sábado, 18 de junho de 2022

Dos "hub" marítimos aos autocarros elétricos

 https://www.dn.pt/local/lisboa-oeiras-e-cascais-querem-plano-comum-para-as-zonas-costeira-e-ribeirinha-14946508.html

A notícia tem de bom o aparente entendimento entre três municípios da área metropolitana de Lisboa em questões de ordenamento do território.

Seria muito bom que estes e outros assuntos fossem discutidos no âmbito da AML e que tivessem a participação dos cidadãos, através da realização periódica de sessões abertas ao público (com divisão da assistencia em grupos de debate e apresentação de conclusões) . Nada que não esteja previsto no artigo 65 da constituição da República portuguesa.

Sobre os "hub" marítimos, observo que temos as intenções de construir em Pedrouços do lado do município  de Lisboa e do lado do de Oeiras, neste caso eventualmente ligado de forma pouco esclarecida ou aceite pelos cidadãos, à urbanização da foz do Jamor. Curiosamente, a GALP decidiu projetar tambem um "hub" do género nos terrenos da antiga refinaria de Matosinhos. Não tenho conhecimentos para avaliar estas intenções e a pertinencia dos projetos, apenas como cidadão observo que estas decisões são tomadas sem a participação constitucionalmente prevista dos cidadãos e que, pelo menos no caso de Matosinhos, configura uma decisão por entidade do grupo dos oligopólios, numa altura em que ela, através do  seu principal acionista, adquire uma participação pública na herdade de Rio Frio limitando mais um pouco o perímetro para decisão do novo aeroporto. Não são ouvidos os acionistas enquanto contribuintes nestas decisões. Ainda como cidadão, se se fala no mar, devo perguntar como está o processo da plataforma continental para alargamento da ZEE, embora sem esperança de obter resposta, pese o voluntarismo do senhor ministro do mar.

Sobre o tema da mobilidade referido na reunião dos 3 presidentes de município , registo que se mantem a ilusão dos autocarros elétricos na A5 (ilusão porque já basta a supressão das ligações ferroviárias de Coimbra a Serpins e da Coimbra A a Coimbra B) em detrimento da melhoria das linhas férreas de Sintra e de Cascais, e a ilusão do LRT Jamor-Alcântara (ilusão porque não é possível uma ligação ferroviária de superfície sem viadutos em ruas estreitas o que limita a velocidade comercial e implica a contabilização do tempo perdido pelos passageiros em comparação com o modo subterrâneo ou em viaduto), observo:

- considerando a situação atual, melhor seria desenvolver uma rede de ligação entre a linha do oeste, a linha de Sintra e a linha de Cascais (não me refiro à ligação desta à linha de cintura, topologicamente um problema típico de uma rede de metropolitano e não suburbana, amenos que se sextuplicasse a linha Campolide-Braço de Prata, ação tambem típica de uma rede de metro) com interfaces multimodais. O inconveniente duma linha de metrobus continua a ser, uma vez que as leis da Física conexas não foram mudadas, o maior consumo energético por passageiro km quando comparado com uma solução ferroviária em igualdade de desenvolvimento tecnológico. Acresce o problema operacional da chegada dos autocarros a Lisboa exigindo infraestruturas (terminais) onde há falta de espaço, obrigando a transbordo na zona de Campo de Ourique Norte/Amoreiras.

- sobre a ligação Jamor-Alcântara, tal como previsto no EIA do prolongamento da linha vermelha do metro para Alcântara, a solução correta seria o prolongamento desta para o Jamor, diluindo o investimento por vários anos e evitando os custos da ligação da linha de Cascais à de cintura em Alcantara e o enterramento da linha de Cascais Algés-Cais do Sodré.

