terça-feira, 10 de julho de 2012

Pequena crónica de 9 de julho de 2012 - dívida pública, das empresas, dos bancos

Graças ao DN, tomo nota da crónica de Carlos Carvalhas que publicou no dia 9 de julho e de factos estatísticos nela contidos.
O PIB de 2012 estará ao nível do PIB de 2002.
O investimento caiu de 2002 para 2012 42%.
Entre 1996 e 2011 as transferencias de verbas da UE para Portugal foram inferiores à saída de lucros, dividendos e juros. Isto é, saiu mais dinheiro do que entrou (a culpa é das regalias dos trabalhadores?! ainda acham boa ideia privatizar empresas que dão dividendos?).
O que configura uma situação análoga à da colonização de um território.
O balanço das transferencias só em 2011 pende ainda ligeiramente para as transferencias da UE para Portugal.
Os elevados valores dos juros (34.000 milhões de euros até 2026?) e o curto espaço de tempo dos empréstimos da troica são mais desfavoráveis do que para os outros paises intervencionados.
Valores aproximados das dívidas:
- pública (incluindo empresas de transportes e autarquias) ..... 130% do PIB
- das empresas ....................................................................  139%
- dos bancos ........................................................................   35%

Na mesma edição, Joseph Stiglitz insiste que os défices públicos foram mais consequencia da crise internacional do que causa.
Pensando na pequenez comparada da nossa economia antes da crise, com um PIB da ordem de grandeza do da Irlanda, mas que tem metade da população, da ordem de grandeza de metade do PIB da Grécia, que tem quase a  nossa população, como têm coragem os nossos comentadores e economistas engravatados, de atirar as culpas da nossa crise para as "regalias" dos trabalhadores e para as dívidas da classe média?
Uma causa tão pequena não pode ter um efeito tão grande sem fornecimento de energia externa (responsável pelo efeito de amplificação).
É da Física.
Deviam estudar Física, os senhores comentadores e economistas engravatados.
Acreditariam no que diziam?
Será por serem tão sinceros que agora estão tão surpreendidos com o crescimento do desemprego  e com o declínio da receita fiscal?

Entretanto, num comunicado do senhor Draghi, do BCE, no mesmo dia 9 de julho, o senhor reafirmam que Portugal está no bom caminho, que já fez reformas estruturais no mercado laboral (eu diria que estrutura é outra coisa, mas deve ser deformação profissional) e já tomou decisões no setor dos transportes (quais? quais? a fusão dos metros e autocarros? já conseguiram? e a questão da divida das empresas publicas spbre a qual o senhor secretário de estado dizia que tinha propostas para apresentar à troica em maio? terão dito ao senhor Draghi que havia propostas que ainda não foram concretizadas? ou por outras palavras, sabe o que estão a fazer e a dizer?)
Mas não vale a pena discutir sobre o leite derramado.
Eu diria que valeria mais a pena  monitorizar, como agora se diz,  por exemplo mensalmente, a evolução da dívida pública, da dívida das empresas, e da dívida dos bancos, para onde está a ir o dinheiro...
Para atuar onde a intervenção tenha mais efeito (onde possa ter um fator de amplificação...)
E investir em atividades produtivas, para redução dos 80% das importações de energia e de alimentos...

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