros públicos, federais e do estado do Texas devem ser utilizados para infraestruturas de proteção pública, nomeadamente bacias de retenção e respetivos custos de manutenção. Obviamente sem prejuizo do serviço meteorológico, o qual foi rapidamente caluniado (quando fez o seu trabalho) pelos poderes locais que consideraram as previsões inferiores ao ue aconteceu, `a semelhança do que se passou em Valencia com o presidente da região Mazon. Como Trump, também Mazon se desculpou.

https://www.vpm.org/npr-news/npr-news/2025-07-06/how-good-was-the-forecast-texas-officials-and-the-national-weather-service-disagree

https://x.com/NWSSanAntonio/status/1941076661757501521

Recordo-me de, em criança (anos 50 do século XX) ficar impressionado com as notícias das inundações do Mississipi. Não é por falta de técnicos de engenharia nos USA, é por o poder político e o poder económico não quererem investir em infraestruturas de proteção, como aliás qualquer país atrasado. Têm outros interesses e prioridades no mundo.

Seria muito bom que se revissem os critérios dos planos de drenagem de Lisboa e Algés, pelo menos para uma previsão de 400 litros por dia (caso de Derna      https://fcsseratostenes.blogspot.com/2023/09/os-desastres-de-derna-e-de-stenungsund.html). 


Nota: consultando os registos de inundações anteriores, verifica-se, a menos que os critérios de medição da precipitação sejam diferentes, que os valores de precipitação no Texas foram em 1998 da ordem de 20 polegadas/2 dias ou 250 mm/dia ou 250 l/dia/m2 :  https://www.caee.utexas.edu/prof/maidment/giswr2012/termpaper/evans.pdf

Em 2025 foram da ordem de 500 mm/3 dias, ou 170 l/m2/dia, o que é efetivamente um valor elevado mas que deveria ser suportado:                                                              https://www.cbsnews.com/news/texas-flooding-guadalupe-river-how-much-rain-fell-national-weather-service/



terça-feira, 8 de julho de 2025

Acidentes em autoestradas em zonas sem rails de segurança ou com traçado incorreto

 Condolencias às famílias enlutadas por acidentes em autoestradas.Embora analisá-los possa aumentar o sofrimento dos familiares, do ponto de vista da engenharia de análise de riscos é essencial esclarecer as circubstancias e as causas de cada acidente para evitar a sua repetição ou mitigar as consequências da sua repetição. Essa investigação não visa "apurar responsabilidades" mas apenas, repete-se, eliminar ou reduzir a probabilidade de ocorrência do acidente, o que exigiria uma prática nem sempre verificada, que é a recolha imediata de elementos pelos investigadores no próprio local do acidente. No caso do acidente dos irmãos Jota na A 52 de Zamora, provavelmente não será possivel ter certezas, embora a hipótese de rebentamento de pneu, excesso de velocidade e ignição da vegetação residual do separador central  seja provável. 

Imagens dos destroços em                                      https://www.cnnbrasil.com.br/esportes/futebol/futebol-internacional/morte-de-diogo-jota-rodovia-onde-acidente-ocorreu-e-alvo-de-dezenas-de-denuncias/

Videos a seguir ao acidente :    https://www.youtube.com/shorts/rUcn14Tu6pY


imagem Google Earth anterior ao acidente



imagem Google Earth anterior ao acidente - a amarelo , coincidente com o pavimento da autoestrada, objeto de frequenttes reparações, o trajeto para o despiste, seguindo-se  colisão quase frontal com o rail de segurança do refugio do separador central e imobilização no separador central cerca de 30m (?) após a colisão com o rail de segurança 





Imediatamente a seguir à zona do despiste termina a proteção dos rails de segurança. É uma hipótese o carro ter entrado em despiste por problema na roda (como diz o relatório d Guardia Civil sem especificar; rebentamento do pneu fronteiro esquerdo? bloqueio do diferencial? fratura da suspensão?) ainda na via da direita e ter embatido no rail existente que partiu. Este rail faz um angulo com a autoestrada por limitar um refugio no próprio separador e por isso não  redirecionou o automóvel para a via esquerda, caindo na vala central e provocando o incendio. Este ângulo justificaria, apesar de velocidade excessiva, a rápida desaceleração até à imobilização. O traçado dos rails neste refúgio no separador central e a ausencia de rails de segurança em extensos troços, com ângulos dos taludes que agravam as consequencias de despistes, constituem inconformidades que deverão ser corrigidas e instalados controles de velocidade enquanto o não forem.

