Em Agosto de 2009 o governo de então apresentou, sob a responsabilidade da secretária de estado dos transportes, Ana Paula Vitorino, antiga colaboradora de uma empresa do grupo do Metropolitano de Lisboa, o Plano Estratégico de Transportes.
Embora sofrendo da falta de estatisticas fiáveis para fundamentação sólida das diretrizes e com demasiadas declarações de principio ou generalidades para orientações, era um documento válido.
As suas deficiencias eram devidas tambem à extensão e complexidade dos temas.
Um plano de transportes está indissoluvelmente ligado às politicas de urbanismo (o que obrigava logo a corrigir o infeliz plano de expansão do metropolitano de Lisboa associado ao plano), de ordenamento do território e da energia e ambiente, com o inconveniente grave destas ligações exigirem dados concretos para basear decisões. Isto contraria a politica de decisões por sentimento ou por ideologia, por exemplo, declarar que o TGV não pode construir-se sem conhecer os dados todos do problema e sem fazer uma análise comparativa cobrindo todos os encargos das infraestruturas e da exploração e todos os prejuzos e beneficios, com os outros modos de transporte.
De modo que era necessário fazer a atualização do plano estratégico dos transportes, coisa que o senhor ministro dos transportes do governo seguinte prometeu "a muito curto prazo" em Fevereiro de 2010.
Infelizmente, o senhor ex-ministro e o senhor ex-secretário de estado eram conhecidos como os teóricos universitários e, de facto, não passaram da teoria à prática.
Periodicamente iam anunciando a breve publicação da atualização do plano estratégico, mas ele nunca saiu.
Vem isto a propósito das intenções do atual senhor ministro dos transportes, Álvaro Santos Pereira, de publicar o plano de transportes em Setembro de 2011.
Ver
http://sol.sapo.pt/inicio/Politica/Interior.aspx?content_id=27273
O senhor ministro é uma pessoa culta, não só na sua especialidade, mas com capacidade para pensar com caracteristicas de integração das questões. É inclusive autor literário não apenas de temas económicos.
Porem, eu diria que será um tanto juvenil em questões de transportes, talvez porque no Canadá não há grande problema com os combustíveis fósseis nem preocupação com as emissões de CO2. Talvez que a posição contra o TGV fosse diferente se no Canadá houvesse aquele problema e aquela preocupação.
De modo que me parece imprudente a promessa de emitir um plano estratégico de transportes, coisa que me parece em si mesma também algo complexa, já em Setembro de 2011.
Mas pode ser que, com a super-chefe de gabinete que tem, pode ser que seja possível.
No entanto, se a qualidade do plano for má será como se não tivesse sido publicado ou pior ainda (terão sido ouvidos os técnicos das especialidades? em Agosto? sinceramente duvido; não me refiro aos técnicos reconhecidos pelo sistema, mas aos técnicos que estão dentro das questões e nas frentes de trabalho; terão sido ouvidos? é que um dos problemas do setor dos transportes é demasiadas vezes estarem à frente das empresas pessoas que não têm conhecimento do negócio...).
Por melhores que sejam as qualidade dos senhores colaboradores do senhor ministro, as expetativas são muito fracas relativamente à qualidade do plano que aí vem.
Mas pode ser que eu esteja enganado.
O que seria bom para o setor dos transportes.
segunda-feira, 29 de agosto de 2011
O plano estratégico de transportes
Citação de Canavilhas
Classificação da politica cultural do atual governo por Gabriela Canavilhas, em entrevista ao DN:
"Parece que uma turma liceal de contabilidade aplicada tomou o poder".
Quem diria que, depois da politica confrangedora enquanto ministra da cultura (sobranceria na destituição dos diretores do Museu de Arte Antiga e do S.Carlos, ausencia de uma politica de transportes para os principais museus, deslocação do museu dos coches) , este blogue ia concordar com a senhora ex-ministra, a propósito da postura economicista do atual governo e da até agora aparente falta de cultura dos senhores ministros (com a agravante do equivalente a ministro da cultura ser o senhor primeiro ministro).
Talvez o senhor ministro Vitor Gaspar não goste destas afirmações, ele, um leitor atento do Candide de Voltaire, embora pareça ainda não ter lido o pobre mercador de Veneza às mãos de Shylock, que entretanto já exigiu 46% de juros à Grécia. E com o compromisso de apresentar os cortes em Setembro, não sei se terá tempo para leituras.
A citação de Canavilhas faz-me lembrar tambem um dito do tirano de Santa Comba:
"Os economistas são aqueles guarda-livros (era como se dizia, na altura) a quem ensinaram inglês".
Não sei se o senhor presidente da República, emérito doutorado em Inglaterra, gostaria de ler isto, ele, de quem Saramago dizia que não sabia distinguir Tomas More de Thomas Mann.
Mas já dizia Eduardo Lourenço, cultura é quando o homem se liberta do ciclo da sobrevivência.
E com estas dívidas, dizem os guarda-livros no poder que não há libertação do ciclo e não pode haver cultura.
Aguardam-se as decisões sobre cultura do senhor primeiro ministro para, como as diretrizes do governo dizem, reavaliar as questões.
"Parece que uma turma liceal de contabilidade aplicada tomou o poder".
Quem diria que, depois da politica confrangedora enquanto ministra da cultura (sobranceria na destituição dos diretores do Museu de Arte Antiga e do S.Carlos, ausencia de uma politica de transportes para os principais museus, deslocação do museu dos coches) , este blogue ia concordar com a senhora ex-ministra, a propósito da postura economicista do atual governo e da até agora aparente falta de cultura dos senhores ministros (com a agravante do equivalente a ministro da cultura ser o senhor primeiro ministro).
Talvez o senhor ministro Vitor Gaspar não goste destas afirmações, ele, um leitor atento do Candide de Voltaire, embora pareça ainda não ter lido o pobre mercador de Veneza às mãos de Shylock, que entretanto já exigiu 46% de juros à Grécia. E com o compromisso de apresentar os cortes em Setembro, não sei se terá tempo para leituras.
A citação de Canavilhas faz-me lembrar tambem um dito do tirano de Santa Comba:
"Os economistas são aqueles guarda-livros (era como se dizia, na altura) a quem ensinaram inglês".
Não sei se o senhor presidente da República, emérito doutorado em Inglaterra, gostaria de ler isto, ele, de quem Saramago dizia que não sabia distinguir Tomas More de Thomas Mann.
Mas já dizia Eduardo Lourenço, cultura é quando o homem se liberta do ciclo da sobrevivência.
E com estas dívidas, dizem os guarda-livros no poder que não há libertação do ciclo e não pode haver cultura.
Aguardam-se as decisões sobre cultura do senhor primeiro ministro para, como as diretrizes do governo dizem, reavaliar as questões.
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Citação de Oscar Niemeyer
Citação de Oscar Niemeyer, por Carlos do Carmo, em entrevista ao DN:
"Os homens têm de ser mais modestos".
Mas Freud diria provavelmente, em relação ao caso português, que há aqui um grande problema.
É que na psicologia portuguesa tem um lugar fundamental a auto-valorização.
O que dificulta as coisas e complica qualquer debate.
Até porque há a tal teoria que diz que o debate não é a troca de argumentos, é a tentativa de sobreposição ao adversário.
"Os homens têm de ser mais modestos".
Mas Freud diria provavelmente, em relação ao caso português, que há aqui um grande problema.
É que na psicologia portuguesa tem um lugar fundamental a auto-valorização.
O que dificulta as coisas e complica qualquer debate.
Até porque há a tal teoria que diz que o debate não é a troca de argumentos, é a tentativa de sobreposição ao adversário.
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domingo, 28 de agosto de 2011
Taxez-nous - III - Correção: o senhor presidente...
Correção: o senhor presidente da República não pretende que o esforço fiscal seja apenas sobre o IRS. Também discordou da abolição do imposto sucessório. Nalguma coisa havia este blogue de concordar com o senhor presidente da República.
No entanto, continuam as reflexões sobre o assunto.
Por exemplo, este blogue não quer participar no que os comentadores já chamam "caça aos ricos". Apenas defende que não deve haver isenções.
Já se sabe de há muito que a taxação dos ricos não resolve as dividas (já Rotschild dizia que a sua fortuna não resolvia a pobreza), embora o mesmo não pudesse dizer-se da taxação do capital especulativo.
Que diabo, custa assim tanto flexibilizar os preconceitos de cada um?
Por exemplo, o tea party acha que os impostos se deviam reduzir.
Este blogue tambem concorda, mas enquanto o tea party taxa o trabalho em favor do capital, recorda-se aqui a linha divisória entre o setor público e o privado de Melo Antunes.
Dir-se-ia que o Estado não precisaria de tantos impostos se tivesse empresas públicas lucrativas, mas em Portugal entende-se que elas devem ser vendidas, mesmo que o momento do mercado esteja em baixa.
Melhor para a Petrobras, que se declara francamente interessada nos 20,4% da EDP.
É uma pena, porque muitos cidadãos e cidadãs portugueses também gostariam que os lucros da EDP ajudassem a minorar os impostos e, ironia, a Petrobras é uma sociedade de economia mista, cujo acionista maioritário é o governo brasileiro.
Conceções diferentes da realidade, dum e doutro lado do Atlantico.
PS - A Eletrobras manifestou o seu interesse em adquirir os 20,4% à venda. É também curioso, respeitando a devida economia de escala, ver quem é a Eletrobras. É também uma companhia de capital misto, de maioria do governo brasileiro, com 39.000 MW instalados, responsável pela produção de 38% da energia produzida no Brasil, com um fator de produção de gases de efeito de estufa de cerca de 50 gr/kWh! Principais centros produtores: 30 centrais hidroelétricas, 15 termoelétricas e 2 nucleares. Sem os condicionalismos que ignorantes da eletricidade (não é ofensa nenhuma, ninguém é obrigado a estudar de tudo) e adeptos do mercado cego impuseram na Europa às empresas que assim não podem simultaneamente produzir, transmitir e distribuir a energia.
Conceitos diferentes de um e outro lado do Atlântico.
Conceitos diferentes do que é servir o interesse público.
No entanto, continuam as reflexões sobre o assunto.
Por exemplo, este blogue não quer participar no que os comentadores já chamam "caça aos ricos". Apenas defende que não deve haver isenções.
Já se sabe de há muito que a taxação dos ricos não resolve as dividas (já Rotschild dizia que a sua fortuna não resolvia a pobreza), embora o mesmo não pudesse dizer-se da taxação do capital especulativo.
Que diabo, custa assim tanto flexibilizar os preconceitos de cada um?
Por exemplo, o tea party acha que os impostos se deviam reduzir.
Este blogue tambem concorda, mas enquanto o tea party taxa o trabalho em favor do capital, recorda-se aqui a linha divisória entre o setor público e o privado de Melo Antunes.
Dir-se-ia que o Estado não precisaria de tantos impostos se tivesse empresas públicas lucrativas, mas em Portugal entende-se que elas devem ser vendidas, mesmo que o momento do mercado esteja em baixa.
Melhor para a Petrobras, que se declara francamente interessada nos 20,4% da EDP.
É uma pena, porque muitos cidadãos e cidadãs portugueses também gostariam que os lucros da EDP ajudassem a minorar os impostos e, ironia, a Petrobras é uma sociedade de economia mista, cujo acionista maioritário é o governo brasileiro.
Conceções diferentes da realidade, dum e doutro lado do Atlantico.
PS - A Eletrobras manifestou o seu interesse em adquirir os 20,4% à venda. É também curioso, respeitando a devida economia de escala, ver quem é a Eletrobras. É também uma companhia de capital misto, de maioria do governo brasileiro, com 39.000 MW instalados, responsável pela produção de 38% da energia produzida no Brasil, com um fator de produção de gases de efeito de estufa de cerca de 50 gr/kWh! Principais centros produtores: 30 centrais hidroelétricas, 15 termoelétricas e 2 nucleares. Sem os condicionalismos que ignorantes da eletricidade (não é ofensa nenhuma, ninguém é obrigado a estudar de tudo) e adeptos do mercado cego impuseram na Europa às empresas que assim não podem simultaneamente produzir, transmitir e distribuir a energia.
Conceitos diferentes de um e outro lado do Atlântico.
Conceitos diferentes do que é servir o interesse público.
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Citação do Ouro do Reno
"Quem te deu o direito de submeter à servidão o teu próprio irmão?"
Fala de Loge, o deus braço direito de Wotan, para Mime, irmão de Alberich, o Nibelungo, que explorava o seu trabalho e do povo nibelungo, no Ouro do Reno.
O deus Wotan teve de se endividar para mandar construir o palácio Wahalala.
As engenharias financeiras com o Nibelungo não correram bem, a posse do ouro para pagar a questão da dívida tinha uma maldição e sobreveio o Crepúsculo dos deuses, depois da Valquiria e do Siegfried.
Toda e qualquer semelhança com a realidade, como se costuma dizer, é pura coincidencia, e a citação ocorreu-me a propósito dos prejuizos que a EDP e a PT têm tido com os roubos de cobre.
Pelos vistos, a cotação do ouro e do cobre no mercado negro é compensadora para quem o rouba para fundição.
À primeira vista, não pareceria dificil organizar brigadas policiais para detetar o transporte e os locais de fundição. O roubo de uma ourivesaria é rapidamente detetado através de vulgares sistemas de alarme. O roubo de um transformador ou de barras ou cabos de cobre (de média tensão) é rapidamente detetado pela impossibilidade de religação. Dado que o material é pesado, não seria complicada a deteção.
À segunda vista, dir-se-á que os cortes nas forças de segurança limitam a sua capacidade de resposta.
Tambem poderá pensar-se que os cortes na despesa das empresas através da redução dos quadros de pessoal e o panorama geral de desemprego estimulam a atividade do roubo do ouro e do cobre que vai aumentar o PIB através do aumento do consumo por parte dos ladrões e o aumento das despesas de manutenção da EDP e da PT para repor os cabos roubados (agora de liga de aluminio e aço, para reduzir a apetência, à custa de maiores perdas elétricas).
Por isso terá aplicação a citação do ouro do Reno.
Com que direito se condenam cidadãos à marginalidade, à servidão de andarem a roubar as subestações e os postos de transformação?
Em nome da liberdade do mercado e da contenção do défice público e privado?
Para não se gastar dinheiro na prevenção e na repressão vai continuar a deixar-se agravar o fenómeno?
Deveria talvez, salvo melhor opinião, desviar-se o rendimento de outras áreas e canalizá-lo para a prevenção e a repressão deste fenómeno.
Tambem poderá dizer-se que estamos perante mais um exemplo em que uma empresa tem prejuizos cuja fatura deveria poder apresentar ao ministério da administração interna por não exercer o seu dever de garantia de vigilancia e segurança de pessoas e bens; neste caso, da integridade das instalações de média tensão.
Registo de furtos de cobre na EDP desde 2008:
2008 - 2,853 milhões de euros
2009 - 4,507 milhões de euros
2010 - 9,087 milhões de euros
2011 (até 15JUL) - 7,977 milhões de euros
Pode ser que um dia um senhor ministro ache que isto não pode continuar assim (isto, o roubo de ourivesarias e de subestações), mas parece que o assunto não tem grande interesse mediático, pelo menos enquanto não começar a faltar a luz em casa de senhores importantes.
Fala de Loge, o deus braço direito de Wotan, para Mime, irmão de Alberich, o Nibelungo, que explorava o seu trabalho e do povo nibelungo, no Ouro do Reno.
O deus Wotan teve de se endividar para mandar construir o palácio Wahalala.
As engenharias financeiras com o Nibelungo não correram bem, a posse do ouro para pagar a questão da dívida tinha uma maldição e sobreveio o Crepúsculo dos deuses, depois da Valquiria e do Siegfried.
Toda e qualquer semelhança com a realidade, como se costuma dizer, é pura coincidencia, e a citação ocorreu-me a propósito dos prejuizos que a EDP e a PT têm tido com os roubos de cobre.
Pelos vistos, a cotação do ouro e do cobre no mercado negro é compensadora para quem o rouba para fundição.
À primeira vista, não pareceria dificil organizar brigadas policiais para detetar o transporte e os locais de fundição. O roubo de uma ourivesaria é rapidamente detetado através de vulgares sistemas de alarme. O roubo de um transformador ou de barras ou cabos de cobre (de média tensão) é rapidamente detetado pela impossibilidade de religação. Dado que o material é pesado, não seria complicada a deteção.
À segunda vista, dir-se-á que os cortes nas forças de segurança limitam a sua capacidade de resposta.
Tambem poderá pensar-se que os cortes na despesa das empresas através da redução dos quadros de pessoal e o panorama geral de desemprego estimulam a atividade do roubo do ouro e do cobre que vai aumentar o PIB através do aumento do consumo por parte dos ladrões e o aumento das despesas de manutenção da EDP e da PT para repor os cabos roubados (agora de liga de aluminio e aço, para reduzir a apetência, à custa de maiores perdas elétricas).
Por isso terá aplicação a citação do ouro do Reno.
Com que direito se condenam cidadãos à marginalidade, à servidão de andarem a roubar as subestações e os postos de transformação?
Em nome da liberdade do mercado e da contenção do défice público e privado?
Para não se gastar dinheiro na prevenção e na repressão vai continuar a deixar-se agravar o fenómeno?
Deveria talvez, salvo melhor opinião, desviar-se o rendimento de outras áreas e canalizá-lo para a prevenção e a repressão deste fenómeno.
Tambem poderá dizer-se que estamos perante mais um exemplo em que uma empresa tem prejuizos cuja fatura deveria poder apresentar ao ministério da administração interna por não exercer o seu dever de garantia de vigilancia e segurança de pessoas e bens; neste caso, da integridade das instalações de média tensão.
Registo de furtos de cobre na EDP desde 2008:
2008 - 2,853 milhões de euros
2009 - 4,507 milhões de euros
2010 - 9,087 milhões de euros
2011 (até 15JUL) - 7,977 milhões de euros
Pode ser que um dia um senhor ministro ache que isto não pode continuar assim (isto, o roubo de ourivesarias e de subestações), mas parece que o assunto não tem grande interesse mediático, pelo menos enquanto não começar a faltar a luz em casa de senhores importantes.
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À maneira da quadrilha de Carlos Drummond de Andrade
Quadrilha aqui não tem que ver com bandidos.
Quadrilha, dança de festas de S.João e de solstício de Verão, pode ser como Carlos Drummond de Andrade a escreveu:
Quadrilha, dança de festas de S.João e de solstício de Verão, pode ser como Carlos Drummond de Andrade a escreveu:
João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes, que não tinha entrado na história
Segue-se uma história quase na mesma forma, a propósito da economia portuguesa.
A é costureira e não consegue arranjar trabalho por causa da concorrência chinesa; tem um terreno em Alvaiazere com uma casa a cair; o sítio é bonito, há vestígios romanos perto e podia construir-se ali um edifício com 4 ou 5 apartamentos e uma piscina e alugar-se a alemães e escandinavos.
B é contabilista e não consegue arranjar trabalho depois do estágio que fez num gabinete de preenchimento de IRS e IRC; o pai é mestre de obras mas não precisa de contabilista porque constrói os prédios sem passar faturas e não tem ficha nas finanças.
