sexta-feira, 24 de março de 2017

O viaduto de Alcântara


Antes de mais, o que escrevo são apenas hipóteses que considero importante, do ponto de vista da análise de riscos, testar experimentalmente com observações e ensaios.
1 - o incidente pode descrever-se como deslocação de um tabuleiro e de um pilar periférico com abertura de uma junta de dilatação
2 - da análise de imagens antes e depois do incidente não parece provável que a causa tenha sido embate de um camião no guarda corpos, quando muito poderia ser uma moto despistada; aliás, as ligações do guarda corpos à estrutura do tabuleiro provavelmente não transmitiriam o movimento
foto google earth anterior a incidente; junta de dilatação dentada anterior ao local do incidente

foto google earth anterior ao incidente; junta do incidente, pode ver-se a deformação das chapas de proteção contra despistes de motociclistas indiciando percursos extraordinários de dilatação antes do incidente
foto google earth anterior ao incidente;local da junta danificada e aberta sobre o pilar deslocado

a junta depois do incidente: abriu e desnivelou, isto é, os tabuleiros deslocaram-se para o exterior; dificilmente um camião
o faria 
3 - a análise das imagens anteriores ao incidente mostra que o pilar já se vinha deslocando por ação das dilatações e retrações em função da temperatura, no sentido do exterior; põe-se ainda a hipótese de assentamento da sapata do pilar por motivo de arrastamento de inertes por infiltração no caneiro de Alcantara em consequencia de aumento da pressão freática por subida do nível freático em consequencia das obras de escavação do hospital (repito que se trata apenas de hipóteses que deveriam ser testadas e experimentadas)

foto google earth anterior ao incidente; aparentemente, o tabuleiro da direita está melhor apoiado do que o tabuleiro da esquerda, o qual virá a ficar quase sem apoio (o tabuleiro da direita virá a empurrar o da esquerda depois de esgotar o curso de dilatação da junta dentada

foto google earth anterior ao incidente, mostrando a deslocação do tabuleiro esquerdo, no limite do seu curso de dilatação; ver a deformação da chapa amarela de proteção contra despiste de motos
tabuleiros deslocados; o meio tabuleiro esquerdo estará apenas apoiado através da sua longarina interior enquanto a exterior está no ar(cada meio tabuleiro corresponde a uma via e tem 2 longarinas; o viaduto tem 2 vias em cada sentido)

a junta avariada, aparentemente aberta com excesso de dilatação e retração

longarina exterior do meio tabuleiro suspensa; aparentemente, o viaduto esteve muito perto de cair;

4 - considerando o excessivo deslocamento verificado, a necessidade de verificar a hipótese do assentamento das fundações relacionado com infiltrações do caneiro e as obras do hospital, por aplicação do princípio da precaução não deve ser suficiente a reposição dos tabuleiros nos apoios. Parecerá que o pilar deverá ser reforçado nas fundações e nos apoios que deverão ser alargados de modo a absorver os deslocamentos dos tabuleiros; a junta de dilatação também deverá ser substituida. E interdita a passagem de camiões e autocarros de passageiros (aliás, já existia um sinal de interdição, não cumprido).

5 - manifesta-se entretanto a preocupação de que o projeto anterior de um viaduto definitivo (Alcantara XXI) não seja o adequado para compatibilizar com o funcionamento do nó rodoviário que se pretende e com a travessia dos comboios de mercadorias sem conflituar com o restante tráfego ferroviário e rodoviário; esta preocupação estende-se à ameaça para o fluxo de trafego que o novo hospital representa, às dificuldades  construtivas da prevista estação da CP enterrada e ligação da linha de Cascais à linha de cintura, e à rejeição da ideia de um viaduto para término de uma linha de metro com correspondencia com a linha de Cascais e a estação do Alvito. Isto é, duvida-se que se tenha já o projeto razoável de um nó ferroviário e rodoviário com viaduto definitivo nesta zona.


PS em 24 de março - Calçada a viga longarina, que estava suspensa, com cavaletes. Aparentemente "convenceram" o pilar a encaixar no apoio da longarina, provavelmente com maçarico, dada a coloração do pilar. Será interessante confirmar no local a verticalidade do pilar e as fundações, claro (penso que são os tabuleiros que ultrapassaram o perímetro, para além da deformação do pilar ou falha da fundação). Situação pouco segura.


hipótese do que aconteceu:

PS em 30 de março - fotos da reparação. Pilar "puxado" para apoio das vigas dos 2 tabuleiros e fixação de barras articuladas de ligação entre as vigas e o pilar, provavelmente com deteção de deslocamentos e com submissão a monitorização. Será interessante monitorizar também a altimetria dos carris da linha de Cascais, para confirmar se não há assentamentos por arrastamento de inertes.




Lateralmente, imagens das obras do Hospital da Cuf-Tejo no triangulo dourado. Pessoalmente, penso que, apesar do trabalho já investido no plano de urbanização de Alcântara (PUA) e da consulta pública realizada, ele deveria ser revestido e melhor adaptado à problemática dos transportes (estação do Alvito, expansão do metropolitano, passagem da linha de Cascais, interligação pedonal entre as estações, cruzamento da linha ferroviária de mercadorias e da eventual ligação de serviço com a linha de Cascais, definição dos planos de construção, isto é, o que deve ser construido enterrado, à superfície e à cota dos viadutos)  :


aparentemente vestígios de terrenos calcáreos e pregagens (ou jet-grouting?); nota-se uma barragem de pedregulhos que gostava de saber se já cá estavam de cais antigos ou se foram trazidos agora; esta zona corresponde aos 3 pisos de estacionamento subterrâneo do futuro hospital






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