sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

O crawling peg e o verniz que estala

Lembram-se do crawling peg?
Quem não sabia o que era o crawling peg era igmnorante e como tal olhado com desdem.
O crawling peg perdeu um poucochinho a oportunidade porque era uma forma de tentar controlar a desvalorização de uma moeda.
Desvalorizar sim, para ajudar às exportações, mas não muito, por causa das dívidas.Por um lado, parece que há uns sábios que acham que é de encarar a saída do euro e então lá voltamos ao crawling peg. Por outro lado, outros sábios dizem que não há futuro fora do euro.
Na verdade, na história da Europa podem ver-se, desde há muitos séculos, com umas ou outras motivações, muitas manifestações de vontade de uma Europa solidária, não tribal.
Não e, por exemplo, de aceitar um tribalismo económico em que uma empresa portuguesa paga juros mais altos do que uma sua homóloga alemã. Mesmo que as produtividades fossem diferentes, porque quem pagaria o diferencial seriam os salários e não os juros.
Mas enfim, talvez o crawling peg possa ser atualmente aplicado ao euro em si. Desvalorizar um bocadinho, emitir mais moeda, controlar o  aumento de divida e da inflação (então, um bocadinho de inflação não faz mal, é como a estricnina que se usava nos anti-diarreicos; claro que não podia haver enganos na dosagem) e apertar o escoamento da moeda para os offshores e inshores (Londres, Hoanda, Suiça).
Confesso que já não me lembrava o que era o crawling peg, traduzido à letra por a marca da tartaruga: fixação de um valor e de uma banda em torno do qual a taxa de cambio de uma moeda pode variar. Tive de consultar a infopedia e a wikipedia.

Mas tudo isto a propósito de outro palavrão de que nunca tinha ouvido falar e que me obrigou a ir às ditas infopedia e wikipedia: o crowding out, traduzindo à letra: pôr a malta de fora.
Deu-se o caso que o senhor governador do Banco de Portugal se dignou prestar esclarecimentos à comissão parlamentar de finanças e, quando lamentava que os empréstimos ao Estado, através de títulos de dívida pública,  pelos esforçados bancos portugueses, lhes tinham reduzido a capacidade para emprestar às empresas privadas para estimulo da economia, foi interrompido por um aparte do senhor deputado João Galamba.
Que não era verdade.
O senhor deputado podia ter pronunciado um aparte mais cordato, mas foi o que lhe saiu, talvez por ser impulsivo, o senhor deputado.
Não gostou o senhor governador do Banco de Portugal, que logo ali chamou ignorante ao senhor deputado e que fosse aprender o que era o crowding out, que os bancos só podem emprestar ao setor público, aos particulares e às empresas privadas, e que se emprestam ao público deixam de poder emprestar às empresas privadas.
Pessoalmente, não me parece bonito o aparte, mas o senhor governador do Banco de Portugal ão tinha necessidade de estalar o verniz dessa maneira.
Todos sabemos que é uma pessoa muito importante, muito competente tecnicamente, como aliás são todas as pessoas importantes deste país, como se comprova pelo elevado grau de progresso em que vivemos.
Veio depois o senhor deputado, em artigo no DN de 2011-12-07, alinhavar argumentos contra posição do senhor governador do Banco de Portugal:
- que o volume de crédito não é fixo
- que até muito recentemente a concessão de crédito por compra de títulos de dívida publica não contava para o racio de capital do banco
- que uma carteira de títulos de dívida pública ajudava os bancos a obter financiamento junto do BCE.
Consultada a Infopedia e a Wikipedia,
http://www.infopedia.pt/$crowding-out
http://en.wikipedia.org/wiki/Crowding_out_(economics)
http://www.knoow.net/cienceconempr/economia/crowdingout.htm
lá vem  a explicação que investimento público e impostos elevados provocam aumento da taxa de juro e logo diminuição do investimento privado. Mas que, como qualquer nebulosa questão de economia, a diversidade de variáveis que entram no jogo torna o efeito de crowding out importante nuns casos e insignificante noutros (situação de desemprego elevado, por exemplo).

Pensa este blogue que não vale a pena no contexto atual discutir muito estas teorias, e que possivelmente o senhor governador do Banco de Portugal e o senhor deputado até estarão a dizer o mesmo.

Diria este blogue que o mais importante seria discutir em debate alargado a todas as sensibilidades politicas e aplicá-las de seguida,  medidas para estimular o emprego, as exportações e a substituição das importações essenciais.
Isto para não dizer, como os economistas aterrados propõem,
http://fcsseratostenes.blogspot.com/2010/10/economicomio-lxii-as-22-medidas-dos.html
que o banco central europeu deveria poder emitir mais moeda para financiar um orçamento europeu, emprestar diretamente aos Estados sem passar pelos bancos nacionais, e que deveria ser criada uma moeda , o bancor, de uso exclusivo nos pagamentos internacionais intra-europeus, para absorver os desequilibrios entre balanças comerciais dos paises da UE, dentro ou fora da zona euro.
Mas os senhores governantes da UE ainda não se convenceram com as propostas dos economistas aterrados...por mera obsessão ideológica, desconfio.

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