quarta-feira, 7 de abril de 2010

Novamente o nó de Alcântara - necessidade de visão integrada




Lamentando aborrecer os leitores e pedindo-lhes desculpa por isso, volto ao assunto do nó, diria “cego”, de Alcântara, transcrevendo nova carta para o senhor Presidente da CML.




Exmo Senhor Presidente da Câmara Municipal de Lisboa



Peço desculpa de voltar ao assunto, e de forma repetitiva, mas a importância e a gravidade das consequências de decisões eventualmente desligadas de um contexto global (fora de uma perspetiva holística, como se diz nas faculdades), bem como a convicção de que a Câmara tem técnicos para se debruçar sobre as questões técnicas que os cidadãos colocam ao seu município, levam-me a voltar ao tema do nó de Alcântara, para o que chamo a atenção dos referidos técnicos para o seguinte, tendo, para simplificar, destacado 3 sugestões:



1 - a solução da REFER para o desnivelamento das ligações ferroviárias em Alcantara, obrigando à construção de túneis e de uma estação subterrânea, tem graves inconvenientes devido às características geológicas e hidráulicas da zona (zona de aterros e de foz de uma ribeira entubada); este facto, só por si (e considerando o precedente da reanálise da localização do novo aeroporto como exemplo de busca de uma solução melhor do que a aprovada inicialmente), mereceria estudo de melhor solução

- sugere-se, caso se mantenham o terminal de contentores em Alcantara e o projeto dos desnivelamentos , a criação de um plano de nível a 6m de altura em toda a zona de intervenção para redução dos custos e dos riscos de construção de infraestruturas subterrâneas;

2 - a localização do porto de contentores em Alcantara não será também a melhor solução, conforme mostra o plano de expansão do porto de Lisboa dos anos noventa, que previa a construção faseada de um porto de contentores na Trafaria/Golada; a utilização de Alcantara como terminal de cruzeiros será preferível do ponto de vista de urbanismo e de exploração turística; dado o elevado custo da ligação ferroviária desnivelada em Alcantara, a existência de ligação ferroviária desnivelada em Santa Apolónia/Poço do Bispo cujo terminal de contentores dispõe de área razoável (um estudo integrado mais cuidadoso poderia recomendar a construção da terceira travessia do Tejo mais a norte, Beato –Montijo e não Chelas-Barreiro, mas a localização atualmente prevista não inviabiliza a utilização do terminal Santa Apolónia-Poço do Bispo) , o não crescimento do tráfico de contentores e a existência do porto de Sines para acolher os porta-contentores de maior calado,

- sugere-se que, enquanto se não construir faseadamente o porto na Trafaria/Golada, se mantenha o terminal de contentores em Santa Apolónia/Poço do Bispo;

3 - a zona de intervenção de Alcantara é extremamente delicada do ponto de vista hidráulico, conforme já mostrado no estudo que propõe 5 bacias de retenção contra as inundações no Vale de Alcantara; no entanto, dada a proximidade do rio e da barra, deverá ser estudada , por força da lei da água 58/2005, a avaliação das respetivas zonas inundáveis, incluindo os efeitos de cheias, marés e maremotos, e debatidas publicamente as conclusões; neste sentido, a localização do porto de contentores na Trafaria/Golada, com o fecho da Golada, constituiria uma barreira contra a onda gerada num abalo sísmico originado nas falhas entre o banco de Gorringe e o cabo de S.Vicente (além de diminuir o assoreamento da barra do Tejo e a perda de areia da Costa daCaparica); julga-se de aprofundar os estudos do maremoto de 1755 que justifiquem o comportamento das diferentes áreas ribeirinhas (por exemplo, a zona dos Jerónimos não sofreu os efeitos do maremoto) ; nesta perspetiva, coloca-se a hipótese da barra ter permitido a entrada da onda com origem no abalo sísmico das falhas Gorringe-S.Vicente, que seguidamente terá sido refletida e defletida pela baía de Oeiras/Pedrouços e pela margem norte de Almada, na direção do Terreiro do Paço; a confirmar-se a credibilidade desta hipótese (ver esquema anexo)

- sugere-se que o fecho da Golada seja considerado ação prioritária para reduzir os riscos de maremoto, independentemente da construção do porto de contentores Trafaria/Golada





Com os melhores cumprimentos

F.Santos e Silva

Munícipe ID 231 131

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