domingo, 19 de dezembro de 2010

PISA – Programme for International Students Assessment

O PISA – Programme for International Students Assessment (Programa internacional da OCDE para avaliação dos estudantes)

Os representantes das estruturas decisórias nos domínios da Educação do meu país embandeiraram em arco.
Os estudantes portugueses de 15 anos, selecionados quase aleatoriamente para responder a testes e questionários preparados pela OCDE para avaliar a capacidade de interpretação e de resolução de problemas de literacia em matemática, leitura e ciências, melhoraram significativamente e comparativamente com os países europeus mais evoluídos entre os testes de 2006 e os testes de 2009.
Perante este facto, os meus aplausos, pelo sentido positivo da evolução.

Porém, a forma como os referidos representantes interpretaram os resultados, como quem incensa o treinador quando a equipa ganha, merece ser analisada pela gravidade revelada, precisamente na dificuldade de interpretação matemática e na ileteracia matemática que nos tortura.
Os resultados do PISA não demonstram teoremas ou teorias, porque as estatísticas deste tipo mostram correlações, se bem fundamentadas.
Efetivamente parece ser o caso das estatísticas do PISA da OCDE; existem mecanismos estatísticos, aplicáveis aos dados dos testes e dos questionários, que permitem detetar eventuais fraudes, que não consta terem acontecido.
Não disponho de elementos que permitam duvidar da aleatoriedade da seleção dos alunos e da correção dos procedimentos, não obstante a extinção anunciada do GAVE, responsável pelo PISA em Portugal desde 2000, pela anterior senhora ministra ( não terá portanto ocorrido nada de semelhante ao que se passou nos anos 90 nos USA, num concurso ganho pela pior escola de Chicago que teve acesso prévio aos testes, e que originou um interessante filme).
Quem conhece professores que sofreram as imposições da anterior ministra, que dizia que tinha perdido os professores mas tinha ganho o povo, sabe que não deve estabelecer-se uma correlação entre as medidas da senhora ex-ministra e as melhorias verificadas.
Quem conhece um sistema de avaliação sabe como os objetivos teóricos do sistema não têm correspondência com a prática, pelo menos até agora, e da forma como têm sido aplicados.

Vamos porém a factos, para avaliarmos se há razão para tanto contentamento, mesmo descontando o coeficiente de auto-satisfação que caracteriza qualquer dirigente político português.
Eis os resultados dos testes de 2006 e de 2009, de Portugal, Macau e média da OCDE.


Pontuações máximas obtidas por países da OCDE em 2009:

matemática:  Coreia, 546
leitura:          Coreia, 539
ciencias:       Finlandia, 554

Pode ver-se que o contentamento vem da subida de todas as pontuações (matemática, interpretação de leitura e ciências) e da subida na tabela ordenada.
Mas…não quererão ver que os valores de 2006 são tão baixos que as subidas são mais fáceis do que para os países mais bem colocados ? (simples aplicação de um corolário da lei dos rendimentos decrescentes).
E é caso para estar tão contente? quando no conjunto dos 31 países da OCDE estamos sempre claramente abaixo da média e:
- em matemática estamos em 25º (sempre muito atrás de Macau)
- em leitura estamos em 21º (ligeira ultrapassagem relativamente a Macau)
- em ciências estamos em 24º (muito atrás de Macau)
Ou poderemos concluir que os representantes máximos das estruturas decisórias da Educação padecem das mesmas dificuldades de interpretação das leituras?
Espero que não considerem esta interrogação ofensiva.
Mas se o considerarem, estou ao dispor para participar nos próximos testes, juntamente com os ofendidos, desde que os vigilantes sejam de confiança.

Penso que a atitude mais saudável seria reconhecer o que há muito foi informado à anterior senhora ministra, que o insucesso escolar tem fortíssimas raízes no meio social exterior à escola (resulta isto de estudos de correlações após recolha e tratamento de grandes quantidades de dados noutros países mais dados a este tipo de trabalho sério), quer nas limitações económicas e educacionais dos pais (eu sei, os inquéritos do PISA também pesquisam esta problemática e... ainda bem, melhorámos de 2006 para 2009; mas teme-se o efeito das medidas de contenção do plano de estabilidade e contenção), quer no nível de bem-estar social.
E que por isso, por mais que se invista na escola, nunca se poderá atingir o topo da classificação sem resolver os tais problemas exteriores às escolas.

Mas estou a derramar água sobre o molhado.
Deixem-me então dizer que uma das conclusões que estes testes do PISA permitem tirar é que as raparigas obtêm sistematicamente resultados muito melhores do que os rapazes na interpretação da leitura e melhores em ciências, e que em matemática a situação se inverte.
E passa-se isto quer em Macau, quer em Portugal, quer na OCDE (será a questão da comunicação entre os hemisférios cerebrais?).
É curioso e explica o que se passa entre nós.
A assertividade com que os políticos masculinos discutem as coisas tem por base uma menor capacidade de interpretação das suas leituras…
Não admira assim os resultados que os ditos políticos obtêm… os políticos e os decisores das empresas deste nosso amado pais (será que depois disto vão contratar conselheiras em vez de conselheiros?).
Agora compreendo por que corriam melhor as minhas reuniões quando os responsáveis das outras áreas eram do género oposto…

Resultados e informações retirados de:

http://pisa2009.acer.edu.au/multidim.php

http://en.wikipedia.org/wiki/Programme_for_International_Student_Assessment

http://www.gave.min-edu.pt/np3/11.html

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