quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

COP21, uma opinião

Com as limitações próprias, mas exercendo o respetivo direito, expresso a minha opinião sobre a conferencia do clima de Paris.
Não serei tão rigoroso como James Hansen, 74 anos, reformado da NASA e da universidade de Columbia, militante desde a conferencia de 1988 contra a contribuição humana para as alterações climáticas, com prisões por protestos junto da Casa Branca, que qualificou o acordo de Paris como "uma fraude, uma farsa", por ser insuficiente e não fixar medidas realmente concretas nem definir uma taxa efetiva sobre as emissões (até o FMI já publicou estudos que qualificam a inexistencia dessas taxas como subsidio aos produtores e distribuidores de combustíveis fósseis).
Será injusto qualificá-lo assim quando certamente entre os representantes dos 195 países que assinaram o acordo haverá gente séria e bem intencionada, especialmente se considerarmos o empenho de Christiana Figueres, 59 anos, porto-riquenha, secretária executiva da convenção-quadro da ONU para as alterações climáticas.
Mas é deprimente ver a hipocrisia dominante, ver o desinteresse e a ineficência, na prática, pela monitorização efetiva da concretização das medidas contra as alterações climáticas, e ver o tempo passar e continuar a assistir à subordinação de grande parte, a maior parte da humanidade, aos interesses dos grandes produtores e distribuidores de combustíveis fósseis.
Christiana Figueres será parte interessada, como qualquer português, porque o seu país não é produtor de petróleo, na redução da sua produção global.
Mas recusará, como também nós deveremos recusar, desistir perante  a superioridade dos produtores e dos políticos que servem os seus interesses. No nosso caso, é essencial, com apoio de fundos comunitários, aumentar a produção de renováveis e construir infraestruturas para exportação da energia produzida e para a sua conversão em vetores de transporte (hidrogénio, ar comprimido, baterias).
Apesar de, efetivamente, a mecânica quântica confirmar que é impossível uma energia competitiva em termos de eficiência energética (1 litro de gasolina ou gasóleo, ou 1 m3 de gás natural, contêm 10 kWh de energia, equivalentes a 70 kg de baterias lítio-ferro) e de facilidade de utilização.
Tal como a idade da pedra já passou, e continuam a existir pedreiras, mas sem que a sua exploração deva prejudicar as comunidades, também a idade do petróleo tem de passar, deixando-o nas jazidas cuja extração prejudica as comunidades (a melhor prova foi a recusa de um CEO duma petrolífera da extração por fracking no subsolo da sua quinta privada).

Com a devida vénia à RTP, registo as seguintes imagens de uma sua reportagem sobre a COP21:











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