quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Visto e ouvido na televisão a propósito do corte das pensões da Caixa Geral de Aposentações





Programa de debate politico numa televisão privada.

Dum lado Alexandre Relvas, apresentado como empresário mas conhecido apoiante ativo do senhor presidente da Republica e do partido no poder.

Do outro lado, João Proença e Eugénio Rosa.

O sorriso de Alexandre Relvas é o da superioridade e da sobranceria de quem tem o poder e a mensagem é muito clara. Que se aceitem os cortes, porque senão será muito pior no futuro.

É provável, isso confirma o que Paul Tomson, logo nos primeiros dias de intervenção da troika nos disse a todos, que os salários e as pensões em Portugal, em geral, tanto no setor publico como no seto privado, são muito elevados (isto é, em lugar de se promoverem os da Bulgária e da Roménia, baixam-se os de Portugal). E que aproximar as pensões da CGA das reformas da segurança social é um ato de justiça, de equidade.

Parolice esta de utilizar argumentos que se acha que impressionam muito o adversário. A equidade, a justiça igualitária.

Eugénio Rosa, economista da CGTP, perdeu um pouco a paciência. Teve de lhe dizer que estava a utilizar uma fórmula de cálculo de pensões de 2004, desatualizada. que dominava pouco a problemática das pensões e que já tinha apresentado ao ministério os cálculos que demonstravam que a diferença de pensões entre os dois sistemas não ultrapassa atualmente 2,9% (sorriso de superioridade de Alexandre Relvas, não de humildade pedindo para que lhe expliquem os cálculos).

João Proença recorda que há anos que as despesas com pessoal do funcionalismo publico baixam significativamente e que o problema principal aresolver é o do desemprego.

Eugénio Rosa recorda, a propósito dos impostos, que o fator trabalho, com uma quota de 45% no rendimento nacional, paga cerca de 75% dos impostos, enquanto o fator capital, com 55% de rendimento, paga 25% dos impostos (daria uma boa série de programas o desenvolvimento da frase de João César das Neves no seu livro “As 10 questões da crise”: “em Portugal os ricos não pagam impostos”).

Mas não se consegue um debate assente em argumentos e factos sólidos para construir soluções (não parece haver outra saída que não seja aumentar o PIB mexendo em todos os seus fatores, mas o poder politico continua agarrado aos fundamentalismos aus teritários que sucessivamente vai reduzindo o PIB). Como tornar construtivo um debate com estes pressupostos?

Equidade? Faz lembrar o verso de António Aleixo:

Vós que lá do vosso império
prometeis um mundo novo,
calai-vos que pode o povo
querer um mundo novo a sério

Mas Eugénio Rosa tem algumas dificuldades de dição, não tem telegenia e os cálculos são aborrecidos de seguir. Nem os programas da televisão em que entra têm grande audiência.

Vejam os estudos dele em:

https://skydrive.live.com/redir?resid=1EBC954ED8AE7F5F!264





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