sábado, 15 de maio de 2010

Um homem vestido de branco cheio de ansiedade

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Nat King Cole apresentou-se com fato e sapatos brancos. Acompanhado por um trio mexicano. A sua voz quente entoou Ansiedad.
Já não sei onde era o espetáculo, que eu era adolescente e precisava das canções sossegadas de Nat King Cole para compensar o rock and roll, mas é a imagem, na televisão a preto e branco, que tenho na memória.
Lembrei-me ao ouvir na Antena 2 o programa de sábado de manhã com Maria Viana, cantora de jazz, filha de José Viana. Que comparou Nat King Cole a uma Diana Krall de calças e contou que ele se convenceu que precisava de fumar muito para manter o timbre romântico da sua voz. Infelizmente morreu de cancro do pulmão com 46 anos, em 1965.
Por isso dedico este texto aos meus amigos fumadores, sem dizer que existe uma relação de causa e efeito, mas que existe uma correlação estatística.
Que coisa, tanta coisa no mundo para estimular a produção da dopamina, e tanta dependência da nicotina. Comentava Maria Viana, depois de passar a canção, como o cérebro nos engana, oculta-nos informação que poderia orientar-nos noutro sentido e cria factos virtuais, como o cérebro cria ilusões em que a pessoa acredita, como Nat King Cole acreditou que o fumo do tabaco lhe mantinha a voz bonita, e tinha mesmo a voz bonita.
E por associação de ideias, Nat King Cole vestido de branco, filho de um pastor evangélico, cantor de gospels, afinal tão próximo da ansiedade e da sensualidade humanas, lembrei-me também do Cantico dos Canticos, de como Salomão (ou o seu poeta por ele) se deteve na contemplação dos montes de trigo cercados por lírios, do ventre como taças arredondadas nunca desprovidas de vinho, das tiras trabalhadas das sandálias, do perfume dos seios como maçãs e cachos de uva (vem tudo na Bíblia, não estou a inventar nada).
De como os centros cerebrais que processam os estímulos da religiosidade têm tanto em comum com os da sensualidade… mistérios do cérebro, como diria Maria Viana.

http://letras.kboing.com.br/nat-king-cole/ansiedad/'


Ansiedad, de tenerte en mis brazos                      sol - sol - sol
Musicando,... palabras de amor              7ª de ré – dó – dó menor - sol
Ansiedad, de tener tus encantos
Y en la boca, volverte a besar

Talvez esté llorando mi pensamiento
Mis lagrimas son perlas que caen al mar
El eco adormecido, de este lamento
Hace que estés presente en mi soñar

Quizás estés llorando al recordarme
Y estreches mi retrato con frenesi
Hasta tu oido llegue la melodia salvaje
del eco de la pena de estar sin ti.

Ansiedad, de tenerte en mis brazos
Musicando,... palabras de amor
Ansiedad, de tener tus encantos

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