Exemplos da versão atualizada da gestão escocesa, a de ir retirando a palha ao cavalo, aumentando a sua produtividade (quociente entre um produto e um meio de produção), até ele morrer de fome. São também uma variante da orientação "custar o que custar":
1 - fecho de tribunais - "Vamos gastar o que for preciso em transportes para poupar o que for possivel com o fecho de tribunais". Gastar-se-á em transportes e ter-se-á como prejuizo o arrefecimento das economias locais para alem da desertificação em curso. Não parece ter sido feita uma análise custos/prejuízos-receitas/benefícios
2 - espera para operar cancros - "Vamos suportar o prejuízo que for preciso com o aumento dos tempos de espera das operações, para poupar o que for possível com a diminuição da produtividade dos IPO e dos seus quadros de pessoal". Há anos que a comunicação social regista o desencanto e o desgosto dos profissionais que foram abandonando os IPO ou assistindo à redução da sua capacidade.
3 - deslocação de trabalhadores da câmara para as juntas de freguesia - "Gaste-se o que for preciso com o reforço das competencias das freguesias e a manutenção do que for preciso na câmara, para poupar o que for possivel". Um pouco como a aglutinação das antigas juntas de freguesia. Mantêm-se os encargos com as sedes das antigas juntas e arranjam-se mais encargos com uma nova sede da união de freguesias, a freguesia "maior". Insiste-se na fé nas centralizações, apesar de se aparentar a descentralização. Mas tudo isto é muito discutível.
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segunda-feira, 10 de março de 2014
Versão atualizada da gestão escocesa, "poupar o que for possível"
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segunda-feira, 13 de maio de 2013
O desacerto social um ano depois
Em termos de interpretação da realidade pelas elites
decisoras, ou melhor, em termos do que as elites decisoras querem que a
população entenda, estamos mais ou menos no mesmo ponto de Janeiro de 2012:
Cortam pois nas pensões também abaixo de 3 salários mínimos, que
é apenas uma parte do bolo global do rendimento nacional.
Problema de matemática dos primeiros anos do ensino da
matemática, a compreensão do conceito de percentagem.
Se cortar é preciso, deve-se cortar na fatia que contribuir
com a maior percentagem para o rendimento nacional, não nas fatias de menor
contribuição.
Talvez que o senhor ministro Crato possa explicar isto aos
colegas decisores, e de caminho explicava o conceito de quociente, que aumentar
o número de horas de trabalho, isto é, um fator de produção que está no
denominador do quociente produtividade (em que no numerador está o volume da
produção), diminui a produtividade com elevado grau de probabilidade (porque o
crescimento da produção vai ser inferior ao crescimento das horas de trabalho).
Podia ainda, por exemplo, para não ter de se cortar em
pensões, aplicar-se a taxa sobre as transações financeiras. Arranjavam-se assim
os tais 400 milhões.
O senhor ministro das finanças até tinha prometido que ia
pensar nela, embora isso fosse antes daquele retumbante sucesso do regresso aos
mercados e do contínuo crescimento da dívida enquanto a taxa de juro for
superior à taxa de crescimento do PIB (outra vez o conceito do quociente a
estragar tudo).
Assim vamos, seguindo a ideia do senhor muito poupadinho que
cortou na ração do cavalo.
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sexta-feira, 3 de maio de 2013
Carta ao diretor - os cortes
Carta enviada hoje ao diretor do jornal
Exmo Sr Diretor
Venho mais uma vez dirigir-me ao vosso prestigiado jornal, na esperança de que o meu protesto encontre eco nos decisores que governam a nossa sociedade.
E faço-o porque a insistencia na realização de cortes, a torto e a direito, de forma indiscriminada e sem atender às consequencias, tornou a vida da nossa sociedade insuportável.
Isto sem pôr em causa a necessidade de alguns cortes, mas que deveriam ser seletivos e devidamente ponderados.
Os cortes provocam, sem apelo nem agravo, perturbações gravissimas na vida das populações atingidas, no fluxo normal, na pulsação dos mecanismos de quem produz e necessita de se deslocar de umas para outras áreas económicas, de simples lazer, ou de prestação de serviços.