C fala inglês fluentemente, domina a Internet e não consegue arranjar outro emprego que não seja temporariamente e sem recibos, numa firma de limpezas.
A, B e C vivem no país do sol e da crise e encontraram a solução.
O pai de B construirá o edifício turístico no terreno de A, B controlará as contas e os empréstimos, e C explorará o empreendimento, angariando os clientes estrangeiros pela Internet.
D não tem nada que ver com esta história, mas casou com B.
Devido a um pequeno problema burocrático que não conseguiram ultrapassar, relacionado com a titularidade do terreno, A, B e C desistiram do projeto.
A, B e C continuam assim a viver no país do sol e da crise, tal como D.
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes, que não tinha entrado na história
Segue-se uma história quase na mesma forma, a propósito da economia portuguesa.
A é costureira e não consegue arranjar trabalho por causa da concorrência chinesa; tem um terreno em Alvaiazere com uma casa a cair; o sítio é bonito, há vestígios romanos perto e podia construir-se ali um edifício com 4 ou 5 apartamentos e uma piscina e alugar-se a alemães e escandinavos.
B é contabilista e não consegue arranjar trabalho depois do estágio que fez num gabinete de preenchimento de IRS e IRC; o pai é mestre de obras mas não precisa de contabilista porque constrói os prédios sem passar faturas e não tem ficha nas finanças.
C fala inglês fluentemente, domina a Internet e não consegue arranjar outro emprego que não seja temporariamente e sem recibos, numa firma de limpezas.
A, B e C vivem no país do sol e da crise e encontraram a solução.
O pai de B construirá o edifício turístico no terreno de A, B controlará as contas e os empréstimos, e C explorará o empreendimento, angariando os clientes estrangeiros pela Internet.
D não tem nada que ver com esta história, mas casou com B.
Devido a um pequeno problema burocrático que não conseguiram ultrapassar, relacionado com a titularidade do terreno, A, B e C desistiram do projeto.
A, B e C continuam assim a viver no país do sol e da crise, tal como D.
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sábado, 27 de agosto de 2011
Microensaio de teoria económica
É intrigante como as pessoas altamente qualificadas nos lugares decisórios da política e da economia, apesar das suas altas qualidades, não conseguiram evitar a situação de crise que se vive.
Podemos interrogar-nos quão pior seria se essas pessoas não fossem tão qualificadas.
Mas a verdade é que também se pode pôr a hipótese dos seus conhecimentos serem limitados em várias áreas de tal modo que o desconhecimento de princípios ou leis fundamentais vai condicionar os resultados das suas ações.
Por exemplo, um dos principais argumentos da teoria económica neo-liberal (os neo-liberais não gostam nada que lhes chamem neo-liberais, mas se associarmos a designação liberal a Adam Smith, que condicionava o interesse egoísta ao interesse coletivo, vemos que a teoria atual, que privilegia apenas o interesse egoísta, deverá levar mesmo o prefixo neo) é o de que as variáveis económicas são em tal número e as relações entre elas são tão complexas, que é impossível controlá-las ou orientá-las (a elas e ao mercado) num sentido que se pense ser útil à comunidade.
A conclusão é, então, expressa pela fórmula “deixar funcionar o mercado”.
Isto é erigido de uma forma religiosa e fundamentalista em dogma indiscutível, demitindo-se estes economistas da tarefa de transformar o que for possivel.
Como exemplos, temos:
- a resposta de Greenspan às sugestões de regulação do mercado financeiro quando da aproximação da crise de Setembro de 2008: “Não podemos intervir, porque isso seria regular o mercado e não devemos regular o mercado” (fonte: Inside Job).
Só o fundamentalismo poderá justificar que pessoas inteligentes digam uma redundância e uma petição de principio destas (o fundamentalismo funcionará assim como uma indulgência que justifica a generosidade do sistema financeiro para com o seu servidor na reserva federal norte-americana)
- a justificação de Ângela Merkel contra as eurobonds: “Não devemos emitir eurobonds porque não é solução”).
- a decisão do atual primeiro ministro português de cortar na despesa pública interrompendo obras em curso, decisão essa anunciada ainda como candidato, sem ter conhecimento das contas de cada obra e dos prejuízos da sua interrupção, insistindo continuamente na mesma petição de principio, de que as obras “serão reavaliadas” (costuma-se parodiar esta atitude dizendo: “faça-me aí um relatório e uma reavaliação para provar aquilo que eu quero”)
A teoria económica não neo-liberal tem o cuidado de esclarecer que o mercado não funciona convenientemente, obrigando a mexer na linha divisória da área privada e da área pública, sempre que:
- há escassez (por exemplo, de fontes de energia primária ou de bens essenciais)
- há assimetria de informação (por exemplo, ligações preferenciais de um concorrente à aquisição de um banco relativamente a outros concorrentes)
- há externalidades que afetam a coletividade (por exemplo, a emissão de gases com efeito de estufa)
A estes três argumentos, são os economistas neo-liberais surdos e insensíveis aos sacrifícios que as suas politicas possam causar aos seres humanos.
Por exemplo, as medidas ditas de racionalização que impõem, conduzem ao aumento do desemprego e ao insucesso escolar, contrariando assim frontalmente a declaração universal dos direitos humanos.
Mas voltando ao conjunto numeroso de variáveis económicas de elevada complexidade no seu inter-relacionamento, há uma analogia interessante com a física.
Perante sistemas físicos de complexidade semelhante, os físicos e os engenheiros adotam técnicas de resolução de problemas como a decomposição em estados simples, fixando um conjunto de variáveis e simulando a variação das outras, ou o recurso a métodos probabilísticos, estatísticos e co-relacionais.
A hipótese justificativa para o comportamento dos economistas que ignoram estas técnicas é a de que elas são posteriores a Adam Smith, pelo que terão parado no tempo.
No tempo de Adam Smith não se construíam arranha-ceus porque não se dispunha da tecnologia de materiais resistentes. Na verdade, é impossível reproduzir com rigor absoluto o comportamento de todas as variáveis aerodinâmicas sobre um arranha-ceus e de todas as variáveis da resistência dos seus materiais. E contudo, como dizia Galileu em frente de outros fundamentalistas, os arranha-ceus constroem-se, compensando a lei da gravidade e as leis aerodinâmicas dos efeitos dos ventos sobre os obstáculos.
É uma pena estarmos dependentes de economistas tão altamente qualificados na sua teoria económica, mas tão temerosos nas politicas do emprego e do aproveitamento do material humano.
![]() |
| Trichet e Bernanke na reunião de Jackson Hole (que sitio para fazer uma reunião destas!) |
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Os suicidios não contam
Este assunto incomoda as pessoas.
Compreendo a simpática porta voz da REFER.
Os suicidios não contam porque não são uma avaria do material, não são um acidente, não são uma falha de exploração (embora este tema valha a pena ser discutido).
Acresce que a publicitação do suicidio tem um efeito de contágio e imitação.
Por isso não se contam os suicidios.
Luis XVI escreveu no seu diário, ao fim do dia 14 de julho, tomada da Bastilha: "Não se passou nada".
Já nesse tempo havia confusão entre o que é essencial e o que é acessório.
Um filme japonês dos anos 60 conta a história de um mosteiro de monges guerreiros que obrigou um jovem candidato a fazer hara-kiri com uma espada de bambu; o avô do jovem, sozinho, atacou o mosteiro e vingou o neto com a morte de vários guerreiros; porém, o chefe do mosteiro escreveu no diário: "Hoje não aconteceu nada".
A REFER fez o mesmo. No dia 25 de Agosto de 2011 não aconteceu nada na estação de Santa Iria da Azoia, para alem de uma interrupção da circulação de comboios.
Embora um pai se tivesse suicidado, com um filho de 6 anos ao colo.
Tentemos utilizar a lógica.
Temos um negócio, acontece algo (nunca deve negar-se uma coisa que aconteceu) que interrompeu o negócio.
O dono do negócio tem o direito de pedir uma indemnização à causa da interrupção.
Não me refiro ao suicidio.
Refiro-me à causa do suicidio.
Uma empresa de transportes transporta pessoas.
A própria empresa ou o estado tem a obrigação de fornecer as infra-estruturas para a exploração do transporte das pessoas (segundo a teoria, as infra-estruturas pesadas de construção civil são obrigação da comunidade organizada, isto é, o Estado; as infra-estruturas do tipo equipamento ou material circulante são da competencia da empresa).
Mas a quem compete o fornecimento dos passageiros em condições de serem transportados?
Pode perguntar-se, porque para transportar mercadorias, o cliente tem de as entregar em condições de serem transportadas; por exemplo, alfaces, não podem ser entregues cozidas pelo calor.
Condição para transportar passageiros é que estejam em condições físicas asseguradas por um serviço público de saúde, que se tenham desenvolvido emocionalmente, psicologicamente e educacionalmente de forma a estarem integrados na vida social, sem práticas de vandalismo e roubo.
Parece que brinco?
Não brinco, e esta é uma das principais razões da baixa produtividade do trabalho em Portugal.
Os passageiros cansam-se no percurso casa-escola-emprego porque têm de levar as crianças à escola e já se levantam cansados, porque trabalham em condições precárias aqui e ali longe de casa e porque se privilegiou o transporte por automóvel em vias rápidas.
As empresas têm de gastar verbas avultadas em circuitos de video-vigilancia porque o sistema escolar não consegue suprir a incapacidade financeira e educacional dos pais dos alunos que derivam assim para o insucesso escolar e a marginalidade.
As empresas têm de pagar serviços de segurança privados ou da policia para defender os seus passageiros de assaltantes, quando essa responsabilidade compete ao ministério da administração interna.
As empresas têm de lidar com uma taxa de suicidios cujo crescimento a situação económica e as politicas liberais estimulam, como mostram as estatísticas do aumento das depressões em Portugal.
As empresas têm então o direito de exigir uma compensação indemnizatória à comunidade organizada, já que ela quis organizar-se assim.
Os custos do vandalismo, dos roubos e dos suicídios deveriam ser imputados ao Estado e não
às empresas.
Isto é, estes custos são dívida pública e não dívida da empresa pública, o que é uma pena por sobrecarregar a pobre dívida pública, mas terá a vantagem de atenuar o argumento de que as empresas públicas, por terem dívidas elevadas, deveriam ser privatizadas (sem a dívida, claro, que as empresas interessadas não são instituições de beneficencia).
E se o vandalismo e o roubo são consequencia do desemprego e do insucesso escolar, então poderiamos perguntar se os teóricos do nosso tempo, quando conseguem cortar nos quadros de pessoal, pensam no que vão fazer as pessoas que vão para o desemprego.
Ou se pensam na correlação desemprego-criminalidade e nos custos que o aumento da criminalidade induzem nas empresas públicas de transporte.
É que qualquer estudo de viabilidade, por exemplo, de um corte de pessoal, deverá contabilizar os benefícios indiretos mas também os prejuizos indiretos.
Nos primeiros tempos do metropolitano de Lisboa, no principio dos anos 60, o chefe de estação em Sete Rios conseguiu evitar o suicidio de uma senhora, mas ralhou com ela dizendo-lhe para se ir suicidar longe. No dia seguinte a senhora atirou-se da ponte sobre o Tejo e o nosso colega chefe andou uns dias largos afetado pelo caso.
Por mim, interessei-me pela problemática e recolhi alguma informação junto dos nossos colegas de metros estrangeiros.
Assim, por exemplo, no metro de New York chega a haver um suicidio por dia; em Paris um por mês, ou por semana, já não me recordo. Em Lisboa tivemos um periodo de dois meses com vários casos.
Sugeri uma proposta a apresentar à UITP especificando portas deslizantes de cais em todas as estações de metro a construir ou a remodelar. Em Paris não se colocava o problema, devido ao programa de automatização das linhas, que impõe as referidas portas deslizantes, mas não consegui convencer os colegas das outras redes que não tinham os programas de automatização.
É tudo uma questão de critérios.
Compreendo, num contexto financeiro agora agravado, que se silenciem os suicidios e se classifique qualquer queda à linha como suicidio (na verdade, pode ser excesso de passageiros no cais por insuficiencia de oferta de transporte).
Mas as decisões, as ações ou as omissões justificam-se com cálculos.
E isso exige contar os suicidios, para se contabilizarem os benefícios (não é dificil usar as mesmas tabelas das companhias de seguros para contabilizar a perda de uma vida) e os prejuízos do investimento de fechar os cais com as portas deslizantes (a alternativa seria as empresas de transporte patrocinarem campanhas publicitárias de prevenção de suicidios).
Pelo menos nas estações novas ou remodeladas.
Por isso discordo da simpática porta-voz da REFER, por mais isolado que possa estar nesta minha opinião.
Compreendo a simpática porta voz da REFER.
Os suicidios não contam porque não são uma avaria do material, não são um acidente, não são uma falha de exploração (embora este tema valha a pena ser discutido).
Acresce que a publicitação do suicidio tem um efeito de contágio e imitação.
Por isso não se contam os suicidios.
Luis XVI escreveu no seu diário, ao fim do dia 14 de julho, tomada da Bastilha: "Não se passou nada".
Já nesse tempo havia confusão entre o que é essencial e o que é acessório.
Um filme japonês dos anos 60 conta a história de um mosteiro de monges guerreiros que obrigou um jovem candidato a fazer hara-kiri com uma espada de bambu; o avô do jovem, sozinho, atacou o mosteiro e vingou o neto com a morte de vários guerreiros; porém, o chefe do mosteiro escreveu no diário: "Hoje não aconteceu nada".
A REFER fez o mesmo. No dia 25 de Agosto de 2011 não aconteceu nada na estação de Santa Iria da Azoia, para alem de uma interrupção da circulação de comboios.
Embora um pai se tivesse suicidado, com um filho de 6 anos ao colo.
Tentemos utilizar a lógica.
Temos um negócio, acontece algo (nunca deve negar-se uma coisa que aconteceu) que interrompeu o negócio.
O dono do negócio tem o direito de pedir uma indemnização à causa da interrupção.
Não me refiro ao suicidio.
Refiro-me à causa do suicidio.
Uma empresa de transportes transporta pessoas.
A própria empresa ou o estado tem a obrigação de fornecer as infra-estruturas para a exploração do transporte das pessoas (segundo a teoria, as infra-estruturas pesadas de construção civil são obrigação da comunidade organizada, isto é, o Estado; as infra-estruturas do tipo equipamento ou material circulante são da competencia da empresa).
Mas a quem compete o fornecimento dos passageiros em condições de serem transportados?
Pode perguntar-se, porque para transportar mercadorias, o cliente tem de as entregar em condições de serem transportadas; por exemplo, alfaces, não podem ser entregues cozidas pelo calor.
Condição para transportar passageiros é que estejam em condições físicas asseguradas por um serviço público de saúde, que se tenham desenvolvido emocionalmente, psicologicamente e educacionalmente de forma a estarem integrados na vida social, sem práticas de vandalismo e roubo.
Parece que brinco?
Não brinco, e esta é uma das principais razões da baixa produtividade do trabalho em Portugal.
Os passageiros cansam-se no percurso casa-escola-emprego porque têm de levar as crianças à escola e já se levantam cansados, porque trabalham em condições precárias aqui e ali longe de casa e porque se privilegiou o transporte por automóvel em vias rápidas.
As empresas têm de gastar verbas avultadas em circuitos de video-vigilancia porque o sistema escolar não consegue suprir a incapacidade financeira e educacional dos pais dos alunos que derivam assim para o insucesso escolar e a marginalidade.
As empresas têm de pagar serviços de segurança privados ou da policia para defender os seus passageiros de assaltantes, quando essa responsabilidade compete ao ministério da administração interna.
As empresas têm de lidar com uma taxa de suicidios cujo crescimento a situação económica e as politicas liberais estimulam, como mostram as estatísticas do aumento das depressões em Portugal.
As empresas têm então o direito de exigir uma compensação indemnizatória à comunidade organizada, já que ela quis organizar-se assim.
Os custos do vandalismo, dos roubos e dos suicídios deveriam ser imputados ao Estado e não
às empresas.
Isto é, estes custos são dívida pública e não dívida da empresa pública, o que é uma pena por sobrecarregar a pobre dívida pública, mas terá a vantagem de atenuar o argumento de que as empresas públicas, por terem dívidas elevadas, deveriam ser privatizadas (sem a dívida, claro, que as empresas interessadas não são instituições de beneficencia).
E se o vandalismo e o roubo são consequencia do desemprego e do insucesso escolar, então poderiamos perguntar se os teóricos do nosso tempo, quando conseguem cortar nos quadros de pessoal, pensam no que vão fazer as pessoas que vão para o desemprego.
Ou se pensam na correlação desemprego-criminalidade e nos custos que o aumento da criminalidade induzem nas empresas públicas de transporte.
É que qualquer estudo de viabilidade, por exemplo, de um corte de pessoal, deverá contabilizar os benefícios indiretos mas também os prejuizos indiretos.
Nos primeiros tempos do metropolitano de Lisboa, no principio dos anos 60, o chefe de estação em Sete Rios conseguiu evitar o suicidio de uma senhora, mas ralhou com ela dizendo-lhe para se ir suicidar longe. No dia seguinte a senhora atirou-se da ponte sobre o Tejo e o nosso colega chefe andou uns dias largos afetado pelo caso.
Por mim, interessei-me pela problemática e recolhi alguma informação junto dos nossos colegas de metros estrangeiros.
Assim, por exemplo, no metro de New York chega a haver um suicidio por dia; em Paris um por mês, ou por semana, já não me recordo. Em Lisboa tivemos um periodo de dois meses com vários casos.
Sugeri uma proposta a apresentar à UITP especificando portas deslizantes de cais em todas as estações de metro a construir ou a remodelar. Em Paris não se colocava o problema, devido ao programa de automatização das linhas, que impõe as referidas portas deslizantes, mas não consegui convencer os colegas das outras redes que não tinham os programas de automatização.
É tudo uma questão de critérios.
Compreendo, num contexto financeiro agora agravado, que se silenciem os suicidios e se classifique qualquer queda à linha como suicidio (na verdade, pode ser excesso de passageiros no cais por insuficiencia de oferta de transporte).
Mas as decisões, as ações ou as omissões justificam-se com cálculos.
E isso exige contar os suicidios, para se contabilizarem os benefícios (não é dificil usar as mesmas tabelas das companhias de seguros para contabilizar a perda de uma vida) e os prejuízos do investimento de fechar os cais com as portas deslizantes (a alternativa seria as empresas de transporte patrocinarem campanhas publicitárias de prevenção de suicidios).
Pelo menos nas estações novas ou remodeladas.
Por isso discordo da simpática porta-voz da REFER, por mais isolado que possa estar nesta minha opinião.
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portas de cais,
suicidios em redes de transporte
sexta-feira, 26 de agosto de 2011
Taxez-nous - II
Antecedentes:
http://fcsseratostenes.blogspot.com/2011/08/taxez-nous.html
Deliciosa a discussão sobre o imposto sobre os ricos.
Ver como o senhor presidente da República vem, cuidadoso, sugerir que seja só sobre os rendimentos do IRS.
Vem o senhor doutor Medina Carreira e diz que isso, "é uma estupidez" (se é verdade o que o DN diz).
