sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Outra vez o metro de Luanda


Damned, como dizem os norte-americanos.
Não é que, quando eu escrevi o texto do dia 12 de Outubro passado, com a proposta de duas linhas para o novo metro de Luanda, já o embaixador de Angola na Tailandia tinha anunciado a assinatura de um acordo com a empresa MPK, da republica da Malásia, para a construção da linha de metro em viaduto Benfica-Cacuaco?
A MPK já está a construir urbanizações em Luanda e tem portanto um aposição muito forte. Mas está a propor uma tecnologia que não domina, mono-carril com rodas de borracha, possivelmente de fabrico japonês, “off-the-shelf”, isto é, de fabrico série sem ter em conta as especificidades locais (por exemplo, as rodas de borracha vão aumentar o consumo energético e vão diminuir a fiabilidade devido às condições ambientais).
Igualmente a travessia do centro da cidade pode recomendar o recurso a túnel, exigindo a consideração das características freáticas da zona.
Por tudo isto, apesar da MPK já ter o negócio, nada impede que Angola contrate uma fiscalização que, não só no domínio da construção civil, mas também do equipamento e do material circulante (por exemplo, o tipo de material circulante vai condicionar o projeto dos viadutos).
E é aqui que podiam mesmo entrar os nossos técnicos da especialidade.
Até porque ainda há a segunda linha para propor, desde o novo aeroporto, ao km30 da estrada de Viana (Av.Deolinda Rodrigues), até ao 1º de Maio (onde pode fazer a correspondência com a linha 1) e ao Baleizão.
É claro que vai ter de se explicar aos políticos e decisores de Luanda o mesmo que teve de se explicar aos politicos e decisores de Lisboa, que um novo aeroporto internacional não pode utilizar a linha de caminho de ferro interurbana pré-existente (já existe uma linha de caminho de ferro paralela á Avenida Deolinda Rodrigues) porque as características dos modos de transporte são diferentes: um aeroporto deve estar ligado por um “cordão umbilical” ao centro da cidade, com poucas paragens, e na estação central já devem existir os balcões de “check-in” necessários.

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