Em síntese, sem desmerecer na iniciativa dos 3 presidentes de municipio, conviria um análise mais alargada, tanto ao nível das autarquias da AML como dos seus cidadãos e fundamentada do ponto de vista técnico.

terça-feira, 7 de junho de 2022

Petição 612/XIII/4ª pedindo a suspensão da construção da linha circular

 A petição em título foi entregue na AR, com 4366 assinaturas, em 19 de março de 2019:

https://www.parlamento.pt/ActividadeParlamentar/Paginas/DetalhePeticao.aspx?BID=13303

deu origem ao projeto de resolução 69/XV/1ª do BE de 30 de maio de 2022 que recomenda a suspensão da construção da linha circular e que vai ser debatido em plenário da AR em 15 de junho de 2022

https://www.parlamento.pt/ActividadeParlamentar/Paginas/DetalheIniciativa.aspx?BID=121515

Trata-se dum iniciativa condenada à reprovação, esperando-se no entanto que no debate sejam ditas algumas verdades. Por exemplo, que continua por se abrir um debate sério e alargado, com participação dos cidadãos interessados, para desenvolvimento de um plano de mobilidade da área metropolitana de Lisboa. O recente caso da consulta pública do EIA do prolongamento da linha vermelha a Alcântara Terra é disso exemplo. O metro repetiu o processo da linha circular, apresentando o traçado como facto consumado e omitindo a estimativa dos trabalhos complementares (estimativa dos toscos: 304 milhões de euros; ausencia de estimativa para as especialidades, para  a remodelação urbanística de Alcântara consequencia do projeto e para as ligações mecânicas a Alcântara Mar e apeadeiro do Alvito). Apesar de protestos de cumprimento da legalidade, a sessão de esclarecimento público realizou-se a 6 dias do fim do período para a consulta e não se realizou nenhuma sessão com as juntas de freguesia abertas à participação dos cidadãos. Exemplo de profundo desrespeito por eles, até porque que se inviabilizassem agora a aprovação do EIA, automaticamente suscitariam a aprovação por deferimento tácito por ultrapassagem de prazos.

No caso desta petição e deste projeto de resolução, existe para os cidadãos prejudicados a noção de ineficácia e de que as obras avançaram contra tudo e todos, em manifestação de "quero, posso e mando". A coisa chegou a um estado em que não adianta voltar atrás com as indemnizações que os empreiteiros pediriam. Mesmo no caso do lote 2 que ainda não tem RECAPE, já há auto de consignação, custando a perceber como é que a CML licencia os estaleiros. 

Os técnicos que tiverem de operar o metro coma linha circular vão sofrer os seus inconvenientes de pouca fiabilidade. E se os decisores cumprirem a ameaça de ter ligações Odivelas-Rato-C Sodré  durante as horas de ponta ver-se-ão, por razões de segurança, "gregos" se quiserem explorar simultaneamente (partilha) ou sucessivamente  a linha circular (é a experiencia do metro de Londres que o diz , confirmando a teoria). 

Os técnicos do planeamento já se defrontam com o problema do prolongamento para Alcantara. O que era uma coisa relativamente simples, prolongar a amarela para Lapa-Alcantara Mar e a vermelha para Alcantara Terra-Algés/Jamor  (ou a vermelha para Alcantara Mar e a amarela para Alges/Jamor, dependendo das análise de custos benefícios que só se podem e devem fazer depois dos estudos prévios feitos, e não como agora fazem, olham para os traçados e em fase de Estudo de Impacto ambiental decidem que este traçado não presta este é que é bom; não são assim as regras de engenharia de transportes). 

Perdendo-se os fundos do PRR, ainda seria possível adaptar a obra da Estrela a um prolongamento para Alcântara Mar prescindindo de Estrela-Cais do Sodré (meio lote 1 e lote 2). No entanto, os decisores já incluiram no PNI2030 a ligação da linha de Cascais à linha de cintura, que é outro tiro, juntamente com a especulação e exploração indecentemente imobiliária no quarteirão da Lisboa factory , no ordenamento do território de Alcântara e, por extensão, no plano de mobilidade da AML.