E, na verdade, se a taxa extraordinária incidir sobre o IRS, o rendimento do capital fica de fora .
Então Medina Carreira explicou (até porque teve experiencia em grupo de trabalho anterior) que se for obrigatório o depósito dos títulos em entidades bancárias, o imposto (pode ser imposto normal) será cobrado às entidades bancárias e não aos titulares.
Este blogue aplaude e acrescenta que parece justo estender o conceito a qualquer depósito em dinheiro ou em espécie, ações, dividendos, etc.
Claro que tinha de acabar o sigilo bancário, o que seria uma machadada na desfocagem da linha divisória entre a legalidade e a ilegalidade (i.é, focaria a linha).
Vêm depois os senhores comentadores esclarecidos da televisão explicar que tudo isso são tiros nos pés, porque o capital assim foge (será verdade a notícia do DN, que nos primeiros 6 meses de 2011, portanto antes de se falar nos impostos sobre os ricos, sairam do país 1.600 milhões de euros em depósitos?).
E também que, assim, as oportunidades de criação de emprego diminuem, e o dinheiro debaixo do colchão aumenta.
Se estivessemos em Castela dir-se-ia, pues que se vayan.
Mas cuidado que nos outros países tambem se está combatendo a fuga aos impostos (nuns mais do que noutros, como se vê pelo caso da Holanda, e mesmo assim, o tratamento amigo é só para estrangeiros, não para holandeses).
Vale que nem todos os senhores grandes empresários vêm com a desculpa tonta de que são simples assalariados.
Só prova que são inteligentes, e que não podem matar a galinha dos ovos de ouro que são os fatores de produção.
Se o capital sair do país (estarão esquecidos que no ultimo trimestre de 1973 houve uma fuga maciça de capitais de Portugal para o estrangeiro?) ficaremos mais pobres, mas isso será relativamente à situação antes da crise.
Agora, já estamos pobres e deveriamos adaptar tudo a essa condição (importar menos e substituir importações, como vem nos livros, embora o governo prefira cortar a direito), caçar como o gato, já que nos levaram o cão.
Aliás, quando Portugal aderiu ao euro, a diferença de salários para a mesma profissão entre Portugal e Espanha era de 1 para 3. Estava bem de se ver que essa diferença não poderia deixar de se refletir em qualquer sítio.
É uma pena se ficarmos sem tão preclaros empreendedores, mas nas empresas há sempre gente que é capaz de puxar por elas.
Ah, é verdade, os iates de luxo vão passar a ser registados nas Baleares? Então a Policia Maritima não pode pedir a carta de marinheiro ao proprietário e conferir a residencia? É que se pode taxar a permanencia para alem de 6 meses de um veiculo registado no estrangeiro... Tem é de se pedir à Policia Maritima para tratar do assunto.
E no meio disto tudo, destaque para a análise (a mim pareceu-me marxista) do senhor presidente do BIC, que, depois de receber modestamente os parabens pela compra (?) do BPN, redirecionando-os para os seus acionistas (o clã angolano), explicou que em época de crise, os fortes reagem utilizando a sua força para sobreviverem, enquanto os pobres, embora em maior número mas mais fracos, se tramam; e acrescentou que era da natureza humana.
Enfim, maravilhas da atualidade.
Fascinante, como diria mister Spock da nave Enterprise.
http://fcsseratostenes.blogspot.com/2011/08/taxez-nous.html
Deliciosa a discussão sobre o imposto sobre os ricos.
Ver como o senhor presidente da República vem, cuidadoso, sugerir que seja só sobre os rendimentos do IRS.
Vem o senhor doutor Medina Carreira e diz que isso, "é uma estupidez" (se é verdade o que o DN diz).
E, na verdade, se a taxa extraordinária incidir sobre o IRS, o rendimento do capital fica de fora .
Então Medina Carreira explicou (até porque teve experiencia em grupo de trabalho anterior) que se for obrigatório o depósito dos títulos em entidades bancárias, o imposto (pode ser imposto normal) será cobrado às entidades bancárias e não aos titulares.
Este blogue aplaude e acrescenta que parece justo estender o conceito a qualquer depósito em dinheiro ou em espécie, ações, dividendos, etc.
Claro que tinha de acabar o sigilo bancário, o que seria uma machadada na desfocagem da linha divisória entre a legalidade e a ilegalidade (i.é, focaria a linha).
Vêm depois os senhores comentadores esclarecidos da televisão explicar que tudo isso são tiros nos pés, porque o capital assim foge (será verdade a notícia do DN, que nos primeiros 6 meses de 2011, portanto antes de se falar nos impostos sobre os ricos, sairam do país 1.600 milhões de euros em depósitos?).
E também que, assim, as oportunidades de criação de emprego diminuem, e o dinheiro debaixo do colchão aumenta.
Se estivessemos em Castela dir-se-ia, pues que se vayan.
Mas cuidado que nos outros países tambem se está combatendo a fuga aos impostos (nuns mais do que noutros, como se vê pelo caso da Holanda, e mesmo assim, o tratamento amigo é só para estrangeiros, não para holandeses).
Vale que nem todos os senhores grandes empresários vêm com a desculpa tonta de que são simples assalariados.
Só prova que são inteligentes, e que não podem matar a galinha dos ovos de ouro que são os fatores de produção.
Se o capital sair do país (estarão esquecidos que no ultimo trimestre de 1973 houve uma fuga maciça de capitais de Portugal para o estrangeiro?) ficaremos mais pobres, mas isso será relativamente à situação antes da crise.
Agora, já estamos pobres e deveriamos adaptar tudo a essa condição (importar menos e substituir importações, como vem nos livros, embora o governo prefira cortar a direito), caçar como o gato, já que nos levaram o cão.
Aliás, quando Portugal aderiu ao euro, a diferença de salários para a mesma profissão entre Portugal e Espanha era de 1 para 3. Estava bem de se ver que essa diferença não poderia deixar de se refletir em qualquer sítio.
É uma pena se ficarmos sem tão preclaros empreendedores, mas nas empresas há sempre gente que é capaz de puxar por elas.
Ah, é verdade, os iates de luxo vão passar a ser registados nas Baleares? Então a Policia Maritima não pode pedir a carta de marinheiro ao proprietário e conferir a residencia? É que se pode taxar a permanencia para alem de 6 meses de um veiculo registado no estrangeiro... Tem é de se pedir à Policia Maritima para tratar do assunto.
E no meio disto tudo, destaque para a análise (a mim pareceu-me marxista) do senhor presidente do BIC, que, depois de receber modestamente os parabens pela compra (?) do BPN, redirecionando-os para os seus acionistas (o clã angolano), explicou que em época de crise, os fortes reagem utilizando a sua força para sobreviverem, enquanto os pobres, embora em maior número mas mais fracos, se tramam; e acrescentou que era da natureza humana.
Enfim, maravilhas da atualidade.
Fascinante, como diria mister Spock da nave Enterprise.
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imposto extraordinário
O PIB-II : a natureza do crescimento económico
Explicam-nos os nossos dedicados amigos economistas que o crescimento económico se traduz pelo aumento do PIB.
Espero que me desmintam, porque se é assim, consideremos os seguintes casos:
1 - o cidadão é assaltado e fica sem a carteira e sem os documentos; dirige-se à loja do cidadão (caso as medidas economizadoras do governo ainda não a tenham fechado para poupar nas rendas) e ao balcão da carteira perdida, e consegue, a troco de cerca de 50 euros, a renovação de todos os documentos; o balcão da carteira perdida cumpre rigorosamente a legislação sobre o IVA e temos assim que as faturas respetivas foram engrossar o PIB; conclusão: assaltar cidadãos roubando-lhes a carteira com documentos aumenta o PIB e estimula assim o crescimento económico; os cidadãos marginais que sustentam as suas famílias cm este modo de vida no metropolitano e na Carris, vulgo carteiristas, são assim agentes económicos úteis para o país;
2 - o cidadão vai a atravessar uma passadeira para peões, quando um automóvel bate na traseira do que estava parado para dar passagem ao cidadão peão; com o impacto, o carro estacionado é projetado sobre o cidadão que fica com uma perna partida; é acionado o 112, e o combustível gasto, os custos de tratamento, da fisioterapia, do transporte para as consultas posteriores, e de todos os adicionais de que o cidadão não estava à espera, vão também engrossar o PIB; conclusão: os condutores distraidos que atropelam peões nas passadeiras estão a contribuir para o crescimento económico do país.
Sinceramente, antes que se declare o surrealismo absoluto da teoria económica que nos governa, espero que me desmintam.
Ou que simplesmente definam as atividades que devem ser estimuladas para contribuir para o PIB.
Espero que me desmintam, porque se é assim, consideremos os seguintes casos:
1 - o cidadão é assaltado e fica sem a carteira e sem os documentos; dirige-se à loja do cidadão (caso as medidas economizadoras do governo ainda não a tenham fechado para poupar nas rendas) e ao balcão da carteira perdida, e consegue, a troco de cerca de 50 euros, a renovação de todos os documentos; o balcão da carteira perdida cumpre rigorosamente a legislação sobre o IVA e temos assim que as faturas respetivas foram engrossar o PIB; conclusão: assaltar cidadãos roubando-lhes a carteira com documentos aumenta o PIB e estimula assim o crescimento económico; os cidadãos marginais que sustentam as suas famílias cm este modo de vida no metropolitano e na Carris, vulgo carteiristas, são assim agentes económicos úteis para o país;
2 - o cidadão vai a atravessar uma passadeira para peões, quando um automóvel bate na traseira do que estava parado para dar passagem ao cidadão peão; com o impacto, o carro estacionado é projetado sobre o cidadão que fica com uma perna partida; é acionado o 112, e o combustível gasto, os custos de tratamento, da fisioterapia, do transporte para as consultas posteriores, e de todos os adicionais de que o cidadão não estava à espera, vão também engrossar o PIB; conclusão: os condutores distraidos que atropelam peões nas passadeiras estão a contribuir para o crescimento económico do país.
Sinceramente, antes que se declare o surrealismo absoluto da teoria económica que nos governa, espero que me desmintam.
Ou que simplesmente definam as atividades que devem ser estimuladas para contribuir para o PIB.
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contribuição para o PIB
quinta-feira, 25 de agosto de 2011
O TGV no DN de 24 de Agosto de 2011
Um leitor do DN apoia a construção do TGV.
Uma leitora é contra.
Relativamente aos argumentos desta leitora e em sua intenção, julgo que:
1- não foi ainda provado com cálculos que o projeto é lesivo do interesse nacional; os cálculos de viabilidade de um empreendimento devem contabilizar os benefícios e o principal é a poupança energética e a redução das emissões de CO2 relativamente ao avião e ao automóvel;
2 - a defesa do TGV não é só verborreia socrática; assenta em cálculos de especialistas de transportes;
3 - por razões de manutenção, não devem as vias de TGV servir de transporte de mercadorias (mais peso por eixo); por isso foram, e bem, previstas vias para mercadorias mesmo ao lado;
4 - a ligação alem Pirineus é da responsabilidade espanhola e francesa e está em construção para a ligação Barcelona-Perpignan;
5 - como não dá trabalho qualificado? sabe as componentes de software num sistema TGV desde o controle do movimento ao controle da manutenção? tudo isso requer técnicos portugueses qualificados
6 - importações maciças de equipamento, só se continuar a desindustrialização em Portugal e os cortes nos investimentos produtivos...
7 - tambem é do interesse de Lisboa não perder os fundos europeus e não pagar indemnizações aos empreiteiros e aos espanhois por quebra de compromissos anteriormente assumidos
Uma leitora é contra.
Relativamente aos argumentos desta leitora e em sua intenção, julgo que:
1- não foi ainda provado com cálculos que o projeto é lesivo do interesse nacional; os cálculos de viabilidade de um empreendimento devem contabilizar os benefícios e o principal é a poupança energética e a redução das emissões de CO2 relativamente ao avião e ao automóvel;
2 - a defesa do TGV não é só verborreia socrática; assenta em cálculos de especialistas de transportes;
3 - por razões de manutenção, não devem as vias de TGV servir de transporte de mercadorias (mais peso por eixo); por isso foram, e bem, previstas vias para mercadorias mesmo ao lado;
4 - a ligação alem Pirineus é da responsabilidade espanhola e francesa e está em construção para a ligação Barcelona-Perpignan;
5 - como não dá trabalho qualificado? sabe as componentes de software num sistema TGV desde o controle do movimento ao controle da manutenção? tudo isso requer técnicos portugueses qualificados
6 - importações maciças de equipamento, só se continuar a desindustrialização em Portugal e os cortes nos investimentos produtivos...
7 - tambem é do interesse de Lisboa não perder os fundos europeus e não pagar indemnizações aos empreiteiros e aos espanhois por quebra de compromissos anteriormente assumidos
quarta-feira, 24 de agosto de 2011
Taxez-nous - I
Agora são os milionários franceses que vêm propor uma taxa extraordinária para ajudar à recuperação (pelos vistos, o problema também se põe em França).
Será que o senhor ministro das Finanças vai ler a mensagem?
Ele, que cuidadosamente quis evitar melindrar os milionários portugueses do livro "Os donos de Portugal" para não afetar a atratividade dos depósitos?
Ou não vai mudar e vai continuar mais papista que o papa Warren Buffet e os papas franceses?
Quando se serve muito bem aos senhores, é a figura que se faz, mais papista que o papa.
Já dizia o almirante Rosa Coutinho, que é muito fácil no governo serem uns paus mandados do poder económico.
A propósito, embora não responsabilize o atual governo pelo facto, venho dar parte de mais um exemplo de disfunção da organização fiscal do nosso país (provavelmente consequencia da complexidade burocrática dos cálculos de taxação): este ano vou pagar menos de metade de IRS (parece que alguem reparou num erro sistemático cometido nos últimos anos no cálculo dos benefícios fiscais correspondentes à percentagem de invalidez de minha mulher) e, ao fim de 8 meses de reforma, o cálculo da pensão foi revisto ligeiramente para cima.
Não quero armar em Warren Buffet nem em milionário francês, mas que isto é disfuncional, é, e muito longe do carater universal e justo que o senhor ministro das Finanças acha que as suas medidas têm.
PS - Curiosa, a reação (até no sentido literal) de alguns dos senhores milionários portugueses. Uns garantem que são assalariados, possivelmente com receio de penhoras. Outros lamentam-se da baixa do valor das suas ações em bolsa (como se não aproveitassem para aumentar a sua participação acionista). Outros dizem que há outras prioridades, como receberem facilidades para criarem emprego. Outro diz que 10% dos seus 11.000 empregados são apoiados financeiramente pela própria empresa sem que lhes aumente o ordenado...antes a frontalidade de um deles, há uns meses, a propósito da fundação Bill Gates, quando disse que os empresários de sucesso não têm que ser solidários (será uma leitura apressada de Adam Smith pelo senhor empresário, mas é a expressão do poder do lobo da fábula de La Fontaine sem enganar ninguem).
Será que o senhor ministro das Finanças vai ler a mensagem?
Ele, que cuidadosamente quis evitar melindrar os milionários portugueses do livro "Os donos de Portugal" para não afetar a atratividade dos depósitos?
Ou não vai mudar e vai continuar mais papista que o papa Warren Buffet e os papas franceses?
Quando se serve muito bem aos senhores, é a figura que se faz, mais papista que o papa.
Já dizia o almirante Rosa Coutinho, que é muito fácil no governo serem uns paus mandados do poder económico.
A propósito, embora não responsabilize o atual governo pelo facto, venho dar parte de mais um exemplo de disfunção da organização fiscal do nosso país (provavelmente consequencia da complexidade burocrática dos cálculos de taxação): este ano vou pagar menos de metade de IRS (parece que alguem reparou num erro sistemático cometido nos últimos anos no cálculo dos benefícios fiscais correspondentes à percentagem de invalidez de minha mulher) e, ao fim de 8 meses de reforma, o cálculo da pensão foi revisto ligeiramente para cima.
Não quero armar em Warren Buffet nem em milionário francês, mas que isto é disfuncional, é, e muito longe do carater universal e justo que o senhor ministro das Finanças acha que as suas medidas têm.
PS - Curiosa, a reação (até no sentido literal) de alguns dos senhores milionários portugueses. Uns garantem que são assalariados, possivelmente com receio de penhoras. Outros lamentam-se da baixa do valor das suas ações em bolsa (como se não aproveitassem para aumentar a sua participação acionista). Outros dizem que há outras prioridades, como receberem facilidades para criarem emprego. Outro diz que 10% dos seus 11.000 empregados são apoiados financeiramente pela própria empresa sem que lhes aumente o ordenado...antes a frontalidade de um deles, há uns meses, a propósito da fundação Bill Gates, quando disse que os empresários de sucesso não têm que ser solidários (será uma leitura apressada de Adam Smith pelo senhor empresário, mas é a expressão do poder do lobo da fábula de La Fontaine sem enganar ninguem).
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taxa extraordinária
Somália, Somália
Cada um que pense o que quiser.
Ninguém é obrigado a acreditar no método científico, aquilo da experimentação testada por todos os lados confirmar as hipóteses.
A fome na Somália não é só por causa da seca e dos senhores da guerra. Toda a estrutura produtiva, principalmente agrícola e alimentar soçobrou nos ultimos anos com as teorias liberais da globalização e do livre funcionamento das importações.
Agora morre gente conforme previsto pela ONU e pela FAO.
Continua o mundo ocidental a discutir porque é a dívida dos USA e dos paises europeus tão elevada enquanto prossegue a especulação financeira dos off-shores e dos in-shores.
Na Somália fez-se mais uma demonstração do efeito das teorias económicas oficiais.
Mas não vale a pena discutir o que já está demonstrado.
Agora só vale a pena ajudar quem lá está a tentar alguma coisa.
E ajudar já nem sequer é dar a cana para pescar o peixe, é mesmo dar algum peixe.
Por isso proponho o envio de donativos para a Cruz Vermelha Portuguesa.
Através do site oficial
http://www.cruzvermelha.pt/donativos/donativo-pontual.html
ou para o
NIB 0010 0000 318454 70001 74
Deixemo-nos de discussões, por agora.
Ninguém é obrigado a acreditar no método científico, aquilo da experimentação testada por todos os lados confirmar as hipóteses.
A fome na Somália não é só por causa da seca e dos senhores da guerra. Toda a estrutura produtiva, principalmente agrícola e alimentar soçobrou nos ultimos anos com as teorias liberais da globalização e do livre funcionamento das importações.
Agora morre gente conforme previsto pela ONU e pela FAO.
Continua o mundo ocidental a discutir porque é a dívida dos USA e dos paises europeus tão elevada enquanto prossegue a especulação financeira dos off-shores e dos in-shores.
Na Somália fez-se mais uma demonstração do efeito das teorias económicas oficiais.
Mas não vale a pena discutir o que já está demonstrado.
Agora só vale a pena ajudar quem lá está a tentar alguma coisa.
E ajudar já nem sequer é dar a cana para pescar o peixe, é mesmo dar algum peixe.
Por isso proponho o envio de donativos para a Cruz Vermelha Portuguesa.
