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segunda-feira, 10 de março de 2014

Versão atualizada da gestão escocesa, "poupar o que for possível"

Exemplos da versão atualizada da gestão escocesa, a de ir retirando a palha ao cavalo, aumentando a sua produtividade (quociente entre um produto e um meio de produção), até ele morrer de fome. São também uma variante da orientação "custar o que custar":
1 - fecho de tribunais - "Vamos gastar o que for preciso em transportes para poupar o que for possivel com o fecho de tribunais". Gastar-se-á em transportes e ter-se-á como prejuizo o arrefecimento das economias locais para alem da desertificação em curso. Não parece ter sido feita uma análise custos/prejuízos-receitas/benefícios
2 - espera para operar cancros - "Vamos suportar o prejuízo que for preciso com o aumento dos tempos de espera das operações, para poupar o que for possível com a diminuição da produtividade dos IPO e dos seus quadros de pessoal". Há anos que a comunicação social regista o desencanto e o desgosto dos profissionais que foram abandonando os IPO ou assistindo à redução da sua capacidade.
3 - deslocação de trabalhadores da câmara para as juntas de freguesia - "Gaste-se o que for preciso com o reforço das competencias das freguesias e a manutenção do que for preciso na câmara,  para poupar o que for possivel". Um pouco como a aglutinação das antigas juntas de freguesia. Mantêm-se os encargos com as sedes das antigas juntas e arranjam-se mais encargos com uma nova sede da união de freguesias, a freguesia "maior". Insiste-se na fé nas centralizações, apesar de se aparentar a descentralização. Mas tudo isto é muito discutível.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

O desacerto social um ano depois


Em termos de interpretação da realidade pelas elites decisoras, ou melhor, em termos do que as elites decisoras querem que a população entenda, estamos mais ou menos no mesmo ponto de Janeiro de 2012:

Cortam pois nas pensões também abaixo de 3 salários mínimos, que é apenas uma parte do bolo global do rendimento nacional.
Problema de matemática dos primeiros anos do ensino da matemática, a compreensão do conceito de percentagem.
Se cortar é preciso, deve-se cortar na fatia que contribuir com a maior percentagem para o rendimento nacional, não nas fatias de menor contribuição.
Talvez que o senhor ministro Crato possa explicar isto aos colegas decisores, e de caminho explicava o conceito de quociente, que aumentar o número de horas de trabalho, isto é, um fator de produção que está no denominador do quociente produtividade (em que no numerador está o volume da produção), diminui a produtividade com elevado grau de probabilidade (porque o crescimento da produção vai ser inferior ao crescimento das horas de trabalho).

Podia ainda, por exemplo, para não ter de se cortar em pensões, aplicar-se a taxa sobre as transações financeiras. Arranjavam-se assim os tais 400 milhões.
O senhor ministro das finanças até tinha prometido que ia pensar nela, embora isso fosse antes daquele retumbante sucesso do regresso aos mercados e do contínuo crescimento da dívida enquanto a taxa de juro for superior à taxa de crescimento do PIB (outra vez o conceito do quociente a estragar tudo).

Assim vamos, seguindo a ideia do senhor muito poupadinho que cortou na ração do cavalo.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Carta ao diretor - os cortes

Carta enviada hoje ao diretor do jornal


Exmo Sr Diretor

Venho mais uma vez dirigir-me ao vosso prestigiado jornal, na esperança de que o meu protesto encontre eco nos decisores que governam a nossa sociedade.
E faço-o porque a insistencia na realização de cortes, a torto e a direito, de forma indiscriminada e sem atender às consequencias, tornou a vida da nossa sociedade insuportável.
Isto sem pôr em causa a necessidade de alguns cortes, mas que deveriam ser seletivos e devidamente ponderados.
Os cortes provocam, sem apelo nem agravo, perturbações gravissimas na vida das populações atingidas, no fluxo normal, na pulsação dos mecanismos de quem produz e necessita de se deslocar de umas para outras áreas económicas, de simples lazer, ou de prestação de serviços.
Com os dispositivos necessários à execução dos cortes, torna-se impossivel, pela acumulação de fatores negativos, atingir os objetivos traçados anteriormente e cumprir os prazos.
Solicito portanto que divulgue o mais possível este protesto, motivado exclusivamente por ter estado num engarrafamento ao descer a rua do Conde de Redondo, devido ao corte de árvores com uma grua e um camião de recolha de bio massa.

