domingo, 9 de maio de 2010

A reabilitação urbana

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O bastonário da Ordem dos engenheiros já tinha chamado a atenção para a necessidade de concentrar esforços na reabilitação urbana.
Entre outras razões, porque uma área metropolitana com um urbanismo deformado introduz elementos de relutância à produção económica. Como dizia um cronista, quanto menores os rendimentos de trabalho de um cidadão, maior o número de modos de transporte que tem de apanhar nas suas deslocações casa-trabalho.
Com a devida vénia, cito o presidente da AICCOPN no DN:
Deveria ser dada prioridade aos projetos de reabilitação urbana porque beneficiam de ajudas comunitárias até 70% e porque incorporam 40% de mão de obra do total.
Feitas as contas, o investimento público será da ordem de 16% do investimento total.
Não estão contabilizados os benefícios sociais (por exemplo, aumento da produtividade por menor incomodidade no transporte; economia de tempo das deslocações).
O programa aplicável poderá ser o QREN, de que só se executou 12%.
Porque não se avança então?
Porque a burocracia é muita até estarem criadas as condições para arrancar com as obras (o novo código da contratação pública não veio ajudar nada, apesar das boas intenções…).
Porque ao longo das várias instâncias aparecem sempre cidadãos a levantar objeções.
Porque os gabinetes de projeto e as empresas de construção não estão vocacionadas e porque são de difícil acesso para os proprietários, já de si carentes de financiamentos.
Porque não há a cultura de controlar os custos em obras de reabilitação (é sempre mais "prático" e económico deitar abaixo e fazer de novo precisamente porque a dimensão do mercado é pequena e não se controlam os custos em atividades a que não se está habituado, como a reabilitação).
Porque nós portugueses temos dificuldade em nos organizarmos em equipas atuantes.
É pena. Logo a seguir ao 25 de Abril houve um esforço interessante, ao nível das autarquias, para garantir às populações habitação condigna.
É o que é preciso, agora. Tantos jovens da especialidade dispostos a trabalhar nisto…
Não gostam da evocação? Sugiro então o modelo de Harlem, em New York.
Mas organizem-se. Lembrem-se do caso do deslizamento da encosta da Senhora do Monte, na Graça.


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