Através do site oficial
http://www.cruzvermelha.pt/donativos/donativo-pontual.html
ou para o
NIB 0010 0000 318454 70001 74
Deixemo-nos de discussões, por agora.
terça-feira, 23 de agosto de 2011
A FIAT
Amável comentador que não quis enviar o comentário mostrou-se admirado com a dureza da referncia à Holanda como "flibusteira" financeira por acolher as sedes de empresas internacionais com grandes vantagens fiscais.
Veja-se agora o caso da FIAT, toda orgulhosa da sua fusão com a Chrysler, que pensa instalar a sede da empresa unica na Holanda, para pagar menos impostos.
Mas mais interessante do que este esquema, é a história da engenharia da FIAT.
Durante a crise automóvel do fim do século XX, a FIAT teve de se aliar à GM, que fez os possiveis por se aproveitar dela em beneficio próprio.
Entretanto a FIAT desenvolveu a tecnologia "comon rail" para motores diesel. A GM não quis investir e a FIAT vendeu a patente à Bosch e outros fabricantes subsidiários.
A tecnologia "common rail" foi um exito na economia dos motores diesel, que ultrapassaram em rendimento os motores de gasolina.
Felizmente o casamento inconveniente com a GM chegou ao fim, ao mesmo tempo que a FIAT desenvolvia os motores de gasolina multi-air.
Desta vez não foi preciso vender a patente e o casamento FIAT-Chrysler vai de vento em popa.
Os motores multi-air têm as válvulas com tempo variável de abertura e com a extensão da abertura tambem variável. É então possivel nos baixos regimes deixar passar quantidades de conbustivel mais pequenas do que nos motores convencionais, e, nos regimes altos, controlar o tempo de abertura e a abertura das válvulas apenas o necessário.
Mais uma vez se prova que a engenharia evolui num sentido diferente da economia.
Na economia corta-se na despesa ou rouba-se o sucesso de uma marca (caso da BMW relativametne à ROVER).
Na engenharia investe-se, de preferencia onde se pode aumentar o rendimento, para beneficio dos utilizadores.
Veja-se agora o caso da FIAT, toda orgulhosa da sua fusão com a Chrysler, que pensa instalar a sede da empresa unica na Holanda, para pagar menos impostos.
Mas mais interessante do que este esquema, é a história da engenharia da FIAT.
Durante a crise automóvel do fim do século XX, a FIAT teve de se aliar à GM, que fez os possiveis por se aproveitar dela em beneficio próprio.
Entretanto a FIAT desenvolveu a tecnologia "comon rail" para motores diesel. A GM não quis investir e a FIAT vendeu a patente à Bosch e outros fabricantes subsidiários.
A tecnologia "common rail" foi um exito na economia dos motores diesel, que ultrapassaram em rendimento os motores de gasolina.
Felizmente o casamento inconveniente com a GM chegou ao fim, ao mesmo tempo que a FIAT desenvolvia os motores de gasolina multi-air.
Desta vez não foi preciso vender a patente e o casamento FIAT-Chrysler vai de vento em popa.
Os motores multi-air têm as válvulas com tempo variável de abertura e com a extensão da abertura tambem variável. É então possivel nos baixos regimes deixar passar quantidades de conbustivel mais pequenas do que nos motores convencionais, e, nos regimes altos, controlar o tempo de abertura e a abertura das válvulas apenas o necessário.
Mais uma vez se prova que a engenharia evolui num sentido diferente da economia.
Na economia corta-se na despesa ou rouba-se o sucesso de uma marca (caso da BMW relativametne à ROVER).
Na engenharia investe-se, de preferencia onde se pode aumentar o rendimento, para beneficio dos utilizadores.
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segunda-feira, 22 de agosto de 2011
Virginia, ópera de Mercadante
Saverio Mercadante, compositor napolitano do século XIX, precursor de Verdi,desgostoso com o fracasso da revolução de 1848, em Nápoles e com o regresso do rei Fernando II como monarca absoluto, sem constituição, compôs a ópera Virginia.
Interessante como a ópera pode ter uma função politica.
O que será natural porque a musica ilustra as emoções e o espirito das coisas e das intenções e a ação dramática, pelo seu convencionalismo, desenvolve a capacidade de abstração e de interpretação dos espetadores.
Com o tempo a ópera foi perdendo a popularidade (já são raras as apresentações no Coliseu), e nos tempos que correm já se escrevem poucas óperas.
Mas é justo destacar John Adams, contemporaneo, autor por exemplo, de A morte de Klinghofer (o assalto ao Achille Lauro),a tentar moderar a opinião publica norte-americana, pouco dada a apoiar a causa palestiniana, não obstante as resoluções da ONU.
Tambem não parece oportuno em Portugal estar a escrever óperas com intervenção politica.
Por exemplo, para tentar perceber como o poder politico neste momento continua a servir o poder económico (poupando nos impostos aos grandes grupos, por exemplo) e como, depois de omitir a responsabilidade da crise financeira internacional na má situação portuguesa, defende a mesma ideologia que conduziu à crise (melhor representada agora pelo "tea party").
No entanto, é justo destacar uma ópera portuguesa contemporanea, Banksters, de Nuno Corte Real, inspirada na peça Jacob e o Anjo de José Régio.
Banksters é a associação entre Bankers e Gangsters, o que diz quase tudo.
Honra a Vasco Graça Moura, responsável pelo libreto, e que assim viu o seu nome associado à desmitificação do poder financeiro que o seu partido politico tanto acarinha.
Mas voltando a Virginia, a história passa-se no século V antes de Cristo, na Roma antiga, quando estoira uma revolta dos plebeus, artífices e comerciantes, contra os patrícios, dedicados à guerra e à posse da terra. Estava ainda longe a revolta dos escravos de Spartacus. Em consequencia da revolta, foi permitido aos plebeus participar na vida politica e casar as suas filhas com patricios. Mas Virginia, filha de plebeu e amante de um patricio, já não beneficiou dessa lei.
É o processo histórico. Gerações e gerações que se sucedem sem beneficiar das leis da igualdade, da fraternidade, da liberdade.
Pena já não se fazerem óperas como antigamente, que temas não faltam.
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sexta-feira, 19 de agosto de 2011
A criminalidade em Portugal em Agosto de 2011
Com o tipo de assaltos deste ano, a hoteis e a turistas ingleses, vem o senhor presidente do OSCOT afirmar que "isto chegou a um ponto em que a investigação da secção de roubos da PJ devia passar para a Unidade nacional contra o terrorismo da PJ" e que é vital atacar as causas: "desemprego, falta de valores, etc." . Este etc. é interessantissimo, porque abrange, por exemplo, a incapacidade parental de educar e de financiar o desenvolvimento dos filhos; enquanto a sociedade não aceitar esta triste realidade , que biologicamente se exprime, por exemplo, pelo aborto, como rejeição de uma mãe relativamente a uma criança que não vai conseguir educar, a criminalidade e o vandalismo vão continuar a servir de contraponto à vida económica.
E reconhece o senhor presidente do OSCOT que o problema não está na falta de capacidade de resposta das policias.
É claramente um problema de falta de prevenção e de deteção precoce.
Isso nunca o anterior ministro da administração interna percebeu, e não se notam sinais positivos no atual, até porque o problema é para ser tratado de forma integrada porque só se pode garantir a segurança se se garantir a justiça, o que é dificil com este código penal, só se pode garantir a segurança sem insucesso escolar e com escolas de ensino especial, etc, etc,etc,
E reconhece o senhor presidente do OSCOT que o problema não está na falta de capacidade de resposta das policias.
É claramente um problema de falta de prevenção e de deteção precoce.
Isso nunca o anterior ministro da administração interna percebeu, e não se notam sinais positivos no atual, até porque o problema é para ser tratado de forma integrada porque só se pode garantir a segurança se se garantir a justiça, o que é dificil com este código penal, só se pode garantir a segurança sem insucesso escolar e com escolas de ensino especial, etc, etc,etc,
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OSCOT
Mensagem de Warren Buffet para Obama
Do DN de 18 de Agosto de 2011: Presidente Obama, pare de mimar os super-ricos. Eu paguei 17,4% de IRS e colaboradores meus com menores rendimentos pagaram ente 33 e 41%.
Trata-se de mensagem de Waren Buffet, multi-milionário.
Pode ser que Obama consiga vencer nas eleições o Tea Party.
Pode ser, não é certo. E se vencesse, o Tea Party português (coligação PSD-CDS) compreenderia a necessidade dos impostos sobre os maiores rendimentos?
Tambem seria bom simplificar as fórmulas de cálculo do IRS e do IRC .
Assunto a seguir, aguardando-se as próximas eleições dos USA.
Trata-se de mensagem de Waren Buffet, multi-milionário.
Pode ser que Obama consiga vencer nas eleições o Tea Party.
Pode ser, não é certo. E se vencesse, o Tea Party português (coligação PSD-CDS) compreenderia a necessidade dos impostos sobre os maiores rendimentos?
Tambem seria bom simplificar as fórmulas de cálculo do IRS e do IRC .
Assunto a seguir, aguardando-se as próximas eleições dos USA.
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O PIB-I : O PIB em 2011
Não têm significado especial as contas do quadro Excel em
https://skydrive.live.com/edit.aspx/PIB%20para%202011%20previs%C3%A3o%20em%2018AGO2011/o%20PIB%20em%2018AGO2011%20-%20Edit%C3%A1vel%20.xlsx?cid=95ca2795d8cd20fd&sc=documents
É apenas um exercício motivado pela obsessão dos cortes na despesa publica do atual governo, uma obsessão que foi essencial na campanha eleitoral, que leva o governo a fazer má figura com os nossos vizinhos cortando no TGV e sabe-se lá se no Alqueva, e que suscita estranheza quando vem agora dizer, em 18AGO2011, que só apresentará o plano dos cortes em Outubro de 2011.
Em economia, nomeadamente com os componentes do PIB, é impossivel mexer numa variável sem que as outras não dêem de si.
Mas cortar nas despesas publicas induzirá uma diminuição por redução do consumo publico.
Fizeram-se no referido quadro Excel uns cálculos para a hipótese de redução do PIB de 5 e de 10% (não esquecer que quer a contração da despesa publica, quer o aumento dos impostos estimula a economia subterranea que não conta para o PIB).
Se os cálculos estão corretos, para cortes da despesa superiores a cerca de 15% (o que será uma verdadeira barbaridade, incluindo redução de salários), não será necessário aumentar as receitas; mas abaixo desse valor, à medida que o PIB vai diminuindo, a receita necessária para atingir o objetivo do defice de 5,9% aumenta mais do que a despesa; isto é, os cortes vão induzir diminuição do PIB e necessidade de maiores aumentos de receitas (impostos e venda de aneis, isto é, privatizações); não admira que o governo , em 18AGO2011, esteja a adiar o anuncio dos cortes na despesa, para alem das irrelevantes economias no ar condicionado e nas luzes desligadas.
De acordo com a informação do INE, tomou-se o valor do PIB de 2010, da despesa publica e do defice (já incluindo as contribuições para o BPN, BPP, scuts e empresas publicas).
Considerou-se o objetivo da troica para o defice em 2011 de 5,9% do PIB e experimentaram-se diminuições de 5 e 10% para o PIB e de 20, 15, 10 e 5% para a despesa.
Depois calculou-se a variação da receita publica necessária para conseguir o defice de 5,9%, concluindo-se que a partir de cortes na despesa da ordem de 15% a receita necessária para atingir o objetivo cresce mais depressa do que a redução da despesa.
Dificil, o jogo de números.
Melhor seria compreender o valor das coisas e deixar o custo em segundo plano, o que parece ter sido o que o senhor ministro espanhol explicou ao senhor ministro português a propósito do TGV.
Assim como assim, não parece tão grave como isso a dificuldade em atingir o objetivo nem justificar-se o empolamento do trabalho necessário, nem estar a poupar com o TGV.
Dificil não é fazer um exercicio de contabilidade, cortando uma percentagem da despesa publica. O senhor ministro das finanças então, com aquele indicador e polegar apertados, não terá mesmo dificuldade nenhuma. Dificil é perceber como as cisas funcionam, o que pode ser cortado e o que não deve ser cortado, e o que deve ser investido.
Cortar uma percentagem na despesa não será mais, afinal, já que o senhor ministro gosta de literatura clássica, e Shakespeare vem a propósito, "Tanto barulho para nada".
Como eu dizia aos meus jovens colaboradores, não fica bem estar a empolar a importancia e a dificuldade do próprio trabalho, porque pode indiciar excesso de necessidade de valorização da auto-estima.
O trabalho dos outros tambem tem valor.
PS - Segundo noticia de 22 de Agosto de 2011, a receita publica cresceu 4,4% nos 7 primeiros meses de 2011 e a despesa publica diminuiu 4,8%.
De acordo com o quadro supra, para uma redução do PIB de 5% e da despesa de 5%, a receita deveria ter aumentado 19% para se atingir o objetivo do defice de 5,9%.
É possivel que a discrepancia se deva ao valor de 5% de quebra do PIB (o senhor governo prevê 2,3% de quebra em 2011; eu penso que está a ser otimista, ou então é a mentalidade daqueles meninos maus, que pisam o pé dos outros e acham que não interessa nada que lhes doa, que ninguem há-de reparar para os castigar, e que mesmo que reparassem não mereciam o castigo; com estas medidas de austeridade duvido que o PIB só contraia 2,3%, e contraindo mais, como reação em cadeia, haverá que aumentar a receita e os cortes da despesa para atingir os 5,9% do defice, castigando assim as vitimas e não os algozes, salvo melhor opinião), ou então, simplesmente, a discrepancia deve-se a erro dos meus cálculos.
https://skydrive.live.com/edit.aspx/PIB%20para%202011%20previs%C3%A3o%20em%2018AGO2011/o%20PIB%20em%2018AGO2011%20-%20Edit%C3%A1vel%20.xlsx?cid=95ca2795d8cd20fd&sc=documents
É apenas um exercício motivado pela obsessão dos cortes na despesa publica do atual governo, uma obsessão que foi essencial na campanha eleitoral, que leva o governo a fazer má figura com os nossos vizinhos cortando no TGV e sabe-se lá se no Alqueva, e que suscita estranheza quando vem agora dizer, em 18AGO2011, que só apresentará o plano dos cortes em Outubro de 2011.
Em economia, nomeadamente com os componentes do PIB, é impossivel mexer numa variável sem que as outras não dêem de si.
Mas cortar nas despesas publicas induzirá uma diminuição por redução do consumo publico.
Fizeram-se no referido quadro Excel uns cálculos para a hipótese de redução do PIB de 5 e de 10% (não esquecer que quer a contração da despesa publica, quer o aumento dos impostos estimula a economia subterranea que não conta para o PIB).
Se os cálculos estão corretos, para cortes da despesa superiores a cerca de 15% (o que será uma verdadeira barbaridade, incluindo redução de salários), não será necessário aumentar as receitas; mas abaixo desse valor, à medida que o PIB vai diminuindo, a receita necessária para atingir o objetivo do defice de 5,9% aumenta mais do que a despesa; isto é, os cortes vão induzir diminuição do PIB e necessidade de maiores aumentos de receitas (impostos e venda de aneis, isto é, privatizações); não admira que o governo , em 18AGO2011, esteja a adiar o anuncio dos cortes na despesa, para alem das irrelevantes economias no ar condicionado e nas luzes desligadas.
De acordo com a informação do INE, tomou-se o valor do PIB de 2010, da despesa publica e do defice (já incluindo as contribuições para o BPN, BPP, scuts e empresas publicas).
Considerou-se o objetivo da troica para o defice em 2011 de 5,9% do PIB e experimentaram-se diminuições de 5 e 10% para o PIB e de 20, 15, 10 e 5% para a despesa.
Depois calculou-se a variação da receita publica necessária para conseguir o defice de 5,9%, concluindo-se que a partir de cortes na despesa da ordem de 15% a receita necessária para atingir o objetivo cresce mais depressa do que a redução da despesa.
Dificil, o jogo de números.
Melhor seria compreender o valor das coisas e deixar o custo em segundo plano, o que parece ter sido o que o senhor ministro espanhol explicou ao senhor ministro português a propósito do TGV.
Assim como assim, não parece tão grave como isso a dificuldade em atingir o objetivo nem justificar-se o empolamento do trabalho necessário, nem estar a poupar com o TGV.
Dificil não é fazer um exercicio de contabilidade, cortando uma percentagem da despesa publica. O senhor ministro das finanças então, com aquele indicador e polegar apertados, não terá mesmo dificuldade nenhuma. Dificil é perceber como as cisas funcionam, o que pode ser cortado e o que não deve ser cortado, e o que deve ser investido.
Cortar uma percentagem na despesa não será mais, afinal, já que o senhor ministro gosta de literatura clássica, e Shakespeare vem a propósito, "Tanto barulho para nada".
Como eu dizia aos meus jovens colaboradores, não fica bem estar a empolar a importancia e a dificuldade do próprio trabalho, porque pode indiciar excesso de necessidade de valorização da auto-estima.
O trabalho dos outros tambem tem valor.
PS - Segundo noticia de 22 de Agosto de 2011, a receita publica cresceu 4,4% nos 7 primeiros meses de 2011 e a despesa publica diminuiu 4,8%.
De acordo com o quadro supra, para uma redução do PIB de 5% e da despesa de 5%, a receita deveria ter aumentado 19% para se atingir o objetivo do defice de 5,9%.
É possivel que a discrepancia se deva ao valor de 5% de quebra do PIB (o senhor governo prevê 2,3% de quebra em 2011; eu penso que está a ser otimista, ou então é a mentalidade daqueles meninos maus, que pisam o pé dos outros e acham que não interessa nada que lhes doa, que ninguem há-de reparar para os castigar, e que mesmo que reparassem não mereciam o castigo; com estas medidas de austeridade duvido que o PIB só contraia 2,3%, e contraindo mais, como reação em cadeia, haverá que aumentar a receita e os cortes da despesa para atingir os 5,9% do defice, castigando assim as vitimas e não os algozes, salvo melhor opinião), ou então, simplesmente, a discrepancia deve-se a erro dos meus cálculos.
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quinta-feira, 18 de agosto de 2011
A taxa de acesso rodoviário a Lisboa
Este blogue aplaude o projeto da câmara de Lisboa de taxar os acessos rodoviários a Lisboa.
Compreende-se o protesto dos moradores nos arredores que trabalham em Lisboa ou têm de a atravessar ou contornar para exercerem a sua profissão.
Não tiveram culpa de, ao longo de anos, os ignorantes que detinham o poder decisório terem montado um modelo disfuncional de urbanismo e transporte na área metropolitana de Lisboa baseado em combustível mais barato do que o diferencial das rendas entre Lisboa e os arredores.
Como consequencia, agravamento progressivo do consumos energético (porque o transporte rodoviário é menos eficiente do que o ferroviário) e de emissões de CO2, que neste momento é necessário reduzir por razões económicas.
Quanto ao argumento de que "só depois de transportes publicos eficientes" poderá aplicar-se a taxa, convirá reparar que neste momento os ditos transportes público têm capacidade desaproveitada.
Temos assim um duplo desperdicio: ocupação reduzida nos comboios e excesso de automóveis nas vias rápidas de acesso a Lisboa.
