quarta-feira, 11 de junho de 2014

Ainda o acidente de Bretigny de julho de 2013

Existe algum ruído mediático em França com a publicação de um relatório por um perito independente sobre o acidente de Bretigny de Julho de 2013. Esse relatório tinha sido enviado à comissão de inquérito judicial há 4  meses, parecendo assim tratar-se de uma fuga de informação.
Pessoalmente, continuo a preferir o critério anglo-saxónico de investigação aberta de acidentes, mantendo a opinião pública inormada do evoluir dos inquéritos.
Coisa que é o oposto do secretismo em vigor no Portugal dos dirigentes engravatados.
A divulgação agora verificada confirma o que escrevi no comentário ao acidente, apenas acrescentando que a eclisse que provocou o descarrilamento não saltou totalmente, antes rodou sobre um dos pernos que se manteve.
Continuo a pensar que a verificação da consistência do balastro para evitar o jogo vertical que provoca fadiga nos pernos das eclisses e as sua fratura ou desaperto, é essencial em manutenção periódica (sem compactação do balastro não basta apertar os pernos).
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O relatório agora divulgado apresenta uma estatística preocupante sobre o numero de pernos de fixação de eclisses encontrados partidos ou desapertados.
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A SNCF respondeu com

Neste acidente, verificaram-se duas circunstancias a que a SNCF não deu a devida atenção:
1 – tinha reduzido o esforço de manutenção por ter programada uma renovação total da zona a curto prazo e tinha tido dois meses antes de substituir uma TJD na via adjacente, onde impôs uma limitação de velocidade (é uma situação de risco reduzir a manutenção enquanto se espera por uma renovação e não compreender que a intervenção necessária numa TJD indiciava que as outras também necessitariam de intervenção urgente e de medidas de limitação de velocidade; verificou-se uma circunstancia semelhante no acidente da ponte de Entre os Rios: aguardava-se a construção de uma nova ponte);
2 – foram ignorados os protestos dos passageiros que se queixavam de grandes trepidações (motivadas pelo jogo vertical nos aparelhos de via) à entrada na estação.


Aguardemos os resultados do inquérito definitivo, sendo certo que dificilmente fugirão ao que já se sabe, interessando as  medidas para evitar que os acidentes se repitam.

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