sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

O mercado de escravos

Com a devida vénia ao DN, que assinalou , a propósito da descoberta de um cemitério de escravos, a efeméride da chegada a Lagos, no Algarve, do primeiro carregamento de escravos, em 1444.
Segundo o cronista Azurara, o infante D.Henrique assistiu ao desembarque.
D.Henrique era um empreendedor, possuidor do "know how" que a casa de Lencastre detinha.
Do ponto de vista do processo histórico, talvez se possa falar no despontar de uma forma de burguesia aristocrática, comercial e investidora na exploração e comércio marítimo.
Dado que no "know how" da casa de Lencastre e do seu ilustre filho, D.Henrique, não se encontrava o domínio da tecnologia do carvão e do vapor, a força de produção mais rentável para os empreendedores da altura era efetivamente o trabalho escravo.
Assim se iniciou, em 1444, um investimento rentável ao longo de 4 séculos.
Por estas e por outras é que os habitantes de Quenns em New York recusaram a estátua da rainha portuguesa Catarina, que está agora no Parque da Expo.
Recusaram mal, porque a História devia unir e não separar as pessoas, mas compreende-se.
O filme Amistad de Spielberg também não ajudou.
Valha-nos que houve quem lutasse sinceramente pela abolição da escravatura em Portugal no século XIX, quando a força de produção do carvão e do vapor já era mais rentável , pelo menos nos territórios europeus, levando os empreendedores ingleses a combater o tráfego de escravos para rentabilizar os investimentos no vapor.
Honra ao alferes português Eusébio de Oliveira, que apresou em Moçambique a barca negreira Charles & George em 1857, um ano depois da inauguração do caminho de ferro e da abolição da escravatura em Portugal. As justiças francesa e inglesa da época  defendeu uma, e absteve-se a outra, os esclavagistas franceses.
Assim vou discorrendo, pensando coisas desagradáveis sobre as diplomacias francesa e inglesa, depois de ler o testemunho do senhor primeiro ministro inglês no fim da cimeira europeia de 9 de dezembro de 2011: "Que foi duro estar numa sala em que os outros 26 só diziam que tinha de se deixar de pensar nos interesses nacionais e seguir a multidão (crowd)". Talvez tenha sido por influencia do conflito do senhor governador do Banco de Portugal com o senhor deputado, um problema de "crowding  out".
Interesses nacionais britânicos...

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