Deverá reabilitar-se a habitação em Lisboa e aplicar politicas de urbanismo que levem as pessoas a regressar à cidade desertificada.
Se os projetos forem bem feitos, podem beneficiar de fundos europeus através do QREN.
Este blogue repete o que já disse: deveria ser um objetivo estratégico transferir a curto prazo 10% das deslocações em automóvel privado para o modo ferroviário.
Ver:
http://fcsseratostenes.blogspot.com/2010/08/calculos-para-investimento-em-redes-de.html
A distribuição atual mostra uma distorção análoga às análises de um doente grave, pelo que exige intervenção.
Muita pena que o ministério da economia do atual governo, caso seja correta a noticia, tenha revelado ignorancia quando veio afirmar que não se pronunciava sobre assuntos de camaras municipais.
Transportes duma área metropolitana, até porque só se pode planear transportes juntamente com o planeamento do urbanismo e do ordenamento territorial, são assunto nacional, quanto mais não seja por causa do teorema de Fermat-Weber.
A fusão do metro, da Carris e da EMEL, para alem de estar inscrita nos anteriores PEC e no memorando da troica, é um assunto nacional e está diretamente relacionado com a taxa de acesso proposta.
É dificil ao ministério da economia aceitar isto, ou ainda não teve tempo para assimilar a gravidade da situação (que, efetivamente, não pode ser tratada sem investimentos)?
Compreende-se o protesto dos moradores nos arredores que trabalham em Lisboa ou têm de a atravessar ou contornar para exercerem a sua profissão.
Não tiveram culpa de, ao longo de anos, os ignorantes que detinham o poder decisório terem montado um modelo disfuncional de urbanismo e transporte na área metropolitana de Lisboa baseado em combustível mais barato do que o diferencial das rendas entre Lisboa e os arredores.
Como consequencia, agravamento progressivo do consumos energético (porque o transporte rodoviário é menos eficiente do que o ferroviário) e de emissões de CO2, que neste momento é necessário reduzir por razões económicas.
Quanto ao argumento de que "só depois de transportes publicos eficientes" poderá aplicar-se a taxa, convirá reparar que neste momento os ditos transportes público têm capacidade desaproveitada.
Temos assim um duplo desperdicio: ocupação reduzida nos comboios e excesso de automóveis nas vias rápidas de acesso a Lisboa.
Deverá reabilitar-se a habitação em Lisboa e aplicar politicas de urbanismo que levem as pessoas a regressar à cidade desertificada.
Se os projetos forem bem feitos, podem beneficiar de fundos europeus através do QREN.
Este blogue repete o que já disse: deveria ser um objetivo estratégico transferir a curto prazo 10% das deslocações em automóvel privado para o modo ferroviário.
Ver:
http://fcsseratostenes.blogspot.com/2010/08/calculos-para-investimento-em-redes-de.html
A distribuição atual mostra uma distorção análoga às análises de um doente grave, pelo que exige intervenção.
Muita pena que o ministério da economia do atual governo, caso seja correta a noticia, tenha revelado ignorancia quando veio afirmar que não se pronunciava sobre assuntos de camaras municipais.
Transportes duma área metropolitana, até porque só se pode planear transportes juntamente com o planeamento do urbanismo e do ordenamento territorial, são assunto nacional, quanto mais não seja por causa do teorema de Fermat-Weber.
A fusão do metro, da Carris e da EMEL, para alem de estar inscrita nos anteriores PEC e no memorando da troica, é um assunto nacional e está diretamente relacionado com a taxa de acesso proposta.
É dificil ao ministério da economia aceitar isto, ou ainda não teve tempo para assimilar a gravidade da situação (que, efetivamente, não pode ser tratada sem investimentos)?
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A taxa sobre as transações financeiras
Este blogue congratula-se com o projeto de instituição da taxa sobre as transações financeiras saída do encontro Sarkozy-Merkel de 16 de Agosto de 2011, embora pela antiguidade das primeiras propostas fosse de esperar que os preclaros economistas que nos constrangem já a tivessem implementado há muito.
Ver:
http://fcsseratostenes.blogspot.com/2010/04/economicomio-xlviii-taxa-ftt.html
Ver:
http://fcsseratostenes.blogspot.com/2010/04/economicomio-xlviii-taxa-ftt.html
Continua a lamentar-se a recusa dos eurobonds e, francamente, patrioteirismos à parte, nada a objetar a algumas formas de governo federal económico e fianceiro (desde que não orientado por religiões económicas fundamentalistas, claro, com aceitação da convivencia entre os setores publico e privado).
Ver:
http://fcsseratostenes.blogspot.com/2011/01/economicomio-lxvi-paul-krugman-e-os.html
PS - Rapidamente reagiu o senhor ministro das Finanças da Holanda contra a proposta da taxa sobre as transações financeiras. Não precisava de se denunciar tanto. É crescente o número de cidadãos e cidadãs europeus que já sabem que a Holanda foi um dos pioneiros dos paraísos fiscais, sendo ela própria um deles, atraindo para o seu território as sedes de empresas para fuga aos impostos. Táticas de flibusteirismo financeiro dignas do século XVIII, salvo melhor opinião claro.
Ver:
http://fcsseratostenes.blogspot.com/2011/01/economicomio-lxvi-paul-krugman-e-os.html
PS - Rapidamente reagiu o senhor ministro das Finanças da Holanda contra a proposta da taxa sobre as transações financeiras. Não precisava de se denunciar tanto. É crescente o número de cidadãos e cidadãs europeus que já sabem que a Holanda foi um dos pioneiros dos paraísos fiscais, sendo ela própria um deles, atraindo para o seu território as sedes de empresas para fuga aos impostos. Táticas de flibusteirismo financeiro dignas do século XVIII, salvo melhor opinião claro.
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terça-feira, 16 de agosto de 2011
Custava muito?
Custaria muito, dado que os ministérios de economia e finanças do atual governo estão cheios de técnicos competentissimos, fazer como o meu banco, que me manda uma informação com quanto dinheiro gastei em alimentação, em lazer, em contas da eletricidade, gás e telecomunicações e outros tipos de despesa?
Assim ficávamos a saber para onde vai o dinheiro que a troica nos deixa receber.
Custaria assim tanto?
Ou o direito à informação do art.48 da Constituição Portuguesa é para ser desrespeitado pelos governos?
Assim ficávamos a saber para onde vai o dinheiro que a troica nos deixa receber.
Custaria assim tanto?
Ou o direito à informação do art.48 da Constituição Portuguesa é para ser desrespeitado pelos governos?
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Alqueva, Alqueva
Bem me parecia que ainda haviam de embirrar com o Alqueva. A excelsa e jovem senhora ministra está muito preocupada com o defice de exploração da água do Alqueva e com o montante do investimento para concluir o plano de irrigação.
O contexto que se vive no atual governo de obsessão a todo o custo no corte das despesas cria assim expetativas negativas.
Os fundos europeus atingem quase 50% e correm deste modo o risco de se perderem.
Ao menos que se renegociasse o prazo de fornecimento dos fundos.
É possivel que os membros da troica achem muito bem que se poupe cortando no resto do plano de irrigação , mas os técnicos agrícolas de qualquer pais da Europa não vão concordar.
Em parte nenhuma deste mundo se pode esperar que um sistema de irrigação dê lucro, porque isso significaria que o encarecimento dos alimentos,que são pagos pelos cidadãos e cidadãs, seria igual ao lucro. O preço das laranjas produzidas por Israel cobre o investimento do sistema de irrigação?
Faz lembrar o preço dos transportes: o preço do título de transporte deve cobrir as despesas de exploração (deve, mas mesmo deve no sentido de obrigação, não de dívida), não necessariamente a amortização do investimento da infra-estrutura básica.
Mas vamos aguardar, que a senhora excelsa e jovem ministra ainda não decidiu (pobre senhora, especialista de direito de contratação, a braços com a questão da irrigação da terra alentejana).
Se o governo optar por borregar, não será em meu nome.
Será uma coisa parecida com a desistencia do TGV, um incumprimento de um plano internacional já acordado (podia sempre renegociar-se o prazo de execução, mas a obsessão ds cortes dificulta isso).
Numeros:
Faltam 700 milhões de euros para concluir o empreendimento de 2.500 milhões de euros. Estão irrigados 67.000 hectares; faltam 43.000 hectares.
A senhora ministra diz que precisa de 300 milhões de euros e não consegue obtê-los (que tal uma subscrição publica, como no tempo do ultimato?).
Fundos europeus já investidos: 765 milhões de euros; endividamento: 634 milhões de euros
Custo da barragem concluida em 2005 e da central hidro-elétrica: 1 milhão de euros (é o que se chama dinheiro bem empregue); albufeira cheia em 2010 (contrariando as cassandras ignorantes e os adeptos do imobilismo industrial).
capacidade da albufeira: 4.150 hm3
potencia da central 260 MW (suscetivel de ampliação)
52 estações de bombagem para rega, alimentando 64 açudes e 16 mini-hidricas e re-turbinagem
Sinceramente, como se diz em coloquial, que disparate não concluir isto e não ampliar a central; os benefícios disto são superiores ao custo económico da obra e equipamentos (estou mesmo a ver um dia destes propor-se a venda do lago aos chineses para instalarem "resorts" e tomarem conta da irrigação e da eletricidade, num negócio à moda do BIC-BPN; e pensar que o empreendimento foi planeado e programado em 1970).
O contexto que se vive no atual governo de obsessão a todo o custo no corte das despesas cria assim expetativas negativas.
Os fundos europeus atingem quase 50% e correm deste modo o risco de se perderem.
Ao menos que se renegociasse o prazo de fornecimento dos fundos.
É possivel que os membros da troica achem muito bem que se poupe cortando no resto do plano de irrigação , mas os técnicos agrícolas de qualquer pais da Europa não vão concordar.
Em parte nenhuma deste mundo se pode esperar que um sistema de irrigação dê lucro, porque isso significaria que o encarecimento dos alimentos,que são pagos pelos cidadãos e cidadãs, seria igual ao lucro. O preço das laranjas produzidas por Israel cobre o investimento do sistema de irrigação?
Faz lembrar o preço dos transportes: o preço do título de transporte deve cobrir as despesas de exploração (deve, mas mesmo deve no sentido de obrigação, não de dívida), não necessariamente a amortização do investimento da infra-estrutura básica.
Mas vamos aguardar, que a senhora excelsa e jovem ministra ainda não decidiu (pobre senhora, especialista de direito de contratação, a braços com a questão da irrigação da terra alentejana).
Se o governo optar por borregar, não será em meu nome.
Será uma coisa parecida com a desistencia do TGV, um incumprimento de um plano internacional já acordado (podia sempre renegociar-se o prazo de execução, mas a obsessão ds cortes dificulta isso).
Numeros:
Faltam 700 milhões de euros para concluir o empreendimento de 2.500 milhões de euros. Estão irrigados 67.000 hectares; faltam 43.000 hectares.
A senhora ministra diz que precisa de 300 milhões de euros e não consegue obtê-los (que tal uma subscrição publica, como no tempo do ultimato?).
Fundos europeus já investidos: 765 milhões de euros; endividamento: 634 milhões de euros
Custo da barragem concluida em 2005 e da central hidro-elétrica: 1 milhão de euros (é o que se chama dinheiro bem empregue); albufeira cheia em 2010 (contrariando as cassandras ignorantes e os adeptos do imobilismo industrial).
capacidade da albufeira: 4.150 hm3
potencia da central 260 MW (suscetivel de ampliação)
52 estações de bombagem para rega, alimentando 64 açudes e 16 mini-hidricas e re-turbinagem
Sinceramente, como se diz em coloquial, que disparate não concluir isto e não ampliar a central; os benefícios disto são superiores ao custo económico da obra e equipamentos (estou mesmo a ver um dia destes propor-se a venda do lago aos chineses para instalarem "resorts" e tomarem conta da irrigação e da eletricidade, num negócio à moda do BIC-BPN; e pensar que o empreendimento foi planeado e programado em 1970).
Semiótica III - o volume das olheiras
Seja S um sistema que consome uma despesa D para obtenção de uma produção P.
Suponha-se que conseguiu reduzir-se a despesa em 20% com o objetivo de aumentar a produtividade, mantendo a produção P.
Suponha-se que a produção depende em 50% da despesa (isto é, 50% dos fatores de produção não são contabilizáveis como despesa corrente, como qualidade dos profissionais, estrutura e métodos de organização, formação).
Suponha-se ainda que, com o corte de 20%, a desmotivação gerada nos agentes do sistema contrariou o objetivo de manutenção da produção e provocou uma diminuição de 10% na produção P.
Nestas condições, na situação anterior, a produtividade era 0,5P/D.
Depois das medidas de austeridade a produtividade passou a ser 0,5x0,9P/0,8D = 0,56125P/D.
Isto é, um corte de 20% nas despesas correntes provocou um aumento de produtividade de 12,25%.
No entanto, num grupo de mão de obra intensiva e de baixas qualificações, será admissível que a dependência da produção relativamente à despesa desça para 40% e que a desmotivação provoque uma diminuição da produção de 30%.
Neste caso teríamos, na situação anterior às medidas de austeridade uma produtividade de 0,4P/D.
E na situação posterior às medidas de austeridade, 0,4x0,7P/0,8D = 0,35P/D.
Isto é, baixou-se a despesa à custa da pior utilização dos recursos.
Difícil, este mundo.
Não admira que o senhor ministro das finanças, que possivelmente não se preocupa com as minudências dos casos concretos, apresente olheiras cada vez maiores, com a agravante de, não sendo muito alto, a relação entre o volume das olheiras e o volume total ser cada vez mais evidente.
Suponha-se que conseguiu reduzir-se a despesa em 20% com o objetivo de aumentar a produtividade, mantendo a produção P.
Suponha-se que a produção depende em 50% da despesa (isto é, 50% dos fatores de produção não são contabilizáveis como despesa corrente, como qualidade dos profissionais, estrutura e métodos de organização, formação).
Suponha-se ainda que, com o corte de 20%, a desmotivação gerada nos agentes do sistema contrariou o objetivo de manutenção da produção e provocou uma diminuição de 10% na produção P.
Nestas condições, na situação anterior, a produtividade era 0,5P/D.
Depois das medidas de austeridade a produtividade passou a ser 0,5x0,9P/0,8D = 0,56125P/D.
Isto é, um corte de 20% nas despesas correntes provocou um aumento de produtividade de 12,25%.
No entanto, num grupo de mão de obra intensiva e de baixas qualificações, será admissível que a dependência da produção relativamente à despesa desça para 40% e que a desmotivação provoque uma diminuição da produção de 30%.
Neste caso teríamos, na situação anterior às medidas de austeridade uma produtividade de 0,4P/D.
E na situação posterior às medidas de austeridade, 0,4x0,7P/0,8D = 0,35P/D.
Isto é, baixou-se a despesa à custa da pior utilização dos recursos.
Difícil, este mundo.
Não admira que o senhor ministro das finanças, que possivelmente não se preocupa com as minudências dos casos concretos, apresente olheiras cada vez maiores, com a agravante de, não sendo muito alto, a relação entre o volume das olheiras e o volume total ser cada vez mais evidente.
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We shall overcome
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We shal overcome
Geraldo Vandré, Pra não dizer que não falei das flores
Quando no Brasil eram os generais que ditavam a coisa pública.
Pra Não Dizer Que Não Falei Das Flores
Geraldo Vandré
Pra Não Dizer Que Não Falei Das Flores
Geraldo Vandré
Composição: Geraldo Vandré
Caminhando e cantando
E seguindo a canção
Somos todos iguais
Braços dados ou não
Nas escolas, nas ruas
Campos, construções
Caminhando e cantando
E seguindo a canção
E seguindo a canção
Somos todos iguais
Braços dados ou não
Nas escolas, nas ruas
Campos, construções
Caminhando e cantando
E seguindo a canção
Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer
Pelos campos há fome
Em grandes plantações
Pelas ruas marchando
Indecisos cordões
Ainda fazem da flor
Seu mais forte refrão
E acreditam nas flores
Vencendo o canhão
Em grandes plantações
Pelas ruas marchando
Indecisos cordões
Ainda fazem da flor
Seu mais forte refrão
E acreditam nas flores
Vencendo o canhão
Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer
Há soldados armados
Amados ou não
Quase todos perdidos
De armas na mão
Nos quartéis lhes ensinam
Uma antiga lição:
De morrer pela pátria
E viver sem razão
Amados ou não
Quase todos perdidos
De armas na mão
Nos quartéis lhes ensinam
Uma antiga lição:
De morrer pela pátria
E viver sem razão
Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer
Nas escolas, nas ruas
Campos, construções
Somos todos soldados
Armados ou não
Caminhando e cantando
E seguindo a canção
Somos todos iguais
Braços dados ou não
Campos, construções
Somos todos soldados
Armados ou não
Caminhando e cantando
E seguindo a canção
Somos todos iguais
Braços dados ou não
Os amores na mente
As flores no chão
A certeza na frente
A história na mão
Caminhando e cantando
E seguindo a canção
Aprendendo e ensinando
Uma nova lição
As flores no chão
A certeza na frente
A história na mão
Caminhando e cantando
E seguindo a canção
Aprendendo e ensinando
Uma nova lição
Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer
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caminhando e cantando,
Geraldo Vandré
Gestão escocesa
Lord P.Rabbit, senhor feudal escocês descendente dos normandos que invadiram a ilha no século XI, conversava animadamente com Lord A.Belt of Paramecia, assim chamado desde os tempos do colégio de Eton.
A cena passava-se no clube restrito londrino dos administradores das grandes e pequenas empresas.
Lord Rabbit explicava que todos os dias tomava mais uma medida para a diminuição dos gastos com a ração para o seu gado.
Os ouvintes que nas suas poltronas acompanhavam a peroração, sublinhavam periodicamente o seu agrado com "iéah", como se estivessem no parlamento de Westminster, e erguiam os dedos em "v".
Lord Rabbit, apesar de escocês, não se distinguia dos seus colegas londrinos.
Devia alguma parte do seu exito a Lord Belt, que o apadrinhara no mundo dos administradores. Belt geria 346 empresas, e Rabbit tinha chegado a ser administrador de 124 empresas, sem nunca ter despedido nenhum funcionário, mas em todas aplicou as suas medidas economizadoras.
Rabbit concentrava-se agora na gestão de uma grande exploração de gado e daí a sua ideia de todos os dias ir reduzindo um pouco mais a ração que distribuia.
Assim economizava, reduzindo a despesa mas impedindo a exploração de se desenvolver.
No entanto, pelos aplausos que recolhia no clube, tudo indicava que ignorava a história do seu antepassado escocês que tinha reduzido a palha do seu cavalo até que ele, já habituado a não comer, morreu, certamente por ingratidão para com tão elevada gestão escocesa.
A cena passava-se no clube restrito londrino dos administradores das grandes e pequenas empresas.
Lord Rabbit explicava que todos os dias tomava mais uma medida para a diminuição dos gastos com a ração para o seu gado.
Os ouvintes que nas suas poltronas acompanhavam a peroração, sublinhavam periodicamente o seu agrado com "iéah", como se estivessem no parlamento de Westminster, e erguiam os dedos em "v".
Lord Rabbit, apesar de escocês, não se distinguia dos seus colegas londrinos.
