quinta-feira, 20 de junho de 2019

A tragédia na passagem de nível de Carapeços, Barcelos no dia 19 de junho de 2019

Sentidas condolências à família enlutada


Este texto é apenas um desabafo de indignação . Muitos dos meus colegas dizem que é possível coexistirem o modo de transporte ferroviário interurbano e núcleos habitacionais.
Eu digo que não, que são incompatíveis, por mais automatização que se ponha nas passagens de nível e por melhor que se ajustem as condições topográficas dos locais.
Segundo as testemunhas o condutor terá contornado as meias cancelas e o seu automóvel embatido por trás. Segundo as notícias ambos os veículos se deslocavam no sentido norte-sul. O ângulo da estrada com a via férrea é muito pequeno, pelo que se admite que terá havido excesso de confiança do condutor para a pouca visibilidade de que dispunha.  Mas é uma punição demasiado severa para um comportamento não autorizado.
Tento compreender as circunstancias nas imagens da TVI e do Google Earth.
Observo que a reposição das condições de circulação foi rápida. Discordo desse procedimento. Toda a zona deveria ser isolada (segundo as noticias o carro foi arrastado 200m) e só libertada depois da vistoria pelos técnicos investigadores do acidente, para poderem recolher o máximo de indícios, mas admito que não haja pessoal técnico para isso com as limitações de quadros.
A IP veio já informar que tem um programa para substituição das passagens de nível por desniveladas (aliás existe uma a poucas centenas de metros deste local) até 2023.  Mas admito que os corte orçamentais não o permitam.
Entretanto, penso que o GPIAAF deveria investigar este acidemte. Se defendemos o transporte ferroviário não só por razões de economia de energia mas também de segurança, é necessário apresentar recomendações e aplicá-las. Um atropelamento por um comboio é um acidente ferroviário.

Eu diria que as meias cancelas não são aceitáveis. O inconveniente das cancelas inteiras  poder encerrar um veículo pode minimizar-se, para além de sensores de presença, com fusiveis mecanicos nas cancelas para permitir a fuga, e com cancelas duplas para aproximação. No entanto, insisto que nenhuma automatização pode garantir a segurança absoluta. Também é de encarar a reposição de guardas de passagem de nível, mas também não é garantido. Finalmente, com o apoio das juntas de freguesia e câmaras municipais, poderia entretatno adaptar-se as passagens de nível criando espaços de vidibilidade à sua volta. É verdade que isso pode ser encarado como um convite à passagem não autorizada, mas a isso pode contrapôr-se uma campanha publicitária agressiva e uma intervenção nas escolas.no sentido de respeitar a sinalização ferroviária e comunicar imediatamente o sinal de avaria.

Mas desanimo, é muito dificil, as pessoas habituam-se a passar, e as velocidades dos comboios são elevadas para efeitos de segurança.
se ambos os veículos se dirigiam para sul, o acidente terá ocorrido assim

vista da passagem de nível no sentido contrário ao sentido da circulação dos 2 veículos;  a colisão terá assim sido por convergencia segundo um angulo agudo ; notar o tamanho das meias cancelas


vista da passagem de nível no sentido de circulação do automóvel acidentado




aproximação da passagem de nível no sentido do automóvel acidentado: visibilidade reduzida, agravada pela manobra de contorno da meia cancela


PS em 21 de junho -  Descrição do acidente na passagem de nivel de Millas, no sul de França:
https://fr.wikipedia.org/wiki/Accident_de_Millas
Também a conclusão foi atuação indevida da condutora do autocarro (andava a tomar um medicamento incompatível com a condução) que reportou a proximidade das cancelas da curva anterior. Mas considerando a análise de riscos, em que a frequencia dos acidentes é da ordem de 1 por ano ou mais, com consequencias catastróficas (vários mortos), a conclusão deve ser que a situação é intolerável (ver gráfico) e não o considerar responsabiliza a  administração pública.
Situação insustentável em França:
https://www.securitepassageaniveau.fr/

Gráfico da análise de riscos e sua aceitação:


Insisto, não são compatíveis vias férreas e rodoviárias.

Sem comentários:

Enviar um comentário