Voltando à petição, é um exemplo do que os atrasos burocráticos podem fazer. O governo, o metro e o tribunal de contas em 2020, em clara desobediência à lei 2/2020 art 282, assinaram e validaram (?) contratos. São inválidos, e a desobediência à lei em assuntos públicos deveria merecer do MP uma investigação por gestão danosa. O Tribunal administrativo e Fiscal tem para isso elementos suficientes por queixa apresentada, e o facto do sr Presidente dizer que é uma recomendação é um nulo jurídico, uma vez que das suas competências só faz parte promulgar uma lei ou mandá-la para o constitucional, e ele promulgou-a, era para cumprir. Ou a separação de poderes num estado de direito é para enganar os cidadãos. Seria interessante ver isto discutido no debate da petição. Não é apenas o erro técnico da linha circular (a cujos promotores não se reconhece competência técnica para o discutir, nomeadamente ao diretor de empreendimentos, por formação , e ao presidente da administração do metro, por inexperiencia) é a desobediencia a uma lei.

 


sábado, 4 de junho de 2022

Para além das análises geo políticas

 Angelina Jolie tem um filme que trata do que acontece aos casais mistos em ambiente de guerra civil feroz (In the land of blood and honey). 

Talvez que, se os decisores políticos, que se preocupam pouco com os ensinamentos pelo exemplo de Gandhi e de Mandela e se preocupam muito com a geo política, olhassem com mais atenção para o problema das uniões de pessoas de nacionalidades (ou nacionalidadezinhas) diferentes, as dificuldades se aplanassem.

Vou trocar os nomes às pessoas, mas a história passa-se em Portugal.

Iuri é ucraniano e casado com Svetlana, russa, que trabalha como empregada de limpeza doméstica. Em visita à mulher no seu local de trabalho, Iuri admirou a coleção de modelos reduzidos de automóveis antigos do dono da casa a quem, a propósito, disse que era muito amigo de Dmitri, bielorusso, que desenvolvia para uma fábrica na Ucrania  modelos em madeira de balsa para montagem pelos amadores e modelos reduzidos de metal para uma fábrica na Bielorussia. Por razões de ordem vária abstenho-me de referir as respetivas cidades.

Na conversa com o dono da casa este mostrou a Iuri uma fotografia de quando era bébé, à janela de um Fiat Balila descapotável do pai. Iuri sugeriu que podia encomendar ao amigo a reprodução do Balila a partir da fotografia,   e o dono da casa, entusiasmado, aceitou, porque nenhuma fábrica por esse mundo fora jamais produzira um Fiat Balila.

Isto foi há uns meses. Chegou agora pelo correio, vindo da Bielorussia, encomendado por um português através dum ucraniano com quem tinha travado conhecimento por meio duma russa, o Fiat Balila de 1930 em modelo na escala 1:43.

Gandhi e Mandela teriam batido palmas.



fotografias pelo produtor bielorusso do modelo reduzido



sexta-feira, 3 de junho de 2022

Mais um acidente na linha regional de Munique-Garmisch Partenkirchen

Infelizmente, depois do acidente de fevereiro de 2022 https://fcsseratostenes.blogspot.com/2022/02/colisao-em-ebenhausen-entre-dois.html  

novo acidente em 3 de junho de 2022 na linha de Munique-Garmisch Partenkirchen, na Baviera:

https://www.bbc.com/news/world-europe-61684048

da fotografia da 2ª carruagem, não se podem retirar conclusões, mas conviria que a comissão de inquérito avaliasse bem se os rodados não precisariam de ser reperfilados (de ir ao torno); a manutenção correta do angulo cónico é essencial para reduzir a probabilidade de descarrilamento




Aparentemente, uma das carruagens dianteiras (na foto) seguiria descarrilada e na curva provocou o descarrilamento de mais carruagens, ou terá sido a carruagem da frente que descarrilou na curva. Se foi assim, ou terá sido defeito de material circulante (rodas desgastadas, peça caída entre a roda e o carril) ou de algum ponto da via anterior. Conviria também saber qual o esquema de tração (as carruagens descarriladas seguiam empurradas ou puxadas ou tracionavam?)