Devia alguma parte do seu exito a Lord Belt, que o apadrinhara no mundo dos administradores. Belt geria 346 empresas, e Rabbit tinha chegado a ser administrador de 124 empresas, sem nunca ter despedido nenhum funcionário, mas em todas aplicou as suas medidas economizadoras.
Rabbit concentrava-se agora na gestão de uma grande exploração de gado e daí a sua ideia de todos os dias ir reduzindo um pouco mais a ração que distribuia.
Assim economizava, reduzindo a despesa mas impedindo a exploração de se desenvolver.
No entanto, pelos aplausos que recolhia no clube, tudo indicava que ignorava a história do seu antepassado escocês que tinha reduzido a palha do seu cavalo até que ele, já habituado a não comer, morreu, certamente por ingratidão para com tão elevada gestão escocesa.
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Lord Rabbit
domingo, 14 de agosto de 2011
A logica dedutiva a partir de Poul Thomsen
1 -Afirmação de Poul Thomsen, chefe da missão do FMI na troica: "A derrapagem de 2.000 milhões de euros no defice publico deste ano (7,0% em vez de 5,9% no primeiro trimestre) deveu-se em larga medida ao eleitoralismo da classe politica portuguesa, mais entretida com as eleições do que com a implementação das medidas de austeridade no setor publico".
2 - As eleições foram convocadas pelo senhor presidente da república, que não quis aplicar a solução islandesa: constituir um governo que abrangesse, segundo os resultados eleitorais, o maior numero possivel de sensibilidade politicas em Portugal
3 - Logo, a derrapagem de 2.000 milhões de euros deveu-se, em larga medida, ao senhor presidente da república (será que este vai chamar ignorante ao senhor Poul Thomsen, como fez com as agencias de rating?)
4- Mais informou o senhor Poul Thomsen que as medidas de austeridade, incluindo a redução da TSU (afinal em quanto ficamos?) só afetarão o crescimento da economia durante um ou dois trimestres. Depois serão visiveis os ganhos. Que bom que vai ser, como se costuma dizer. Aguardemos então pelos resultados a serem conecidos em Janeiro de 2012. Prometo pedir desculpa por duvidar se os ganhos forem visiveis, é que o endividamento privado é muito maior do que o endividamento publico.
5 - Mas deixemos o senhor Poul Thomsen e ouçamos o senhor Jurgen Kruger, representante da UE na troica: "o desvio orçamental de 1.900 milhões de euros deveu-se a uma derrapagem nos salários das forças de segurança e Defesa nacional e com receitas abaixo do estimado, nomeadamente em taxass na justiça e dividendos (até quando resistirá o senhor primeiro ministro, habituado a ser administrador de empresas com distribuição de dividendos, a taxar os dividendos?).
6 - Mais disse o senhor Jurgen Kruger que em 2011 não haverá mais aumentos de impostos (nem sobre os dividendos? tomemos boa nota) e que o governo ainda não tinha tido tempo para definir os cortes (lembro-me de ouvir o senhor primeiro ministro dizer, ainda antes da campanha eleitoral, que o problema se resolvia com cortes na despesa, o que indiciava que ele saberia onde devia cortar, mas parece que falava sem conhecimento de causa). No entanto, a noticia do dia 13 de Agosto era que os cortes estavam definidos mas tambem suspensos, e que em vez dos cortes, conforme informou o senhor ministro Vitor Louçã Gaspar, teriamos, desde já, os 50% do 14º mês e o aumento do IVA da eletricidade e do gás (que barbaridade, como diriam os castelhanos), enquanto em Setembro será anunciado o plano de cortes e embora ainda faltem medidas para tapar o resto dos 1.900 milhões de euros (TSU, fundos de pensões?)
7 - Tudo ponderado, temos de aplaudir as mirabolancias contabilisticas destes senhores todos cuja competencia de técnicos de contas não podemos pôr em dúvida, embora agradecessemos que nos explicassem melhor para onde está a ir o dinheiro dos empréstimos, esperando que não esteja só a ir para o pagamento de dívidas, coisa que já as finanças chinesas explicaram às dos USA que não é saudável.
Mas isso, da competência como técnicos de contas, era o que diziamos daquele senhor de Santa Comba, que tambem falava sempre pausadamente, com ar professoral e a apertar o indicador e o polegar, e que tinha muita dificuldade em entender o processo de construção de infra-estruturas e de industrialização do país que os seus técnicos de engenharia lhe tentavam explicar, felizmente com algum sucesso (mérito desses técnicos, que tinham uma visão mais abrangente e integradora), embora parcial, muito parcial.
Resumindo: em 13 de Agosto de 2011 a informação é a de que não haverá mais impostos em 2011 e que em Janeiro de 2012 já serão visiveis os ganhos das medidas de austeridade. Continua a falta a informação sobre o destino dos dinheiros que a troica vai canalizando. Aguarda-se a apresentação em Setembro de 2011 do plano de cortes na despesa pública.
2 - As eleições foram convocadas pelo senhor presidente da república, que não quis aplicar a solução islandesa: constituir um governo que abrangesse, segundo os resultados eleitorais, o maior numero possivel de sensibilidade politicas em Portugal
3 - Logo, a derrapagem de 2.000 milhões de euros deveu-se, em larga medida, ao senhor presidente da república (será que este vai chamar ignorante ao senhor Poul Thomsen, como fez com as agencias de rating?)
4- Mais informou o senhor Poul Thomsen que as medidas de austeridade, incluindo a redução da TSU (afinal em quanto ficamos?) só afetarão o crescimento da economia durante um ou dois trimestres. Depois serão visiveis os ganhos. Que bom que vai ser, como se costuma dizer. Aguardemos então pelos resultados a serem conecidos em Janeiro de 2012. Prometo pedir desculpa por duvidar se os ganhos forem visiveis, é que o endividamento privado é muito maior do que o endividamento publico.
5 - Mas deixemos o senhor Poul Thomsen e ouçamos o senhor Jurgen Kruger, representante da UE na troica: "o desvio orçamental de 1.900 milhões de euros deveu-se a uma derrapagem nos salários das forças de segurança e Defesa nacional e com receitas abaixo do estimado, nomeadamente em taxass na justiça e dividendos (até quando resistirá o senhor primeiro ministro, habituado a ser administrador de empresas com distribuição de dividendos, a taxar os dividendos?).
6 - Mais disse o senhor Jurgen Kruger que em 2011 não haverá mais aumentos de impostos (nem sobre os dividendos? tomemos boa nota) e que o governo ainda não tinha tido tempo para definir os cortes (lembro-me de ouvir o senhor primeiro ministro dizer, ainda antes da campanha eleitoral, que o problema se resolvia com cortes na despesa, o que indiciava que ele saberia onde devia cortar, mas parece que falava sem conhecimento de causa). No entanto, a noticia do dia 13 de Agosto era que os cortes estavam definidos mas tambem suspensos, e que em vez dos cortes, conforme informou o senhor ministro Vitor Louçã Gaspar, teriamos, desde já, os 50% do 14º mês e o aumento do IVA da eletricidade e do gás (que barbaridade, como diriam os castelhanos), enquanto em Setembro será anunciado o plano de cortes e embora ainda faltem medidas para tapar o resto dos 1.900 milhões de euros (TSU, fundos de pensões?)
7 - Tudo ponderado, temos de aplaudir as mirabolancias contabilisticas destes senhores todos cuja competencia de técnicos de contas não podemos pôr em dúvida, embora agradecessemos que nos explicassem melhor para onde está a ir o dinheiro dos empréstimos, esperando que não esteja só a ir para o pagamento de dívidas, coisa que já as finanças chinesas explicaram às dos USA que não é saudável.
Mas isso, da competência como técnicos de contas, era o que diziamos daquele senhor de Santa Comba, que tambem falava sempre pausadamente, com ar professoral e a apertar o indicador e o polegar, e que tinha muita dificuldade em entender o processo de construção de infra-estruturas e de industrialização do país que os seus técnicos de engenharia lhe tentavam explicar, felizmente com algum sucesso (mérito desses técnicos, que tinham uma visão mais abrangente e integradora), embora parcial, muito parcial.
Resumindo: em 13 de Agosto de 2011 a informação é a de que não haverá mais impostos em 2011 e que em Janeiro de 2012 já serão visiveis os ganhos das medidas de austeridade. Continua a falta a informação sobre o destino dos dinheiros que a troica vai canalizando. Aguarda-se a apresentação em Setembro de 2011 do plano de cortes na despesa pública.
Notícias da praia da Manta Rota
1 - Às 8:30 da manhã de todos os dias de Verão, um pequeno trator passa por todos os pontos de depósito de lixos da praia. Um senhor já de alguma idade pára e recolhe os sacos de lixo. Cada saco terá cerca de 200 litros de volume e ele vai carregando o pequeno trator. Depois segue calmamente. Quando passa por mim, já em terreno firme, são 3 sacos que vão pendurados à frente, sobre a tampa do motor, 2 em cada ilharga e outros 3 atrás. Parece um caracol que se vai arrastando. O pequeno trator terá sido comprado pela câmara de Vila Real de Santo António antes do ditado da troica e das ultimas eleições, mas já revela a vontade de economizar nos meios, pese embora não ter as características ideais para a função. Igualmente a idade do senhor, que parece já ter ultrapassado a idade atualmente legal da reforma, mostra a vontade de aproveitar até à ultima os recursos. Temos portanto aqui um bom exemplo de cumprimento do espírito de austeridade que nos anima.
E, para o ano, pode ser que se pratique o ideal utópico: cada um leva o seu lixo para casa ou para o posto de reciclagem mais próximo (na realidade, a recolha de lixo, tal como a distribuição alimentar a retalho, é um bom exemplo de que a taxa de centralização tem limites);
2 - às 4:00 de uma madrugada deste Verão um utilizador do facebook foi fotografado no interior da discoteca desmontável Manta Beach. Tem um ar feliz. Por isso quando se sentou ao computador colocou a fotografia no facebook com a seguinte legenda: "Eu no Manta Beach. Eu sou alguem". Se não me engano, estamos perante a emanação de um ato coletivo de catarse e de um fenómeno de integração e socialização na normalização. Isto é, a espécie humana no período da juventude, que neste momento se prolonga até aos 40 anos, segundo o psiquiatra Quintino Alves, precisa de se aturdir (quando não precisa de estar no emprego a horas precisas, ou porque está de férias, ou porque está no desemprego, ou porque se dedica a expedientes) para não ter de pensar muito na razão das coisas e nas circunstancias em que elas acontecem.
E sim, estar no Manta Beach é um simbolo de sucesso, do que se deve perseguir, dentro do espírito da normalização dos grupos.
É interessante verificar que são as próprias câmaras municipais que passam as licenças de ruido a este tipo de discotecas. E as licenças são para toda a noite e madrugada. Que é como quem diz, entrega-se o ouro da defesa da lei do ruido aos bandidos que se servem das discotecas para fazer ruido.
Dizem os senhores presidentes que assim animam as povoações (férias não é para descansar? com tantos livros que Almada Negreiros nunca pôde ler, há falta de entretenimento nas férias?). Mais animados ficam os senhores empresários (até porque, se houver endividamento, como em Portimão há dois anos, lá está a Câmara para salvar o empreendimento), apesar do conflito entre os empreendedores das discotecas desmontáveis de Verão e a associação dos empresários das discotecas fixas (questiunculas corporativas possivelmente).
Mas a verdade é que enquanto os jovens até aos quarenta anos estão nas discotecas de verão até às 7:00 e a pôr fotografias no facebook não estão a partir montras e a incendiar lojas como no Agosto londrino.
Dir-se-ia que uma politica de emprego e de sucesso escolar e de formação profissional seria mais vantajosa, mas os senhores economistas que nos governam não são da mesma opinião, e esperam que o mercado resolva isto, depois de se cortarem as despesas do estado, claro.
É pena.
E, para o ano, pode ser que se pratique o ideal utópico: cada um leva o seu lixo para casa ou para o posto de reciclagem mais próximo (na realidade, a recolha de lixo, tal como a distribuição alimentar a retalho, é um bom exemplo de que a taxa de centralização tem limites);
2 - às 4:00 de uma madrugada deste Verão um utilizador do facebook foi fotografado no interior da discoteca desmontável Manta Beach. Tem um ar feliz. Por isso quando se sentou ao computador colocou a fotografia no facebook com a seguinte legenda: "Eu no Manta Beach. Eu sou alguem". Se não me engano, estamos perante a emanação de um ato coletivo de catarse e de um fenómeno de integração e socialização na normalização. Isto é, a espécie humana no período da juventude, que neste momento se prolonga até aos 40 anos, segundo o psiquiatra Quintino Alves, precisa de se aturdir (quando não precisa de estar no emprego a horas precisas, ou porque está de férias, ou porque está no desemprego, ou porque se dedica a expedientes) para não ter de pensar muito na razão das coisas e nas circunstancias em que elas acontecem.
E sim, estar no Manta Beach é um simbolo de sucesso, do que se deve perseguir, dentro do espírito da normalização dos grupos.
É interessante verificar que são as próprias câmaras municipais que passam as licenças de ruido a este tipo de discotecas. E as licenças são para toda a noite e madrugada. Que é como quem diz, entrega-se o ouro da defesa da lei do ruido aos bandidos que se servem das discotecas para fazer ruido.
Dizem os senhores presidentes que assim animam as povoações (férias não é para descansar? com tantos livros que Almada Negreiros nunca pôde ler, há falta de entretenimento nas férias?). Mais animados ficam os senhores empresários (até porque, se houver endividamento, como em Portimão há dois anos, lá está a Câmara para salvar o empreendimento), apesar do conflito entre os empreendedores das discotecas desmontáveis de Verão e a associação dos empresários das discotecas fixas (questiunculas corporativas possivelmente).
Mas a verdade é que enquanto os jovens até aos quarenta anos estão nas discotecas de verão até às 7:00 e a pôr fotografias no facebook não estão a partir montras e a incendiar lojas como no Agosto londrino.
Dir-se-ia que uma politica de emprego e de sucesso escolar e de formação profissional seria mais vantajosa, mas os senhores economistas que nos governam não são da mesma opinião, e esperam que o mercado resolva isto, depois de se cortarem as despesas do estado, claro.
É pena.
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lei do ruido,
recolha de lixo
quarta-feira, 10 de agosto de 2011
Engenheiro António Gameiro
Este blogue deixa aqui uma mensagem de saudade pelo engenheiro António Gameiro, técnico que foi do metropolitano de Lisboa, recentemente falecido.
Principal colaborador do engenheiro Brazão Farinha e depois seu sucessor na direção de projetos e obras novas.
De um rigor extremo na execução e acompanhamento das obras, não ficou de braços cruzados no longo período, de 1972 a 1988, em que a rede do metro não cresceu. Construiu-se a galeria de Alvalade até Calvanas, que serviu de garagem durante estes anos, e remodelaram-se as estações originais, com capacidade apenas para comboios de duas carruagens, para comboios de seis carruagens.
Fiquei a dever-lhe o prazer e a honra de ter encontrado com ele e os nossos colaboradores, soluções para a instalação de equipamentos e para as suas cablagens na passagem, em 1980, da rede fechada de acessos controlados por agentes em cabinas de bilheteiras, para a rede aberta com obliteradores sem torniquetes (solução sempre mais económica do que uma solução fechada, dependente evidentemente da efetivação de fiscalização).
Era um entusiasta do seu metropolitano, com a grande preocupação de construir, como manda o ideal dos engenheiros, transformar matéria e energia para servir o bem comum. E com o seu entusiasmo, tinha sempre de lhe dizer que não dissesse aos senhores da administração que a estação já estava pronta, sem que desse tempo para instalarmos os equipamentos.
Gostaria que os jovens técnicos que o não conheceram, saibam aproveitar o atual momento em que tambem parece não ser possivel aumentar a rede do metro, para construir as melhorias possiveis, e preparar os projetos para as expansões futuras, porque os metros existem para economizar na energia dos transportes e para servir as populações e a economia.
Principal colaborador do engenheiro Brazão Farinha e depois seu sucessor na direção de projetos e obras novas.
De um rigor extremo na execução e acompanhamento das obras, não ficou de braços cruzados no longo período, de 1972 a 1988, em que a rede do metro não cresceu. Construiu-se a galeria de Alvalade até Calvanas, que serviu de garagem durante estes anos, e remodelaram-se as estações originais, com capacidade apenas para comboios de duas carruagens, para comboios de seis carruagens.
Fiquei a dever-lhe o prazer e a honra de ter encontrado com ele e os nossos colaboradores, soluções para a instalação de equipamentos e para as suas cablagens na passagem, em 1980, da rede fechada de acessos controlados por agentes em cabinas de bilheteiras, para a rede aberta com obliteradores sem torniquetes (solução sempre mais económica do que uma solução fechada, dependente evidentemente da efetivação de fiscalização).
Era um entusiasta do seu metropolitano, com a grande preocupação de construir, como manda o ideal dos engenheiros, transformar matéria e energia para servir o bem comum. E com o seu entusiasmo, tinha sempre de lhe dizer que não dissesse aos senhores da administração que a estação já estava pronta, sem que desse tempo para instalarmos os equipamentos.
Gostaria que os jovens técnicos que o não conheceram, saibam aproveitar o atual momento em que tambem parece não ser possivel aumentar a rede do metro, para construir as melhorias possiveis, e preparar os projetos para as expansões futuras, porque os metros existem para economizar na energia dos transportes e para servir as populações e a economia.
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terça-feira, 9 de agosto de 2011
Notícias do Verão de 2011 no Algarve
Existe uma incongruencia nesta descrição.
Entra uma turista portuguesa numa ourivesaria em Vila Real de Santo António e pede para ver uns brincos de ouro.
É uma ourivesaria familiar, vocacionada para comercializar a preços razoáveis, especialmente junto dos turistas andaluzes, peças tradicionais da ourivesaria portuguesa.
Mas insisto que há uma incongruencia nesta narrativa.
À pergunta da turista portuguesa responde a dona da loja que deixou de vender ouro, que agora só vende objetos de prata. Que com tantos assaltos não quis correr riscos, e que lamenta que toneladas de ouro tenham sido roubadas, fundidas e saido de Portugal. Não é um estudo de especialistas, é o parecer de uma profissional.
Há uns anos iniciou-se um ciclo de ataques sistemáticos a ourives.
Desde assaltos na estrada a ourives-feirantes, uma das mais antigas profissões tradicionais, até ao assalto de Viana do Castelo, a dois quarteirões de distancia duma cimeira em que o então ministro da administração interna gabava as suas, dele e só dele, soluções de segurança.
Veio depois a moda das lojas que compram ouro usado, mas os assaltos continuaram.
Com a justificação de que a cotação do ouro tem subido.
Sempre com a impávida e sobranceira ignorancia da realidade por parte do senhor ex-ministro.
Queixa-se o atual governo de que em pouco tempo que leva no exercicio do poder ainda não teve tempo para resolver os grandes assuntos.
Mas discutem-se tantos assuntos, que é muito estranho não apresentar o novo ministro da administração interna um plano de intenções para combater os assaltos às ourivesarias.
Então não nos admiremos que a ourivesaria de Vila Real de Santo António tenha deixado de vender ouro.
