terça-feira, 9 de dezembro de 2025

Apresentação da proposta do Consórcio para a Alta Velocidade na Área Metropolitana do Porto na Ordem dos Engenheiros da Região Norte, 5 de dezembro de 2025

 

video da apresentação  :

https://www.youtube.com/watch?v=g4K1D7kEUgI


Felicito a Ordem dos Engenheiros, Região Norte pela realização deste webinar. O tema é de um assunto público com elevado impacto na economia nacional e como tal deve ser atempadamente discutido e resolvido. A participação no webinar, quer presencial quer on line confirma o interesse público.
Contudo, como aliás dito no webinar, atualmente estaremos mais numa fase explicativa das soluções possíveis, tendo-se ultrapassado a fase de definição de traçados e de requisitos mínimos.
Como também referido  por um assistente presencial, houve uma altura em que se pensava a estação de Alta Velocidade em Devesas, com correspondência com o metro e partilha com este da nova ponte a nascente da ponte da Arrábida e seguimento em túnel para o Aeroporto, hipótese que mereceu a concordancia de princípio do então presidente de Câmara. O traçado pela nova ponte a nascente da ponte da Arrábida economizaria cerca de 3 km relativamente ao percurso por Campanhã, o que, considerando a necessidade de túneis na zona urbana até ao aeroporto, não será de desprezar. Prevaleceu porém a ideia de juntar a reurbanização, incluindo a demolição dos edifícios da moagem, do lado nascente da estação de Campanhã e fazer desta uma estação de AV, ficando assim uma extensão de menos de 20 km com 3 estações de AV, o que não parecerá correto embora não inédito.
Provavelmente com elevada probabilidade, neste momento não será possível fugir a esta situação, consequência da estrutura de decisão, que veio a ser consagrada na RCM77/2025 enquanto atribuição à IP da decisão de soluções de traçado, e enquanto prioridade dos critérios ambientais da APA. Como inscrito nos relatórios finais das consultas públicas, os fatores técnicos específicos dos modos de transporte são considerados irrelevantes perante a relevância dos fatores ambientais. Isto é, as melhores soluções técnicas podem vir a ser desprezadas, não só por razões financeiras, mas também por considerada irrelevância perante as questões ambientais. Como consequência, a sucessão de investimentos poderá ser um conjunto de elementos pouco compatíveis funcionalmente entre si, ou por outras palavras, após a escolha e execução do traçado de um troço poderá ser difícil encontrar uma boa solução técnica de expansão por falta de uma visão integrada no início das tomadas de decisão. Permito-me, pois, sustentar que a solução 3 estações de AV numa curta extensão releva a inconformidade de não se estudar um plano integrado abrangendo, no caso nacional, todas as componentes das redes transeuropeias interoperáveis TEN-T no território nacional e sua interligação com a rede espanhola de Alta Velocidade, incluindo os planos de mobilidade das áreas metropolitanas e as ligações aos portos, tudo conforme o regulamento 2024/1679 (evoco a natureza jurídica vinculativa dos regulamentos cujo incumprimento pode provocar uma decisão de execução ou implementing decision pela Comissão Europeia). Por outras palavras, o tema exigiria que, em caso de insuficiência de recursos humanos, como referido pelo colega vice-presidente da IP ("o Estado não tem gente nem tempo"), fosse promovido um concurso público internacional, e nunca por ajuste direto, para seleção de consultores de referência internacional para elaboração do mencionado plano integrado em coordenação com a DG-MOVE/coordenador do corredor atlântico, com o coordenador do governo espanhol do corredor atlântico e com a entidade francesa do corredor. Dado o período crítico vivido internacionalmente, será indispensável obter apoio não só financeiro mas também técnico, precisamente para melhorar as candidaturas a fundos comunitários compatibilizando as especificações com os requisitos do regulamento citado (recordo que não foram aprovadas candidaturas de Portugal ao CEF de julho de 2025). Igualmente seria provável que o plano integrado recomendasse a redução do número de lotes e revisse com o compardor público o esquema financeiro das PPP a 30 anos.
É verdade que a aplicação estrita dos princípios constitucionais arrastaria a discussão no tempo com o consequente aumento de custos. Mas esses princípios existem, nomeadamente inscritos no artigo 48 (direito à participação e à informação), e no art.165.1.z (competência exclusiva legislativa da Assembleia da República, não do Governo, a menos de autorização explícita no seguimento). E não será respeito por esses princípios o deixar as explicações para uma altura em que já não será razoável introduzir alterações de fundo.

Cingindo-me às explicações fornecidas no webinar,  listo os seguintes comentários adicionais:  




Informação relacionada :

Comunicação apresentada no 11º congresso do CRP em maio de 2025

Carta aberta para o senhor ministro das Infraestruturas em 29 de novenbro de 2025

          Reiterando as felicitações pela realização do webinar e na expetativa da divulgação do respetivo video na totalidade e do regresso ao tema dentro de pouco tempo, nomeadamente para o debate de ideias para as consultas públicas dos restantes troços da LAV Porto-Lisboa, apresento os meus melhores cumprimentos


Fernando Santos e Silva,  O.Eng nº 10973, esp. Transportes e Vias de Comunicação  



PS em 13dez2025 - Comentário ao artigo                            https://www.sabado.pt/opiniao/convidados/joao-paulo-batalha/detalhe/o-tgv-vai-de-mota     

 De facto,a tática usada pela IP e pelo Consórcio (são realmente amigos para as ocasiões contrariamente aquele ditado amigos, amigos, negócios à parte) é sábia, conseguem desiar as atenções para a questão da localização da estação ou em Sto Ovidio ou em Vilar do Paraíso e então eternizar-se-á a discussão qual a versão em que há mais túneis e a versão em que há mais expropriações. Claro que fazer a estação à superfície é mais barato se as expropriações forem pequenas. Mas o desvio é o de um traçado mal amanhado concebido para aumentar as receitas da CMP com a reurbanização de Campanhã quando  o traçado original era o correto Devesas-Aeroporto (menos 3 km de tuneis do que por Campanhã e pelo norte do Porto, ligação pela linha rubi do metro a Campo Alegre, na zona da faculdade de arquitetura a nascente da ponte da Arrábida;  2 estações de AV, Devesas e Aeroporto e não 3).. Tambem o desvio serve para não se falar na inconformidade face ao regulamento 1679 do tráfego exclusivo para passageiros e de bitola ibérica, quando o regulamento diz tráfego misto e bitola europeia.
E assim vamos, a ver se o TdC diz uma coisa muito simples que o BEI já disse, o caderno de encargos dizia uma coisa e o o concurso foi ganho pelo consórcio com base no caderno de encargos logo tem de se perguntar aos concorrentes que perderam o que acham da mudança do local da estação. No caso de Taveiro e Coimbra B o concurso foi anulado embora a versão estação em Taveiro seja superior à estação em Coimbra B (evita a quadruplicação da linha suburbana embora exija uma ligação de metro que agora com a moda do metrobus não existe).
Pobre linha de Alta Velocidade Porto-Lisboa. E quanto à de Lisboa-Madrid, pobre implementing decision.

Declaração de interesse - serve esta declaração para me justificar junto dos meus amigos do Norte que a minha proposta de 2 estações de AV apenas, em Gaia/Devesas e no Aeroporto de Pedras Rubras assenta nos mesmos princípios do que proponho para a Área Metropolitana de Lisboa, a estação central em Sacavém ou no AHD e travessia do Tejo a partir da zona da foz do Trancão para Alcochete Norte, eventualmente com ilha artificial junto da margem esquerda, e outra estação no NAL, em linha com a LAV Madrid-Lisboa.

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