Este blogue tem referido já a ausencia de rails de segurança juntamente com taludes de ângulo elevado. O caso mais chocante foi o da morte da cantora Claudia Isabel tendo o julgamento do causador do acidente concluido que ela não tinha o cinto de segurança posto e que não foi possível determinar a velocidade do seu carro.                                                          https://fcsseratostenes.blogspot.com/2023/01/o-acidente-ao-km-85-na-autoestrada-para.html

Pus a hipótese da colisão ter provocado o despiste do Smart à velocidade de 70km/h e que as marcas dos pneus corresponderiam a travagem pela condutora, pelo que a morte teria ocorrido pela ausencia de rail de segurança, uma vez que o angulo do talude era elevado. Isto é, a operadora da autoestrada tem ali uma inconformidade que não resolve  sem que nenhuma entidade oficial a pressione, nem que a ANSR tenha meios para realizar o inquérito indispensável.

Também o acidente na A1 em janeiro de 2024 que provocou a morte da condutora que levava o cinto posto mostrou claramente que a aussencia de rail de segurança é um risco intolerável. Mas a operadora nada muda e nenhuma entidade oficial a pressiona nem se executa o inquérito completo.                          https://fcsseratostenes.blogspot.com/2024/01/acidentes-rodoviarios-na-a2-ao-km85-em.html

Referi também um acidente na A2 em julho de 2024 com consequencias graves por falta de rail de segurança                                                                                  https://fcsseratostenes.blogspot.com/2024/07/mais-um-acidente-na-a2-km-1759-com.html

Assinalei também a fraca posição de Portugal no ranking da segurança rodoviária, incompatível com as determinações comunitárias de redução da sinistralidade rodoviária  https://fcsseratostenes.blogspot.com/2024/05/o-momento-da-seguranca-rodoviaria.html

Infelizmente, parece ser um problema cultural, é a própria conceção dos utilizadores das rodovias que é contra a segurança, e a opinião pública dificilmente aceita as medidas de prevenção e corretivas , e assim será dificil melhorar os indicadores.


PS em 11jul2025-  Não sendo possível ter certezas dado o estado da investigação, gostaria que fosse considerada pelos investigadores a seguinte hipótese, dado que ela pressupõe um erro vulgar na condução de veículos com tração às 4 rodas e controle eletrónico da distribuição de potencia pelas 4 rodas (numa curva, se o condutor aliviar o acelerador, sobrevem uma sobreviragem por transferência de carga das rodas trazeiras para as dianteiras):   https://www.quora.com/What-are-the-disadvantages-of-all-wheel-drive-aside-from-the-added-weight-and-costs

Hipótese (reitero que não existem neste momento provas que a suportem, mas deve ser dada publicidade para prevenção deste tipo de acidentes) - o Lamborghini, veículo de tração às 4 rodas, seguia na via da direita quando iniciou uma manobra de ultrapassagem, tendo o condutor aliviado o acelerador , provocando sobreviragem que levou à colisão com o rail de segurança num local em que este não estava paralelo à autoestrada. Supondo que o automóvel se imobilizou cerca de 50m a seguir a esta colisão com uma desaceleração de 4m/s2, então a velocidade imediatamente após a colisão (50m antes da imobilização) seria cerca de 70km/h; desconhecendo a resistencia ao choque do rail de segurança, supus uma equivalencia a um objeto de 3 toneladas; do teorema da quantidade de movimento e supondo 2 toneladas para a massa do veículo, deduzi a velocidade de 180 km/h no momento imediatamente anterior à colisão com o rail de segurança(se a equivalencia do rail  for a 2 toneladas, a velocidade teria sido de 144 km/h; se fosse equivalente a 1 tonelada a velocidade seria 108 km/h). Deverá ainda verificar-se o registo de manutenção do sistema de tração às 4 rodas, cuja falta poderia ter contribuido para o acidente.

Os vestígios de eventual travagem no desvio à esquerda para o despiste (notar que no lado exterior o rasto do pneu é mais denso , o que é compatível com o fenómeno de sobreviragem descrito atrás, aliviando a carga das rodas trazeiras e do lado esquerdo do veículo) indiciam que não terá havido rebentamento de pneu na origem do acidente.

Independentemente da confirmação da hipótese anterior, parece essencial:

1 - realizar inquéritos rigorosos dos acidentes e divulgar em campanhas mediáticas, além das causas, as recomendações para os evitar ou mitigar as consequencias

2 - corrigir as faltas de rails de segurança ou os seus traçados incorretos, nomeadamente quando não paralelos à via, tendo em atenção o regulamento 1936/2019 sobre as proteções em rodovias