segunda-feira, 4 de novembro de 2013

A armadilha da pobreza

O gráfico pretende ilustrar, não demonstrar, porque não existem leis universais de aplicação sem consideração das especificidades do caso em estudo, especialmente em economia, as hipóteses de um investimento seguido de reinvestimento, quando o objetivo é aumentar a riqueza.
O gráfico fica aqui em intenção, obviamente falhada devido à pouca audiencia deste blogue, dos funcionários da troika e seus seguidores domésticos.
Nas escolas em que eles estudaram, e nos seus eficientes países, a lei dos rendimentos decrescentes parece só aplicar-se a partir d eum certo nível de riqueza.
Infelizmente, a experiencia de entidades amigas da pobreza como FMI, permitiu completar a curva com uma primeira parte, como se pode ver no gráfico, que é a zona da armadilha da pobreza.
Armadilha significa que, uma vez lá, não se pode sair sem ajuda do exterior.
Só que no caso vertente, a ajuda tem sido de empurrar a economia portuguesa no sentido descendente da curva, através das medidas de austeridade (ou de arrefecimento da economia).
De tal modo foi o empurrão, que através dos cortes sistemáticos de despesa se ulttrapassou o ponto de separação entre os rendimentos crescentes e a armadilha da pobreza.
Quando a dimensão do sistema económico e dos recursos utilizados o justifica, um investimento bem dimensionado provoca retorno compensador, especialmente após reinvestimento.
É o que a curva ilustra com o investimento de A2, que depois de reinvestido trouxe um retorno B2>A2  (seguir a reta dos 45º ) .
Se porem para o mesmo sistema se continuarem a aumentar os recursos sem outras medidas (claro, claro, aumentando a produtividade), o rendimento decresce e não haverá retorno obtendo-se B3No caso da aramdilha da pobreza a situação é deprimente. Por mais que se invista, o  resultado é ficar-se mais pobre.
Só parece portanto viável a solução de investimento com fundos comunitários (QEE -quadro estratégico europeu para 2014-2020) que levem a economia a ultrapassar o ponto de separação entre a pobreza e os rendimentos crescentes.
Se quisermos utilizar a fórmula do saldo orçamental =investimento-poupanças+exportações-importações, dir-se-á que os fundos comunitários poderiam contabiizar-se nas exportações (juntamente com as exportações propriamente ditas), enquanto é imprescindível reduzir as importações (por exemplo com taxas de CO2 como já defendido pelo próprio ministro do ambiente) e as poupanças através da sua aplicação em investimento.
Mas repito, isso só dará resultado se a economia, através dos fiundos comunitários, for "puxada" para a zona dos rendimentos crescentes e se, naturalmente, os projetos para esses investimentos (obviamente para infraestruturas de produção de energias renováveis e de eficiencia energética como transporte ferroviário e maritimo) forem bem feitos.
Apoio de consultoria escandinava, precisa-se, condição aparentemente sine qua non.
Salvo melhor opinião, claro.



Referencia - A economia dos pobres, Abhijit Banerjee e Esther Duflo, ed.Círculo Leitores 

Ver ainda, a propósito da problemática dos cortes:
http://fcsseratostenes.blogspot.pt/2012/11/exercicio-de-surrealismo.html

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