domingo, 25 de março de 2012

Falas de governantes - a orquestra sinfónica

Com o entusiasmo militante com que responde à entrevista, e a satisfação orgulhosa de que agora tudo é diferente e melhor, o senhor ministro Miguel Relvas afirmou que "o governo não é uma orquestra sinfónica ... que agora há um comandante, que manda".
Gosto de analisar o que as pessoas dizem, pelo que revelam.
Não será das preferencias do senhor ministro a musica sinfónica, e colegas seus no governo, como o senhor ministro da Educação, uma pessoa de grande cultura científica, ou o titular da escondida secretaria da cultura, uma pessoa de grande cultura literária, ou ainda o secretário das infraestruturas da Justiça, uma pessoa de grande cultura tecnológica, como sentirão esta ausencia de cultura nos senhores ministros que decidem rumos?
Pode ser que seja um problema de consciencia, talvez como o de Séneca, quando pensava no que se passaria nas cabeças do imperador que educara, mas não sei, nem devo afirmar nada, apenas acho que deve ser um problema pessoal  interessante.
Ou estarei enganado e o senhor ministro Miguel Relvas estaria a pensar no filme de Fellini e Nino Rota, Ensaio de orquestra, com o seu maestro alemão autoritário.
http://www.cadrage.net/films/orchestrarehearsal/orchestrarehearsal.html

Talvez não fosse a ideia de Fellini e Nino Rota.
Quanto ao comandante que manda, o Costa Concordia tambem tinha um, cego pelos encantos da sua sereia (privatizações?) e imprudente ao deixar o seu navegador, conhecido por estar sempre a fazer retificativos ao rumo, demasiado perto dos escolhos (da austeridade das desigualdades?).
Longe vá o agoiro.

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