Ou, voltando ao novo senhor ministro, talvez não se estranhe.
Primeiro porque a ideologia do atual governo não gosta que se denuncie a correlação entre o desemprego e o vandalismo, porque o desemprego não é combatido, num contexto como o atual, pelo mercado livre; logo, o mercado livre estimula o vandalismo, e isso não é compatível com o ar competente que o senhor ministro gosta de aparentar.
Segundo, porque o senso comum, a quem os senhores ministros gostam de agradar, embora o senso comum se deixe enganar com facilidade, que por isso é comum (o senso comum acha que dez quilos de ferro dentro de uma caixa igual a outra em que está um quilo de algodão caem mais depressa do que o algodão), fica mais tranquilo quando se diz que o corpo policial foi reforçado (o senso comum não acha necessário fazer um segundo raciocínio, que é reconhecer que mais vale prevenir que remediar, e tentar estabelecer uma relação entre o desemprego e a criminalidade).
Mas há outra noticia deste verão.
Continuam os assaltos a turistas ingleses em Albufeira, durante a madrugada.
Parecem atos de xenofobia, porque embora haja portugueses assaltados, são em minoria.
Lá veio a declaração de que os policias destacados foram reforçados, mas os senhores que detêm o poder decisório não vêm a público debater as causas e as circunstancias sociológicas que podem explicar isto e tentar atenuar o efeito.
Este blogue, para quem politicas de combate ao desemprego e ao insucesso escolar deveriam sobrepôr-se às politicas de austeridade porque defendem os direitos humanos conforme a respetiva declaração universal, interpreta estes sinais como politica de terra queimada.
De passagem, anota-se que neste momento está presa 0,13% da população do país (isto é, se quisermos dividir a população em grupos de 750 elementos, por cada grupo terá de se mandar buscar uma pessoa à prisão) e o numero de presos aumenta 16% por ano (um dia estará toda a população presa, se a taxa se mantiver?).
Há um deixar andar, um laissez-faire, laissez-passer (outro erro do senso comum quando se pôs a interpretar Colbert; Colbert não defendia a utilização universal do laissez-passer; e o seu laissez-faire só existiu na cabeça de quem veio depois) que já foi experimentado noutros paises.
Os resultados são conhecidos.
São a organização em condominios armados.
Quem não quiser ser assaltado move-se nos locais protegidos, onde a presença de marginais é imediatamente detetada e combatida; mas só pode lá mover-se se tiver rendimentos para isso.
Parafraseando um antigo ministro da saúde da mesma sensibilidade politica do atual governo, quem quer segurança, paga-a.
Evidentemente que este blogue não pode apoiar esta politica, apesar da privatização das prisões ser um negócio apetecível.
Porque esta politica é contra a declaração universal dos direitos do homem.
Entra uma turista portuguesa numa ourivesaria em Vila Real de Santo António e pede para ver uns brincos de ouro.
É uma ourivesaria familiar, vocacionada para comercializar a preços razoáveis, especialmente junto dos turistas andaluzes, peças tradicionais da ourivesaria portuguesa.
Mas insisto que há uma incongruencia nesta narrativa.
À pergunta da turista portuguesa responde a dona da loja que deixou de vender ouro, que agora só vende objetos de prata. Que com tantos assaltos não quis correr riscos, e que lamenta que toneladas de ouro tenham sido roubadas, fundidas e saido de Portugal. Não é um estudo de especialistas, é o parecer de uma profissional.
Há uns anos iniciou-se um ciclo de ataques sistemáticos a ourives.
Desde assaltos na estrada a ourives-feirantes, uma das mais antigas profissões tradicionais, até ao assalto de Viana do Castelo, a dois quarteirões de distancia duma cimeira em que o então ministro da administração interna gabava as suas, dele e só dele, soluções de segurança.
Veio depois a moda das lojas que compram ouro usado, mas os assaltos continuaram.
Com a justificação de que a cotação do ouro tem subido.
Sempre com a impávida e sobranceira ignorancia da realidade por parte do senhor ex-ministro.
Queixa-se o atual governo de que em pouco tempo que leva no exercicio do poder ainda não teve tempo para resolver os grandes assuntos.
Mas discutem-se tantos assuntos, que é muito estranho não apresentar o novo ministro da administração interna um plano de intenções para combater os assaltos às ourivesarias.
Então não nos admiremos que a ourivesaria de Vila Real de Santo António tenha deixado de vender ouro.
Ou, voltando ao novo senhor ministro, talvez não se estranhe.
Primeiro porque a ideologia do atual governo não gosta que se denuncie a correlação entre o desemprego e o vandalismo, porque o desemprego não é combatido, num contexto como o atual, pelo mercado livre; logo, o mercado livre estimula o vandalismo, e isso não é compatível com o ar competente que o senhor ministro gosta de aparentar.
Segundo, porque o senso comum, a quem os senhores ministros gostam de agradar, embora o senso comum se deixe enganar com facilidade, que por isso é comum (o senso comum acha que dez quilos de ferro dentro de uma caixa igual a outra em que está um quilo de algodão caem mais depressa do que o algodão), fica mais tranquilo quando se diz que o corpo policial foi reforçado (o senso comum não acha necessário fazer um segundo raciocínio, que é reconhecer que mais vale prevenir que remediar, e tentar estabelecer uma relação entre o desemprego e a criminalidade).
Mas há outra noticia deste verão.
Continuam os assaltos a turistas ingleses em Albufeira, durante a madrugada.
Parecem atos de xenofobia, porque embora haja portugueses assaltados, são em minoria.
Lá veio a declaração de que os policias destacados foram reforçados, mas os senhores que detêm o poder decisório não vêm a público debater as causas e as circunstancias sociológicas que podem explicar isto e tentar atenuar o efeito.
Este blogue, para quem politicas de combate ao desemprego e ao insucesso escolar deveriam sobrepôr-se às politicas de austeridade porque defendem os direitos humanos conforme a respetiva declaração universal, interpreta estes sinais como politica de terra queimada.
De passagem, anota-se que neste momento está presa 0,13% da população do país (isto é, se quisermos dividir a população em grupos de 750 elementos, por cada grupo terá de se mandar buscar uma pessoa à prisão) e o numero de presos aumenta 16% por ano (um dia estará toda a população presa, se a taxa se mantiver?).
Há um deixar andar, um laissez-faire, laissez-passer (outro erro do senso comum quando se pôs a interpretar Colbert; Colbert não defendia a utilização universal do laissez-passer; e o seu laissez-faire só existiu na cabeça de quem veio depois) que já foi experimentado noutros paises.
Os resultados são conhecidos.
São a organização em condominios armados.
Quem não quiser ser assaltado move-se nos locais protegidos, onde a presença de marginais é imediatamente detetada e combatida; mas só pode lá mover-se se tiver rendimentos para isso.
Parafraseando um antigo ministro da saúde da mesma sensibilidade politica do atual governo, quem quer segurança, paga-a.
Evidentemente que este blogue não pode apoiar esta politica, apesar da privatização das prisões ser um negócio apetecível.
Porque esta politica é contra a declaração universal dos direitos do homem.
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assaltos a ourivesarias
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
Detroit, 1967
Detroit, 1967
Em 1967, em Detroit, uma revolta de rua provocou cerca de 40 mortos durante a repressão policial.
Havia um problema na cidade que se traduzia por um muro que separava a zona em que a população branca podia construir habitações porque tinha acesso ao crédito, da zona em que a população negra não tinha acesso ao crédito (informação retirada de um programa Odisseia sobre as crises financeiras).
Em 1974, na Irlanda do Norte, a polícia, sem qualquer provocação, disparou a matar sobre manifestantes irlandeses (o governo inglês veio anos mais tarde a apresentar desculpas).
Estes dois pequenos exemplos servem apenas para mostrar que as populações ocidentais não têm razão para se sentirem superiores a quem quer que seja e que tenha necessidade de se manifestar, com mais ou menos ingenuidade ou mais ou menos enganados.
E seria bom que os meios de comunicação social não incentivassem esse sentimento de superioridade, esse “espírito de cruzados”.
Como exemplos mais modernos temos as manifestações em bairros suburbanos em França há três ou quatro anos, em Vancouver em Junho de 2011, pouco antes do atual senhor ministro da economia deixar a cidade (escreveu no seu blogue, que vergonha), e agora, em Agosto de 2011, em Totenham, Londres, com mais carros incendiados.
Seria bom que os senhores economistas e políticos que governam o mundo, possivelmente como interpostas pessoas, compreendessem a correlação entre desemprego e vandalismo.
PS - Amável comentador que não quis enviar o comentário chamou a atenção para que o desemprego não é a principal causa do vandalismo.
Claro que não, por isso escrevi correlação, que é o que se pode deduzir de dados estatísticos. Pena a minha conclusão só poder ser retirada de dados estatísticos de um pais estrangeiro (no caso vertente, dos USA, através de Freakonomics, de Steven Levitt), porque em Portugal os senhores dos governos e os senhores académicos, pese embora o esforço da Fundação Manuel dos Santos, ligam pouca importancia ao estudo dos dados. E assim, como qualquer médico sem análises, é muito dificil tratar o doente. Aliás, quem falou em partes doentes da sociedade foi o senhor primeiro ministro da Inglaterra, a propósito da generalização das pilhagens na sua terra. Como dizia J.M.Pureza, é preciso lata. Defendem religiosa e fundamentalistamente a ideologia liberal (esquecendo a parte em que Adam Smith dizia que o interesse egoista não podia prejudicar o interesse coletivo) e agora admiram-se do desemprego gerar disfunções da sociedade? Ah, mas é verdade, não é só o desemprego, é o insucesso escolar, é o abandono à sua sorte das crianças com limitações psiquiátricas que não conseguem adquirir competencias para o trabalho (lá está outra vez o desemprego), é a não inclusão de imigrantes (por sua vez expressão do insucesso escolar e assistencial dos paises de origem).
E admiram-se, os senhores dirigentes da coisa pública?
Ora, se lessem a declaração universal dos direitos humanos e se se deixassem de guerras, offshores e fundamentalismos ideológicos...
PS - Amável comentador que não quis enviar o comentário chamou a atenção para que o desemprego não é a principal causa do vandalismo.
Claro que não, por isso escrevi correlação, que é o que se pode deduzir de dados estatísticos. Pena a minha conclusão só poder ser retirada de dados estatísticos de um pais estrangeiro (no caso vertente, dos USA, através de Freakonomics, de Steven Levitt), porque em Portugal os senhores dos governos e os senhores académicos, pese embora o esforço da Fundação Manuel dos Santos, ligam pouca importancia ao estudo dos dados. E assim, como qualquer médico sem análises, é muito dificil tratar o doente. Aliás, quem falou em partes doentes da sociedade foi o senhor primeiro ministro da Inglaterra, a propósito da generalização das pilhagens na sua terra. Como dizia J.M.Pureza, é preciso lata. Defendem religiosa e fundamentalistamente a ideologia liberal (esquecendo a parte em que Adam Smith dizia que o interesse egoista não podia prejudicar o interesse coletivo) e agora admiram-se do desemprego gerar disfunções da sociedade? Ah, mas é verdade, não é só o desemprego, é o insucesso escolar, é o abandono à sua sorte das crianças com limitações psiquiátricas que não conseguem adquirir competencias para o trabalho (lá está outra vez o desemprego), é a não inclusão de imigrantes (por sua vez expressão do insucesso escolar e assistencial dos paises de origem).
E admiram-se, os senhores dirigentes da coisa pública?
Ora, se lessem a declaração universal dos direitos humanos e se se deixassem de guerras, offshores e fundamentalismos ideológicos...
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sábado, 6 de agosto de 2011
O Tribunal de Contas e o tunel do Marquês
O Tribunal de contas merece todo o respeito pelos objetivos que prossegue e pelo trabalho dos seus funcionários.
Este apreço não deve significar, porem, a perda de sentido crítico quando na ansia de apresentar resultados, o Tribunal de Contas revela pouca preparação técnica (do ponto de vista de engenharia) para analisar as circunstancias em que as obras se desenvolveram.
Critica agora o Tribunal de Contas as alterações ao projeto do tunel do Marquês que limitam a sua capacidade de escoamento (pelos vistos o tráfego à superficie não diminuiu conforme previsto) , nomeadamente a interdição de circulação de pesados e a eliminação das saidas para a Artilharia Um e Rua Castilho.
O Tribunal devia ter sabido, antes do inicio da obra, que as normas europeias impedem a circulação de veiculos pesados em tuneis com aquele declive e com aquelas condições. Não é um problema de gabarit reduzido devido aos ventiladores instalados. Aliás, se eles foram instalados e não estavam no projeto original foi porque o projeto original estava incompleto (é lamentável projetar-se um tunel rodoviário sem ventilação adequada, mas aconteceu; não digo que não tinha ventilação, digo que não a tinha adequada) e teve de ser alterado depois de submetido à consulta publica e ao estudo de impacto ambiental.
Antes da obra começar, já se sabia que não iriam passar veiculos pesados no tunel.
E se não competia ao Tribunal de Contas pronunciar-se na altura, houve cidadãos que escreveram isso na consulta publica e o que escreveram foi reproduzido pelo ministério do Ambiente.
Com a agravante do referido estudo de impacto ambiental ter obrigado os projetistas a confessar que não estudaram para o dono da obra (preocupado em apresentar obras de fachada para beneficios eleitorais) qualquer alternativa de traçado (é muito grave não esclarecer um cliente dos erros do seu programa base, e é tambem muito grave, num investimento deste montante, não estudar alternativas, eventualmente mais baratas).
Além disso, houve um erro grave de escala quando se fez o projeto original, o que implicaria a colisão do tunel rodoviário com o tunel pré-existente do metropolitano de Lisboa, pelo que o projeto teve de ser corrigido.
Se a obra, apesar disso, prosseguiu de forma sobranceira (sabe-se como foram insultados os que desde o principio escreveram que era uma barbaridade fazer um tunel com aquele traçado em declive) foi porque o parecer do ministério do Ambiente foi discretamente desprezado (pese embora alguma atenção e cuidados no tratamento estrutural do tunel rodoviário nas imediações do tunel do metropolitano).
É uma pena o Tribunal de Contas não referir isso porque, assim, um caso como este, quando houver dinheiro para investimentos, poderá repetir-se.
Aplaude-se a contribuição do tunel para escoar o tráfego de saida da cidade, mas não pode aprovar-se a sua contribuição para facilitar a entrada de carros na cidade, pelo que deveriam ter-se ponderado soluções alternativas.
A solução rodoviária para evitar o investimento do tunel rodoviário do Marquês teria sido a antecipação da conclusão da CRIL (afastando o tráfego do centro da cidade).
A solução ferroviária teria sido o prolongamento da linha vermelha até Campo de Ourique até um "park and ride" junto das Amoreiras.
Em resumo, aplaudir-se-ia o Tribunal de Contas se melhorasse a componente de engenharia nas análises que faz. No caso concreto do tunel do Marquês, isso permitir-lhe-ia avaliar os erros de conceção do projeto inicial e a má solução que foi ou seria, com ou sem alterações ao projeto, do ponto de vista de traçados e do ponto de vista de componente do sistema de transportes da cidade de Lisboa.
Este apreço não deve significar, porem, a perda de sentido crítico quando na ansia de apresentar resultados, o Tribunal de Contas revela pouca preparação técnica (do ponto de vista de engenharia) para analisar as circunstancias em que as obras se desenvolveram.
Critica agora o Tribunal de Contas as alterações ao projeto do tunel do Marquês que limitam a sua capacidade de escoamento (pelos vistos o tráfego à superficie não diminuiu conforme previsto) , nomeadamente a interdição de circulação de pesados e a eliminação das saidas para a Artilharia Um e Rua Castilho.
O Tribunal devia ter sabido, antes do inicio da obra, que as normas europeias impedem a circulação de veiculos pesados em tuneis com aquele declive e com aquelas condições. Não é um problema de gabarit reduzido devido aos ventiladores instalados. Aliás, se eles foram instalados e não estavam no projeto original foi porque o projeto original estava incompleto (é lamentável projetar-se um tunel rodoviário sem ventilação adequada, mas aconteceu; não digo que não tinha ventilação, digo que não a tinha adequada) e teve de ser alterado depois de submetido à consulta publica e ao estudo de impacto ambiental.
Antes da obra começar, já se sabia que não iriam passar veiculos pesados no tunel.
E se não competia ao Tribunal de Contas pronunciar-se na altura, houve cidadãos que escreveram isso na consulta publica e o que escreveram foi reproduzido pelo ministério do Ambiente.
Com a agravante do referido estudo de impacto ambiental ter obrigado os projetistas a confessar que não estudaram para o dono da obra (preocupado em apresentar obras de fachada para beneficios eleitorais) qualquer alternativa de traçado (é muito grave não esclarecer um cliente dos erros do seu programa base, e é tambem muito grave, num investimento deste montante, não estudar alternativas, eventualmente mais baratas).
Além disso, houve um erro grave de escala quando se fez o projeto original, o que implicaria a colisão do tunel rodoviário com o tunel pré-existente do metropolitano de Lisboa, pelo que o projeto teve de ser corrigido.
Se a obra, apesar disso, prosseguiu de forma sobranceira (sabe-se como foram insultados os que desde o principio escreveram que era uma barbaridade fazer um tunel com aquele traçado em declive) foi porque o parecer do ministério do Ambiente foi discretamente desprezado (pese embora alguma atenção e cuidados no tratamento estrutural do tunel rodoviário nas imediações do tunel do metropolitano).
É uma pena o Tribunal de Contas não referir isso porque, assim, um caso como este, quando houver dinheiro para investimentos, poderá repetir-se.
Aplaude-se a contribuição do tunel para escoar o tráfego de saida da cidade, mas não pode aprovar-se a sua contribuição para facilitar a entrada de carros na cidade, pelo que deveriam ter-se ponderado soluções alternativas.
A solução rodoviária para evitar o investimento do tunel rodoviário do Marquês teria sido a antecipação da conclusão da CRIL (afastando o tráfego do centro da cidade).
A solução ferroviária teria sido o prolongamento da linha vermelha até Campo de Ourique até um "park and ride" junto das Amoreiras.
Em resumo, aplaudir-se-ia o Tribunal de Contas se melhorasse a componente de engenharia nas análises que faz. No caso concreto do tunel do Marquês, isso permitir-lhe-ia avaliar os erros de conceção do projeto inicial e a má solução que foi ou seria, com ou sem alterações ao projeto, do ponto de vista de traçados e do ponto de vista de componente do sistema de transportes da cidade de Lisboa.
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Semiótica II - o corte de cabelo
Entrevistada, a socióloga de aplauso mediático declarou que gostava do corte de cabelo do ministro das finanças Vitor Louçã Gaspar. Cabelo curto e espetado, desenvolvendo-se em redemoinho.
Uma análise semiótica interpretará tal corte como sinal de disciplina interior, de arrumação de ideias, de simplificação de conceitos.
Poderá indiciar também o desprezo de análises secundárias de maior profundidade, preferindo contentar-se com as ideias feitas das sebentas.
