terça-feira, 16 de agosto de 2011

Alqueva, Alqueva

Bem me parecia que ainda haviam de embirrar com o Alqueva. A excelsa e jovem senhora ministra está muito preocupada com o defice de exploração da água do Alqueva e com o montante do investimento para concluir o plano de irrigação.
O contexto que se vive no atual governo de obsessão a todo o custo no corte das despesas cria assim expetativas negativas.
Os fundos europeus atingem quase 50% e correm deste modo o risco de se perderem.
Ao menos que se renegociasse o prazo de fornecimento dos fundos.
É possivel que os membros da troica achem muito bem que se poupe cortando no resto do plano de irrigação , mas os técnicos agrícolas de qualquer pais da Europa não vão concordar.
Em parte nenhuma deste mundo se pode esperar que um sistema de irrigação dê lucro, porque isso significaria que o encarecimento dos alimentos,que são pagos pelos cidadãos e cidadãs, seria igual ao lucro. O preço das laranjas produzidas por Israel cobre o investimento do sistema de irrigação?
Faz lembrar o preço dos transportes: o preço do título de transporte deve cobrir as despesas de exploração (deve, mas mesmo deve no sentido de obrigação, não de dívida), não necessariamente a amortização do investimento da infra-estrutura básica.
Mas vamos aguardar, que a senhora excelsa e jovem ministra ainda não decidiu (pobre senhora, especialista de direito de contratação, a braços com a questão da irrigação da terra alentejana).

Se o governo optar por borregar, não será em meu nome.
Será uma coisa parecida com a desistencia do TGV, um incumprimento de um plano internacional já acordado (podia sempre renegociar-se o prazo de execução, mas a obsessão ds cortes dificulta isso).

Numeros:
Faltam 700 milhões de euros para concluir o empreendimento de 2.500 milhões de euros. Estão irrigados 67.000 hectares; faltam 43.000 hectares.
A senhora ministra diz que precisa de 300 milhões de euros e não consegue obtê-los (que tal uma subscrição publica, como no tempo do ultimato?).
Fundos europeus já investidos: 765 milhões de euros; endividamento: 634 milhões de euros
Custo da barragem concluida em 2005 e da central hidro-elétrica: 1 milhão de euros (é o que se chama dinheiro bem empregue); albufeira cheia em 2010 (contrariando as cassandras ignorantes e os adeptos do imobilismo industrial).
capacidade da albufeira: 4.150 hm3
potencia da central 260 MW (suscetivel de ampliação)
52 estações de bombagem para rega, alimentando 64 açudes e 16 mini-hidricas e re-turbinagem
Sinceramente, como se diz em coloquial, que disparate não concluir isto e não ampliar a central; os benefícios disto são superiores ao custo económico da obra e equipamentos (estou mesmo a ver um dia destes propor-se a venda do lago aos chineses para instalarem "resorts" e tomarem conta da irrigação e da eletricidade, num negócio à moda do BIC-BPN; e pensar que o empreendimento foi planeado e programado em 1970).

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