PS em 4 de junho - de acordo com a wikipedia

https://en.wikipedia.org/wiki/Garmisch-Partenkirchen_train_derailment

a composição era empurrada por uma locomotiva na cauda, existindo na carruagem da frente uma cabina de condução. Trata-se de um modo de tração em que qualquer obstáculo ao movimento nas carruagens da frente (objeto na via , p ex) pode provocar descarrilamento seguido do efeito harmónio . Recente descarrilamento na linha do Algarve ocorreu por este facto sendo causa um tirafundo sobre o carril.  Impõe-se não utilizar este modo de tração ( reboque pela locomotiva, tração distribuida, por exemplo). Igualmente seria desejável normalizar um sistema comprovação da integridade da composição que inclua a verificação de que o bogie está carrilado.

foto na wikipedia:        https://en.wikipedia.org/wiki/Garmisch-Partenkirchen_train_derailment  


carruagem da frente com cabina de condução, sendo a tração por locomotiva na cauda


Por coincidencia infeliz, mais um acidente, para alem de um descarrilamento na estação de Roma numa ligação Turim-Roma,  desta vez na Eslovaquia: https://railmarket.com/news/rolling-stock/123-bavaria-disaster-followed-by-slovakia-train-crash-after-couple-of-hours

PS em 14jun2022 - segundo informação do gabinete de investigação de acidentes ferroviários alemão, BEU (https://www.eisenbahn-unfalluntersuchung.de/SharedDocs/Fachmitteilungen/EUB/2022/019_2022_Garmisch-Partenkirchen_-_Farchant.html), as investigações foram iniciadas.  Não partilham da cultura anglo saxónica de informação detalhada do progresso das investigações. É pena, porque assim perde-se a atençõ pública para o que poderia evitar os acidentes. Neste caso, a hipótese de que um sistema de deteção de continuidade da conformidade dos rodados seria muito util (por exemplo, deteção de temperataura excessiva das caixas de rolamento, de inserção correta das rodas no carril)
PS em 2set2025 - só agora publicado o relatório do BEU, atribuindo a causa a deficientes travessas de betão (sleepers):  https://www.railtech.com/all/2025/09/02/shocking-and-saddening-fatal-db-derailment-in-2022-caused-by-sleeper-defects-was-preventable/      Ignoro se o inquérito considerou a hipótese de contribuição paa o acidente do esquema de tração e do estado dos rodados. 

sábado, 28 de maio de 2022

O baluarte de Santa Apolónia

 


O FORTE DE SANTA APOLONIA

A recente discussão sobre a interferência do prolongamento da linha vermelha do metropolitano com o baluarte do Livramento e o respeito pelo património recordou-me o caso do baluarte de Santa Apolónia, que poderia ser um excelente local de lazer, com vistas para o Tejo, mas onde o  interesse imobiliário prevaleceu, como aliás parece ser o caso de Alcântara, não direi do seu baluarte, mas dos terrenos entre a linha de Cascais e Quinta do Cabrinha.


Sobre o baluarte de Santa Apolónia, ver com a devida vénia ao blogue duas linhas, em

https://duaslinhas.pt/2021/04/predio-construido-em-cima-de-forte-em-lisboa/

 imagens flickr.com provavelmente dos anos sessenta do século XX. São visíveis duas guaritas e muralhas com dimensões razoáveis

 

Imagens atuais, pouco resta das guaritas. Ao fundo, na foto de cima, prédios da avenida Afonso III.  O prédio de 12 andares no centro do forte foi construído nos anos noventa do século XX num grave atentado ao património dos lisboetas, mantendo-se o estado de abandono das muralhas e o insuficiente aproveitamento da envolvente apesar de alguma intervenção da junta de freguesia da Penha de França (ver fotos do Facebook).