Com os dispositivos necessários à execução dos cortes, torna-se impossivel, pela acumulação de fatores negativos, atingir os objetivos traçados anteriormente e cumprir os prazos.
Solicito portanto que divulgue o mais possível este protesto, motivado exclusivamente por ter estado num engarrafamento ao descer a rua do Conde de Redondo, devido ao corte de árvores com uma grua e um camião de recolha de bio massa.
Com os melhores cumprimentos,
Exmo Sr Diretor
Venho mais uma vez dirigir-me ao vosso prestigiado jornal, na esperança de que o meu protesto encontre eco nos decisores que governam a nossa sociedade.
E faço-o porque a insistencia na realização de cortes, a torto e a direito, de forma indiscriminada e sem atender às consequencias, tornou a vida da nossa sociedade insuportável.
Isto sem pôr em causa a necessidade de alguns cortes, mas que deveriam ser seletivos e devidamente ponderados.
Os cortes provocam, sem apelo nem agravo, perturbações gravissimas na vida das populações atingidas, no fluxo normal, na pulsação dos mecanismos de quem produz e necessita de se deslocar de umas para outras áreas económicas, de simples lazer, ou de prestação de serviços.
Com os dispositivos necessários à execução dos cortes, torna-se impossivel, pela acumulação de fatores negativos, atingir os objetivos traçados anteriormente e cumprir os prazos.
Solicito portanto que divulgue o mais possível este protesto, motivado exclusivamente por ter estado num engarrafamento ao descer a rua do Conde de Redondo, devido ao corte de árvores com uma grua e um camião de recolha de bio massa.
Com os melhores cumprimentos,
terça-feira, 16 de outubro de 2012
Falas de governantes - a senhora secretária de estado do tesouro não vê sinais de espiral recessiva
A senhora secretária de estado do Tesouro Maria Luis Albuquerque, a quem dedico este "post", afirmou em entrevista não ver sinais de uma espiral de recessão.
Pode ser uma questão de semântica, e então não há razão para se falar em espiral.
Mas talvez que o problema seja a falta de formação em ciências físicas que impede que a senhora veja o mecanismo de realimentaçao positiva.
Que em inglês se chama "feedback".
Não falemos em espiral, que a senhora secretária acha que não vê, neste momento, apesar de todos os avisos e evidencias.
Vamos a um gráfico de retas, com base na relação entre o corte de rendimentos ou o aumento dos impostos (com a consequente redução da procura interna), e a diminuição do PIB que a senhora diretora do FMI revelou, com base nas observações empíricas dos seus serviços e na sua larga experiencia (1 euro de cortes implica entre 0,9 e 1,7 euros - valor médio 1,3 euros - de diminuição do PIB):
Pode ser uma questão de semântica, e então não há razão para se falar em espiral.
Mas talvez que o problema seja a falta de formação em ciências físicas que impede que a senhora veja o mecanismo de realimentaçao positiva.
Que em inglês se chama "feedback".
Não falemos em espiral, que a senhora secretária acha que não vê, neste momento, apesar de todos os avisos e evidencias.
Vamos a um gráfico de retas, com base na relação entre o corte de rendimentos ou o aumento dos impostos (com a consequente redução da procura interna), e a diminuição do PIB que a senhora diretora do FMI revelou, com base nas observações empíricas dos seus serviços e na sua larga experiencia (1 euro de cortes implica entre 0,9 e 1,7 euros - valor médio 1,3 euros - de diminuição do PIB):
O gráfico está mais ou menos à escala, pelo que se pode ver o efeito de sucessivos cortes , iguais, ao longo do tempo. Podemos admitir que um ciclo de efeitos durará um ano. Evidentemente que é um modelo de aproximação não garantida, uma vez que ao longo do tempo nada garante que as curvas de relação entre os cortes e a diminuição do PIB se manterão. Certo é que, em zonas de PIB pequeno, se poderá considerar zona perigosa, em que a partir de certa altura, por mais investimentos que se façam, dificilmente deles se retirará retorno.
Podemos também ilustrar o fenómeno neste esquema de blocos de realimentação (feedback). O efeito sentido à saida de um sistema é realimentado, influenciando novamente o sistema, e assim, sucessiva e recessivamente.