Com os melhores cumprimentos,


terça-feira, 16 de outubro de 2012

Falas de governantes - a senhora secretária de estado do tesouro não vê sinais de espiral recessiva

A senhora secretária de estado do Tesouro Maria Luis Albuquerque, a quem dedico este "post", afirmou em entrevista não ver sinais de uma espiral de recessão.
Pode ser uma questão de semântica, e então não há razão para se falar em espiral.
Mas talvez que o problema seja a falta de formação em ciências físicas que impede que  a senhora veja o mecanismo de realimentaçao positiva.
Que em inglês se chama "feedback".
Não falemos em espiral, que a senhora secretária acha que não vê, neste momento, apesar de todos os avisos e evidencias.
Vamos a um gráfico de retas, com base na relação entre o corte de rendimentos ou o aumento dos impostos (com a consequente redução da procura interna), e a diminuição do PIB  que a senhora diretora do FMI revelou, com base nas observações empíricas dos seus serviços e na sua larga experiencia (1 euro de cortes implica entre 0,9 e 1,7 euros - valor médio 1,3 euros - de diminuição do PIB):



O gráfico está mais ou menos à escala, pelo que se pode ver o efeito de sucessivos cortes , iguais, ao longo do tempo. Podemos admitir que um ciclo de efeitos durará um ano. Evidentemente que é um modelo de aproximação não garantida, uma vez que ao longo do tempo nada garante que as curvas de relação entre os cortes e a diminuição do PIB se manterão. Certo é que, em zonas de PIB pequeno, se poderá considerar zona perigosa, em que a partir de certa altura, por mais investimentos que se façam, dificilmente deles se retirará retorno.
Podemos também ilustrar o fenómeno neste esquema de blocos de realimentação (feedback). O efeito sentido à saida de um sistema é realimentado, influenciando novamente o sistema, e assim, sucessiva e recessivamente.
É o mesmo mecanismo na condução automóvel, em que, se o condutor insiste em virar o volante no sentido em que não deve, o efeito se vai agravando até ao despiste final.



terça-feira, 8 de maio de 2012

Mais um corte cego - o pequeno penso

A senhora das análises abriu a embalagem dos pensos e exclamou: "Tão pequeno".
Era, de facto, muito mais pequeno do que o último lote que ela tinha usado para tapar o furo na epiderme deixado pela seringa da análise do sangue.
Terá sido mais um corte, também cego, porque a senhora estava com muita dificuldade em acertar no furo.
E terá sido significativa, a poupança?
É que se começarem a pôr dois pensos em vez de um é capaz de ser pior.
Parece estéril, a observação?
Não estou seguro disso.
Devemos criticar a ideia dos cortes cegos, para que não se instale no subconsciente com autorização dos centros cerebrais de ética e comportamento.

sábado, 15 de outubro de 2011

Cortes na cultura

Será gordura, a cultura?
Os trabalhadores do S.Carlos foram informados de que todos os organismos dependentes da secretaria de estado da cultura teriam de reduzir 20% dos custos.
Já se renegociam as produções de ópera já contratadas e já se antevêm reduções salariais.
Apesar de a cultura ser um setor em que se pode investir para obter retorno dos investimentos, a orientação é a de adormecer.
Pode ser que a culpa seja da ideia de cultura que os agentes culturais foram desenvolvendo ao longo dos anos.
Eu próprio critiquei há pouco tempo a convicção que os realizadores de cinema portugueses têm de que são muito talentosos.
Mas essas coisas mudam-se com pedagogia.
Cortar cegamente 20% na cultura significa apenas que quem o decidiu não tem cultura.
Longe vai o tempo em que se reivindicava 1% do orçamento de estado para o ministério da cultura.
Agora, em vez de poupar o ministério aos cortes, reduz-se ainda mais a capacidade de investir em atividades culturais rentáveis.
O grande inquisidor de Espanha, que aparece no D.Carlos de Verdi, que inaugurou a temporada lírica, não faria melhor para assassinar a cultura.
Mas oiçamos antes Filipe II, que não fica muito bem na ópera, como aliás não ficou em quase tudo em que se meteu ou quis meter os outros, o que poderia ser uma lição para os solitários do poder, que não devem gostar de ópera.