Ver também     https://pt.wikipedia.org/wiki/Forte_de_Santa_Apol%C3%B3nia

https://jf-penhafranca.pt/images/fortestapolonia_marianaferreira.pdf


Existe também uma petição para um jardim:

https://www.youtube.com/watch?v=x9lRhv5fyBc


 








 


 


sexta-feira, 27 de maio de 2022

Sessão de esclarecimento com a APA e o metro sobre o prolongamento para Alcântara Terra em 26 de maio de 2022

Realizou-se no auditório da estação Alto dos Moinhos no dia 26 de maio a anunciada sessão de esclarecimento sobre o prolongamento da linha vermelha.

Tratou-se de uma ação integrada na consulta pública  do Estudo de impacto ambiental (EIA) que se iniciou em 21 de abril de 2022 e encerrará em 2 de junho de 2022.

Só depois da declaração de impacto ambiental (DIA) favorável pela APA poderá o metro lançar o concurso público para os toscos S.Sebastião II-Alcântara Terra.

Na verdade, a sessão foi mesmo de esclarecimento porque foram os assistentes informados de que havia várias incorreções ou omissões de informação no EIA,  como por exemplo que a área do estaleiro no jardim da Parada será inferior ao indicado no EIA, que afinal a velocidade máxima de projeto será de 70 km/h e não como indicado no EIA de 60 km/h, e que a funcionalidade das vias de acesso à ponte 25 de abril, para viabilizar a inserção da estação na rampa de acesso, será reduzida pela descida de nível das respetivas vias, cuja classificação passará de estrada nacional para estrada urbana (no fundo para que a função principal da via de acesso à ponte seja para transporte coletivo e para o acesso ao bairro do Alvito/Quinta do Jacinto; isso não está claro nos desenhos do EIA).

Como esperado, foram menorizadas pelo metro as implicações da solução escolhida (nomeadamente a interferência com o baluarte e as habitações adjacentes, tendo sido afirmado que a possibilidade de retorno de algumas das ocupações no baluarte dependem de decisão da CML) e ampliadas as das alternativas (por exemplo, presença de restos de aquedutos), umas estudadas pelos consultores do EIA e outras não. Por exemplo, apesar do metro ter informado que foram estudadas 18 hipóteses de traçado, não foi estudada a ligação em viaduto a Alcântara Mar (aliás fácil de desvalorizar graças aos impactos visuais, quando o hospital da CUF e o imobiliário dos terrenos da Lx factory têm grande iimpacto visual).

Confirmado ainda que os 304 milhões de euros previstos apenas cobrem os trabalhos de toscos, os quais terão de estar concluidos até 2026 para beneficiarem de verbas do PRR. Não estão incluidos os fornecimentos das especialidades nem as remodelações viárias do bairro do Alvito/Quinta do Jacinto, nem as ligações mecânicas estação do Alvito da IP-estação de metro Alcântara Terra. estação Alcântara Mar da linha de Cascais, nem por maioria de razão a revisão do PUA plano de urbanização de Alcântara (mais uma vez se apresenta uma solução desintegrada duma perspetiva abrangente dum plano de mobilidade da área metropolitana; não admira que de acrescento para acrescento sobrevenham inconformidades).

E aqui, nos prazos, entra uma questão formal de grande importancia. Foi afirmado pelo representante da APA e confirmado por um representante da CML presente que esta promoverá sessões de debate com as juntas de freguesia devidamente publicitadas para ampla informação e participação pública.

Ora, a sessão foi no dia 26 de maio, não se sabe ainda quando serão essas sessões de informação e debate e a consulta pública termina em 2 de junho.

E coisa curiosissima, foram os assistentes informados que os prazos da consulta pública e emissão da declaração implicam, a não serem cumpridos, o deferimento tácito (prazo após receção do EIA pela APA: 100 dias). Isto é, se deixarmos passar os prazos a identificar inconformidades e a estudar formas de as corrigirmos, estamos automaticamente a promover a aprovação, por deferimento tácito, dessas mesmas inconformidades.