Tais sinais são perfeitamente compatíveis com a resposta dada aos senhores deputados que propunham a tributação extraordinária dos dividendos: que se estava em período de captação de depósitos e de investimentos de particulares, e por isso não os queria afugentar com penalizações de dividendos ou mais valias, que é na verdade uma ingenuidade que consta das sebentas.
Ou o corte de cabelo pode ser ainda o sinal de preferencia por cortes severos.
Assim como o sistemático uso de casacos um numero acima poderá significar a vontade de inscrever no orçamento folgas que na verdade não deviam ser preenchidas.
E há ainda outro sinal interessante deste senhor ministro.
Uma das ultimas fotografias mostra um rosto já liberto dos receios das primeiras apresentações perante a assembleia de deputados. Os olhos revelam agora a segurança do professor que dispõe de informações assimétricas e que já deixa transparecer a contrariedade por ter de ouvir os irresponsáveis que discordam da assimetria distributiva dos sacrificios que ele vai paulatinamente traçando. Como este blogue costuma escrever, a fé nos dogmas do mercado e da diminuição da capacidade de intervenção do Estado dá esta segurança aos seus sacerdotes, à espera de que a redução das despesas públicas equilibre as contas (apesar da divida privada ser superior à divida publica) , ou, como na religião do cargueiro, que a livre iniciativa dos grandes grupos económicos "puxe" pela economia. Ou como J.M.Pureza escreve, o Tea Party subiu ao poder em Portugal e lá vai implementando a sua obsessão de zerar o Estado.
Critérios que a semiótica lá vai explicando.
Nota 1- A religião do cargueiro surgiu nas ilhas do Pacífico antes da segunda grande guerra. Os seus sacerdotes associaram a chegada de cargueiros com a abundancia de produtos importados que davam bem estar às populações. O papel dos sacerdotes passou então a ser o de implorar a vinda de cargueiros e em justificar a sua chegada com as suas preces. Repetindo com muita fé que os grandes grupos económicos têm muita vocação para gerir as coisas de interesse público, acabaremos todos por acreditar que as suas benesses chegarão.
Nota 2 - Basicamente, a ideologia do Tea Party é a oposição radical a gastos publicos
Uma análise semiótica interpretará tal corte como sinal de disciplina interior, de arrumação de ideias, de simplificação de conceitos.
Poderá indiciar também o desprezo de análises secundárias de maior profundidade, preferindo contentar-se com as ideias feitas das sebentas.
Tais sinais são perfeitamente compatíveis com a resposta dada aos senhores deputados que propunham a tributação extraordinária dos dividendos: que se estava em período de captação de depósitos e de investimentos de particulares, e por isso não os queria afugentar com penalizações de dividendos ou mais valias, que é na verdade uma ingenuidade que consta das sebentas.
Ou o corte de cabelo pode ser ainda o sinal de preferencia por cortes severos.
Assim como o sistemático uso de casacos um numero acima poderá significar a vontade de inscrever no orçamento folgas que na verdade não deviam ser preenchidas.
E há ainda outro sinal interessante deste senhor ministro.
Uma das ultimas fotografias mostra um rosto já liberto dos receios das primeiras apresentações perante a assembleia de deputados. Os olhos revelam agora a segurança do professor que dispõe de informações assimétricas e que já deixa transparecer a contrariedade por ter de ouvir os irresponsáveis que discordam da assimetria distributiva dos sacrificios que ele vai paulatinamente traçando. Como este blogue costuma escrever, a fé nos dogmas do mercado e da diminuição da capacidade de intervenção do Estado dá esta segurança aos seus sacerdotes, à espera de que a redução das despesas públicas equilibre as contas (apesar da divida privada ser superior à divida publica) , ou, como na religião do cargueiro, que a livre iniciativa dos grandes grupos económicos "puxe" pela economia. Ou como J.M.Pureza escreve, o Tea Party subiu ao poder em Portugal e lá vai implementando a sua obsessão de zerar o Estado.
Critérios que a semiótica lá vai explicando.
Nota 1- A religião do cargueiro surgiu nas ilhas do Pacífico antes da segunda grande guerra. Os seus sacerdotes associaram a chegada de cargueiros com a abundancia de produtos importados que davam bem estar às populações. O papel dos sacerdotes passou então a ser o de implorar a vinda de cargueiros e em justificar a sua chegada com as suas preces. Repetindo com muita fé que os grandes grupos económicos têm muita vocação para gerir as coisas de interesse público, acabaremos todos por acreditar que as suas benesses chegarão.
Nota 2 - Basicamente, a ideologia do Tea Party é a oposição radical a gastos publicos
sexta-feira, 5 de agosto de 2011
Vou viver para Lisboa e deixo de pagar transportes
Com a devida vénia ao DN, que registou a frase do título numa entrevista a um morador no Montijo que trabalha em Lisboa, a propósito do aumento dos transportes coletivos.
Este blogue lamenta o aumento, que poderia ser faseado, mas reconhece que durante anos e anos se foi deixando aumentar o fosso entre os custos de produção e as receitas de exploração.
Desejaria este blogue que o anterior governo tivesse atualizado o plano estratégico dos transportes, e não se tivesse limitado a discursos em eventos e a falsos anuncios da publicação do plano atualizado.
Desejaria agora este blogue que o atual governo apresentasse o seu plano estratégico, com o faseamento das medidas, desde a melhoria da taxa de cobertura das despesas pelas receitas, ao esclarecimento da questão das amortizações e do serviço da dívida das grandes obras de infra-estruturas (que não devem estar nas contas das empresas públicas), até ao aumento de impostos sobre os combustiveis e sua aplicação nos transportes coletivos, à melhoria da fiscalização do estacionamento indevido, da ultrapassagem dos limites de velocidade e das taxas de entrada nas cidades.
Julgo que não será pedir demais, dado que o atual ministério dos transportes tem chefe de gabinete e secretários de estado classificados como "super" e capazes de "brilhar", nas palavras do seu ministro.
O que me deixa um pouco desiludido, quando é o próprio ministro que vem dizer que eventualmente, poderá ser estudada uma taxa para entrada de automóveis nas cidades, a exemplo de Londres e Estocolmo.
É que, sendo uma medida já antiga e tão falada por alguns técnicos de transportes, admira como ainda se põe apenas a eventualidade de uma possibilidade de estudo. No próprio metropolitano de Lisboa foi proposta uma série de medidas que a própria empresa poderia dinamizar junto do ministério.
Espero que, apesar da ausencia de inquéritos de tráfego fiáveis, o tal eventual estudo anunciado pelo atual ministro pondere bem que os suburbanos têm ainda alguma capacidade para absorver desistentes do transporte individual, mas que essa capacidade é limitada, e que o metropolitano carece de aumentar a sua rede para sevir todas as zonas da cidade (não necessariamente em subterraneo e não necessariamente em modo pesado), pelo que será bom pensar em incluir no tal plano estratégico investimentos nos transportes coletivos a submeter a verbas QREN.
E tambem, evidentemente, uma vez que o problema dos transportes em areas metropolitanas é indissociável do problema da habitação. Não é possivel projetar uma rede de transportes sem integrá-la na politica urbanistica da cidade e da área metropolitana. E será bom controlar o preço da habitação em Lisboa, que irá subir se deixarem o mercado à solta.
Os aumentos dos transportes coletivos e os aumentos da tributação sobre o automóvel, combustiveis, portagens, acesso à cidade e estacionamento tornarão menos interessante viver nos arredores para quem trabalha em Lisboa, pelo que será de esperar um aumento de rendas de casa em Lisboa e um aumento de procura no metropolitano, contrariado pelo arrefecimento da economia, sendo que dificilmente o metropolitano responderá a um aumento da procura sem investimentos significativos.
Como quer que seja, será grave manter-se a inexistencia de um plano estratégico de transportes, o que indiciará uma falha mais grave de nivel geral, de falta de planeamento do país.
E como dizia Chandler, "structure follows strategy", pelo que se não houver estratégia, a estrutura será inutil e ineficaz.
Mas não sei se os supers do ministério dos transportes quererão saber desta minha preocupação, e certamente saberão melhor do que eu analisar as questões e propor soluções (tenho direito a uma mentira de vez em quando, não?).
PS - Vem posteriormente o senhor ministro dos transportes dizer que não é oportuno o estudo da taxa de entrada nas grandes cidades. Salvo melhor opinião, estudar de forma integrada e pluri-disciplinar as medidas de um plano estratégico, e a esta medida não se pode fugir (a menos que deixe de haver grandes cidade), é sempre oportuno.
Este blogue lamenta o aumento, que poderia ser faseado, mas reconhece que durante anos e anos se foi deixando aumentar o fosso entre os custos de produção e as receitas de exploração.
Desejaria este blogue que o anterior governo tivesse atualizado o plano estratégico dos transportes, e não se tivesse limitado a discursos em eventos e a falsos anuncios da publicação do plano atualizado.
Desejaria agora este blogue que o atual governo apresentasse o seu plano estratégico, com o faseamento das medidas, desde a melhoria da taxa de cobertura das despesas pelas receitas, ao esclarecimento da questão das amortizações e do serviço da dívida das grandes obras de infra-estruturas (que não devem estar nas contas das empresas públicas), até ao aumento de impostos sobre os combustiveis e sua aplicação nos transportes coletivos, à melhoria da fiscalização do estacionamento indevido, da ultrapassagem dos limites de velocidade e das taxas de entrada nas cidades.
Julgo que não será pedir demais, dado que o atual ministério dos transportes tem chefe de gabinete e secretários de estado classificados como "super" e capazes de "brilhar", nas palavras do seu ministro.
O que me deixa um pouco desiludido, quando é o próprio ministro que vem dizer que eventualmente, poderá ser estudada uma taxa para entrada de automóveis nas cidades, a exemplo de Londres e Estocolmo.
É que, sendo uma medida já antiga e tão falada por alguns técnicos de transportes, admira como ainda se põe apenas a eventualidade de uma possibilidade de estudo. No próprio metropolitano de Lisboa foi proposta uma série de medidas que a própria empresa poderia dinamizar junto do ministério.
Espero que, apesar da ausencia de inquéritos de tráfego fiáveis, o tal eventual estudo anunciado pelo atual ministro pondere bem que os suburbanos têm ainda alguma capacidade para absorver desistentes do transporte individual, mas que essa capacidade é limitada, e que o metropolitano carece de aumentar a sua rede para sevir todas as zonas da cidade (não necessariamente em subterraneo e não necessariamente em modo pesado), pelo que será bom pensar em incluir no tal plano estratégico investimentos nos transportes coletivos a submeter a verbas QREN.
E tambem, evidentemente, uma vez que o problema dos transportes em areas metropolitanas é indissociável do problema da habitação. Não é possivel projetar uma rede de transportes sem integrá-la na politica urbanistica da cidade e da área metropolitana. E será bom controlar o preço da habitação em Lisboa, que irá subir se deixarem o mercado à solta.
Os aumentos dos transportes coletivos e os aumentos da tributação sobre o automóvel, combustiveis, portagens, acesso à cidade e estacionamento tornarão menos interessante viver nos arredores para quem trabalha em Lisboa, pelo que será de esperar um aumento de rendas de casa em Lisboa e um aumento de procura no metropolitano, contrariado pelo arrefecimento da economia, sendo que dificilmente o metropolitano responderá a um aumento da procura sem investimentos significativos.
Como quer que seja, será grave manter-se a inexistencia de um plano estratégico de transportes, o que indiciará uma falha mais grave de nivel geral, de falta de planeamento do país.
E como dizia Chandler, "structure follows strategy", pelo que se não houver estratégia, a estrutura será inutil e ineficaz.
Mas não sei se os supers do ministério dos transportes quererão saber desta minha preocupação, e certamente saberão melhor do que eu analisar as questões e propor soluções (tenho direito a uma mentira de vez em quando, não?).
PS - Vem posteriormente o senhor ministro dos transportes dizer que não é oportuno o estudo da taxa de entrada nas grandes cidades. Salvo melhor opinião, estudar de forma integrada e pluri-disciplinar as medidas de um plano estratégico, e a esta medida não se pode fugir (a menos que deixe de haver grandes cidade), é sempre oportuno.
Semiótica I - o indicador e o polegar
Semiótica - o estudo dos sinais.
Quando Obama discursa e quer convencer os seus ouvintes das virtudes de uma sua proposta, reparem que a mão direita se levanta ligeiramente enquanto o indicador, em movimento contrário, se aproxima do polegar, para depois, repetidamente, apontar lenta e discretamente para baixo.
Será o sinal de que não há unanimidade e que é dificil convencer os adversários politicos.
Talvez inconscientemente os dois dedos unidos signifiquem que se está a pegar numa folha de papel com o decreto da medida proposta, aprovada após árduo esforço de negociação.
Isto é, que se atingiu o objetivo, e os dois dedos como que seguram a caneta com que assinou, ou desejaria ter assinado o decreto.
Ou significa simplesmente que se confundem desejos com realidades.
Ou será o sinal que mostra que a palavra e a argumentação não são suficientes para demonstrar a correção da proposta.
É natural que não.
A mente humana não é apenas razão, e a emoção não admite uma demonstração racional que poderia levar a uma unanimidade indesejada (de facto a unanimidade destroi a capacidade de deteção de erros num raciocinio).
Além de que o cérebro tem dificuldade em interpretar corretamente a realidade porque só apreende pequenas parcelas dela, preenchendo os vazios com o fruto da sua imaginação.
Ou aqueles movimentos repetidos com o indicador encostado ao polegar e a apontar lenta mas assertivamente o caminho a seguir tentarão transmitir a fundamentação da proposta e, de tão repetidos, conseguirem a sua aprovação.
Já repararam como fazem os atores das telenovelas brasileiras quando num diálogo é necessário sair do registo calmo?
Levantam as mãos ao nivel do coração, esticam os indicadores para o alto e agitam-nos em movimentos de aproximação e afastamento.
Sinal claro de que não conseguem só com o jogo fisionómico e o controle vocal transmitir o dramatismo pretendido pelo autor.
Tal como Obama não conseguiu convencer os seus eleitores, no confronto entre a conceção capitalista clássica de um lado, de quem não quer impostos porque quando se é rico foi porque se foi superior e por isso merece-se isenção de imposto e os pobres que paguem a crise, e a conceção assistencial do outro.
Isto é, no, we can't.
Não é possivel, por mais convictamente que se aperte o polegar e o indicador, abalar a fé religiosa e cega no interesse egoista de quem tem exito e de quem não tem exito mas espera que um dia venha a ter exito. No interesse egoista de quem pagou um seguro de saude que lhe dá tratamento preferencial relativamente a quem não o tem.
Não é possivel, numa economia de 10.000 mil milhões de euros de PIB e de valor semelhante de dívida pública,
haver acordo para aumentar o teto da dívida sem sacrificar a proposta do aumento dos impostos e do serviço de saúde abrangente.
Pena não se dar ouvidos ao financeiro chinês: "os USA estão a pedir dinheiro para pagar dívidas e isso não é bom".
Pena não se analisar a correlação entre o congelamento dos impostos nos USA e a subida da divida nas presidencias de Reagan (no tempo do petróleo abundante e barato) e de Bush.
Pena não se denunciar o impacto das despesas militares na divida publica dos USA, apesar de essas despesas irem ao encontro do interesse egoista do complexo militar-industrial de que Eisenhower falou no seu discurso de despedida.
E já repararam que, quando o primeiro ministro de Portugal, Passos Coelho, começa a falar de um assunto que sabe que vai contrariar os portugueses, aperta o indicador e o polegar e os move insistentemente, com ar professoral?
E que, nalguns registos televisivos que ficaram do professor de Santa Comba, tambem aparecem os dois dedos a impor aos portugueses a verdade que é só deles?
A semiótica é uma disciplina interessante.
Quando Obama discursa e quer convencer os seus ouvintes das virtudes de uma sua proposta, reparem que a mão direita se levanta ligeiramente enquanto o indicador, em movimento contrário, se aproxima do polegar, para depois, repetidamente, apontar lenta e discretamente para baixo.
Será o sinal de que não há unanimidade e que é dificil convencer os adversários politicos.
Talvez inconscientemente os dois dedos unidos signifiquem que se está a pegar numa folha de papel com o decreto da medida proposta, aprovada após árduo esforço de negociação.
Isto é, que se atingiu o objetivo, e os dois dedos como que seguram a caneta com que assinou, ou desejaria ter assinado o decreto.
Ou significa simplesmente que se confundem desejos com realidades.
Ou será o sinal que mostra que a palavra e a argumentação não são suficientes para demonstrar a correção da proposta.
É natural que não.
A mente humana não é apenas razão, e a emoção não admite uma demonstração racional que poderia levar a uma unanimidade indesejada (de facto a unanimidade destroi a capacidade de deteção de erros num raciocinio).
Além de que o cérebro tem dificuldade em interpretar corretamente a realidade porque só apreende pequenas parcelas dela, preenchendo os vazios com o fruto da sua imaginação.
Ou aqueles movimentos repetidos com o indicador encostado ao polegar e a apontar lenta mas assertivamente o caminho a seguir tentarão transmitir a fundamentação da proposta e, de tão repetidos, conseguirem a sua aprovação.
Já repararam como fazem os atores das telenovelas brasileiras quando num diálogo é necessário sair do registo calmo?
Levantam as mãos ao nivel do coração, esticam os indicadores para o alto e agitam-nos em movimentos de aproximação e afastamento.
Sinal claro de que não conseguem só com o jogo fisionómico e o controle vocal transmitir o dramatismo pretendido pelo autor.
Tal como Obama não conseguiu convencer os seus eleitores, no confronto entre a conceção capitalista clássica de um lado, de quem não quer impostos porque quando se é rico foi porque se foi superior e por isso merece-se isenção de imposto e os pobres que paguem a crise, e a conceção assistencial do outro.
Isto é, no, we can't.
Não é possivel, por mais convictamente que se aperte o polegar e o indicador, abalar a fé religiosa e cega no interesse egoista de quem tem exito e de quem não tem exito mas espera que um dia venha a ter exito. No interesse egoista de quem pagou um seguro de saude que lhe dá tratamento preferencial relativamente a quem não o tem.
Não é possivel, numa economia de 10.000 mil milhões de euros de PIB e de valor semelhante de dívida pública,
haver acordo para aumentar o teto da dívida sem sacrificar a proposta do aumento dos impostos e do serviço de saúde abrangente.
Pena não se dar ouvidos ao financeiro chinês: "os USA estão a pedir dinheiro para pagar dívidas e isso não é bom".
Pena não se analisar a correlação entre o congelamento dos impostos nos USA e a subida da divida nas presidencias de Reagan (no tempo do petróleo abundante e barato) e de Bush.
Pena não se denunciar o impacto das despesas militares na divida publica dos USA, apesar de essas despesas irem ao encontro do interesse egoista do complexo militar-industrial de que Eisenhower falou no seu discurso de despedida.
E já repararam que, quando o primeiro ministro de Portugal, Passos Coelho, começa a falar de um assunto que sabe que vai contrariar os portugueses, aperta o indicador e o polegar e os move insistentemente, com ar professoral?
E que, nalguns registos televisivos que ficaram do professor de Santa Comba, tambem aparecem os dois dedos a impor aos portugueses a verdade que é só deles?
A semiótica é uma disciplina interessante.
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