É o mesmo mecanismo na condução automóvel, em que, se o condutor insiste em virar o volante no sentido em que não deve, o efeito se vai agravando até ao despiste final.
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terça-feira, 8 de maio de 2012
Mais um corte cego - o pequeno penso
A senhora das análises abriu a embalagem dos pensos e exclamou: "Tão pequeno".
Era, de facto, muito mais pequeno do que o último lote que ela tinha usado para tapar o furo na epiderme deixado pela seringa da análise do sangue.
Terá sido mais um corte, também cego, porque a senhora estava com muita dificuldade em acertar no furo.
E terá sido significativa, a poupança?
É que se começarem a pôr dois pensos em vez de um é capaz de ser pior.
Parece estéril, a observação?
Não estou seguro disso.
Devemos criticar a ideia dos cortes cegos, para que não se instale no subconsciente com autorização dos centros cerebrais de ética e comportamento.
Era, de facto, muito mais pequeno do que o último lote que ela tinha usado para tapar o furo na epiderme deixado pela seringa da análise do sangue.
Terá sido mais um corte, também cego, porque a senhora estava com muita dificuldade em acertar no furo.
E terá sido significativa, a poupança?
É que se começarem a pôr dois pensos em vez de um é capaz de ser pior.
Parece estéril, a observação?
Não estou seguro disso.
Devemos criticar a ideia dos cortes cegos, para que não se instale no subconsciente com autorização dos centros cerebrais de ética e comportamento.
sábado, 15 de outubro de 2011
Cortes na cultura
Será gordura, a cultura?
Os trabalhadores do S.Carlos foram informados de que todos os organismos dependentes da secretaria de estado da cultura teriam de reduzir 20% dos custos.
Já se renegociam as produções de ópera já contratadas e já se antevêm reduções salariais.
Apesar de a cultura ser um setor em que se pode investir para obter retorno dos investimentos, a orientação é a de adormecer.
Pode ser que a culpa seja da ideia de cultura que os agentes culturais foram desenvolvendo ao longo dos anos.
Eu próprio critiquei há pouco tempo a convicção que os realizadores de cinema portugueses têm de que são muito talentosos.
Mas essas coisas mudam-se com pedagogia.
Cortar cegamente 20% na cultura significa apenas que quem o decidiu não tem cultura.
Longe vai o tempo em que se reivindicava 1% do orçamento de estado para o ministério da cultura.
Agora, em vez de poupar o ministério aos cortes, reduz-se ainda mais a capacidade de investir em atividades culturais rentáveis.
O grande inquisidor de Espanha, que aparece no D.Carlos de Verdi, que inaugurou a temporada lírica, não faria melhor para assassinar a cultura.
Mas oiçamos antes Filipe II, que não fica muito bem na ópera, como aliás não ficou em quase tudo em que se meteu ou quis meter os outros, o que poderia ser uma lição para os solitários do poder, que não devem gostar de ópera.
Os trabalhadores do S.Carlos foram informados de que todos os organismos dependentes da secretaria de estado da cultura teriam de reduzir 20% dos custos.
Já se renegociam as produções de ópera já contratadas e já se antevêm reduções salariais.
Apesar de a cultura ser um setor em que se pode investir para obter retorno dos investimentos, a orientação é a de adormecer.
Pode ser que a culpa seja da ideia de cultura que os agentes culturais foram desenvolvendo ao longo dos anos.
Eu próprio critiquei há pouco tempo a convicção que os realizadores de cinema portugueses têm de que são muito talentosos.
Mas essas coisas mudam-se com pedagogia.
Cortar cegamente 20% na cultura significa apenas que quem o decidiu não tem cultura.
Longe vai o tempo em que se reivindicava 1% do orçamento de estado para o ministério da cultura.
Agora, em vez de poupar o ministério aos cortes, reduz-se ainda mais a capacidade de investir em atividades culturais rentáveis.
O grande inquisidor de Espanha, que aparece no D.Carlos de Verdi, que inaugurou a temporada lírica, não faria melhor para assassinar a cultura.
Mas oiçamos antes Filipe II, que não fica muito bem na ópera, como aliás não ficou em quase tudo em que se meteu ou quis meter os outros, o que poderia ser uma lição para os solitários do poder, que não devem gostar de ópera.
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