Poderá chamar-se a isto um paradoxo lógico, ou simplesmente uma inconformidade, uma consequencia do predomínio da burocracia sobre os procedimentos de resolução de problemas, coisa natural quando as decisões em questões de engenharia de transportes e ordenamento do território são tomadas sem a consideração da tal perspetiva abrangente. Mais especificamente, quando são advogados que definem as condições de concursos públicos  sem nunca terem tido a experiencia de fazer os cadernos de encargos dos equipamentos, ou quando se subordina a aprovação dos empreendimentos a critérios relevantes apenas do ponto de vista ambiental, esquecendo a experiência de operação e de manutenção dos equipamentos sociais (embora depois se queixem do excesso de consumo de energia e das alterações climáticas - aliás um bom exemplo é o processo construtivo ser NATM com uso de equipamento acionado com combustíveis fósseis, quando o método TBM é alimentado por energia elétrica). 

Informado que o intervalo mínimo expetável na operação da nova rede é de 3 minutos e 40 segundos, depois de ter sido utilizado o argumento de defesas da linha circular que permitia menores intervalos do que linhas separadas (com intervalos normais de 2 minutos e 30 segundos). Trata-se de uma questão preocupante por que a experiência atual já patenteia falta de maquinistas e falta de material circulante para pode assegurar  intervalos curtos, sabendo-se que intervalos curtos atraem passageiros e intervalos longos repelem passageiros para outros modos, nomeadamente o automóvel.

Em resumo, tudo indica estarmos perante um processo irreversível, em cujo desenvolvimento não foi dada oportunidade aos cidadãos de proporem alternativas ou correções (apesar de reuniões formais com entidades que não representaram os cidadãos ou que por falta de formação técnica não reconheceram as inconformidades), e em que dificilmente serão resolvidas as objeções dos cidadãos.

Pessoalmente, continuo a dizer, como na minha participação na consulta pública, que seria possível eliminar as curvas de raio 250m do traçado localizando mais para nascente a estação de Campo de Ourique. Efetivamente a revisão do PUA e do plano de mobilidade da AML  e a mudança do traçado para Alcântara Mar atrasariam o processo obrigando a aplicar as verbas do PRR noutros investimentos (por exemplo, nas ligações ferroviárias à Europa segundo os critérios da interoperabilidade). 

Mas custa ver decisões mal tomadas.



Parecer enviado à consulta pública:   https://fcsseratostenes.blogspot.com/2022/05/parecer-na-consulta-publica-ate.html




 






segunda-feira, 23 de maio de 2022

Endereços para posts neste blogue sobre o metropolitano de julho2021 a agosto2022

 


https://fcsseratostenes.blogspot.com/2022/08/sobre-o-prolongamento-da-linha-vermelha.html

https://fcsseratostenes.blogspot.com/2022/08/jardim-da-parada-comentario-um-artigo.html

https://fcsseratostenes.blogspot.com/2022/07/o-lrt-ou-o-eletrico-rapido-de-odivelas.html

https://fcsseratostenes.blogspot.com/2022/06/inicio-das-obras-na-av24-de-julho-em.html

https://fcsseratostenes.blogspot.com/2022/06/sobre-discussao-da-peticao-612-contra-o.html

https://fcsseratostenes.blogspot.com/2022/05/sessao-de-esclarecimento-com-apa-e-o.html

https://fcsseratostenes.blogspot.com/2022/06/peticao-612xiii4-pedindo-suspensao-da.html

http://fcsseratostenes.blogspot.com/2022/05/artigo-publicado-em-20-de-maio-de-2022.html

http://fcsseratostenes.blogspot.com/2022/05/parecer-na-consulta-publica-ate.html

http://fcsseratostenes.blogspot.com/2022/05/hipoteses-para-hipotese-remota-de.html

http://fcsseratostenes.blogspot.com/2022/04/ponto-de-situacao-dos-contratos-da.html

