terça-feira, 22 de dezembro de 2015

A escolaridade e a entropia

O conceito de entropia não é intuitivo.
Está associado à conservação da energia num sistema isolado ou à impossibilidade de produzir trabalho útil sem converter parte da energia em calor.
Por outras palavras, num sistema abandonado a si próprio a desordem molecular, termodinâmica,  tende para o seu estado máximo.
É portanto necessário fornecer energia a um sistema para que ele assuma o estado que nos interessa.
Por exemplo, levantar as paredes de um edifício.
Ou transportar pessoas ou materiais (transformando a energia química do combustível fóssil, já de si transformada a partir da energia solar, em energia de deslocação e em calor).
Sendo certo que será sempre necessário "ir buscar" a energia a algum sítio, que degradará parte do sistema de forma irreversível, por mais que nos pareça eterno o tempo de decaímento radioativo que emite a energia solar ou o aquecimento do interior da Terra.

Posto isto, considere-se a seguinte fotografia e o zoom do pormenor:
Representa a embalagem de um brinquedo de criança deixada no pavimento público.
Isto é, a entropia do sistema de distribuição do brinquedo aumentou ao não ter sido fornecida energia para a sua recolha em recipiente adequado.
Recorde-se agora o indicador dos 50% de analfabetismo. No século XVI, 50% da população dinamarquesa atingiu a alfabetização. Isso aconteceu na Inglaterra, Alemanha e Holanda no século XVII, mas em França no século XVIII e em Espanha no século XIX. Em Portugal e na Turquia aconteceu no século XX.
A maior parte das nossas avós, senhoras im idade fértil no início do século XX, eram analfabetas. Muitas delas sábias e produtivas, mas analfabetas.
Isso teve consequencias através dos mecanismos de afetividade familiar e de reprodução de conceitos e práticas por quem esteve mais tempo em casa em contacto com as crianças.
Por meio de um grande esforço, o país conseguiu subir o nível de escolaridade da população jovem.
Mas é ainda insuficiente, como mostram as análises críticas comparativas com os países europeus. Os senhores economistas falam em défice de qualificações, apesar de sermos um país exportador de qualificados.
Existe uma grande entropia, uma desordenada organização social que requer enorme energia para modificar o seu estado. Que encontra relutancia entre os próprios sujeitos para essa mudança. Essa relutancia manifesta-se como consequencia de insegurança própria, desconfiança de normas externas. Muitos técnicos (felizmente há exceções) têm dificuldade em seguir os procedimentos, de segurança ou específicos da tarefa porque se considerariam inferiorizados se o fizessem.
É por exemplo o caso dos condutores de automóvel ao não cumprirem os limites de velocidade, ao não respeitarem a distancia para o veículo que os precedem, ao deixar as portas abertas para a via de rodagem.
É também o caso das crianças que deitam embalagens para o chão, e dos seus pais que validam esse procedimento enquanto a entropia aumenta.
Não basta o indicador dos 50% de alfabetização, é necessário para o país ser civilizado e desenvolvido, que a entropia seja contida.
Contenção da entropia, precisa-se.

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