http://fcsseratostenes.blogspot.com/2022/02/comparando-linha-circular-de-lisboa-com.html

http://fcsseratostenes.blogspot.com/2022/01/o-metropolitano-de-lisboa-enviou-o-eia.html

http://fcsseratostenes.blogspot.com/2021/12/enquanto-obra-da-linha-circular.html

http://fcsseratostenes.blogspot.com/2021/12/parecer-sobre-o-recape-relatorio-de.html

http://fcsseratostenes.blogspot.com/2021/12/ainda-carta-ao-diretor-de-18dez2021.html

http://fcsseratostenes.blogspot.com/2021/12/alternativas-linha-circular-do-metro.html

http://fcsseratostenes.blogspot.com/2021/12/o-sump-de-roma-e-falta-de-um-plano-de.html

http://fcsseratostenes.blogspot.com/2021/12/noticias-do-metro-de-chicago-um.html

http://fcsseratostenes.blogspot.com/2021/12/comentarios-ao-seminario-shaping-future.html

http://fcsseratostenes.blogspot.com/2021/12/reportagem-sobre-linha-circular-do.html

http://fcsseratostenes.blogspot.com/2021/11/mensagem-para-o-presidente-da-camara.html

http://fcsseratostenes.blogspot.com/2021/10/outubro-de-2021-que-fazer-quanto.html

http://fcsseratostenes.blogspot.com/2021/09/sobre-ilegalidade-da-construcao-da.html

http://fcsseratostenes.blogspot.com/2021/09/para-hipotese-de-uma-providencia.html

http://fcsseratostenes.blogspot.com/2021/09/recape-do-lote-3-viadutos-de-campo.html

http://fcsseratostenes.blogspot.com/2021/08/historia-de-um-processo-linha-circular.html

http://fcsseratostenes.blogspot.com/2021/07/reflexoes-sobre-mobilidade-urbana.html

http://fcsseratostenes.blogspot.com/2021/07/julho-de-2021-expansao-do-metropolitano.html

http://fcsseratostenes.blogspot.com/2021/07/arranque-do-metro-ligeiro-pelo-senhor.html

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


sábado, 21 de maio de 2022

Email enviado a uma senhora jornalista a propósito de um seu artigo sobre o GNL em Sines

 

https://www.publico.pt/2022/05/20/politica/noticia/portugal-negoceia-alemanha-polonia-distribuicao-gas-partir-sines-2006943


Cara jornalista
Obrigado pelo envio do seu artigo sobre o porto de Sines e  o GNL.  Este tema devia merecer mais atenção da comunicação social. Se não, veja o que escrevi há 3 anos:
É uma pena em seu devido tempo apontar-se um erro,  neste caso do governo francês que em 2019 deu ouvidos a um consultor finlandês e fez a vontade aos ambientalistas de chumbar o gasoduto do leste dos Pirineus.  Na altura a comunicação social não ligou, agora liga, mas talvez devesse dar mais ouvidos a quem há  3 anos denunciou o problema. Sines não tem capacidade para substituir o Nordstream, pode ajudar, mas não dá, e já recebemos da Nigéria, USA, Guiné Equatorial, Qatar...
Sobre a ilusão do porto de Sines , não devemos desmerecer a sua importância, mas não exageremos, é um porto com pequena capacidade comparado com os espanhois, por exemplo, ver este artigo, notando a rede de gasodutos.  Depois há a gritante falta de ligações ferroviárias de acordo com os padrões de interoperabilidade europeia (isto é, a bitola é ibérica, mas não se venha com  a ilusão dos eixos variáveis e das travessas polivalentes) e cuidado, não misturem o hidrogénio nos gasodutos. O hidrogénio pode transportar-se, mas é melhor transportar a eletricidade e produzir o hidrogénio por eletrólise localmente.
E para terminar, na esperança de refrear o entusiasmo da sua fonte, um pequeno retrato de Sines, porto de transhipment.